• sexta-feira, 4 de agosto de 2017 15:04

    Faça o bem

    Você pode até imaginar que o assunto é piegas, sentimental, coisa de auto-ajuda. Praticar a bondade é virtude reconhecida por todas as religiões. Já sabemos disso há séculos. Mas não é uma virtude aplaudida socialmente.

    No entanto, há milhares de pessoas ao redor do planeta que praticam a bondade e o altruísmo. Muitas delas às custas do próprio tempo e do próprio dinheiro. Algumas se tornam celebridades por conta disso. Muitas outras sequer fazem questão de ser conhecidas. É algo íntimo, sabemos.

    Pois agora surgem indícios de que o conselho “faça o bem sem olhar a quem” tem razão de ser.

    Uma pesquisa recente da Universidade de Lubeck, na Alemanha, descobriu que, no interior do nosso cérebro, qualquer ato de generosidade ativa partes que nos dão a sensação de felicidade (área denominada têmporo-parietal). O estudo envolveu voluntários que receberam uma quantia em dinheiro. Um grupo foi orientado a preservar o dinheiro. O outro grupo ficou livre para aplicar em atos de generosidade.

    O cérebro dos integrantes do segundo grupo mostrou ligação ativa com a tal área neurológica, e todos afirmaram que sentiram a sensação de gratificação e felicidade com o que fizeram. E juram que a tal “experiência” ajudou a modificar sua própria visão do mundo.

    ***

    É a ciência invadindo um campo de conhecimento que sempre envolveu outros conceitos. Socialmente, enfatizamos o egoísmo como forma de encontrar a felicidade. Damos pouco valor aos benefícios sociais e individuais do comportamento generoso.

    Parece que a ciência está demonstrando que estávamos errados...

    ***

    Mudando de assunto. A agricultura do mundo está de sobreaviso. Estão em andamento gigantescas fusões empresariais envolvendo a Bayer-Monsanto, a Syngenta-ChemChina e a Dupont-Dow.

    Em breve, apenas três megaempresas dominarão a produção de alimentos no mundo. Na área de máquinas agrícolas, quatro empresas já dominam mais da metade do setor.

    As primeiras consequências, segundo os técnicos, serão a elevação dos preços e a pressão envolvendo a propriedade intelectual das sementes. Em outras palavras, eles sentarão em torno de uma pequena mesa, em algum lugar do planeta, e decidirão preço das máquinas e dos insumos, como agrotóxicos, adubos e sementes.

    Para os pequenos e médios agricultores é uma ameaça real.

    A limitação de troca de sementes entre os agricultores, por exemplo, já é uma realidade e tende a se tornar crônica. Não é sem razão que a vigilância “fitosanitária”, imposta pelos governos, assim como a obrigatoriedade de usar sementes registradas, estão estrangulando a agricultura familiar.

    A força desses gigantescos conglomerados supera a resistência dos governos, especialmente aqueles descompromissados com sua própria população. Os monopólios, como a história sempre demonstrou, trazem danos e esmagam as economias.

    Para nós, que não estamos diariamente lidando na lavoura, a preocupação envolve a redução da comida saudável e da segurança alimentar. O agribusiness jamais se preocupou com isto.

