• sábado, 3 de setembro de 2016 10:58

    Coisas da cidade

    É impressionante a qualidade das ligações via celular em Santa Rosa. Mas “impressionante” no pior sentido. As ligações estão com péssima qualidade. O cidadão atende o telefone e começa a caminhar, feito mosca tonta, à procura de um local onde o sinal seja audível e a conversa possa acontecer sem interrupções ou queda de sinal. Normalmente, a conversa não chega ao fim.
    Quais as alternativas? Sinal de fumaça é uma delas. Tambores é outra. Pombo-correio, talvez. É a modernidade...
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    A briga pelo aeroporto local adquiriu contornos políticos. Houve anúncio da retirada do projeto do programa de aeroportos da presidente Dilma. Seguiu-se intensa correria e desmentidos. O aeroporto, dizem, continua na lista. Ficamos entre versões e desmentidos, porque 2016 é ano de eleições. O fato é que fere o bom senso acreditar no aeroporto em Santa Rosa após os investimentos feitos em Santo Ângelo.
    Mas como há repercussões políticas no fato, continuaremos entre as versões e os desmentidos. E sem o aeroporto. Aliás, considerando o que temos hoje, é melhor um local adequado em Santo Ângelo do que persistir na briga política.
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    A mortandade de peixes no rio Pessegueirinho pode até emocionar alguns ecologistas e grande contingente de santa-rosenses. Situações semelhantes já aconteceram no passado. Não há novidade nisso tudo. A recuperação do rio e de suas margens é um sonho antigo, mas improvável na prática. A população não está preparada para colaborar, nem os empresários por lá instalados, os quais, como todo mundo sabe, continuam jogando dejetos no leito do pequeno rio.
    Se algo deve causar espanto é a existência desses peixes no Pessegueirinho. Como é que eles vivem lá? Bem, talvez eles usem máscaras...
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    Farol ligado nas estradas gerou uma onda de multas. A medida, em si, é boa. Basta transitar pelas rodovias para perceber que a visibilidade dos veículos está diferente. Mas o levantamento, apenas durante os primeiros 30 dias da medida, aponta a aplicação de 124.000 multas. Algo em torno de R$ 10,5 milhões arrecadados, só nas rodovias federais! Imagine se somarmos também as estaduais...
    O dinheiro certamente não será aplicado em estradas, pois há previsão de 30 novos pedágios somente no RS. Um deles seria próximo de Santa Rosa. Prepare-se!
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    No Brasil as mulheres não podiam votar até 1932, no governo Vargas. Mas como na época a maioria delas era analfabeta, a participação ficou muito reduzida nos anos seguintes. Somente em 1988, com a Constituição, é que adquiriram direito pleno.
    Nas eleições deste ano, o percentual de mulheres que concorrem a cargos eletivos é de 31,95%. Não houve avanços, pois o percentual é quase idêntico ao das eleições de 2012. No Rio Grande, atualmente, a taxa de ocupação de cargos eletivos por mulheres é de apenas 13,4%.
    É muito pouco, pouquíssimo! Queremos com urgência mais mulheres na política! Talvez elas façam a diferença na nossa frágil democracia. Os homens vem demonstrando, desde a instauração da República, que estão precisando de ajuda!

     

  • segunda-feira, 15 de agosto de 2016 09:18

    Da Olimpíada brazuca

    Os americanos (aqueles lá dos EUA) não têm jeito mesmo. Primeiramente, queriam que a ordem alfabética de chamada das equipes na abertura da Olimpíada fosse em inglês. Ora, a Olimpíada acontece no Brasil, onde se fala português, my friends!

    Depois, reclamaram da homenagem ao Santos Dumont. Dizem eles que os irmãos Wright são os verdadeiros pais da aviação. Eles, de fato, voaram impulsionados por uma espécie de catapulta, antes do brasileiro. Dumont, em Paris, voou movido por motores. Os aviões, até hoje, são movidos por motores, my friends!

    Dos 50 chefes de Estado que viriam para o Brasil, aparecerem apenas 18. Nosso prestígio está como o último pau do galinheiro. O mundo sabe muito bem o que está acontecendo por aqui. A pergunta feita pelas autoridades mundiais é simples: se a presidente eleita não estaria na abertura da Olimpíada, por que eles estariam, my friends?

