• sexta-feira, 26 de maio de 2017 08:51

    Musicalidades

    Se dependesse somente dos eleitores de Santa Rosa, em 2014 o Aécio Neves teria se tornado presidente do Brasil. Na cidade, mais de 23 mil pessoas votaram nele. Hoje, esses eleitores se perguntam como foi possível votar no cara. Aonde estavam com a cabeça?

    Política tem disso. Não há santos ou heróis, ao contrário do que os ingênuos imaginam. E descobrir a verdade sobre a vida de Aécio Neves (a vida oculta, inconfessável, que veio a público na semana passada) foi um soco no estômago de muita gente.

    Felizmente, o resultado geral daquela eleição nos livrou dele. Evitou-se uma tragédia em escala nacional. Fica a lição.

    ***

    O fim da bela história do Colégio Liminha deixou um sentimento de tristeza em muita gente. Gerações inteiras frequentaram o colégio ou conviveram com ele. É visível, nestas pessoas, o pesar e o luto, como se tivessem perdido um ente querido. Afinal, são 74 anos de educação...

    Pois o Liminha decidiu encerrar suas atividades em Santa Rosa por diversas razões. A principal delas, penso eu, é a reestruturação da entidade mantenedora, que congrega as irmãs franciscanas. Mas também há questões de economia e concorrência no mercado da educação, cujo peso não pode ser desconsiderado.

    As irmãs ficarão na história da cidade como uma lembrança afetuosa.

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    Em matéria de música, os santa-rosenses não ficam parados. Agora mesmo temos novidades para todos os gostos. Veja só.

    O Zelindo Cancian, que também é músico, resolveu reunir em CD algumas músicas de sua preferência, trazendo à tona seu lado cantor e homenageando Teixeirinha, Santino Ferreira e outros. São músicas românticas, tipo dor de cotovelo. Mas não se preocupe. Não há nada que nos faça cortar os pulsos...

    O Albino Medeiros, mestre incontestável na gaita, tem uma longa história na música da região. Pois ele acaba de lançar seu 11º CD, “Na garupa do tempo”. Mais uma vez, o disco está repleto de músicas regionais, ou seja, vaneiras, valsas e chamamés. Para os apreciadores da música regionalista, é um prato cheio.

    Enquanto isso, os santa-rosenses do grupo “Bife de Búfalo” também estão com novidade no mercado, para alegria dos apreciadores de suas músicas hilariantes. É diversão pura, sob o comando do Fernando Keiber e do Émerson Maicá.

    Aliás, os caras estão devendo um show em Santa Rosa (vivem hoje em Porto Alegre), já que há muitos amigos e fãs do grupo por aqui.

    É o quarto disco, sempre com a mesma verve humorística.

    Como são antenados com as novas tecnologias, as músicas estão disponíveis no Spotify, Amazon, Deezer, Google Play e outras plataformas. Para ouvir e dar boas risadas.