  • segunda-feira, 3 de julho de 2017 07:46

    Notícias de um futuro qualquer

    Futuro comprometido, futuro duvidoso, futuro jogado às trevas. É o que podemos concluir com as informações que nos chegam. No Rio Grande do Sul, o governo fechou 2.280 turmas nas escolas públicas. No Brasil, 53% das obras de reforma, construção ou ampliação de escolas, estão paralisadas e suspensas por tempo indeterminado. Também no Brasil inventaram um programa de ensino médio onde o aluno escolhe o que estudar. Serão todos jogados num limbo onde não terão as mínimas condições de concorrer com os estudantes do resto do mundo.
    É triste descobrir que, na hora de fazer economia, nossos líderes imediatamente cortam verbas da cultura e da educação. Qualquer cão de rua sabe que não é assim que se constrói o futuro. Na verdade, não estamos construindo nada e tentando tapar o sol com uma peneira.
    ***
    As informações sobre aviões carregados de cocaína em fazendas de ministro de Estado e também de aviões de propriedade de deputado a serviço do tráfico, não deixam dúvida. Temos hoje um contingente de políticos que leva muito a sério a questão do empreendedorismo. Talvez estejam apenas tentando abrir novos negócios para o Brasil.
    Nós é que somos muito desconfiados...
    ***
    Notícias da semana dão conta de que são milhares os brasileiros especializados (técnicos, pesquisadores, cientistas etc.) estão deixando o país em busca de melhores oportunidades. As melhores cabeças estão indo embora.
    A Academia Brasileira de Ciências já informou que a situação é preocupante. Na medida em que o governo corta as verbas da ciência e da pesquisa, é crescente o número de cientistas que estão sendo convidados a viver e trabalhar em outros países. Alguns países oferecem projetos com o propósito específico de selecionar os melhores especialistas brasileiros para imigrarem.
    Mas não são apenas cientistas. Brasileiros com dinheiro no bolso também estão saindo. Segundo a Receita Federal, entre 2014 e 2016 foram entregues 55.402 “Declarações de Saída Definitiva do Brasil”.
    A crise política tem ramificações que, às vezes, nós nem imaginamos.
    ***
    Mas não vou ficar falando somente de notícias desalentadoras, essas que recebemos todos os dias e nos jogam num mar depressivo. Também há coisas boas acontecendo, veja só.
    A “Sala do Empreendedor” de Santa Rosa divulgou a estatística do primeiro trimestre deste ano. Foram 3.300 atendimentos.
    A Sala presta atendimentos sobre viabilidade e orientações diversas a microempresas e microeempreendedores individuais. É uma espécie de “bengala” para aqueles que não possuem estrutura para análise de projetos, ou para aqueles que pretendem se instalar no município.
    A estatística do semestre mostra que a Sala tem efetividade. Isso significa dizer que a economia local tem sua dinâmica, e não está parada. Isso é muito bom.

     

  • sexta-feira, 30 de junho de 2017 18:05

    Notícias de um futuro qualquer

    Futuro comprometido, futuro duvidoso, futuro jogado às trevas.É o que podemos concluir com as informações que nos chegam. No Rio Grande do Sul, o governo fechou 2.280 turmas nas escolas públicas. No Brasil, 53% das obras de reforma, construção ou ampliação de escolas, estão paralisadas e suspensas por tempo indeterminado. Também no Brasil inventaram um programa de ensino médio onde o aluno escolhe o que estudar. Serão todos jogados num limbo onde não terão as mínimas condições de concorrer com os estudantes do resto do mundo.
    É triste descobrir que, na hora de fazer economia, nossos líderes imediatamente cortam verbas da cultura e da educação. Qualquer cão de rua sabe que não é assim que se constrói o futuro. Na verdade, não estamos construindo nada e tentando tapar o sol com uma peneira.
    ***
    As informações sobre aviões carregados de cocaína em fazendas de ministro de Estado e também de aviões de propriedade de deputado a serviço do tráfico, não deixam dúvida. Temos hoje um contingente de políticos que leva muito a sério a questão do empreendedorismo. Talvez estejam apenas tentando abrir novos negócios para o Brasil.
    Nós é que somos muito desconfiados...
    ***
    Notícias da semana dão conta de que são milhares os brasileiros especializados (técnicos, pesquisadores, cientistas etc.) estão deixando o país em busca de melhores oportunidades. As melhores cabeças estão indo embora.
    A Academia Brasileira de Ciências já informou que a situação é preocupante. Na medida em que o governo corta as verbas da ciência e da pesquisa, é crescente o número de cientistas que estão sendo convidados a viver e trabalhar em outros países. Alguns países oferecem projetos com o propósito específico de selecionar os melhores especialistas brasileiros para imigrarem.
    Mas não são apenas cientistas. Brasileiros com dinheiro no bolso também estão saindo. Segundo a Receita Federal, entre 2014 e 2016 foram entregues 55.402 “Declarações de Saída Definitiva do Brasil”.
    A crise política tem ramificações que, às vezes, nós nem imaginamos.
    ***
    Mas não vou ficar falando somente de notícias desalentadoras, essas que recebemos todos os dias e nos jogam num mar depressivo. Também há coisas boas acontecendo, veja só.
    A “Sala do Empreendedor” de Santa Rosa divulgou a estatística do primeiro trimestre deste ano. Foram 3.300 atendimentos.
    A Sala presta atendimentos sobre viabilidade e orientações diversas a microempresas e microeempreendedores individuais. É uma espécie de “bengala” para aqueles que não possuem estrutura para análise de projetos, ou para aqueles que pretendem se instalar no município.
    A estatística do semestre mostra que a Sala tem efetividade. Isso significa dizer que a economia local tem sua dinâmica, e não está parada. Isso é muito bom.

