• segunda-feira, 24 de agosto de 2015 08:27

    Primavera

    A primavera ainda não chegou (ela virá no próximo dia 23 de setembro) mas as árvores já anteciparam a floração. Na cidade, os ipês estão atraindo fotógrafos profissionais e amadores que registram, no momento certo, a beleza de suas flores brancas, amarelas e lilás.

    As fotografias, é claro, vão parar na internet. São belas, muito belas. Os fotógrafos se apressam porque sabem que aquela flor logo vai desaparecer. Seu brilho e sua beleza são breves, passageiras. Em poucos dias não haverá flores.

    Nisso está uma grande indagação sobre a natureza, seja das plantas, seja dos seres humanos. Por que a beleza é tão fugaz? Por que tudo que é belo tem vida curta?

    Veja o exemplo da flor do cactus, também conhecida como “flor da noite”. Ela se abre ao entardecer e se fecha quando surge a luz do sol. Tem a duração de uma noite! Esse talvez seja o maior exemplo da fugacidade da beleza.

    A beleza é passageira, mas nós não aceitamos isso. Por isso inventamos a arte. Mas a razão disso, eu desconheço. Deixo a resposta para os filósofos, os poetas e os fabricantes de cosméticos...

     

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    Bons professores de português garantem: o plural de lilás é mesmo “lilás”. Mas há quem discorde, sugerindo “lilases”.

    Para nós, a confusão mesmo é se a flor do ipê, nessa variedade, é lilás, roxa, vinho ou violeta. Parece que a diferença fundamental está no comprimento da onda de luz refletida em cada cor. Aí já é muita confusão e exige conhecimentos técnicos.

    O que sei é que, juntamente com as brancas e amarelas, somos brindados pela sua beleza. Nem que seja por tão pouco tempo.

     

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    Teremos um desfile farroupilha sem cavalos? Este é o grande debate do momento no Rio Grande. A preocupação envolve indícios da doença chamada “mormo”, com alguns focos já detectados no Estado.

    A doença é infecto-contagiosa, causada por uma bactéria. Atinge os equínos, mas pode também afetar o ser humano. Em termos técnicos, é uma zoonose. O problema é que não existe tratamento eficaz com vacina. O animal fica infectado pelo resto de sua vida. O controle se dá pela interdição das propriedades e o abate dos animais infectados. Prejuízo econômico na certa.

    Por isso, não temos outra saída senão entender a situação. Se assim for determinado pelas autoridades, o melhor é a gauchada desfilar a pé. Ou, se for o caso, atender as exigências da área da saúde. Algo meio estranho, mas necessário.

    Aliás, gaúcho sem cavalo não é nenhuma novidade.

     

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    Já o desfile de 7 de setembro foi cancelado por “medida de economia”. Se tinham intenção de fazer piada, juro que ficou bem sem graça.

  • sexta-feira, 14 de agosto de 2015 10:37

    Símbolos

    Com o mês de setembro se aproximando, a gauchada já anda lustrando as botas e limpando os arreios e as esporas. Com toda a razão, pois setembro é o mês dos gaúchos.

    Esta semana, a Assembléia Legislativa aprovou uma lei que instituiu a ametista como o mineral símbolo do Rio Grande. Pelo visto, eles estão com pouco trabalho.

    Na verdade, estamos cheios de símbolos. Essa nossa persistente procura de identidade resultou em diversos “símbolos” que servem como uma espécie de identificação. Coisa única no mundo. Acho que deve ter alguma serventia.

    Veja só. Os símbolos oficiais, que constam de texto legal, são o Hino, a Bandeira e o Brasão de Armas. São bem conhecidos e aparecem em eventos e documentos oficiais.

    Pois também por força de leis diversas temos como “símbolos” o cavalo crioulo, o quero-quero, o chimarrão, o churrasco, a estátua do laçador, a erva-mate, a flor “Brinco-de-Princesa”, e agora também a ametista. Já temos, pois, 11 símbolos do Rio Grande. Alguns dizem que a chama crioula é uma espécie de símbolo informal, o que completaria uma dúzia.

