• segunda-feira, 6 de junho de 2016 08:28

    Futebol no lar

    Marido e mulher discutindo, ela irritadíssima reclamando que ele só pensa em futebol e há dias vem protelando o conserto do chuveiro, o corte da grama e a arrumação do portão, que está caindo.

    “Ah, mulher, assim tu tá chutando minha canela! Tu sabe que entrar de carrinho é falta. Eu tô cheio de gás, louco pra fazer um gol de voleio e arrumar a casa. Mas só no sábado. Por isso deixa dessa marcação homem a homem...”

    Ela continua a dizer que o marido está há semanas prometendo os consertos.

    “Pare de bater na mesma tecla. No sábado eu vou dar um jeito nisso”.

    “Tu tá só fazendo catimba. Chega de fazer cera, parece pipoqueiro”.

    Nesse momento ele percebeu que a mulher também entendia de futebol, ou, pelo menos, da gíria do futebol. E gostou da conversa.

    “Meu bem, tu sabe que eu sou de molhar a camisa e de dar o sangue. Fica de olho no lance. Você vai ver que eu resolvo isso numa chapuletada, vai ser gol de placa! Não sou perneta nem pé torto...”

    “Quero que saiba que tu tá na marca da cal. Se eu chutar, você sai dessa casa! E não vai ter prorrogação ou decisão nos pênaltis. E também não vai ganhar no tapetão, como se fosse o Michel Temer”.

    Aquilo sim era uma bola venenosa, pensou ele. Sentiu que não podia chavecar e fazer pouco do adversário. Muito menos entrar de salto alto. E diante do que ela dizia, também não poderia devolver uma bola quadrada. Naquele momento a mulher parecia uma caixa de surpresas, um becão açougueiro que dá pontapé até na sombra. Concluiu que precisava de uma estratégia. Um gol no apagar das luzes, abrindo o placar, seria a salvação da lavoura. O jogo estava embolado... Ela virou-se e acrescentou:

    “Depois não adianta chorar sobre o leite derramado!”

    Ele sentiu que o jogo não era amistoso. Era jogo embolado e ele estava mais para morte súbita do que para vitória consagradora. Precisava virar o jogo com um gol relâmpago, mesmo que fosse com a ajuda do morrinho artilheiro, gol de mão, gol na banheira. De qualquer jeito! E lascou:

    “Benhê! Vamos combinar o seguinte. No sábado, depois do conserto, vamos jantar fora e beber uma cervejinha...”

    Ela pensou por um instante, e concordou com um sorriso.

    Ele comemorou esfregando as mãos e pensando consigo mesmo: “Craque é craque! Acabei de fazer um gol de trivela!”

    Mas logo depois lembrou que, no sábado, o time do coração tinha jogo. Sacudiu a cabeça desconsolado. “Pisei na bola, mas agora não adianta chorar. Ninguém vive só de vitórias...”.

  • sexta-feira, 27 de maio de 2016 11:13

    De tudo um pouco

    Muita gente sabe disso, mas até agora era apenas um palpite. Pois neste mês um instituto de pesquisa com saúde pública britânico confirmou. Trabalhar com jardinagem faz bem para o corpo e, principalmente, para a mente.

    O instituto sugeriu ao sistema público de saúde a inclusão da jardinagem no tratamento de pacientes terminais, com demência ou outros problemas graves, pois alivia a depressão, o estresse, a ansiedade e o sentimento de solidão. O relatório garante que a atividade melhora sensivelmente a ambientação social dos pacientes. O ministério da Saúde britânico está apoiando a ideia, e estuda a possibilidade da inclusão da jardinagem no tratamento de muitas doenças.

    Aquela horta ou pequeno jardim no fundo da casa tem tanto valor quanto o artesanato e outras tarefas manuais. Nosso corpo e nossa mente agradecem. Portanto, mãos à obra!

    ***

    E por falar em terapias alternativas, o Hospital Vida & Saúde inaugurou esta semana a biblioteca da Unidade V, aquela que tem os leitos do SUS. Em uma sala de espera estarão disponíveis livros e revistas.

