• sábado, 21 de maio de 2016 10:11

    Mulherada esperta

    O “mês da mulher” é março. Mas em maio elas também são muito lembradas, uma tradição que tem a ver com o dia das mães e das noivas e que vem do hemisfério norte. Coisa antiga. Pois acho que a transformação mais importante do nosso tempo é a independência feminina. Ela sim está mudando o mundo.

    Há séculos vivemos numa sociedade patriarcal e desde sempre a mulher foi vista como auxiliar, sem autonomia, sem inteligência. Nos tempos medievais era considerada a portadora da palavra do Diabo, e centenas foram queimadas sob acusação de bruxaria. No século passado, por força de mudanças culturais, a mulher assumiu papel diferente dentro das famílias. Surgiu então a figura da “bela, recatada e do lar”, uma espécie de bibelô para enfeitar a casa, ou quase um animalzinho de estimação.

    Um papel que hoje é visto como ridículo. Pois a mulher continua cercada por preconceitos, estereótipos e muita violência. Só para dar um exemplo, embora a estatística esteja em queda, ainda acontecem mais de 40.000 estupros no Brasil todos os anos.

    Atualmente, a palavra de ordem é “empoderamento”, ou seja, a mulher quer ser protagonista, atuante em todas as esferas, influenciar e atuar sobre a vida social. Isso gera um problema para nós, os machões. Mulheres autônomas e independentes nos assustam. O homem contemporâneo ainda não sabe onde colocá-la. A “bela, recatada e do lar” era mais simples. Bastava colocá-la na cozinha ou no tanque.

    Hoje a mulherada quer direitos e liberdade, a começar pelo direito de decidir qual a profissão, se quer ou não o casamento, se quer ou não ter filhos etc. E tomam conta do controle remoto da TV bem na hora do futebol!

    A história do Brasil só tem importantes figuras masculinas, não é mesmo? Errado. Acontece que as mulheres importantes foram colocadas em segundo plano. Talvez esteja na hora de colocarmos nas aulas de História, e nos debates públicos, a vida e a contribuição de mulheres como Patrícia Galvão, Rose Marie Muraro, Laudelina de Campos Melo, Bertha Lutz, Maria Quitéria de Jesus, Chiquinha Gonzaga, Maria da Penha e tantas outras que, literalmente, arriscaram a pele por um país melhor.

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    O mundo conectado é divertido. Aliás, o mundo foi transformado em bits e trouxe incontáveis benesses. Mas confesso que às vezes eu fico espantado. Em todos os lugares, em todas as reuniões, em todas as esquinas, vejo pessoas com os olhos voltados para seus celulares. O celular virou um acessório do corpo, da vestimenta. É como se todos tivessem compromissos inadiáveis, urgentíssimos. Basta um sinal sonoro do aparelho e as pessoas interrompem o que estão fazendo (refeição, reunião, bate papo) e acionam o celular para saber o que está acontecendo. É uma mensagem? Uma nova postagem? Uma notícia? Uma fofoca?

    Temos uma legião de pessoas que não conseguem se desconectar. Dizem os médicos que se trata de uma nova doença. E você, também está doente? É fácil verificar. Se por algum motivo você esqueceu o celular em casa, observe se está enfrentando angústia e desconforto. Se é o seu caso, saiba que você já está doente.

    Em breve os professores das primeiras séries explicarão aos alunos: “Atenção, crianças! O ser humano é composto de cabeça, tronco, membros e aparelho celular”. Acho que já chegamos lá.

     

