• sexta-feira, 22 de julho de 2016 10:26

    Coisas da cidade

    Algum tempo atrás (uns dois anos), um primo meu veio a Santa Rosa e mostrou-me, muito satisfeito, que conseguira gravações de músicas da dupla “Maninho e Mauri”. Raridades que ele buscava e que lembravam sua infância. Uma das músicas ele enfatizou, dizendo:

    “Essa eu jamais esqueci. Era a música preferida do meu falecido pai”.

    Ora, eu sabia que o pai dele (meu tio) tinha falecido há cerca de 30 anos. E disse-lhe que iria comentar com a dupla de músicos essa preferência da família. Quando eu disse isso, o meu primo ficou realmente espantado.

    “O que você está dizendo, Gilberto? Você conhece a dupla “Maninho e Mauri”? Eles ainda vivem?”

    A minha resposta foi óbvia. Os dois continuavam amigos e, eventualmente, se encontrando para cantar. Agora já não posso mais dizer isso. O Maninho partiu esta semana, deixando a cidade cheia de saudades.

    Pois a dupla “Maninho e Mauri” fez, nas décadas de 60 e 70, um sucesso estrondoso, que alcançava grande parte do Rio Grande. A presença deles no rádio e em bailes era sempre motivo de comemoração, com músicas dirigidas ao povo simples e interiorano. A morte do Maninho é uma desses acontecimentos que deixa algo nostálgico dentro de cada um.

    Da tristeza do Mauri Carlos, então, nem se fala...

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    A campanha de coleta do lixo eletrônico foi um sucesso. Foram 16 toneladas recolhidas por empresa de Horizontina habilitada para a tarefa, com o suporte da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável. Eu mesmo consegui me livrar de algumas “tranqueiras” lá de casa.

    As dimensões da coleta provocam uma reflexão. Vivemos uma civilização do descartável, do lixo produzido em escala, das mercadorias fabricadas para serem substituídas rapidamente. Não há mais eletrodomésticos “para a vida toda”. E quando lembramos da informática, então, nem se fala. Computadores, que alguns anos atrás comprávamos por consórcio, hoje são equipamentos que se tornam obsoletos de um dia para o outro.

    É um mundo diferente que, segundo os ambientalistas, está consumindo a si mesmo. Ou seja, o planeta não conseguirá abastecer por muito tempo a forma de vida que levamos. O consumo é excessivo.

    No mínimo, mais uma angústia para as gerações futuras.

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    As ondas de frio que vêm castigando a região tem um lado altamente positivo. As vendas do comércio aumentaram, trazendo otimismo. Especialmente quando falamos de equipamentos para aquecimento doméstico e roupas quentes. Uma súbita queda nos termômetros significa uma corrida às lojas.

    Conversei a respeito com um comerciante amigo meu, do ramo do vestuário. Sua satisfação estava estampada. Faceiro como genro levando a sogra para a rodoviária...

     

     

     

  • segunda-feira, 11 de julho de 2016 07:53

    Socorro, uma sigla!

