segunda-feira, 9 de abril de 2018 07:36

O custo de viver na região

Muito se fala na logística para explicar os altos custos de viver na região. É simplismo demais...

O preço regional sempre me intrigou. Recentemente o Jornal Noroeste deu voz a uma discussão nascida na rede social: o preço do gás de cozinha. A pesquisa feita pelo Jairo e o Jardel comprovou que os internautas estavam certos. O valor a mais, daqui para Giruá, é uma ofensa à inteligência (e a nós, clientes).

Naqueles dias em que o gás aqui custava R$ 80,00 fui a Restinga Seca, ali perto de Santa Maria, onde moram meus sogros. Lá o botijão custava R$ 56,00. Voltei de lá pensando que seria um bom negócio trazer uns mil botijões por mês e revender por aqui, com lucro que me daria meio carro novo.

Ah, naquela mesma viagem percebi a grande diferença praticada no preço da gasolina de Santa Maria até aqui. Fiquei bem desconfiado que o nosso transporte (a tal logística) deve ocorrer em rodovias de cobre, no mínimo. Mas o queixo viu a terra mesmo quando fui visitar minha filha em Santa Catarina. Aí sim me caiu “os butiá” dos bolsos.

A gasolina mais cara do país está aqui, o próprio Jornal Noroeste apontou isso há duas semanas. Facilita o gás mais caro também. Isso ocorre com outros produtos, basta avaliarmos os preços e compararmos com o que vemos na internet.

Fui palestrar em São José do Inhacorá. Passei no mercadinho, negócio pequeno, e lá comprei carne de gado com inspeção do abatedouro municipal. Aqueles preços, aqui só se encontram nos “clandestinos”, tipo a R$ 10,00 o quilograma. Em Restinga Seca é assim também. Que lógica é esta? Que tendo frigorífico de porcos pagamos mais caro que onde não tem? Que tendo gado, a carne vá às alturas?

Tenho familiares, de Caxias do Sul, que se horrorizam quando entram nos mercados por aqui. Perguntam-nos porque tudo é tão caro! Ah, eles também sabem que os trabalhadores que fazem (aqui e lá) os mesmos trabalhos, lá ganham o dobro.

QQ é isso?

A logística, tema tão presente nas falas do Artur Lorentz, por si só não explica os custos tão elevados. Seria a ausência de concorrentes, quando vender marcas diferentes não significa concorrer? Seria concentração de renda em mãos de poucos grupos? Seria o preço que pagamos por termos pouca população num raio grande de terra a percorrer?

A região não é pobre, do contrário não teríamos 50 revendas de automóveis, empresas fortes em todas as áreas e renda per capita de causar inveja a muitos municípios.

Eu não encontro as razões para o alto custo, e as minhas teorias conspiratórias, guardo-as em meu cofre particular. Mas que isso intriga, intriga.

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