• sábado, 16 de junho de 2018 09:15

    Futebol

    Um recorde de apatia no país do futebol. Ainda segundo a pesquisa, interessados de fato são apenas 18%.

    Qual a explicação para isso? Ninguém sabe exatamente, mas parece que a convulsões político-jurídicas do país contaminaram a nossa paixão futebolística. A falta de esperança no futuro abalou a nossa confiança no time do Tite.

    Não há bandeiras nos carros. Não há ruas coloridas. Não há pessoas trajando a camisa canarinho. Talvez durante a Copa o clima mude, o que seria bom.

    Realmente, é uma conjuntura inesperada. Há quem diga que a camisa amarela está amaldiçoada pois foi o fardamento usado para causar o impeachment da presidente Dilma e toda a crise que provocou. Acho que não é para tanto, mas a desesperança parece ser a tônica, e o desencanto chegou a tal ponto que abateu nossa paixão futebolística. Confesso que eu nunca tinha visto nada igual.

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    Acredito que isso tem a ver com a desconfiança generalizada nas lideranças brasileiras. Não temos mais líderes confiáveis. Nem na política, nem no futebol, pois os escândalos da Fifa envolvendo os executivos brasileiros também ajudaram nesse contexto. Nem no meio empresarial existem lideranças sólidas e sérias. Sempre que surge algum empresário opinando sobre o futuro, surgem também os escândalos do seu passado. Fica difícil.

    Como sou torcedor e gosto do futebol, espero que o esporte nos traga novos ares. Pode até não ser o título mundial. Basta que a Copa nos devolva um pouco da alegria que sempre nos embalou.

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    Mas você já observou a Copa em seus detalhes?

    No grupo B, Portugal e Espanha vão decidir o primeiro lugar numa mesa de negociações na cidade de Tordesilhas.

    Holanda e Itália estão fora da Copa. Parece que vão fazer um amistoso em Amsterdã, rolando um baseado, sem se preocupar com exame antidoping.

    Depois de muitos anos, o Peru voltou à Copa. No último jogo da fase classificatória, um jornalista peruano publicou: "Peru cresceu e vamos disputar a Copa". E outro: "Foi apertado, mas o Peru entrou".

    Vitaly Mutko é o presidente do comitê organizador da Copa. O russo não se dá muito bem com o inglês, e quando fala à imprensa torna-se engraçado. Fica parecendo o Joel Santana: "I don't like embromation. I like ball in the barbante!".

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    Quando criança, eu sempre imaginava aquele time do campinho da escola disputando uma Copa do Mundo. Minha seleção, com base naqueles colegas, seria a seguinte: Aspirina, Cova, Mandrake, Verruga, Troncudo, Sem Sono, Dedão, Macarrão, Dentinho, Bolacha e Vitamina C. Nenhum deles virou craque. Acho que hoje em dia estão mais interessados em peladas. No sentido literal.

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    Em 2026 a Copa acontecerá em três países: México, Canadá e Estados Unidos. Terá 48 seleções, 24 a mais em relação à Copa de 1994. Desse jeito, em 2050 teremos uma copa com 80 países e duração de três meses.

  • sexta-feira, 3 de agosto de 2018 15:44

    Revistas velhas

    Eu cresci lendo revistas. Acho que muitos de vocês, leitores, também gostavam de revistas (semanais ou mensais). Olhando para o mundo de hoje, em que a informação vem pelo celular, parece até antiquado falar nelas.

    Algumas publicações se tornaram digitais, abandonando a versão impressa. Mas estou falando da revista que buscávamos na banca. Em casa folheávamos avidamente, sentindo o cheiro do papel e da tinta. Essas, definitivamente, estão acabando. Aliás, a imprensa escrita está sofrendo.

    O jornal Zero Hora, por exemplo, que já teve 250.000 exemplares diários, hoje não passa de 75.000. O Globo, do Rio, de 400.000, hoje tem 120.000. O grande impacto, porém, ocorreu com as revistas. A revista Veja já teve tiragem de 1,2 milhão de exemplares. Hoje está com 300.000, e caindo. A editora Abril já foi a maior da América. Na semana passada vendeu seu controle acionário.

    Muitas revistas simplesmente desapareceram. Quem não lembra, só para dar alguns exemplos, da "Placar" e da "Manchete"? Quando garoto, eu gostava tanto que fazia coleções de algumas delas. Acho que agora estou virando um saudosista.