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    Vou propor que aquele Grenal do último domingo seja declarado a “partida de futebol símbolo do Rio Grande”. Desculpe, eu não me contive....

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    A flor “Brinco-de-Princesa” não é típica aqui da região noroeste do Estado, embora também exista por aí. Mesmo assim, todos os gaúchos deveriam observá-la, pois é de uma beleza rara e admirável. Adapta-se com facilidade a qualquer ambiente, e tem potencial paisagístico. Suas flores ficam pendentes, e por isso lembram os brincos utilizados pelas mulheres gaúchas. Atraem os beija-flores, assim como as gaúchas atraem a gauderiada.

    Eis aí um tema para alguma música nativista, não é?

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    O cavalo crioulo vem acompanhando o gaúcho desde a colonização original do Estado. Aqui no Rio Grande estão cerca de 80% dos cavalos crioulos brasileiros. Aliás, falar no gaúcho e não falar em cavalo é como falar de Roma e não lembrar do Papa.

    Gaúcho e cavalo são imagens que surgem associadas. Não é sem motivo que o cavalo crioulo se tornou admirado, reproduzido e valioso comercialmente.

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    O quero-quero, que é o sentinela dos pampas, é mesmo uma ave curiosa. Uma das raras aves que não pousa em árvores, faz o ninho no chão e ai de quem ousar perturbar os ovos e filhotes. Ele é mesmo um guerreiro.

    Com a crescente urbanização, já vi quero-queros pousando em telhados. Deve ser um tipo de evolução forçada. Pois o quero-quero está presente em uma área geográfica extensa, desde a América Central até a Terra do Fogo. Pela sua presença em todo o Estado, acho que é o mais interessante de todos os símbolos da terra gaúcha. E não me venha com piadinhas sobre o cruzamento do quero-quero com o pica-pau...

  • terça-feira, 11 de agosto de 2015 10:04

    Coisas da cidade

    No último final de semana, em que o sol brilhou após sema nas de tempo feio, o Parque de Exposições lotou. Uma multidão aproveitou o gramado para namorar, jogar bola, beber seu chimarrão e soltar a criançada em seus triciclos e bicicletas. Parecia uma grande festa. Aliás, na verdade era uma grande festa...

    O fato apenas comprova o que já sabíamos. Santa Rosa precisa de espaços públicos e áreas verdes. Mas nem todos pensam assim, como lamentavelmente também sabemos.

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    Programação do aniversário da cidade contempla diversas atrações, mas eu quero destacar três espetáculos que você pode colocar na agenda.

    Amanhã, dia 8, show “Violas Singulares”, no SESC, para apreciadores da boa música instrumental. Na segunda, 10, show no Parcão com Luiz Marenco, Walther Moraes e João Chagas Leite. Para quem gosta da música gaúcha, é prato cheio. Na semana seguinte, tem Renato Bothetti no Centro Cívico (dia 19, quarta).

    A programação do mês comemorativo ao aniversário de Santa Rosa é extensa. Não dá para reproduzi-la nesse espaço do jornal. Por isso, procure a sua nos órgãos públicos municipais. Aliás, a programação é boa, mas a divulgação está me parecendo fraquinha.

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    Essa você não sabia. No presídio de Santa Rosa, mediante convênio com uma metalúrgica local, 35 presos trabalham em turno integral. A maior parte do salário recebido vai para os familiares. O trabalho ajuda na redução da pena e qualifica essas pessoas para o exercício profissional no futuro.

    E o que é melhor: a previsão é de que até o final do ano o número de detentos trabalhando se aproxime de uma centena!

    Para esse nosso 2015 de notícias ruins, esta é belíssima novidade.

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    Registro, para não deixar passar em branco, a morte de Oçami Tiba, no último domingo.

    Ele, que tinha esse nome pelas suas origens japonesas, foi um psico-pedagogo que influenciou professores e pais na difícil tarefa de educar filhos. Seus livros fizeram (e fazem) muito sucesso no Brasil todo.

