• domingo, 27 de março de 2016 09:55

    De filtros e do rádio

    Por Claudiomiro Sorriso

    Então, cá estou, invadindo (a pedido do próprio) o espaço do Kielling. Aliás, é uma honra fazê-lo. E desafiado a cumprir o papel de nosso ilustre colunista, passei a listar uma série de pautas interessantes e merecedoras de destaque nesta coluna.

    Pensei na Dilma, no Lula, no Moro, no Zavaski, no Marcelo Odebrecht, na operação Lava-Jato (e suas infinitas fases), na Petrobras e seu prejuízo bilionário, nos desvios, nos desmandos, nas vozes das ruas, no impeachment e na CPI formada por políticos de índole duvidosa, no “Não vai ter golpe’, no “Não é golpe”, na Nação, no brasileiro....bom, decidi não falar nestes assuntos.

    Aliás, é tanta informação, tantas verdades e ‘verdades’ sobre estes temas da atualidade que me lembrei da história que é atribuía a Sócrates: o uso do filtro triplo.

    Dizem que o filósofo, na Grécia Antiga, detinha alta reputação, sendo muito estimado. Um dia, alguém próximo a ele chegou e disse que tinha algo para contar sobre o que ouvira por aí de um amigo seu. Foi surpreendido por Sócrates que lhe indagou se, o que iria falar do amigo passava pelo que chamou de “Teste do Filtro”.

    Usando a sua filosofia, perguntou se o que ele tinha de informação era verdadeiro, se o que diria era algo bom e se aquela informação era útil.

    Diante de três respostas negativas, Sócrates concluiu dizendo que se o que iria contar sobre determinada pessoa não era nem bom, nem útil e muito menos verdadeiro, para que contá-lo?

    Pois penso assim, e desta forma reflito sobre nosso cotidiano. Há muitos por aí, com suas ‘verdades’, a espalhá-las sem saber se, de fato, os outros querem ouvir, se vai lhes fazer bem e, acima de tudo, se são verdades.

    É preciso se desarmar, se desencilhar das raivas, dos preconceitos, da intolerância que nos agride antes mesmo de ferir o outro. Como li por aí, nestes tempos de ódio é bom andar ‘amado’.

    ***

    E sendo eu do rádio - há 30 anos - não poderia deixar de falar sobre ele ao destacar o aniversário, neste sábado, da Guaíra FM. A caçula da Empresa Jornalística Noroeste completa três décadas ininterruptas de comunicação. São 30 anos evidenciando, em uma eclética programação, a música, o entretenimento, a informação, de uma forma dinâmica e muito alto astral. Dia de saudar o Chiquinho, o Volkmer, o Vilmar, o Ernani, o Severo, o Vitor Alves, a Elizabete, o Ribeiro Júnior (o filho) e Valdir Ribeiro (o pai), o Jordanes.....e seus programas sinônimos de audiência.

    Em 1986, quando eu estava dando meus primeiros passos por aqui, ainda com LPs e fita K7 na mão, vi seu começo, sua evolução e seu crescimento até chegar na grande potência que se transformou. Viva o rádio! Viva a Rádio Guaíra FM!Vida longa aos 97.7MHz, a trilha sonora do seu rádio.

  • sábado, 23 de abril de 2016 09:55

    Livros e independência

     

    A Feira do Livro de Santa Rosa continua pequena, voltada para o público infanto-juvenil. Pequena mas divertida e alegre. Acredito que pode se transformar num dos eventos do calendário da cidade, mas para tanto teremos de mudar as mentalidades, seja dos organizadores, dos livreiros e até do poder público.

    Não há dúvida que ela é mobilizadora e pode crescer. Este deve ser o mote dos debates ao longo deste ano. Sugestão minha, é claro.

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    Ao longo de todo o último sábado foi grande o número de pessoas que foram à Feira em busca do seu exemplar do livro "A Varanda".

    Tentei conversar com todos, embora isso tenha sido difícil dadas as circunstâncias. Pessoalmente, foi emocionante, para dizer o mínimo.