  • sexta-feira, 19 de maio de 2017 11:42

    Amores de maio

    Maio é o mês do amor porque envolve o Dia das Mães e o Dia das Noivas.
    As mães, obviamente, adoram a data a elas dedicada, pois recebem presentes e carinho. Merecem.
    As noivas, como sabemos, perderam seu glamour porque os tempos mudaram. Hoje entendemos que o amor entre um homem e uma mulher tem múltiplas faces, muitas formas de existir. Não é mais o amor idealizado de outrora.
    Sob certo aspecto isso é muito bom. O amor romântico causa mais dor do que felicidade, e distorce a realidade. As pessoas envolvidas nele não conseguem observar com objetividade o seu parceiro. Por isso, quanto mais romântico e idealizado, mais cego.
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    O amor entre Aldacira e Ernando, por exemplo, desmente o amor idealizado, mas foi e continua sendo um grande amor.
    Estou falando de um amor de fronteira. Ela, mulher forte de físico e de personalidade, nascida em Misiones, na Argentina. Ele, um sujeito mirrado e sempre de bom humor, um brasileiro criado entre gaúchos e castelhanos, ambiente que sempre lhe foi muito natural. Mas todos sabiam que, entre eles, o amor tinha estranhas formas de manifestação, com algumas altercações e desentendimentos, que eventualmente chegavam às vias de fato. Nada que abalasse de forma permanente aquele noivado.
    Conheceram-se numas bailantas da costa do Uruguai, do lado de cá e do lado de lá. Nenhum deles considera o outro um modelo de beleza e gentileza, mas entre brigas e reencontros, decidiram que continuariam lado a lado, chegando até a marcar data de casamento, para surpresa dos amigos.
    No casamento, muito chamamé e rancheira, uma cantoria para unir as duas pátrias e alegrar a todos. Pois em pleno casamento, a festa quase no final, Ernando, com algumas cervejas na cabeça, envolveu-se numa conversa sobre mulheres e futebol. Um grupo de homens, é claro, faceiros e barulhentos, desses que no meio do casório já estão com o nó da gravata desfeito e que se põem de dançarinos no meio do salão. Futebol argentino era o tema, infelizmente. Em meio ao entusiasmo do momento, Ernando decidiu fazer uma gracinha:
    “O futebol do D’alessandro e mulher argentina têm duas semelhanças: fazem muito teatro e não jogam nada.”
    Todos riram porque, àquela altura, ririam de qualquer coisa. Menos a Aldacira, que se encontrava às costas do Ernando e não gostou da brincadeira. Foi só o tempo de os outros perceberem a presença da noiva assim tão próxima e Ernando levou um bofetão que o deixou ouvindo o sino da Matriz durante uma semana. A ponte móvel que usava na arcada superior dentária, dizem, foi encontrada em Oberá.
    Não é preciso dizer que a festa foi encerrada antes do previsto. Todos apostavam que o casamento estava acabado no nascedouro.
    Que nada! Já se passaram dez anos e os dois continuam juntinhos, comemorando aniversários de bodas a cada mês de maio.
    Por medida de cautela, e procurando evitar quaisquer danos, Ernando tomou uma atitude sensata. Não fala mais em mulher, a não ser que esteja numa pescaria, sentado num barco no meio do Uruguai. E sobre futebol, só se for o varzeano de Santa Rosa. Ele jura que nem sabe quem é esse tal de Maradona...

     

  • sexta-feira, 12 de maio de 2017 15:40

    Números cínicos

    O cinismo anda em alta no Brasil. No último dia 3 de maio, uma comissão mista do Congresso Nacional aprovou a Media Provisória nº 766/17, proposta por Michel Temer. Até aí, nada demais.

    Acontece que a medida concede descontos de até 99% aos devedores da Fazenda Nacional e prolonga dívidas por até 20 anos. E quais são os grandes beneficiários dessa mamata? Justamente os políticos do Congresso Nacional. Que beleza!

    No mesmo dia a Procuradoria da Fazenda Nacional divulgou a lista de deputados e senadores que estão devendo para o Fisco. Descobrimos, então, que o relator da matéria, deputado Newton Cardoso Jr (do PMDB, é claro) deve mais de R$ 67.000.000,00 à Fazenda. Ele e os demais que aprovaram a medida de Temer foram muito ativos no processo de impeachment por razões que agora estão ficando claras.

    O tal deputado recebeu “perdão” de 99% dessa dívida! De um dia para outro, ele passou a dever apenas R$ 670 mil, que poderá pagar ao longo de 20 anos.

    Os parlamentares (deputados e senadores) devem à Fazenda o montante de R$ 3 bilhões, segundo a Folha de São Paulo. Isso sem falarmos nos outros grandes devedores, especialmente empresas e bancos. A soma disso tudo beira 1 trilhão. Escreve-se assim: R$ 1.000.000.000.000,00.

    Os “representantes” do povo encontraram a maneira de não pagar. São os mesmos dizem que não há dinheiro para as aposentadorias!

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    Se isso não é cinismo e golpe, o que será?

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    Eu pretendia fazer uma crônica exclusivamente sobre as mães, porque domingo é o dia delas, mas me defrontei com os números acima e não consegui evitá-los.

    Mas vamos a outros números, agora sem cinismo. As mulheres são a maioria no Brasil. É um contingente de 51,4% da população. Até na hora de votar elas são maioria. Cerca de 77,5 milhões são mulheres. Os homens são 68,2 milhões de eleitores.

