segunda-feira, 18 de dezembro de 2017 08:54

O que os jovens querem dizer?

Depois dos movimentos que sacudiram o país em 2013, eu confesso, esperava mais da geração que aí está, chegando aos 20 anos. Sou a geração do Fora Collor, os caras pintadas. Por isso, aquela massa que saiu às ruas me encantou antes da Copa do Mundo em 2013. Era uma marcha genuína, sem mequetrefes políticos metidos, iniciada por uma simples redução no valor das passagens. Porém, lá em seu âmago, trazia todos os anseios da juventude pelo fim da corrupção, pelo fim da violência e por um Brasil digno para vivermos.

Passados quatro anos daquele movimento, confesso que esperava mais. Quem matou a esperança daqueles jovens que foram às ruas?

O movimento Fora Dilma matou um tanto a esperança daqueles jovens. Matou porque se esperava que ele fosse genuíno também, que seu anseio fosse realmente ir contra a corrupção. Mas não era. Era um golpe orquestrado pelos movimentos que não conseguiram engolir a Dilma. A corrupção não diminuiu e a grande quadrilha segue à prática dos assaltos contra o que é público.

Essa guerra entre PT e PMDB e suas quadrilhas não é dos jovens. Por isso eles silenciam. Eles não serão usados outra vez. Eles esperam as eleições para ver se muda. E mudará, se não votarmos em ninguém que está no poder hoje. Ninguém. Hora de mandar todos para a Coreia do Norte!

Quando perguntei, na Rádio Noroeste, “Jovem Pensa?” acho que o Oldisson Klock, esse músico nosso que canta nas praças para mostrar sua arte, resumiu bem o cenário atual de desesperança em que nos atolamos. “Não somos levados a sério”.

Valentini Amaral, poetisa adolescente cheia de inspiração, vai além, ousa dizer que “estão nos sonegando espaço para exposição das ideias”.

Eu compreendo que a geração é sim um tanto individualista, com preocupações em dar a si algo melhor. Entendo que os tempos são outros e as mudanças vêm a jato. Não culpo nenhum jovem por tamanho ostracismo, afinal, minha filha fez 15 anos e também não atina o que se passa no mundo caótico que estamos legando a eles.

A professora Marli Arruda, por mensagem no celular, disse que lutamos muito para dar a esta geração melhores condições de vida, um país mais rico, mas hoje vemos uma geração acomodada e satisfeita com as conquistas. Lutamos muito sim, Marli, mas também somos responsáveis também por este quadro que aí está, dessa Pátria podre e insana que nos rouba mais um tanto da esperança a cada dia. Nós deixamos as hienas no banquete.

A professora Maria Rosane Hansen disse que crê em mudança no futuro, assim que esta geração de jovens estiver com suas opiniões formadas. “Eles pensam coisas boas, é preciso dar crédito a eles”. Ok, professora, mas o que se desenha aos próximos anos é pouco alentador! A menos que limpem a corja política nas eleições de 2018!

O Oldisson tem umas sacadas que arrastam a gente. Ele disse que “vivemos em um silêncio muito parecido com a estupidez”.

Esse silêncio Oldisson é porque o Facebook tudo registra, mas não sai às ruas.

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