    Recebi, há poucos dias, o boleto bancário para pagamento da TFM, uma sigla não tão nova no mar de siglas em que vivemos. Ela diz respeito à “Taxa de Fiscalização e Monitoramento”, cobrada pela Prefeitura. O estranho é que não fui fiscalizado nem monitorado.
    Pois cheguei à conclusão que as siglas, no Brasil, são usadas para dar um ar de respeito à infindável lista de impostos, tributos e taxas que estamos habituados a pagar. E quando surge qualquer atividade capaz de gerar riqueza, com ela surge (por um passe de mágica) um imposto qualquer. É o Estado querendo abocanhar algo. Não ficarei surpreso se, em breve, inventarem impostos ou multas para ciclistas, carroceiros e skatistas. Melhor comentar isso em voz baixa. Vai que algum tributarista da área pública esteja nos escutando...
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    Pois as siglas não são poucas: IR, IPTU, ITBI, ITCDm, ITR, IOF, COFINS, IPVA, ICMS, PIS, IPI, ISS, AIRE e assim por diante. Por trás delas, é claro, existem outras siglas conhecidas: PDT, PT, PMDB, PSDB, PP, DEM e outras tantas que nos confundem e divertem, como SUS, TPM, UPA, interminavelmente.
    Insatisfeito com os impostos, o poder público disfarça sua voracidade criando taxas, cuja lista não caberia neste espaço do jornal. Ah, além das taxas ainda temos as contribuições, que também são numerosas.
    Enfim, podemos dizer que vivemos sufocados por siglas nada agradáveis. Enquanto essas formas de arrecadação se multiplicam, um imposto que está previsto na Constituição Federal, passados tantos anos, ainda não foi criado. Estou falando do “Imposto sobre grandes fortunas”, algo existente na maioria dos países do mundo e que no Brasil não nasceu por razões óbvias. Observando o atual Congresso Nacional, podemos esquecer a sempre renovada conversa em torno de uma esperada “reforma tributária”. Cá entre nós, ela nunca acontecerá.
    Antes, são capazes de aumentar a lista de siglas que tanto nos atormenta...
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    Algumas frases para pensar o momento sócio-político brasileiro:
    “Não temos aliados eternos nem inimigos perpétuos” (Paulo Rónai, uma frase antiga que deveria ser pensada nesses dias bicudos).
    “Agressividade é a burrice em desespero” (autor anônimo, que tratou com objetividade a violência simbólica que está por aí).
    “Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito” (Albert Einstein, numa frase que está mais atual do que nunca).
    “Com alguns deputados, só conversando na sauna, e pelado!” (Sérgio Motta, ex-ministro, jornalista e engenheiro, prevendo o que aconteceria no Brasil em 2016).
    “É bobagem essa história de que o Estado Islâmico pretende fazer atentados no Brasil. Por aqui nós já temos o Congresso Nacional para espalhar o terror” (anônimo).
    “O momento exige que os homens de bem tenham a audácia dos canalhas” (frase de Benjamin Disraeli, político e escritor britânico. Acho que ele estava pensando em Eduardo Cunha e sua turma).

  • sábado, 2 de julho de 2016 12:00

    O tempo passa

    Estamos no dia 1º de julho. Você já reparou? Exatamente na metade do ano de 2016. E o século XXI já percorreu 16,5% do seu trajeto. Cruzes!
    ***
    O tempo é algo que nós, pobres mortais, jamais entendemos. Filósofos, poetas e pensadores de todo tipo já se debruçaram sobre essa questão. Até o Einstein! Ele dizia que passado, presente e futuro são coisas que não existem. Nós é que, através dos sentidos, criamos essas definições para melhor compreender o mundo. Pois, de fato, penso que a resposta é como o fim da vida. Jamais vamos entender. O tempo passa por nós ou nós passamos pelo tempo? Ou será que o tempo não existe?
    Lembro que nas aulas de catecismo a professora comentava: “Um milhão de anos, para nós, significa uma fração de segundo comparados com a eternidade”. Eu ficava conversando com meus botões: “Essa eternidade é mesmo bem velhinha”. E contávamos, no recreio, uma velha piada sobre o sujeito que conversava com Deus:
    “Senhor, é verdade que, para ti, um milhão de anos é apenas um segundo?”
    “Sim, é verdade”.
    “Bem, nesse caso o que é um milhão de dólares para ti?”
    “Para mim, um milhão de dólares é apenas um centavo”.
    “Ah, nesse caso, Senhor, podes me dar um centavo?
    “Claro” — responde Deus. — “Espere só um segundo”.
    ***
    A tocha olímpica, que está percorrendo o Brasil, vai passar por Ijuí, Santo Ângelo e São Miguel das Missões.
    A tocha é o símbolo que vem da Grécia, desde os jogos antigos, em torno de 700 anos antes de Cristo. Representa o espírito olímpico, sempre às voltas com a união dos povos através do esporte. Uma esperança que sempre se renova e anima o maior evento esportivo do planeta.
    Pois a tocha não vem a Santa Rosa. Aliás, alguém pensou em trazê-la? Duvido!
    ***
    Clube Concórdia às vésperas de sua reinauguração. Parece consenso. A arquitetura do clube é a mais bonita da cidade. Já foi uma espécie de cartão postal de Santa Rosa. Houve um tempo em que a vida era mais simples e mais lenta e as pessoas enviavam cartões postais para amigos e parentes (a galera mais jovem não lembra disso, é claro). Aliás, na época em que havia cartões postais, lembro bem que um deles era a fotografia do clube.
    Pois a Sociedade Concórdia está colocando à disposição da comunidade, novamente, o belo salão para bailes e outros eventos similares. Todos esperavam por isso, após um longo tempo de incertezas e problemas que abalaram o clube.
    Para marcar esse retorno, dia 22 de julho teremos jantar comemorativo, promovido pela entidade. E já está marcado para 19 de agosto o baile da OAB. Dois momentos para você colocar na agenda e não perder de jeito nenhum!