  • sexta-feira, 13 de maio de 2016 17:41

    Perigo

    Os brasileiros com um mínimo de responsabilidade social e política, na atualidade, estão todos fazendo a mesma pergunta, o mesmo questionamento. Para onde vamos?
    A “bagunça” que tomou conta das esferas superiores da nossa política deixa todos perplexos. Mas está revelando, também, um lado sombrio e perigoso da nossa democracia. Aliás, não só da nossa democracia, mas das democracias do mundo, como bem apontou Noam Chomsky, o pensador norte-americano mais respeitado da atualidade.
    Chomsky diz que as democracias correm um sério risco de descrédito, pois é cada vez maior o abismo entre o que deseja a população e o que as classes políticas de fato fazem. A população desconfia (com toda a razão) que o voto de já não tem valor. Formalmente, votamos, mas a nossa participação é quase inexistente. O que os políticos fazem com seus mandatos só interessa a eles e a seus grupos. As decisões verdadeiras não estão nas urnas, e sim nos gabinetes, às escondidas. Pois esse abismo (o povo de um lado e as classes dirigentes de outro) é mesmo muito perigoso. E o que esses grupos dirigentes estão fazendo com a nossa democracia é, no mínimo, uma grande irresponsabilidade.
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    Hoje, 13 de maio, não lembra nada? Pois devia lembrar!...
    No dia 13 de maio de 1888 foi assinada a Lei Áurea, aquela que declarou libertos os escravos brasileiros. Devemos lembrar que o Brasil ficou marcado pelo fato de ter o mais longo período de escravidão. Tivemos uma abolição formal, o texto de lei, mas o Brasil jamais proporcionou reais condições de inserção social desse gigantesco contingente humano.
    A população negra foi deixada à própria sorte.
    Um banco de dados montado pela Universidade de Atlanta (EUA) indica que navios portugueses e brasileiros fizeram 29.000 travessias do Atlântico e trouxeram 9 milhões de escravos. Metade deles para o Brasil e o restante para os Estados Unidos e América Central.
    Os negros, lamentavelmente, passados 128 anos da lei, continuam a vivenciar os efeitos da escravatura, muito embora tenham ajudado a moldar o povo brasileiro que conhecemos. Sua contribuição para a riqueza econômica, para a miscigenação e para a cultura brasileira são incomparáveis.
    É certo que o 13 de maio da abolição não é comemorado pela comunidade negra, mas serve como referência. Não é um divisor de águas, mas devia servir de motivo para profundas reflexões sobre a barbárie que experimentamos.
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    Hoje à noite, na Linha Belinha, em Santo Cristo, tem festa para comemorar os 100 anos do Coral Santa Cecília, com jantar e muita música, e ainda o lançamento do livro “Um Século de Encanto”, do Adair Philippsen. O livro, é claro, conta a história do Coral.
    Pois um século é data marcante, que imediatamente faz lembrar o esforço de todos os que participaram e participam do grupo. Conheço inúmeras entidades do gênero que não sobrevivem a uma década. Um século, portanto, merece muita festa.

     

  • segunda-feira, 2 de maio de 2016 08:06

    Sugestões para os Jogos Olímpicos

    Gosto de Olimpíadas, especialmente se estou jogado no sofá diante da TV. Aquela variedade de esportes e de performances físicas deixa longe a monotonia do futebol que toma conta do nosso dia a dia. Às vezes dá uma vontade enorme de também ser um atleta. Mas logo passa. Acho que o Brasil, neste ano, pode ganhar muitas medalhas, mas para aumentar o número precisamos de algumas alterações nas regras olímpicas, o que inclui novas modalidades, especialmente aquelas praticadas pelos gaúchos.
    O truco, por exemplo, não é modalidade olímpica porque os gringos morrem de medo dos nossos jogadores dando socos na mesa e gritando palavrões. Precisamos fazer um movimento nacional para inclusão do truco nos Jogos Olímpicos!
    Também seríamos imbatíveis na cancha reta de cem metros. Qualquer pangaré do Rio Grande faria bonito nas Olimpíadas. É mais uma reivindicação.
    Outra modalidade interessante seria o cuspe à distância. Ouvi dizer que na cuspida os polacos são imbatíveis. Mas nós temos os nossos craques, incluindo aqueles que querem cuspir na cara do Bolsonaro, que bem merece. Cuspir no Bolsonaro deveria virar esporte nacional.
    Acho, também, que seríamos medalha de ouro, sem qualquer risco, na canastra com três vermelho. Conheço alguns aposentados da cidade que são mestres na modalidade, desde que sejam abastecidos, durante o jogo, com chimarrão e bolachas amanteigadas.
    Pensei em sugerir também uma disputa de arremesso de leitão à distância, mas temo que os defensores dos animais irão se revoltar. Assim, essa proposta fica em suspenso, aguardando opiniões mais abalisadas.
    Veja que nas Olimpíadas existe a prova de arco e flecha. Pois eu reivindico a inclusão da prova do bodoque. Para evitar problemas, o alvo seria um boneco de palha semelhante a um tico-tico. Garanto que aqui na região encontraríamos atletas insuperáveis na bodocada, embora a proposta pareça ecologicamente incorreta.
    Mas não me conformo com o fato de a “corrida do saco” não constar das Olimpíadas. Fui considerado um excelente atleta na modalidade quando eu tinha 12 anos, em provas que mobilizavam o colégio inteiro. Imagine como seria divertido assistir a uma competição dessas, com transmissão para todo o planeta! No mínimo, daríamos boas risadas.
    Ah, podemos lembrar também o chope em metro, mas nesse caso a medalha de ouro seria entregue aos alemães de forma antecipada, prejudicando a competição. Esqueça.
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    A Fenasoja abre seus portões no dia de hoje, num clima econômico paradoxal. Estamos vivendo uma supersafra e os graneleiros estão cheios. Mas como o clima político também afeta a economia, ninguém quer fazer investimentos que comprometam os próximos anos. Assim, mesmo com produto, a cautela será a tônica. Estarei errado?

