• sexta-feira, 28 de abril de 2017 17:04

    Pedalando por aí

    A Feira do Livro da cidade está em andamento, com atrações diversas, incluindo debates e, é claro, livros. Você já deu uma
    passada por lá ou vai ficar em frente à TV achando que está bem informado?
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    Reforma da Previdência: os brasileiros sabem dos estragos que ela vai causar, atingindo perversamente milhões de pessoas. O projeto em andamento é covarde porque deixou os brasileiros sem defesa. Nem mesmo os filiados do PMDB e PSDB concordam com o que está acontecendo.
    Para defender o projeto, o que vemos? O próprio dinheiro público usado para pagar os sorridentes apresentadores da Globo e do SBT. Veja a que ponto chegamos...
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    O painel de publicidade na rótula do Taffarel levanta uma velha polêmica. Os espaços públicos podem ser utilizados para propaganda privada? Creio que não, até por uma questão de isonomia com os outros empreendedores, concorrentes daqueles anunciantes. Por igual razão há que se criticar aqueles que colocam publicidade nos canteiros centrais das avenidas da cidade. Quem autoriza isso? Existe algum contrato, convênio ou licitação? O questionamento da vereadora Sônia Conti é pertinente e oportuno.
    Já é estranho o símbolo do Internacional, aquele time de Porto Alegre, ocupando espaço ao lado da homenagem ao goleiro. Se isso é possível, também queremos espaço para o Grêmio, o Juventus, uma homenagem ao Dínamo, ao Aliança e ao Paladino, e assim por diante.
    Sem falar que o painel descaracterizou o local que era tão bonito.

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    Não sou engenheiro de rodovias, mas circulo pelos contornos da cidade na condição de ciclista amador, em passeios de final de semana.
    Assim, como mero observador, pois, tenho visto cenas de perigo nos trevos de acesso à cidade, especialmente no do Frigorífico (que chamamos de “trevo do porco”) e no que dá acesso a Tuparendi a partir do Parque de Exposições. Perigoso também é o acesso da rodovia ao Bairro Sulina.
    Nos dois primeiros o perigo é constante. E vem crescendo com a expansão da cidade. Na prática, já são entroncamentos urbanos. Neles, a circulação de veículos e pessoas é intensa. Essas intersecções estão dentro da área física ocupada pela cidade e devem ser transformadas em rotatórias com ilha central para aumentar a segurança.
    Penso que já passamos da hora de remodelar estes acessos, tornando-os mais bonitos e mais seguros.
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    Hoje, sexta, 28, ocorrem manifestações pelo Brasil afora. E na capela do Dom Bosco tem audiência pública promovida pela Câmara de Vereadores para debater a reforma da previdência.
    Vai lá! Participa da democracia na tua cidade!

  • segunda-feira, 24 de abril de 2017 07:47

    Galera parasita

    Pois é. Vira e mexe e acabamos batendo na mesma tecla, a corrupção. De tudo o que ouvimos falar, um aspecto quase desaparece, ou não é compreendido. Estou falando da separação entre o patrimônio público e o privado.

    Na época do Império, sob a égide do feudalismo (não tão longe assim), essas riquezas se confundiam. O patrimônio da nação era também da família do Imperador, e também da Igreja e dos nobres (que recebiam títulos e propriedades imensas). Uma galera bem parasita, como se vê.

    A noção de patrimônio público não existia e tudo era fácil. Quando faltava dinheiro, era só mandar os fiscais agirem ou aumentar impostos. Lembra do que aconteceu na época do Tiradentes?

    A República, porém, definiu a separação. Dinheiro público pra cá, dinheiro particular pra lá. Em alguns países isso funciona perfeitamente. No Brasil, parece que ainda estamos no tempo do Império.

    O jeitinho e a malandragem impedem que essa separação seja clara e bem definida até os dias de hoje. O patrimônio público é muito grande e irresistivelmente tentador. Botar a mão no dinheiro de todos é tarefa prazerosa de muita gente por aí.