     

  • segunda-feira, 20 de junho de 2016 08:23

    Estamos longe de tudo?

    É frequente ouvirmos essa expressão: “Viver aqui na região noroeste é muito bom, mas estamos longe de tudo”. Isso é verdade apenas parcialmente.

    De fato, estamos longe das capitais. Uma viagem de pouco mais de 500 quilômetros até Porto Alegre demanda oito horas de estrada. Se lembrarmos de outras capitais, como Florianópolis ou São Paulo, a questão é muito mais grave.

    Daí a importância do debate acerca do aeroporto. Não precisamos lembrar que a viagem aérea elimina a questão do tempo e da distância. De Santa Rosa a Porto Alegre são 60 minutos. Se o aeroporto será local ou regional é aspecto a ser exaustivamente debatido. Mas sem ele, continuaremos longe de tudo.

    Porém, estar distante das capitais não significa isolamento. Estamos ao lado da Argentina e a poucos quilômetros do Paraguai. É muito mais fácil o deslocamento a Foz do Iguaçú do que para Porto Alegre. Sem contar que viver numa região de fronteira é sempre muito interessante.

    Mas você já deve estar questionando: “estamos mal de infraestrutura”. Também é verdade. Não temos a ponte. Para nossa integração com os países vizinhos, a ponte tem o mesmo significado de um aeroporto, não é?

    Nossos problemas de logística são bem conhecidos. Há cidades na região que ainda não contam com acesso asfáltico, coisa inadmissível em pleno segundo decênio do século XXI. Lembro do caso de Porto Vera Cruz. Um trecho de estrada que ligaria a cidade ao asfalto espera a pavimentação há três décadas. São apenas 16 quilômetros. A cada eleição para o governo do Estado as promessas se repetem, aparecem máquinas niveladoras e caminhões com brita, mas logo a seguir tudo desaparece. E a população comenta: “Talvez na próxima eleição...”

    Estamos distantes, concordo. Mas sabemos que a ponte e o aeroporto podem eliminar essa distância e nos deixar próximos de tudo. Não podemos desistir de buscar esses caminhos.

    ***

    Os índios voltaram a se instalar no trevo próximo ao frigorífico, vendendo seu artesanato. Quando os vejo, lembro da história do Brasil.

    Fazem parte de grupamento indígena que vem sendo catequizado, civilizado e explorado há mais de 500 anos. Mas é incrível perceber que eles mantém uma altivez e dignidade admirável. Continuam autenticamente indígenas.

    Além disso, são bilíngues. Usam o português para falar com os “brancos”. Entre eles, falam o guarani. Também é espantoso ver que a língua guarani, com pouca tradição escrita, sobreviveu a séculos de convívio com o espanhol e o português.

    Temos de reconhecer e respeitar essa força atávica e ancestral que trazem. Eles não desejam “se integrar” à sociedade dos brancos. Quem continuar índios. Orgulham-se de suas tradições e crenças. Nós, os brancos, insistimos há séculos para “integrá-los” à nossa civilização. Eles, porém, resistem, tal como fazem os ciganos. Se observarmos atentamente o mundo moderno e contemporâneo, não creio que eles estejam totalmente errados.