sábado, 25 de novembro de 2017 12:10

Política e políticos

Vivemos um tempo em que a política é demonizada. Isso não é bom, vamos concordar, embora os políticos propriamente ditos não nos deem razões para pensar diferente. Mas a política sempre será importante. O quadro de descrédito da política brasileira nesse momento é preocupante.

Aqui em Santa Rosa, por exemplo, as conversas de quem está de olho nas eleições de 2018 estão se intensificando rapidamente. E pelo que os passarinhos estão comentando, teremos um número de candidaturas inédito, tanto para deputado estadual quanto para deputado federal. Teremos muitos candidatos, e a eles caberá uma tarefa nada fácil, ou seja, recuperar, no coração dos eleitores, a confiança na política.

Mas, pelo que estamos assistindo, o momento complicado não afastou ninguém. Ao contrário, parece que os cenários confusos estão atraindo mais gente.

Politicamente, o próximo ano promete. Talvez o pleito traga novos ares, novas posturas públicas, e até alguma esperança. Todos esperamos por isso. Sou daqueles otimistas incuráveis que sempre veem novas possibilidades em eleições.

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Esta semana teve inauguração em Porto Mauá. Inauguração?? Tive de me informar a respeito do que estava acontecendo e cheguei a uma conclusão. O Rio Grande não está bem mesmo. Até conserto de asfalto tem ato inaugural...

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Prefeitos que ora estão em mandato contam o dinheiro no caixa. A constatação é de todos: a grana está diminuindo. Alguns cofres já estão raspados.

Até 2020, quando encerram seus períodos, o quadro será de aperto financeiro. Depois, vai piorar e muito. O mais preocupante é que não há perspectivas de algo melhor no futuro.

Talvez, com esse quadro, os políticos passem a compreender os efeitos da PEC 55, aprovada no ano passado. Vi muitos prefeitos defenderem a PEC. Não sabiam eles que estavam dando um tiro no próprio pé.

Como sabemos, a emenda congela investimentos públicos, e já causa sensível redução nas áreas de infraestrutura, educação e saúde (basta ver os cortes em diversas áreas da saúde pública). Mas não congela o pagamento de juros da dívida, que só no ano passado consumiu 500 bilhões de reais.

Em síntese, o dinheiro em giro está menor e deve sofrer redução ano a ano, pois a PEC tem seus efeitos previstos para os próximos 20 anos. Tudo isso tem reflexo indireto no caixa das prefeituras, que vão penar.

Certamente esse aspecto já anda mexendo com a cabeça dos candidatos "prefeituráveis". Assumir uma prefeitura sem dinheiro é um péssimo negócio.

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Por outro lado, como notícias vindas de Brasília sempre nos surpreendem, já é voz corrente que se cogita simplesmente no adiamento das eleições.

Claro que iniciativa desse naipe, capaz de desmontar de vez com a nossa democracia, precisaria de uma orquestração envolvendo o Congresso, a Presidência da República e o Judiciário.

Pelo que já vimos nestes dois últimos anos, não é de duvidar que aconteça. E os eleitores? Ah, os eleitores são um mero detalhe. Um detalhe incômodo.

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