    Não é preciso maiores comentários sobre os benefícios da leitura. De fato, não apenas o intelecto é ativado, mas a harmonia mente-corpo. E para quem necessita recuperar o corpo, é de grande importância ter vida interior, que geralmente vem da leitura.

    Iniciativa digna de elogios.

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    O Diário Oficial da União publicou na última terça-feira, 24, alteração no Código de Trânsito que interessa a todos, em seus artigos 40 e 250.

    Resumindo, a partir de agora o motorista deverá manter acesos os faróis, com luz baixa, à noite, e nas rodovias durante o dia. A novidade está na última parte, isto é, “nas rodovias” durante o dia.

    A regra passa a valer em 45 dias da publicação. A multa será de R$ 85,13, com 4 pontos na carteira. Acostume-se já!

    ***

    Santo Ângelo inaugurou o aeroporto (ou reinaugurou?), com promessa de voos regulares a parte de setembro próximo. Pois bem. Parece que a novela “aeroporto” está chegando ao fim. Dificilmente as tratativas envolvendo o aeroporto em Santa Rosa terão prosseguimento, pelo menos em curto prazo.

    A região das Missões, pelo visto, está comemorando. Com isso, agora podemos centrar as atenções na ponte de Porto Mauá, que já tem alfândega. Ora, o comentário geral, tempos atrás, é que as duas regiões deveriam negociar paritariamente. Uma fica com a ponte, a outra com o aeroporto. Ou seja, metade da questão está resolvida.

    É isso ou estou muito enganado?

     

     

  • sábado, 21 de maio de 2016 10:11

    Mulherada esperta

    O “mês da mulher” é março. Mas em maio elas também são muito lembradas, uma tradição que tem a ver com o dia das mães e das noivas e que vem do hemisfério norte. Coisa antiga. Pois acho que a transformação mais importante do nosso tempo é a independência feminina. Ela sim está mudando o mundo.

    Há séculos vivemos numa sociedade patriarcal e desde sempre a mulher foi vista como auxiliar, sem autonomia, sem inteligência. Nos tempos medievais era considerada a portadora da palavra do Diabo, e centenas foram queimadas sob acusação de bruxaria. No século passado, por força de mudanças culturais, a mulher assumiu papel diferente dentro das famílias. Surgiu então a figura da “bela, recatada e do lar”, uma espécie de bibelô para enfeitar a casa, ou quase um animalzinho de estimação.

    Um papel que hoje é visto como ridículo. Pois a mulher continua cercada por preconceitos, estereótipos e muita violência. Só para dar um exemplo, embora a estatística esteja em queda, ainda acontecem mais de 40.000 estupros no Brasil todos os anos.

    Atualmente, a palavra de ordem é “empoderamento”, ou seja, a mulher quer ser protagonista, atuante em todas as esferas, influenciar e atuar sobre a vida social. Isso gera um problema para nós, os machões. Mulheres autônomas e independentes nos assustam. O homem contemporâneo ainda não sabe onde colocá-la. A “bela, recatada e do lar” era mais simples. Bastava colocá-la na cozinha ou no tanque.

    Hoje a mulherada quer direitos e liberdade, a começar pelo direito de decidir qual a profissão, se quer ou não o casamento, se quer ou não ter filhos etc. E tomam conta do controle remoto da TV bem na hora do futebol!

    A história do Brasil só tem importantes figuras masculinas, não é mesmo? Errado. Acontece que as mulheres importantes foram colocadas em segundo plano. Talvez esteja na hora de colocarmos nas aulas de História, e nos debates públicos, a vida e a contribuição de mulheres como Patrícia Galvão, Rose Marie Muraro, Laudelina de Campos Melo, Bertha Lutz, Maria Quitéria de Jesus, Chiquinha Gonzaga, Maria da Penha e tantas outras que, literalmente, arriscaram a pele por um país melhor.

