sexta-feira, 9 de março de 2018 14:57

O assédio nos ambientes de trabalho

Eu esperava mais participação da comunidade no sábado passado, na Rádio Noroeste, quando fizemos o debate sobre assédio no trabalho. Porém, poucos ouvintes se manifestaram.

Em uma hora e meia do Noroeste Debate, pouca contribuição externa através de mensagens no celular ou no Face. Falávamos sobre esse estranho silêncio, eu a Dra. Giovana Fehlauer, ao término do programa. “É um tema incômodo ainda. Para a vítima é dolorido expor seu caso. Eu mesma já fui assediada. É bem difícil falar sobre isso”, explicou ela.

Aquele assovio ou aquela olhada mais libidinosa quando a mulher passa em meio aos homens é ofensivo. Hoje é. Se em algum momento parecia elogio à beleza, hoje constrange e agride. Hoje, se alguém “se passar” conosco de forma mais acintosa iremos às vias de fato ou à DP.

Então, por que não falamos sobre os casos de assédio nas empresas? É lá que as pessoas passam a maior parte de suas vidas? Porque muitos são velados, acontecem entre quatro paredes, ou porque o assunto ainda é tabu, principalmente quando é sobre sexo. Ou porque a exposição sempre deixa marcas na vítima, dores do julgamento público, traumas.

Mas o assédio nem sempre está associado apenas à conotação sexual, embora seja o mais debatido e exposto. Há casos de assédio moral ou psicológico que, igualmente, estabelecem dolorosos abalos ao trabalhador. E quase nunca se está, enquanto sociedade, preparada para lidar com isso.

O cinema de Hollyhood trouxe à tona dezenas de casos de atrizes vítimas de assédios sexuais promovidos pelos diretores ou produtores. Não faz muito a Rede Globo se viu em maus lençóis quando o galã José Mayer foi acusado, e reconheceu a prática. É a velha e surrada história de obter favores sexuais para “ajudar” o outro a conseguir sua vitória pessoal.

O que se percebe na leitura dos fatos é que os casos são bem mais comuns que se supõe. Estão em nosso meio, provavelmente entre nossos familiares e amigos também, seja com homens ou mulheres. Quem curará os traumas dessa geração? Quantos anos levaremos para eliminar esses comportamentos primitivos de nosso meio?

O Sávio Hermes, a voz masculina no debate, advogado no âmbito do trabalho, não é otimista com relação ao futuro em questões do assédio nos ambientes de trabalho. Crê que a modernização cortará ainda mais empregos. A manutenção das vagas aumentará o silêncio das vítimas.

Talvez, Sávio, talvez. Eu prefiro acreditar que os tempos são outros, que um sol brilhante há de varar as nuvens.

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