• segunda-feira, 3 de agosto de 2015 08:08

    Ódio à solta

    É difícil explicar, mas todos já perceberam que o ódio é uma manifestação psicológica e social que anda solta, feito epidemia, seja na imprensa, seja nas redes sociais, seja nos encontros mais respeitáveis. As pessoas perderam o recato e destilam seu ódio de forma até orgulhosa. “Vejam como eu sou capaz de odiar!”, dizem orgulhosamente. Tempos atrás isso era um comportamento reprovável, mas hoje parece que tem apoiadores.

    Na verdade, essas pessoas sempre odiaram (é um transtorno íntimo, psicológico) mas agora essas manifestações se tornaram públicas, e até aplaudidas. Vejo até homens de imprensa que jogam no lixo a sua responsabilidade pública para poder distribuir e destilar seu ódio (a revista Veja, por exemplo).

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    O caso recente mais emblemático é o do deputado federal Laerte Bessa (PR-DF), que pertence à bancada da bala e à bancada evangélica. Bessa foi relator do projeto de redução da maioridade penal na Câmara. Ele continua defendendo que a maioridade seja reduzida para até 12 anos.

    Pois esse cara vem defendendo publicamente (inclusive numa entrevista para o jornal inglês The Guardian) a prática de eugenia no Brasil. O tal deputado quer que, futuramente, se estude a possibilidade de descobrir, ainda na barriga da mãe grávida, se aquela criança terá tendências criminosas. Sendo isso possível, estaria autorizado o aborto.

    Resumindo a conversa: o cara quer que bebês sejam assassinados antes de nascerem, sob a acusação de “tendências” criminosas! Diz ele que foi mal interpretado, mas a entrevista está gravada. Ora, nem o mega-criminoso Adolf Hitler chegou a esse ponto. O nazismo, com sua carga notória de ódio, chegou a estudar a reprodução humana pois acreditava que o controle sobre os genes poderia gerar a raça pura (uma besteira descomunal, como sabemos). O controle pretendido por eles foi descartado como sendo teoria científica sem fundamento.

    Mas nem Hitler, nem seus asseclas, chegaram ao ponto a que chegou esse Deputado, cujo mandato é caríssimo para o bolso dos brasileiros.

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    O curioso que, no Brasil, já tivemos um famoso defensor da eugenia, o líder integralista e direitista Plínio Salgado, lá na década de 30 do século passado, quando a influência do nazismo era visível no Brasil. Como sabemos, os ventos da democracia sepultaram o movimento integralista e sua idéias estúpidas. Porém, acho que essas idéias ainda andam circulando por aí, com alguns defensores notórios, por incrível que pareça.

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    Mudando do saco para a mala. A ponte internacional voltou a ser motivo de polêmica. Comentários de bastidores davam conta de que o projeto já definira Porto Mauá como o local da obra. Houve desmentidos. Disseram que ninguém bateu o martelo até o momento. Os prefeitos da região das Missões vieram a público desmentir os comentários.

    Pois bem. Acho que atrás dessa fumaça há fogo, e a ponte está mais próxima que imaginamos. Por via das dúvidas, estou esperando algum passarinho vir contar a novidade.

  • sexta-feira, 24 de julho de 2015 13:27

    Tá todo mundo louco

    Pois é. Foi esta sensação que tive esta semana, o que me fez lembrar aquela antiga canção do Silvio Brito. Veja se não tenho motivos para isso:

    Cuba abriu as portas de sua embaixada nos Estados Unidos.

    Os americanos querem abrir empresas em Cuba e aproveitar as praias de lá.

    Enchentes por aqui agora são anuais, com data marcada.

    Crianças manipulam smarthphones e seus pais compram livros de colorir.

    O supra-sumo da inteligência é postar vídeos no Facebook.

    Selfie é uma coisa inventada para dizer: “preciso de atenção”. E funciona.

    Mercado de artigos para cachorros movimenta R$ 16 bilhões anuais no Brasil.

    Tem gente que, quando acorda, liga o computador antes de esquentar o café.

    A linguagem atual se transformou em hãm, naum, xau, tb e kkk.

    O Brasil é comandado por Eduardo Cunha.

    Santa Rosa tem engarrafamentos!

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    Dizem que o Eduardo Cunha estava observando Brasília, quando um avião passou sobre o prédio da Câmara Federal. Um assessor comentou:

    “Aquele não é o avião da presidente?”

    E o Cunha respondeu:

    “Não é, não. Se fosse, teria uma moto na frente e outra atrás”.

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    Por aqui, estamos com frio e chuva. Mas no resto do mundo a coisa é diferente. Junho último foi o mês de junho mais quente da história, desde que começaram as medições há 136 anos. O ano de 2014 foi o mais quente também. E 2015 promete bater este recorde.

    As medições, em mais de um século, apontam para um crescimento gradativo das temperaturas, e os especialistas garantem que, pela primeira vez, a culpa é da ação direta do homem mediante emissão de gases que causam o efeito estufa.

    E tem gente que acredita que não existe aquecimento global.

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    Loucura mesmo foi o que aconteceu em Ijuí, com a “desclassificação” da Unijuí para implantação da Faculdade de Medicina. Quando todos comemoravam, veio a notícia que podemos classificar de perturbadora. Perplexidade foi o que se viu.

    Agora, há uma mobilização geral, incluindo lideranças de setor educacional e político para que o MEC volte a analisar a questão.

    A cidade ganhou o curso, mas a instituição vencedora foi uma universidade privada do Rio de Janeiro. Como vamos entender tal despropósito? É mesmo uma loucura...

