segunda-feira, 19 de março de 2018 08:14

Estão todos de olho em nossa água

Tanto ouvi falar a palavra água, ao longo desta semana, que a coluna quase me salta no colo.

Nós, da Linha Cascata, estamos no Nordeste do Brasil. Sim, água de caminhão-pipa fornecido pela prefeitura. No sertão isso dá voto, o tal cabresto, e mantém estruturas de poder político que não findam jamais. Coisa de país de terceira linha, nação rica, mas de governantes corruptos. Mas isso é lá! Aqui é falta mesmo. Nosso problema? Uma rede que não comporta a demanda. Há muitos novos moradores, gente que nem eu, que fugiu da cidade nos últimos anos. Dizem que somente a perfuração de um poço novo resolveria. Bem, vamos lutar por ele.

O curioso disso é que moramos no interior, onde a água abunda. Em minha propriedade mesmo, há três fontes. Na teoria, esse produto não pode ser usado para consumo humano porque está contaminado pelos químicos que provêm das lavouras (assim, químicos, fica uma palavra linda, nem parece veneno).

Não bastasse isso, moro na confluência mais rica em águas que conheço: Rio Santo Cristo, Rio Pessegueiro (que aí já recebeu Paulino, Inácio, Pessegueirinho, etc), mais o Lajeado Antas e outra sanga aos fundos. Muita água. Somos tão ricos em água que é inadmissível enfrentarmos problemas.

Há pouco, em um debate na Rádio Noroeste, especialistas falaram sobre a má qualidade da água que temos na superfície do solo. É verdade! Mas podemos recuperar isso. É, talvez, a maior riqueza regional. Além disso, embaixo de nossos pés está o maior potencial de água do mundo, o Aquífero Guarani.

Não é de hoje que os chineses, as grandes corporações da Europa e dos Estados Unidos estão de olho em nossa água. Não? Veja quem comprou a Fonte Ijuí: a Coca.

Eles estão de olho em três pontas: água para usar nas indústrias, água para produção de grãos (soja, milho e trigo) e produto in natura. Há lugares, inclusive nos EUA, onde um litro de água mineral vale quatro litros de gasolina. É isso! Nossa água vale ouro.

Aqui tem de sobra! Quando escrevo AQUI é ao nosso redor, Sul do Brasil, Misiones da Argentina, Paraguai e Uruguai. Há fundos de investimentos internacionais planejando investimentos para explorar essa riqueza. Primeiro comprarão as terras, depois explorarão a água.

Por que nós, do Sul? Porque está perto da Ásia, da China, principalmente se houver um corredor logístico com o Chile para escoar tudo pelo Oceano Pacífico. Isso é ruim, Clairto? Não, se tivermos governos que não nos vendam, não permitam que levem tudo de graça. Essa é a nossa hora, a hora de sermos ricos, como nação, como povo.

Aí entra o outro lado, a presença do Governo e dos poderes constituídos. Ainda nessa semana mataram um ativista no Amazonas, que denunciava a contaminação dos rios por uma grande multinacional.

Isso tem que acabar. O Brasil é nosso! Anote: 2018, ano de remover a corja do poder! Água neles. Quer dizer, voto noutros!

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Comentários
  • Marcos terça-feira, 20 de março de 2018 17:57

    Estudei toda legislação existente sobre águas no Brasil. Talvez no interior do RS tenha sido eu o acadêmico da área jurídica quem mais estudou e escreveu especificamente sobre águas. Desconheço outra dissertação de mestrado tratando desse tema. Primeiramente na minha graduação em direito, depois no mestrado em direitos humanos na linha do direito ambiental (que também é direito humano), tive oportunidade de pesquisar, refletir e escrever sobre o assunto das águas. Isso porque considero, como ser humano, um dos "bens" mais essenciais para a vida! Pois com isso quero dizer que o Brasil tem um dos sistemas normativos mais eficientes e eficazes para tratar da gestão política das águas, que só poderá ser modificado se houver uma profunda mudança na constituição federal e na lei da política nacional e estadual das águas. Hoje, é impossível "vender" o Aquifero Guarani, como alguns querem fazer parecer. Mais do que isso, é dos Comitês Gerenciamento de Bacias Hidrográficas o comando da gestão.