     

  • segunda-feira, 26 de junho de 2017 07:32

    Reformas

    O meio-ambiente, no Brasil, é tema a ser melhor estudado e melhor divulgado à população. Especialmente porque, como sabemos, alterações no meio ambiente têm repercussões para as gerações futuras, e não apenas para nós. Não é coisa para brincadeiras.
    Há algum tempo os ambientalistas já alertaram sobre o que vem ocorrendo, mas pouco vi a respeito na imprensa. A MP 756/2016 altera Unidades de Conservação no Pará e em Santa Catarina, fragilizando a proteção ambiental no Brasil. Em resumo, transforma grandes áreas preservadas em “áreas de proteção”, isto é, espaços que permitem legalização de terras e também atividades econômicas. É um ajuste na denominação jurídica. A Amazônia, por exemplo, está cheia de “áreas de proteção” onde o desmatamento é quase total.
    A medida, que está prestes a ser aprovada no Congresso, também permite a regularização de áreas por grileiros. Abre-se uma enorme porta para o avanço sobre a floresta amazônica. Estamos reformando uma legislação para permitir o desmatamento. Não é isso o que, atualmente, o mundo espera de nós.
    ***
    A reforma trabalhista que tramita no Congresso, além de agredir diretamente a Constituição, é um monstrengo que vai criar mais conflitos do que trazer a paz. Ou seja, bem ao contrário do que estão preconizando.
    As regras inventadas pelo governo para terceirização e trabalho intermitente, por exemplo, são maquiavélicas. Vão gerar desgastes físicos e mentais ao trabalhador, além da redução da massa salarial no país.
    Para as empresas, uma desqualificação geral dos empregados, a redução do poder de consumo e também a desorganização interna.
    Veja bem. Experiências similares na Itália, Espanha e Chile resultaram no encolhimento do mercado interno e aumento da pobreza. A equação é de fácil entendimento. Um povo pobre resulta também num sistema empresarial empobrecido. Ou alguém acredita que teremos empresas ricas num país de gente pobre? Será esse o destino que a reforma trabalhista deseja para o Brasil?
    ***
    Durante a Revolução Farroupilha, ficou conhecida a unidade militar integrada exclusivamente por negros escravos, que lutavam sonhando com a liberdade futura. Ficaram conhecidos como os “Lanceiros Negros”. Enquanto a paz era negociada, um dos impasses envolvia essa unidade, pois o Império não aceitava a existência de negros livres e armados.
    Em novembro de 1844, David Canabarro desarmou a unidade que estava acampada no Cerro de Porongos. Logo após, foram atacados pelas tropas imperiais, no massacre que envergonha a história gaúcha. Não há números exatos, mas foram centenas de mortos. Os sobreviventes foram levados como escravos para o Rio de Janeiro. O acordo, que eliminou os Lanceiros Negros e terminou com a revolução, foi obra de David Canabarro e Duque de Caxias.
    Estou lembrando este episódio histórico porque na semana passada ocorreu uma operação policial em Porto Alegre, destinada a desocupar um imóvel ocupado pelo movimento de sem-tetos chamado “Lanceiros Negros”. O imóvel pertence ao Estado, e a desocupação foi um desastre político e social.
    A relação entre os dois fatos é recorrente. Questões sociais por aqui ainda são tratadas como casos de polícia e com muito preconceito. Como no século 19.