     

  • sábado, 9 de abril de 2016 08:43

    O que você faz da sua vida?

    A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) divulgou recentemente a famosa lista de “leituras obrigató-rias” para o vestibular de 2017. A lista sempre gera certo pânico entre os vestibulandos, uma multidão de jovens que buscam lugar em uma das melhores universidades públicas do país.
    Pois bem. Na lista estão alguns autores que todos deveriam ler, e não apenas os estudantes. Aliás, é incrível como encontro gente que acha que apenas os jovens devem ler, e somente até entrarem na universidade... Veja se você conseguiria enfrentar a prova de literatura do próximo verão:
    As obras são “O Continente” (Erico Veríssimo), “Gota dágua” (Chico Buarque e Paulo Pontes), “Morangos Mofados” (Caio Fernando Abreu), “A hora da estrela” (Clarice Lispector), “O Cortiço” (Aloisio Azevedo), “Dom Casmurro” (Machado de Assis), “Tropicália” (disco de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Mutantes e outros), “A noite das mulheres cantoras” (Lidia Jorge), “O amor de Pedro por João” (Tabajara Ruas), “Dançar tango em Porto Alegre” (Sério Faraco), e ainda uma coletânea de textos de Fernando Pessoa e do Padre Antônio Vieira.
    Opinião minha: se você conhece 50% das obras, já pode se considerar um razoável entendedor de literatura. Mas aproveite a dica, e o momento, para conhecer os outros 50%. Sempre será proveitoso, agradável e útil. Até para o vestibular...
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    A iluminação da Praça da Bandeira deu uma nova cara à área mais central da cidade. A praça ficou mais bonita, eliminando áreas escuras à noite. Certamente voltará a ser frequentada pelos santa-rosenses.
    Talvez seja também o momento para pensarmos sobre uma nova pavimentação da praça, o que a deixaria mais limpa.
    Somando-se à iluminação, o prédio da antiga prefeitura já mostra sua seu perfil de centro cultural. Parece que, em breve, os tapumes serão retirados e o centro da cidade voltará a ser o local de natural atração para os moradores e visitantes.
    A praça da Bandeira é local que acompanha a história da cidade há décadas. Eu, particularmente, gosto muito dela, e acredito que grande parte da população também.
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    Encontrei, na internet, uma “calculadora” digital que, com bases estatísticas, informa como gastamos o tempo da nossa vida. Em medianas, é claro. Assim, postei os dados de uma pessoa (vamos chamar de Dudu) que hoje estaria com 30 anos, e recebi o seguinte e interessante resultado. Veja os itens “avaliados”:
    O Dudu, desde o seu nascimento, dormiu durante 10 anos, assistiu TV durante 3,5 anos, gastou 61 dias tomando banho, trabalhou durante 4 anos (iniciando aos 18), gastou 66 dias indo e vindo ao trabalho, utilizou 2,9 anos em atividades domésticas e passou 42 dias fazendo sexo (se o Dudu tiver atividade regular nesse item a partir dos 17 anos).
    Você deve estar perguntando: “O que isso tem de importante para a vida do Dudu?”. Eu respondo: “Não tenho a menor ideia”.
    Mas estou pensando em não gastar tanto tempo tomando banho. Talvez, até para ajudar a economizar energia, uma vez por semana esteja de bom tamanho... Mas tem um porém. Se fizer isso, minha média de atividade do último item acima também diminui... Pensando bem, vou deixar como está.