    Entre os seus ensinamentos, um sempre despertou a atenção. Ele alertava pais e educadores sobre os perigos da “cultura do prazer”.

    As crianças, como sabemos, são um problema, uma espécie de “batata quente”. Os pais as jogam nas mãos dos professores e os professores as devolvem. E vivemos num tempo em que todos pensam em fazer “o que lhe dá prazer”. A vida, porém, não é bem assim.

    Dizia ele que a educação é amor, mas também é disciplina. Se a criança achar que a vida é só prazer, ficará a cada dia mais próxima do mundo das drogas, onde o que se busca é apenas o prazer. O pai que é apenas um “provedor material” também erra, pois apenas dá condições, mas nada cobra do filho.

    Mais tarde, esse filho será atropelado pela vida. Bem lembrado, não é?

  • segunda-feira, 3 de agosto de 2015 08:08

    Ódio à solta

    É difícil explicar, mas todos já perceberam que o ódio é uma manifestação psicológica e social que anda solta, feito epidemia, seja na imprensa, seja nas redes sociais, seja nos encontros mais respeitáveis. As pessoas perderam o recato e destilam seu ódio de forma até orgulhosa. “Vejam como eu sou capaz de odiar!”, dizem orgulhosamente. Tempos atrás isso era um comportamento reprovável, mas hoje parece que tem apoiadores.

    Na verdade, essas pessoas sempre odiaram (é um transtorno íntimo, psicológico) mas agora essas manifestações se tornaram públicas, e até aplaudidas. Vejo até homens de imprensa que jogam no lixo a sua responsabilidade pública para poder distribuir e destilar seu ódio (a revista Veja, por exemplo).

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    O caso recente mais emblemático é o do deputado federal Laerte Bessa (PR-DF), que pertence à bancada da bala e à bancada evangélica. Bessa foi relator do projeto de redução da maioridade penal na Câmara. Ele continua defendendo que a maioridade seja reduzida para até 12 anos.

    Pois esse cara vem defendendo publicamente (inclusive numa entrevista para o jornal inglês The Guardian) a prática de eugenia no Brasil. O tal deputado quer que, futuramente, se estude a possibilidade de descobrir, ainda na barriga da mãe grávida, se aquela criança terá tendências criminosas. Sendo isso possível, estaria autorizado o aborto.

    Resumindo a conversa: o cara quer que bebês sejam assassinados antes de nascerem, sob a acusação de “tendências” criminosas! Diz ele que foi mal interpretado, mas a entrevista está gravada. Ora, nem o mega-criminoso Adolf Hitler chegou a esse ponto. O nazismo, com sua carga notória de ódio, chegou a estudar a reprodução humana pois acreditava que o controle sobre os genes poderia gerar a raça pura (uma besteira descomunal, como sabemos). O controle pretendido por eles foi descartado como sendo teoria científica sem fundamento.

    Mas nem Hitler, nem seus asseclas, chegaram ao ponto a que chegou esse Deputado, cujo mandato é caríssimo para o bolso dos brasileiros.

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    O curioso que, no Brasil, já tivemos um famoso defensor da eugenia, o líder integralista e direitista Plínio Salgado, lá na década de 30 do século passado, quando a influência do nazismo era visível no Brasil. Como sabemos, os ventos da democracia sepultaram o movimento integralista e sua idéias estúpidas. Porém, acho que essas idéias ainda andam circulando por aí, com alguns defensores notórios, por incrível que pareça.

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    Mudando do saco para a mala. A ponte internacional voltou a ser motivo de polêmica. Comentários de bastidores davam conta de que o projeto já definira Porto Mauá como o local da obra. Houve desmentidos. Disseram que ninguém bateu o martelo até o momento. Os prefeitos da região das Missões vieram a público desmentir os comentários.

    Pois bem. Acho que atrás dessa fumaça há fogo, e a ponte está mais próxima que imaginamos. Por via das dúvidas, estou esperando algum passarinho vir contar a novidade.