sexta-feira, 29 de dezembro de 2017 08:43

Estimado amigo!

Sei que lês esta coluna ao final de semana, entre um chimarrão e um minuto de folga na rotina, por isso, hoje, tão-somente hoje, escreverei como se eu fosse o chá posto em meio à erva verde da cuia.

Hoje o texto é um diálogo/monólogo contigo, estimado amigo(a) que me lê em todas as semanas do ano, que absorve minhas palavras como quem sorve um mate, por vezes suave como se feito fosse com erva adocicada ou, então, amargo qual houvesse usado a folha cancheada que volta e meia cruza o rio a partir da Argentina.

Sabes tu leitor, e nisso concordo contigo prefeito Vicini, que minhas correspondências têm chegado com gotas de sangue, fel e dor. A inquietude em mim é maior que meus medos, porque em todos os dias desse ano que finda, já no amanhecer, ao abrir qualquer jornal ou site de notícias, li manchetes amargas como se fossem escritas com erva revirada no fundo da cuia azeda em que se fez o mate.

Hoje, porém, fiz o chimarrão com folhas de ervas de aroma suave. Hoje, ao findar o ano, não foi o 13º dos vereadores que eu vi na tela dos meus olhos (embora estivesse em todas as postagens do Face). Hoje vi a esperança. Talvez porque a erva do mate e a bandeira do País sejam esverdeadas! Já no primeiro canto do sabiá, no taquaral aqui no galpão onde moro, eu senti um revigorar esperançoso.

Dirás, caro amigo, que me contradigo ao passo que durante todo este ano sempre escrevi o contrário. Sempre estive desesperançado. Tens razão, em parte! Até então, até o dezembro mostrar seu riso claro de verão, nada indicava a existência de alma nos seres humanos que nos cercam. Felizmente estava errado!

Há muito tempo que não via tantas mãos anônimas estendidas para ajudar pessoas em necessidade. Senhor, obrigado! Talvez nunca antes vi tanta cooperação, tanta gente a estender comida e presentes àqueles que nada teriam no Natal e no fim do ano.

É como se o brasileiro estivesse dizendo: “já que o governo e os políticos nada fazem, faremos nós”. Estou feliz porque descobri que há alma habitando em nossa gente. Esse foi o grande presente de Natal que recebi. A humanidade reapareceu em muitas pessoas.

Leio isso com esperança que os brasileiros reagiram, para fazer o bem, semearam afeto, partilharam. A minha gente dá mostras que cansou de esperar. Dá mostras que acorda de um longo sono.

O sabiá canta lá fora. Com o mate à mão observo o campo esverdeado como se todo ele fosse uma mensagem de esperança. Podemos levar essa energia boa para a rua. Agora creio que podemos capinar fora todo o inço que infesta Brasília nas eleições do próximo ano. E voltaremos a cantar amores que sempre tivemos!

Hoje, tão-somente hoje, no apagar do ano mais corrupto e podre da história desse país, decidi ser o chá que amaina a tua cólica, estimado amigo. Ou ser o chá da esperança, a erva revitalizadora ou a camomila que apazigua o teu espírito enquanto apazigua a si próprio.

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