sábado, 15 de julho de 2017 11:17

Os militontos e os muitotontos

Há muito tenho escrito que me entristece a recente divisão entre brasileiros e brasileiros que torna todo o debate pobre, que encerra qualquer discussão já no seu nascedouro.

A condenação do Lula, por exemplo, é assunto a ser amplamente discutido em qualquer roda de conversa, nos assentos escolares, nas mídias, etc e tal. Porém, sob o viés da legalidade ou não, sob o viés das questões políticas e sociais, e por aí afora.

Não é o que se vê. Os argumentos deixaram de existir, deram lugar às vulgaridades. Quem abre as mídias sociais ou lê os comentários postados abaixo de matérias publicadas em veículos sérios fica horrorizado com o que lê. Em geral é baixaria, de ambos os lados: os que largaram “caramurus” na quarta-feira e os que sabem de antemão que a condenação foi mais uma pá de cal sobre a quase-lápide do PT.

Tenho lido bastante essa palavra “militonto” nos comentários. Em tese, todo aquele que defende Lula é um. Chama atenção, no entanto, que, em geral, quem a emprega é igualmente “militonto”, de outra sigla. Aplica-se idêntico raciocínio a quem usa o termo “coxinha”, igualmente pejorativo.

Para mim, quem emprega “militonto ou coxinha” está fora de qualquer roda de discussão, é tendencioso. Precisamos ter capacidade para ir além destes dois grupos. Não pode ser uma queda de braço entre ricos e pobres, entre ladrões e menos ladrões. Tem que ser uma discussão entre certo e errado (o que não temos hoje), uma pauta em prol da construção de um País para todos (que não é o que temos hoje).

O brasileiro é duplamente vítima: primeiro porque viu os eleitos depenarem o País em benefício próprio; e depois - não bastassem os roubos - vê-se presa de reformas que fatalmente o tornará ainda mais miserável. Fique claro, não sou contra as reformas, sou contra a forma como é conduzida e a totalidade dos itens aprovados ou em discussão.

É preciso serenidade a quem fomenta os debates. O mesmo cara que escreve “militonto” é “muitotonto” ao escrever que o massacre de acampados sem-terra foi legítima defesa da polícia. Isto é ser imbecil.

Nem “militontos”, nem imbecis “muitotontos”. Precisamos de pessoas em condições de argumentar e defender conceitos básicos, como ética, moral e honestidade. E, a partir destas premissas estabelecermos defesa dos nossos pontos de vista e reconstruir a sociedade.

Tristes estamos nós, brasileiros, roubados por essa quadrilha que estava e está alojada no Governo, no Senado e no Parlamento. E reféns de discussões rasteiras entre “militontos” e “muitotontos”.

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