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    No Youtube, uma galera de Santa Rosa criou a "TV Olho", e nesse canal o hilário "Informativo do Ivo", no caso, do Ivo Dani (conhecido nacionalmente como "cavalo", e que faz do humor um hobby genial). Nos vídeos, com periodicidade semanal, o Ivo Dani fará reflexões e dará conselhos sobre a vida cotidiana.

    Para dar um exemplo, segundo o Ivo, "no caso de suspeita de dengue, não procure um eletricista, um encanador ou um padeiro. Procure um médico".

    Vejam que este é um conselho fruto da grande sabedoria do Dani. Não sei como ele consegue chegar a estas reflexões tão profundas...

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    O feriado da semana, dia 21 de abril, lembra o triste e marcante episódio de Tiradentes, o herói da nossa independência. Tiradentes perdeu os pais quando ainda era criança. Depois, tornou-se tropeiro, comerciante, minerador e dentista prático (daí o seu apelido).

    Empolgou-se com a Inconfidência Mineira, sonhando com o fim da colonização portuguesa no Brasil.

    Foi traído por Joaquim Silvério dos Reis, um coronel endividado que pedia, com a delação, o perdão de suas dívidas para com a Corte Imperial (isso não lembra nada?). Sua traição resultou na morte ou degredo de diversas pessoas, incluindo Tiradentes, que passou três anos preso e depois foi enforcado e esquartejado. Sua cabeça foi furtada e seu destino é desconhecido até hoje.

    Como sempre a traição envolveu algum dinheiro. Aliás, a história está cheia desses traidores. O importante é lembrar que foi a Inconfidência Mineira que deu origem ao sentimento de nação que desejava ser independente. Por isso dizemos que o Brasil é muito jovem. A idéia de pátria ou nação que surgiu naquela ocasião não tem 250 anos. Talvez menos que isso.

    Somos um país muito jovem, e com muito a ser feito.

     

    E por falar em traidores no Brasil de hoje, com seus gabinetes em Brasília... bem, deixa pra lá....

  • sábado, 19 de março de 2016 10:28

    Alto nível

    Quando falamos em diversas oportunidades que a leitura é algo importante para as pessoas e para o país, parece que estamos fazendo chover no molhado. Todos concordam com isso, mas é como se dissessem: “O problema é dos outros”. Sem falar nas velhas desculpas como “não tenho tempo”, “passou minha época de ler livros” etc.

    Há muitos anos a média de leitura dos brasileiros é a mesma, ou seja, quase nenhuma. Em média, não lemos dois livros por ano por habitante. Por isso mesmo, o nível dos comentários, por exemplo, no Facebook, é de chorar. Eles são o espelho dessa realidade sem livros e sem leitura. O espaço virtual das redes sociais abriga milhares de “comentaristas” que não entendem nada e são especialistas em agredir a língua portuguesa. E só.

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    Pois uma pesquisa organizada pela Unicamp, feita no final do ano passado, classificou os brasileiros em idade de trabalhar quanto à sua capacidade de entender e se expressar por meio de letras e números. O resultado é o seguinte: analfabetos (4%), rudimentar ou analfabeto funcional (23%), elementar (42%), intermediário (23%) e proficiente (8%).

    Um indivíduo “proficiente” é capaz de compreender e elaborar textos diferentes, além de ser capaz de opinar sobre o posicionamento ou estilo de um autor. Ele também é capaz de desenvolver planejamento, controle e elaboração de um projeto. Além disso, compreende gráficos e outros elementos textuais que permitem conhecer uma realidade.

    A regra é que uma pessoa com 12 anos de escola deveria estar nesse grupo.

    O que a pesquisa concluiu é que o grupo “proficiente” é muito pequeno, uma elite intelectual. São essas pessoas que, em tese, têm o hábito da leitura e se dão bem em seus empregos. Suas habilidades cognitivas, desenvolvidas através dos livros, os diferenciam do restante da população.