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    Uma coisa que sempre me intrigou. Por que as revistas de consultórios médicos são sempre velhas? Será que os médicos são mesquinhos e só levam para o consultório aquelas velharias que têm em casa?

    Pois saiba que este é um fenômeno mundial. A Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, estava meio sem ter o que fazer, e decidiu realizar uma pesquisa a respeito. Colocaram diversos tipos de revistas (87 no total) em consultórios e, após algum tempo, foram verificar o que tinha ocorrido. A conclusão é interessante. As revistas de fofocas desapareceram (ou seja, foram furtadas pelos clientes). Das revistas de leituras e notícias (The Economist ou National Geographic) poucas desapareceram. O estudo chegou a ser publicado, como curiosidade, numa revista de ciência médica.

    O resultado, se é que serve para alguma coisa, pode trazer as seguintes conclusões: (A) revista de fofocas desaparece; (B) leituras "pesadas" permanecem; e (C) ter wi-fi no consultório ajuda muito nos dias de hoje.

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    Falando em coisas velhas, a eleição que se aproxima já está mostrando que, na política, coisa velha funciona. Não estou falando de político idoso, e sim das práticas políticas do Brasil, muito velhas, e das estratégias que acabam estabelecendo as coligações.

    Vai ter candidato comprando siglas, comprando eleitores, comprando apoio de outros políticos. Em síntese, os representantes da velha e podre política brasileira continuarão nos palanques. Por isso, quase nada de novo aparecerá na próxima eleição. Não vamos nos iludir. Mas isso não significa que o nosso voto não tenha importância. Tem muita importância, sim.

    Antes de votar, faz-se necessária após profunda reflexão. Especialmente precisamos perceber que a grande maioria dos congressistas, embora eleita pelo povo, age contra os interesses do povo. Na prática, atuam para defender a própria elite que os financia. É uma questão estrutural que nos acompanha desde o Império. A esfera política é vista como algo que pertence às elites corruptas. O povão deve ficar bem distante para que não perceba o que realmente acontece. Essa velha prática é que distancia as coisas públicas do, digamos, público propriamente dito.

    Por tudo isso, seu voto é importante. Talvez jamais tenha sido tão importante. Pense bem no que irá fazer com ele no próximo pleito.

  • segunda-feira, 23 de julho de 2018 08:43

    Perdidos na rede

    Vou tentar uma adivinhação. Enquanto lê o Noroeste, você vai consultar uma ou duas vezes o seu celular. Estou errado? Não se preocupe, isso não acontece somente com você. Milhões de pessoas estão presas nesta teia.

    As informações extraídas dos sistemas da rede mundial de computadores dão conta de que o brasileiro gasta, diariamente, 9 horas e 14 minutos diante de qualquer dispositivo (celular, tablet ou computador). Desse total, 3 horas e meia são gastas acessando redes sociais.

    Os dados são de um relatório chamado “2018 Global Digital”, e colocam o Brasil entre os três países onde as pessoas estão mais conectadas na internet. Cerca de 130 milhões de brasileiros acessam as redes e a internet. Isso é bom? Não sei, mas tenho minhas dúvidas. Se assim fosse, o mundo já estaria melhor, concorda?

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    Mas, diante disso, vem aquela pergunta que não quer calar (isso até parece um clichê). Três horas e meia nas redes sociais daria para cada um de nós ler entre 60 e 70 páginas de um livro! Isso mesmo! Todos os dias!

    Como estou habituado a ouvir pessoas dizendo que não leem por falta de tempo, não estaria na hora de essas pessoas medirem o próprio tempo?

    Para fins estatísticos, é considerado “leitor” um indivíduo que leu, nos últimos três meses, pelo menos um livro. Veja lá se você se enquadra nesta pesquisa. Um bom leitor, mais uma vez para fins estatísticos, deveria ler um livro por mês. E o sujeito que, neste ano de 2018, não leu nenhum livro, já é considerado um analfabeto funcional. Ou seja, é o cara que entende o que lê, mas não consegue reproduzir o que aprendeu, nem falando, nem escrevendo.

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    Redes sociais são úteis, eu concordo. Mas a “febre” que tomou conta das pessoas está trazendo duas consequências bem visíveis.

    A primeira é a perda de tempo. Para as empresas isso é incalculável. Algumas delas já estão fazendo “acordos” informais com os empregados para regular o uso de celulares no ambiente de trabalho. Algo bem complicado.

