sábado, 25 de novembro de 2017 12:07

Uma geração sem ícones

Somos burras ovelhas, com todo o respeito ao burro, marchando em meio aos lobos, indo placidamente para onde nos arrastam porque estamos órfãos.

Basta olharmos ao redor, em qualquer campo, para percebermos que há saaras de areias estéreis. Nada novo no futebol, nada novo na política, nada novo na música. Nada! Nossos heróis vivem dentro de portais no celular.

Por isso o botijão de gás vale quase 10% de um salário mínimo e a gasolina é vendida aqui ao preço pago nos Estados Unidos (só que lá um trabalhador recebe 10 vezes mais). E por isso o presidente da República, através de assessores, diz que o gás sobe para nós porque se aproxima o frio nos Estados Unidos. Diz que eles têm dinheiro e podem pagar e se quisermos que paguemos também.

Se tivéssemos um ícone para seguir, eles não fariam isso, eles não diriam isso e não proporiam elevar para 40 anos o tempo de trabalho de uma pessoa pobre que entre o local do emprego e os deslocamentos deixa escoarem de 10 a 12 horas diárias. Ah, que saudade do Brizola (e eu jamais votei nele)!

Nossos ícones são youtubers abestalhados que fazem micagens para milhões aplaudir, ganham fortunas com o patético show, enquanto alguém que tencione alertar sobre os descalabros é ridicularizado.

Uma geração sem ícones é uma geração medíocre e apática. É o que somos!

Nossa geração cantava ao som de Renato Russo, ao passo que a atual se delicia com Anita. Nossas referências esportivas eram Senna e Pelé, hoje pelamordedeus com Rubinho e tantos outros meia-boca. Nossos esteios políticos eram Brizola, Ulisses Guimarães e Tancredo. Olha o que nos restou!

Não temos ícones. Fiz um cartaz com os prováveis candidatos a presidente nas próximas eleições: Ciro, Bolsonaro, Doria, Huck, Marina, Temer... Eu não tenho coragem de votar em nenhum deles.

Esperamos um salvador político, um mito. Queremos avidamente alguém que nos dê um mínimo de dignidade e orgulho para sair à rua e dizer “sou brasileiro”. Por isso o Bolsonaro está tão bem conceituado, porque esperam que seja o salvador da pátria. Eu já vi esse filme com o Collor em 89, e nem preciso escrever uma palavra para desqualificar o nobre senador que está a toda hora enlameado.

Nossos ícones são incapazes de escrever corretamente meia dúzia de linhas ou de compor uma boa música. Estamos órfãos.

E como órfãos - sem pai, sem mãe - só nos restaria a rua. Mas a rua se aquieta. Talvez estejamos órfãos depositados no lixo. Ou logo estaremos todos na rua da amargura.

Sim, concordo, o Brasil saiu do vermelho. Mas o povo brasileiro está vermelho de vergonha!

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