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    Poucos dias atrás a região foi abalada com a informação falsa de que o local da ponte sobre o rio Uruguai já estaria definido. O fato chegou a ser comemorado efusivamente em Porto Xavier e em outros municípios da região missioneira. Por aqui, o que se viu foi uma enorme frustração, como se um bomba tivesse sido jogada sobre o noroeste do Estado.

    Pois a divulgação partiu de um deputado federal, veja só. No mínimo, uma irresponsabilidade. O fato foi desmentido no dia seguinte pelo Ministério encarregado dos estudos de viabilidade da ponte. Todos se perguntam: qual o propósito da falsa notícia?Na verdade, a definição ainda não ocorreu. Ou, como diz o ditado popular, muita água ainda vai correr por debaixo da ponte, digo, antes da ponte surgir.

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    Dizem que o mês de agosto é chamado de “mês do cachorro louco” porque, em razão das instabilidades climáticas, nesse período os cães tornam-se inquietos, e aumenta o número de cadelas no cio. Os cachorros ficam “doidões”, babando pelas fêmeas. Assim, a raiva (que é transmitida pela saliva) também se espalha. Quando transmitida pelo morcego, pode atingir também outros animais. Isso tem base científica? Sei lá. Vou precisar da ajuda dos veterinários!

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    Mas todos sabemos da fama de agosto, o mês do azar.

    Foi em agosto que Getúlio cometeu suicídio e Juscelino morreu num acidente automobilístico. O mesmo destino teve a Princesa Diana. A primeira Guerra Mundial teve seu início. Hiroshima e Nagasaki foram destruídas. E Hitler se tornou chefe de Estado também em agosto.

    Tragédia pouca é bobagem, especialmente para quem gosta. Mas, para afastar as crendices, também temos boas notícias históricas em agosto. Veja.

    É o mês do nascimento de Jorge Amado (1912), de Madre Tereza de Calcutá (1910) e de Leon Tolstói (1828), um dos maiores escritores da história, e de acontecimentos como o Festival de Wookstock, a independência da Índia e a rendição do Japão, que determinou o fim da Segunda Guerra.

    E nós, em particular, temos que comemorar o mês de agosto. Afinal, foi num dia 10 de agosto que surgiu Santa Rosa...

  • sexta-feira, 5 de agosto de 2016 14:47

    Se

    Se eu sugerir a alguém, não importa a idade, a leitura de livros como "Guerra e Paz", "Ana Karenina", "Os Irmãos Karamazov", "Cem anos de Solidão" ou mesmo o nosso clássico "O Tempo e o Vento", tenho certeza de que vou receber a seguinte resposta:

    "Você está maluco? E eu tenho tempo para essas coisas?"

    Natural, muito natural. Vivemos uma época de leituras instantâneas e que duram pouco. Aquilo que você leu no celular há meia hora já desapareceu. Tente lembrar de alguma coisa importante que você leu no Facebook no dia de ontem. Tudo desapareceu.

    Pois se os argumentos envolvendo conhecimento cultural não são suficientes, agora temos um vindo da neurobiologia, aquele ramo da ciência que estuda o sistema nervoso e que vem fazendo importantes descobertas sobre a cognição humana, sobre como o nosso cérebro age e nos torna mais ou menos "inteligentes".

    Pois bem. A leitura de um livro complexo é vista, pelos estudiosos, como um grande processo de aperfeiçoamento na forma com que o cérebro interpreta as informações. Se você optar pelo conhecimento vindo das redes sociais ou de leituras rápidas e leves, seu cérebro simplesmente não vai reagir, não vai se aperfeiçoar, não vai saber interpretar coisas complexas.

    Mal comparando, é como bolão e xadrez. Na primeira hipótese, o cérebro tem pouco a aprender, e sim a repetir. Na segunda hipótese, as alternativas do jogo forçam o cérebro a procurar soluções, e assim ele próprio (o cérebro) se torna mais complexo e mais dinâmico. Bingo! Portanto, ao fugir de leituras complexas estamos apenas obedecendo a um cérebro preguiçoso, que prefere a inércia à evolução. O mundo está cheio de cérebros deste tipo...