    ***

    O mundo conectado é divertido. Aliás, o mundo foi transformado em bits e trouxe incontáveis benesses. Mas confesso que às vezes eu fico espantado. Em todos os lugares, em todas as reuniões, em todas as esquinas, vejo pessoas com os olhos voltados para seus celulares. O celular virou um acessório do corpo, da vestimenta. É como se todos tivessem compromissos inadiáveis, urgentíssimos. Basta um sinal sonoro do aparelho e as pessoas interrompem o que estão fazendo (refeição, reunião, bate papo) e acionam o celular para saber o que está acontecendo. É uma mensagem? Uma nova postagem? Uma notícia? Uma fofoca?

    Temos uma legião de pessoas que não conseguem se desconectar. Dizem os médicos que se trata de uma nova doença. E você, também está doente? É fácil verificar. Se por algum motivo você esqueceu o celular em casa, observe se está enfrentando angústia e desconforto. Se é o seu caso, saiba que você já está doente.

    Em breve os professores das primeiras séries explicarão aos alunos: “Atenção, crianças! O ser humano é composto de cabeça, tronco, membros e aparelho celular”. Acho que já chegamos lá.

     

  • sexta-feira, 13 de maio de 2016 17:41

    Perigo

    Os brasileiros com um mínimo de responsabilidade social e política, na atualidade, estão todos fazendo a mesma pergunta, o mesmo questionamento. Para onde vamos?
    A “bagunça” que tomou conta das esferas superiores da nossa política deixa todos perplexos. Mas está revelando, também, um lado sombrio e perigoso da nossa democracia. Aliás, não só da nossa democracia, mas das democracias do mundo, como bem apontou Noam Chomsky, o pensador norte-americano mais respeitado da atualidade.
    Chomsky diz que as democracias correm um sério risco de descrédito, pois é cada vez maior o abismo entre o que deseja a população e o que as classes políticas de fato fazem. A população desconfia (com toda a razão) que o voto de já não tem valor. Formalmente, votamos, mas a nossa participação é quase inexistente. O que os políticos fazem com seus mandatos só interessa a eles e a seus grupos. As decisões verdadeiras não estão nas urnas, e sim nos gabinetes, às escondidas. Pois esse abismo (o povo de um lado e as classes dirigentes de outro) é mesmo muito perigoso. E o que esses grupos dirigentes estão fazendo com a nossa democracia é, no mínimo, uma grande irresponsabilidade.
    ***
    Hoje, 13 de maio, não lembra nada? Pois devia lembrar!...
    No dia 13 de maio de 1888 foi assinada a Lei Áurea, aquela que declarou libertos os escravos brasileiros. Devemos lembrar que o Brasil ficou marcado pelo fato de ter o mais longo período de escravidão. Tivemos uma abolição formal, o texto de lei, mas o Brasil jamais proporcionou reais condições de inserção social desse gigantesco contingente humano.
    A população negra foi deixada à própria sorte.
    Um banco de dados montado pela Universidade de Atlanta (EUA) indica que navios portugueses e brasileiros fizeram 29.000 travessias do Atlântico e trouxeram 9 milhões de escravos. Metade deles para o Brasil e o restante para os Estados Unidos e América Central.
    Os negros, lamentavelmente, passados 128 anos da lei, continuam a vivenciar os efeitos da escravatura, muito embora tenham ajudado a moldar o povo brasileiro que conhecemos. Sua contribuição para a riqueza econômica, para a miscigenação e para a cultura brasileira são incomparáveis.
    É certo que o 13 de maio da abolição não é comemorado pela comunidade negra, mas serve como referência. Não é um divisor de águas, mas devia servir de motivo para profundas reflexões sobre a barbárie que experimentamos.
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    Hoje à noite, na Linha Belinha, em Santo Cristo, tem festa para comemorar os 100 anos do Coral Santa Cecília, com jantar e muita música, e ainda o lançamento do livro “Um Século de Encanto”, do Adair Philippsen. O livro, é claro, conta a história do Coral.
    Pois um século é data marcante, que imediatamente faz lembrar o esforço de todos os que participaram e participam do grupo. Conheço inúmeras entidades do gênero que não sobrevivem a uma década. Um século, portanto, merece muita festa.