    A outra consequência, já demonstrada por pesquisas da neurologia, é que as pessoas estão perdendo a capacidade de concentração. Estão perdendo o foco. Estão dispersivas e distraídas. Raciocinam através de imagens e frases feitas, perdem a capacidade de pensar de forma complexa. Isso é bem preocupante.

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    Enquanto isso, a imprensa divulgou esta semana que as escolas públicas do Rio Grande do Sul possuem, neste momento, só 20 bibliotecários. É bem isso. Numa rede com mais de 2 mil escolas, existem apenas 20 pessoas formadas em biblioteconomia. O resto é facão sem cabo, servidores que “quebram o galho” nas bibliotecas, tentando dar uma orientação adequada aos estudantes.

    Em países desenvolvidos isso seria inaceitável.

    Se a cultura (vista como apreensão de conhecimentos) e a capacidade de pensar estão diretamente relacionadas com a leitura e o estudo (em livros, claro), podemos concluir que a situação no Estado é altamente deficitária.

    As desculpas são conhecidas: a crise, o saneamento do Estado, e outras conversas fiadas que ouço desde o tempo em que eu usava fraldas. Enquanto isso, o que é fundamental para a formação de um povo vai sendo deixado de lado. Desse jeito, teremos um povo burro e de celular na mão. Aliás, será que já não temos?

     

     

  • segunda-feira, 11 de junho de 2018 08:14

    De tudo um pouco

    Em cada crise, um aprendizado. Assim como na nossa vida pessoal, também nas crises públicas precisamos aprender alguma coisa. Não temos todas as soluções, pelo menos temos otimismo. Veja o caso da paralisação dos caminhoneiros, dias atrás. Atrapalhou a vida de todos. Mas algumas coisas ela nos ensinou. Veja só.

    A poluição nas grandes cidades brasileiras foi reduzida à metade. Só isso bastaria para comemorarmos. A vida intoxicada melhorou. Sem contar o ruído, que também reduziu muito. Os moradores das nossas capitais tiveram uma experiência de cidade interiorana.

    Outro benefício foi o uso de bicicletas. Só em Porto Alegre o uso das bicicletas públicas (bicicletas de aluguel mantidas pela prefeitura) aumentou em 300% nos dias dos bloqueios das estradas. Milhares de carros deixaram de circular. Muitas pessoas "descobriram" que podem viver o seu dia sem automóvel. Ótimo!

    E tem mais. Muita gente que não ouvia falar de mercado de petróleo descobriu que o Brasil tem petróleo sobrando, mas que prefere comprar no exterior, a um preço 20% maior do que lhe custaria a própria extração. Jamais saberíamos dessa burrice se não fosse a paralisação dos caminhoneiros.

    Vivendo e aprendendo, pois. Sem perder o otimismo.

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    O campus da UNIJUÍ em Santa Rosa está em festa, comemorando 28 anos de atividades. Inicialmente, lá em 1990, a universidade aportou na cidade mediante convênio com o Colégio Dom Bosco. O campus próprio, ao lado da rodovia RS-344, foi inaugurado em 2000, e hoje oferece os cursos de Ciência da Computação, Direito, Educação Física, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Tecnologia em Gestão de Cooperativas, Pedagogia e Psicologia.

    Não é só a universidade que comemora. Santa Rosa e a região noroeste também.

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    O governo alterou mais uma vez a política de reajuste do salário-mínimo. Assim como neste ano, em 2019 também irá reduzir o percentual. Ou seja, o salário está perdendo poder de compra rapidamente. Usei a expressão "poder de compra" de propósito, pois quando ouço um comerciante, por exemplo, defendendo a redução dos salários, eu perco a fé na inteligência humana.

    "Poder de compra" é a capacidade que tem um determinado salário de comprar coisas como um quilo de carne, um desodorante, um tijolo ou um refrigerante. Ou seja, se o poder de compra é menor, menores serão as compras. O dinheiro não gira. A riqueza social não acontece.

    É impressionante ver lojistas defendendo esse posicionamento. Não percebem que estão cozinhando o próprio veneno?

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    Terça-feira próxima é o Dia dos Namorados. Iniciar um namoro é um dos momentos mais tensos e angustiantes da vida do ser humano. Um passo no escuro. O diálogo a seguir aconteceu com um amigo. Poderia ter acontecido comigo. Ou com você. Quem iniciou o diálogo foi o meu amigo, e o resultado não foi o esperado. Só para mostrar como todo começo pode ser difícil.

    - Posso te pedir em namoro?

    - Pode.

    - Quer namorar comigo?

    - Não.