segunda-feira, 23 de abril de 2018 07:54

Feriado mais besta esse!

Amanhã é feriado. Poucos sabem que é para honrar o mártir da Inconfidência Mineira. Feriado mais besta esse!

O 21 de abril deveria ser o principal feriado do Brasil. Deveria ser uma lembrança aguçada em todos os estudantes para lhes atiçar uma chama libertária que há muito nos abandonou. Tivéssemos mais Tiradentes, haveria menos larápios nos assaltando.

Dia desses, uma pessoa que admiro muito, disse-me: Clairto, estás com visão equivocada, discurso excessivamente social, quando, sabidamente, o ente público não comporta mais arcar com a abertura do poço de água para os moradores da Linha Cascata, da mesma forma como a Prefeitura não deve mais prestar serviços gratuitos como cuidar de um cemitério municipal.

A Prefeitura não comporta. O Estado não comporta. A União não comporta. Ouvimos isso a toda hora. É quase a mesma discussão com a Previdência que não terá recursos para pagar as aposentadorias. Talvez não tenha mesmo, porque o ex-presidente Sarney (senador) quer receber três aposentadorias que juntas somam R$ 115 mil. Ah, mas a grana não sai do mesmo caixa! Saúde, educação, a aposentadoria do Sarney, tudo sai de um caixa único: o imposto que todos nós pagamos.

Qualquer prefeitura sempre fará um grande esforço para atender as exigências de empresas interessadas em instalar unidades no município, inclusive doando áreas de terras. Talvez estejam certas. Então, doar terrenos em cemitérios é muito mais necessário e legítimo.

Ah, mas não comporta, não tem como arcar com os custos dos serviços (e isso se aplica a outras demandas, como estradas de acesso a propriedades)! Comporta sim, se enxugar a máquina pública, especialmente nos cargos de confiança que são pagamentos a débitos de campanhas.

O Estado não pode bancar tudo para o cidadão! Bah. Esse discurso é tosco, porque o Estado oferece saúde e educação, ambas com muitas deficiências, atua na segurança pública (meia-boca) e não consegue oferecer uma logística adequada em nossas estradas que são cedidas para pedágios. Por outro lado, o mesmo Estado foi tomado por papéis de fiscalização, criou mil e uma maneiras de explorar o cidadão, com taxas novas, com impostos novos, tudo para sugar, sugar, sugar.

Há verbas para tudo sim, elas apenas estão mal empregadas. Um deputado federal nos custa mais de R$ 100 mil por mês e são 513 desses. Um vereador, seguramente nos custa mais de R$ 15 mil com seu gabinete. Esse Brasil que está aí foi construído para dar lucro e ser benfeitor de apenas uma classe de pessoas: os políticos e apadrinhados. Por isso precisamos de tantas leis, para criar cargos, vagas que serão preenchidas por amigos dos reis.

É preciso rediscutir o Brasil, sim. Mas é necessário que se faça isso sob um viés de justiça social. Se há verba para custear os altos ganhos de determinados grupos de pessoas, deve haver para custear programas sociais nas vilas. Chega desse discurso de que são todos vadios e querem mamar no governo. Vadios que mamam no governo são os amigos dos reis, e os reis.

Vamos fazer nós, povo, uma Inconfidência. Em outubro, tenhamos o atrevimento de não reeleger traidores da Pátria. Nenhum! Pense nisso neste feriado!

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