    Ao longo das últimas décadas a maternidade das brasileiras também mudou. A média de filhos era de 4 filhos por família. Agora esta média fica entre 1 e 2 filhos. Elas também estão esperando mais tempo para terem filhos, e até a gravidez na adolescência diminuiu no país.

    A carga de trabalho, porém, vem aumentando. Já são 37,3% dos lares brasileiros que são sustentados pelas mulheres. A região brasileira com maior participação das mulheres é o Nordeste, onde em algumas áreas a participação delas supera a dos homens. Ou seja, sustentam o lar e criam seus filhos. É o que podemos chamar de super-mamães!

    A violência, apesar de estarmos em pleno século 21, atinge as mulheres de forma humilhante. A taxa de feminicídio (assassinato de mulheres) no Brasil é a 5ª do mundo. Em 2013, por exemplo, 4.762 mulheres foram assassinadas no Brasil. Uma estatística vergonhosa e nada civilizada. A cada 11 minutos uma mulher é violentada no país.

    Por isso, no domingo, quando fores homenagear as mães, lembre-se que antes de tudo elas são mulheres. A pesada carga que carregam não é a maternidade. É o gênero. E isso precisa mudar.

  • sábado, 6 de maio de 2017 11:27

    Coisas da cidade

    Alguns anos atrás um amigo me confidenciou, numa roda de chimarrão: “O Belchior vai cantar na cidade amanhã”.
    Eu fiquei surpreso. Como assim? O Belchior, de quem já não se ouvia falar? Pois fui ao Centro Cívico. Não houve publicidade a respeito, e fiquei sem entender como ele veio parar em Santa Rosa daquela maneira. Havia pouca gente. Era uma segunda-feira, se não me engano. Ele cantou suas melhores canções, acompanhado apenas de um violonista, sem qualquer aparato tecnológico ou sonoro. Acho que naquele momento ele já rejeitava a publicidade e a mania de celebridade que cercam os artistas.
    Pois a morte de Belchior, no último dia 30/04, em Santa Cruz do Sul, fez reacender o interesse por sua poesia melancólica, filosófica e rebelde. Cantou as angústias de uma geração. Será lembrado (e gravado) por muito tempo. Um nordestino genial que morreu em terras gaúchas.
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    “Se você vier me perguntar por onde andei no tempo em que você sonhava, de olhos abertos lhe direi: amigo, eu me desesperava!” (Belchior)
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    A audiência pública da Câmara de Vereadores, debatendo a Reforma da Previdência, foi muito boa, com bom público. Mas merecia muito mais.
    Fica a sensação de que parte da população já percebeu que a tal reforma vai destruir a previdência social brasileira. Mas uma grande parte sequer notou que também é vítima. Muita gente não estudou o assunto, ou apenas o ignora, achando que os atingidos são os outros. Um clima estranho do tipo “vamos ver no que vai dar”.
    Acho que as coisas são assim mesmo. Sempre teremos os inquietos, atentos à realidade, capazes de deixar a sua zona de conforto para defender interesses e direitos que não são estritamente os seus. Aqueles que sabem que os direitos sociais fazem uma sociedade melhor para todos. Mas também temos os indiferentes, que não se envolvem. Às vezes não percebem, sequer, que sua indiferença pode voltar-se contra eles próprios.
    Talvez, lá adiante, seja tarde demais.
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    A SER Santa Rosa avança na sua organização, e nesta semana tornou públicos o hino, o escudo e o uniforme. Até agora vinha atuando apenas com as categorias de base. Ou seja, novos momentos e novas perspectivas para o planejamento estratégico dos próximos cinco anos.
    A propósito, as cores são amarelo, azul e grená. Um tricolor, portanto.
    Como torcedor, pergunto: onde compro a camiseta?
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    A Feira do Livro foi uma beleza. São Pedro mandou bom tempo e o público retribuiu. Uma festa animada que deixou os livreiros e os leitores satisfeitos.
    É um terreno difícil. Falar em livros em tempos de tecnologias avassaladoras é mesmo uma aventura, uma ousadia. A feira cumpriu seu papel, um papel indispensável. O caminho é esse mesmo. A feira se consolida e, esperamos, passe a integrar o calendário da cidade de forma permanente. A cultura agradece. Aliás, todos comemoramos.