    Ocorre que essa classificação quanto ao desempenho intelectual tem a ver com as desigualdades econômicas do Brasil, obviamente. Mas também é resultado de uma certa indiferença com as letras, o que nos torna um país tido como “iletrado”. O livro não é um valor para a maioria das pessoas.

    Só para provocar, observe à sua volta. Veja quantas residências possuem livros. E quando você estiver em uma festa de aniversário, preste atenção no número de livros que serão presenteados ao aniversariante. Como regra geral, nenhum. Existe a ideia generalizada de que livro não será valorizado como presente.

    Enquanto isso, continuamos sendo apenas um país do futuro.

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    Fernando Keiber, além de formação superior em música, é atuante como produtor cultural em todo o Rio Grande. Pois o “Nando” decidiu assumir o Musicanto. Quando percebeu que a coisa estava emperrada, ele disse:

    “Deixa comigo!”

    Temos, pois, a garantia de que o Musicanto deste ano acontecerá, e com nível de qualidade de fazer matar as saudades das boas edições passadas. Menos mal, já que a vida cultural da cidade anda bem fraquinha.

  • sexta-feira, 4 de março de 2016 15:03

    Ninguém se deu conta

    A atual avalanche de notícias envolvendo questões político-partidários parece ter criado uma névoa sobre temas nacionais que realmente são importantes. Há, sem sombra de dúvida, um movimento antinacional por aí, especialmente no Congresso Nacional.

    Além da votação da emenda de José Serra (que entra para a história como um notório entreguista) que retirou da Petrobras a exclusividade na exploração do pré-sal, há outros projetos em tramitação que têm como objetivo enfraquecer as empresas públicas.

    Isso envolve a transformação dessas empresas em sociedades anônimas, colocando-as na mira de tiro da privatização, como a CEF, os Correios, o BNDES etc. Lembrando que Fernando Henrique Cardoso foi capaz de vender a preço vil a siderurgia e o minério brasileiros (vide CSN e VALE), não podemos duvidar de nada do que está sendo preparado por debaixo dos panos. O que vemos no futuro é um ambiente perigoso para a soberania do Brasil.

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    Talvez essa névoa que encobre os temas realmente importantes seja proposital. Algo que tem como objetivo confundir e retirar do debate público as questões vitais para a nação. Aliás, essa estratégia também não é novidade na nossa história.

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    Ninguém se deu conta, por exemplo, que a privatização do pré-sal, mesmo parcial, além de entregar uma fortuna incalculável ao capital estrangeiro, representará a quebra da soberania sobre o mar territorial brasileiro.

    Ninguém se deu conta (ou não lembra) que os recursos do pré-sal foram objeto de grande debate anos atrás, e ficou decidido, com aval da presidente Dilma, que essas rendas seriam aplicadas em educação e saúde. Pelo andamento das coisas, muito pouco disso acontecerá.

    Ninguém se deu conta de que a privatização de bancos públicos representará a desregulamentação total do mercado financeiro. Se hoje o cidadão é expoliado e desrespeitado, imagine o que pode acontecer no futuro.

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    Agora, mudando de assunto, uma dica para os amantes do cinema. A premiação do OSCAR é estritamente americana (não é o mundo do cinema, bem entendido), mas alguns dos premiados se sobressaem pela qualidade e pela temática.

    Anote a dica.

    O filme “Spotlight” envolve uma investigação sobre pedofilia na Igreja Católica, um belo trabalho. “O quarto de Jack” é sensível e inteligente, digno de uma análise sob o ponto de vista da psicologia. Considero o melhor desta safra.

    Já o filme “Ex-Machina” traz uma interessante reflexão sobre a relação homem-máquina que deve acontecer num futuro não tão distante. Também digno de nota é “A Garota Dinamarquesa”, que conta a história do primeiro ser humano que mudou de sexo, um tema bem contemporâneo.

    E para quem gosta do gênero aventura, vale assistir “Os oito odiados”, “O regresso” e “Mad Max: Estrada da fúria”, especialmente pelo suspense e pelos efeitos especiais que só o cinema é capaz de mostrar. Prepare a pipoca.