    As oligarquias vivem assim desde a colonização. Ao longo do tempo surgiram também as elites do funcionalismo público, sempre se achando cheias de méritos. Temos também os concessionários de serviços públicos, que não hesitam em comprar servidores para garantir seus contratos. E também os empresários, que reclamam do tamanho do Estado mas recorrem a ele diante da menor crise. Nessa fila temos também os empreiteiros (desde o início do século passado), os banqueiros (precisam dos juros pagos pelo Estado) e o grupos de mídia (por que apenas seis famílias controlam a imprensa brasileira?).

    Para todos esses grupos, dinheiro público e privado estão sempre misturados. A galera parasita continua a existir, mas agora usa gravata e tem métodos sofisticados.

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    Você já deve estar perguntando: e os políticos?

    Se olharmos atentamente, veremos que a maioria dos políticos pertence aos grupos que mencionei acima, ou são simples capatazes a serviço deles. Essa é a herança da política tradicional, vinculada aos grupos parasitários e intermediadora de seus interesses dentro do Estado, ou seja, a busca do dinheiro público.

    É simples observar. As classes B, C, D e E do espectro social brasileiro representam 95% da população. Mas seus representantes no Congresso Nacional são apenas 8%. Os outros 92% são integrantes (ou representantes) dos grupos sociais que fazem a mistura entre o dinheiro público e privado desde o Império. Muito desses políticos estão lá com essa missão. Estão todos bem, e mandam lembranças.

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    As notícias envolvendo a corrupção espantam. Mas para quem conhece a história do Brasil não há nada de novo sob o nosso sol tropical. A única diferença é que, agora, estamos conhecendo alguns nomes e a prática faz lembrar de imediato o Código Penal. Isso é muito bom.

    Mas não se iluda. A corrupção é, para os Odebrecht da vida, um jogo sempre divertido. Está longe de acabar.

  • segunda-feira, 10 de abril de 2017 07:23

    Escritores e cientistas

    O mês de abril tem tudo a ver com livros. Dia 2 (domingo passado) foi o “Dia Internacional do Livro Infantil”, uma homenagem a Hans Christian Andersen, cujos contos se tornaram mundialmente conhecidos e divertem as crianças até hoje.

    Já o dia 18 é dedicado ao “Dia Nacional do Livro Infantil”, homenagem a Monteiro Lobato, grande escritor e um dos pais da defesa do petróleo brasileiro (deve estar se revirando no túmulo com o governo Temer).

    Dia 23 será o “Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor”, que concentra homenagens aos legados de Shakespeare e Cervantes, cuja importância dispensa comentários.

    Estou dizendo tudo isso só pra lembrar que neste mês de abril teremos Feira do Livro em Santa Rosa. Não vai esquecer, tchê!

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    Cesar Victora é gaúcho e professor da Universidade Federal de Pelotas. Dias atrás ganhou um dos mais importantes prêmios do mundo científico e da medicina. Seus estudos revelaram (e comprovaram) que a amamentação materna exclusiva até os seis meses de vida do bebê é fundamental para prevenir a morte prematura e garantir a saúde e a inteligência pelo resto da vida. O mundo agradece ao cientista brasileiro.

    Se fosse jogador de futebol, Cesar seria recebido com banda de música e carro de bombeiros. Mas não é. É um cientista que se dedica ao assunto há 30 anos. Numa entrevista, lembrou o que às vezes esquecemos: “Ciência se faz com tempo. Leva anos. E a grande recompensa não é ganhar prêmios. É mudar a vida das pessoas”.

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    De agora em diante, quando você enfrentar um sujeito meio burro numa discussão, você pode simplesmente dizer: “Tchê, acho que a tua mãe te tirou do seio muito cedo...”

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    De 1990 até 2015 são vinte e cinco anos, certo? Pois nesse período, segundo a ONU, a superfície do Brasil coberta por matas foi reduzida em 10%. Perdemos 2,5 milhões de hectares de florestas.