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    Aliás, a desculpa de falta de tempo foi inventada pelo nosso cérebro preguiçoso. Você já tinha percebido isso?

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    Se eu fosse um atleta (o sonho ficou no passado, é claro), o maior sonho seria participar de uma Olimpíada, o grande evento esportivo do planeta. Cheguei a participar de corridas atléticas e confesso que não fiz nenhum fiasco. Mas foi só.

    Também participei de natação. Desisti quando me explicaram que ir ao fundo não contava pontos. Eu devia ficar na superfície, veja só!

    Salto com vara também não deu certo. Os técnicos insistiam para que eu alcançasse o outro lado por cima da linha medidora da altura, e não por baixo.

    Tentei o boxe. Quem me fez desistir foi o traumatologista!

    Na prova de tiro, escondi o fato de que não via o alvo com precisão. Aleguei que sou a favor do desarmamento e fui pra casa.

    No tênis fui eliminado na primeira prova. Depois me explicaram que deveria jogar a bolinha na direção do adversário, e não os tênis que trazia nos pés.

    A luta greco-romana eu nem experimentei. Ficar abraçando homens malhados e suados não é minha praia, definitivamente.

    E veja só o pentatlo. Se já me atrapalho com apenas uma prova, imagina cinco! Enfim, ficou o sonho e a admiração pelos atletas que expandem os limites do corpo humano, unem competição e beleza, e, de quebra, ajudam a fomentar a solidariedade entre os povos. A Olimpíada é sempre um grande barato.

  • segunda-feira, 1 de agosto de 2016 07:14

    Sem luz no fim do túnel

    As notícias envolvendo questões educacionais no Brasil são as piores possíveis. Disso isso porque sempre que alguém comenta problemas brasileiros vem aquele raciocínio lógico: “Sem educação continuaremos no período colonial”.

    Nada mais correto. A história prova isso. Só chegaram a um patamar de países menos injustos e mais desenvolvidos aqueles que apostaram decisivamente na educação.

    Não há novidade nenhuma nisso.

    Mas agora, com o governo interino, as notícias são péssimas.

    Acabaram com o Pronatec. Acabaram com o Ciência Sem Fronteiras na graduação. Acabaram com o sistema de avaliação da educação básica, o IDEB. Cortaram 90.000 bolsas do financiamento estudantil, o FIES. Os recursos do pré-sal, que iriam para a educação na proporção de 75%, estão fadados a desaparecer com a proposta de concessão à iniciativa privada. E, dizem, o Enem também está com os dias contados.

    O ensino público está sob ameaça. Não é sem fundamento que o jornal O Globo publicou, na semana passada, um editorial pedindo a privatização da educação brasileira. E tem gente no “governo” que está adorando a ideia.

    Como se não bastasse, o atual ministro da Educação publicou, em rede social, um texto atribuído ao grande Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores escritores brasileiros. Pois espantem-se. O texto era falso!

    Na educação, portanto, parece que apagaram a luz e retrocedemos trinta anos...

    ***

    Mudando de assunto. O “Brique da Praça” acontece nas manhãs de domingo, na Praça da Bandeira. Quando surgiu, foi saudado e prestigiado. Os artesãos da cidade estavam entusiasmados. Com o tempo, porém, perdeu fôlego.

    Parece que está na hora de revitalizá-lo.

    A praça naturalmente atrai pessoas aos domingos por conta do já tradicional programa “Bolsa de Automóveis”, comandado pelo Elói de Ávila, da Noroeste.

    A combinação do programa de rádio com o Brique me parece perfeita para criar um ambiente onde as pessoas se encontram, conversam e bebem seu chimarrão.

    Ou seja, um momento importante para cultivar as amizades e também fazer algum negócio. Mas está faltando um empurrãozinho...

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    Sem fazer comparações, mas já comparando, lembro do “Brique” na praça central de Santo Ângelo, que está em atividade há muitos anos. Por lá, são numerosos os artesãos que comparecem nas manhãs de domingo, atraindo muita gente.

    Durante todo esse tempo, o brique não perdeu fôlego. Continua sendo um ponto de encontro dos santo-angelenses. Deveria servir de exemplo.