    Nosso vizinho Uruguai, que vem investindo em produtos derivados da madeira, ganhou 131% de massa florestal. Disso, cerca de 80% tem certificado de sustentabilidade. É de dar inveja.

    No mundo todo, 130 milhões de hectares perderam suas florestas.

    A ONU também traz outro alerta. Ao contrário do que muitos imaginam, as florestas que desaparecem não são substituídas por campos floridos, cheios de vaquinhas sorridentes. A maior parte dessa imensa área se transforma em solos áridos e empobrecidos. As regiões desérticas e sem fertilidade também estão aumentando no planeta.

    Esses dados assustadores me fizeram lembrar recente manifestação de Stephen Hawking, o maior cientista vivo, que baixou a lenha na política do presidente americano Trump justamente porque este não aceita as advertências da ciência sobre as mudanças climáticas. Esta é uma briga boa. A ciência versus a obtusidade.

    A propósito, sou obrigado a lembrar que o ano de 2016 foi o ano mais quente da História. Quem diz isso é a agência norte-americana NOOA (responsável pela medição). O clima do planeta vem esquentando ano a ano desde 1977. Já são 40 anos....

  • sexta-feira, 24 de março de 2017 15:15

    Será?

    Foi só a imprensa fazer um carnaval sobre a carne que consumimos, presumidamente estragada ou contaminada, para ressurgir, nas rodas de conversas, um assunto que parecia esquecido. A “descoberta” ressuscitou o debate.
    Trata-se da economia-formiga, aquela exercida por pequenos agricultores, mascates, feirantes, e outras pessoas que trabalham no limite da informalidade, e que são milhões no país. É um mercado enorme que vem sendo atacado impiedosamente sob o argumento de risco à “saúde pública”, além do controle estatal em busca de taxas, impostos e outras arrecadações. Há controvérsias, meus amigos!
    Será que o açougueiro do bairro (figura hoje em extinção) seria capaz de fornecer um frango ou uma costela estragada ao seu vizinho?
    Será que o milho verde ou a abobrinha comprada do carroceiro tem o mesmo nível de toxidade dos alimentos transgênicos da gôndola do supermercado?
    Será que o pastel ou a carne congelada que encontrávamos no Mercado Público de Santa Rosa são capazes de colocar em risco a saúde pública?
    Será que o pequeno agropecuarista, que abate uma vaca eventualmente, seria capaz de entregar alimento de má qualidade aos seus parentes e amigos?
    Será que a linguiça do churrasco, a rapadura, a copa, o vinho, o suco de frutas e outros alimentos caseiros, consumidos desde o princípio da nossa colonização, são tão perigosos?
    Será que as galinhas criadas nos pátios dos pequenos agricultores estão formando organizações criminosas, capazes de produzir ovos contaminados para os consumidores da cidade?
    Dá o que pensar, não dá?
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    Mudando de assunto. Há meses o governo vem tentando impedir a divulgação da famosa “lista do trabalho escravo”, que existe há muitos anos e é atualizada periodicamente. Nela, constam empresas flagradas em exploração selvagem de trabalhadores (até crianças).
    Na última quarta-feira a Câmara aprovou a terceirização integral de mão-de-obra, incluindo o setor público.
    Pensando bem, ambos os fatos estão relacionados. Refletem apenas o que os atuais governantes pensam sobre o mercado e as relações de trabalho. Não dá pra negar que eles são coerentes.
    Com isso, acabamos de retroceder à década de 1940, época em que surgiu a CLT. Em breve, estaremos sentindo saudades de um cara chamado Getúlio Dornelles Vargas.
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    Falando em atraso, você já reparou que estão entregando o pré-sal brasileiro em fatias? A cada semana uma parte é leiloada. Logo o Brasil terá entregue todo o seu patrimônio oriundo do petróleo.
    E pensar que, pouco tempo atrás, discutíamos o destino dessa riqueza. O debate era sobre qual percentual seria destinado à saúde e à educação. Eram milhões de barris de petróleo que resultariam em bilhões de dólares para o Brasil.
    Pois é. Acabou.