  • sexta-feira, 17 de julho de 2015 16:04

    Qual é a senha do Wi-Fi?

    O fascinante mundo da tecnologia tem um lado não tão charmoso assim. Quando surgiram os primeiros computadores, a promessa era tentadora e inevitável. O mundo seria melhor. Teríamos mais tempo para lazer, convívio familiar, encontros com amigos, desfrute da natureza. Os computadores nos livrariam das tarefas mais pesadas e também das enfadonhas.

    Quando surgiram os primeiros computadores pessoais (PC) vendidos em lojas, na década de 70, a alegria foi geral. Enfim, estaríamos livres para usufruir a vida. Não foi bem assim. Agora, em 2015, olhamos em volta e descobrimos assustados uma realidade inesperada.

    Não temos tempo para nada. Há sempre um e-mail chegando, uma mensagem soando, um site para ser visitado. E nossa caixa de correspondência é invadida por milhões de ofertas. Somos visitados por “spams”, “virus” e “hackers”, sem qualquer aviso e sem baterem na porta. A rede social, soterrada por mensagens quase sempre inúteis ou irrelevantes; tornou-se a transmissora de narcisismos e ódios que, antes, mantínhamos silenciados e envergonhados.

    As pessoas do nosso convívio estão sempre conectadas com algum lugar do mundo, com algo ou alguém que desconhecemos. E nós, à sua frente, esperando a oportunidade para conviver, nos tornamos desnecessários, dispensáveis, desimportantes.

    A velocidade dos chips e processadores, que nos prometeram mais tempo livre, agora nos brindam com incontáveis afazeres, compromissos que nunca tivemos, informações que não solicitamos e ofertas que não nos interessam.

    Afinal, onde foi parar o nosso tempo livre?

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    Não entenda mal. Eu também sou fascinado pela tecnologia. Defendo a internet com unhas e dentes. A informação relevante, que antes buscávamos em enciclopédias e bibliotecas, com enorme dificuldade, hoje está dentro da nossa casa.

    A rede mundial de computadores fez mais pelo conhecimento e pela democracia que 200 anos da história recente. A censura do conhecimento, por exemplo, que nos castigou durante a ditadura, hoje é simplesmente impossível.

    As redes sociais também podem aproximar pessoas, não há dúvida, embora o relacionamento digital pouco tenha a ver com o convívio cara-a-cara, a conversa tête-à-tête, sempre mais humana e cálida.

    As bibliotecas digitais colocam ao alcance da mão o conhecimento acumulado pela humanidade em milhares de anos. Os mitos desabam. As crendices e superstições dão lugar à verdade científica. As mentiras político-ideológicas, que também usam a internet para se proliferar, são logo desmascaradas. A tecnologia tem, pois, seu lado maravilhoso, enriquecedor.

    A dificuldade, que é visível em todas as pessoas que conheço, é separar o verdadeiro do falso, o útil do inútil, o joio do trigo. Ainda não temos “filtro” adequado para isso, mas chegaremos lá. Chegará o momento em que saberemos aproveitar corretamente essa avalanche de informação, para nosso crescimento pessoal, para melhoria das condições sociais, para, enfim, fazer da tecnologia a ferramenta de um mundo melhor. Aliás, como toda ciência, ela não é boa nem má. Depende do uso que dela fazemos.

  • sábado, 11 de julho de 2015 09:53

    Deficiências e carências

    É de estarrecer, mas o Presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), atropelou a Constituição para conseguir aprovar a redução da maioridade penal. Exercendo um dos cargos mais importantes da República, o respeito constitucional era o mínimo que se esperava dele. A questão ainda será muito discutida, pois a atitude é, nitidamente, coisa de gente golpista. Aliás, é impressionante como o Brasil está carente de lideranças sérias e democráticas!

    Mas os defensores da redução estão esquecendo aspectos importantes. Estão olhando apenas para a questão “cometeu ilegalidade, tem que ser preso”. Na realidade, as coisas não são assim tão simples.

    Veja que a redução da maioridade penal implica, por exemplo, em autorizar a venda de álcool e fumo para menores de 18 anos. A pornografia poderá contar com jovens a partir dos 16 anos em filmes e vídeos do tipo “pesadão”. A exploração sexual infanto-juvenil, uma espécie de flagelo do mundo moderno, será legal no Brasil.

    São consequências desastrosas. E, pelo visto, ninguém está pensando nelas.

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    Após 15 anos de tramitação no Congresso, foi sancionada pela presidente Dilma, no último dia 6, a lei que já se tornou conhecida como “Estatuto da Pessoa com Deficiência” ou “Lei Brasileira da Inclusão”.

    Na lei estão as normas que podem, em definitivo, estabelecer a garantia dos direitos das pessoas com deficiência física, mental ou sensorial. O texto merece ser lido não apenas por seus beneficiários diretos, mas especialmente pelos administradores públicos pois ele contempla uma série de regras que devem ser atendidas, como cotas mínimas em unidades habitacionais, em frotas de táxis, em vagas de estacionamento etc.

    É claro que a lei, somente a lei, nunca é suficiente. Mas ela ajuda na construção de um Brasil mais justo. Traz consigo a idéia de que devemos cultivar o respeito e o convívio.

    Um texto de lei nunca é suficiente. Mas ajuda e alerta. Quem faz o mundo ser melhor, enfim, somos nós. É toda a sociedade.

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    Velha questão em tempos de chuvarada. O que é melhor: ficar parado sob a chuva ou correr? Pois a física diz que ficar parado molha menos. Ou seja, você só é atingido pelas gotas que caem sobre sua cabeça. Se correr, também será atingido pelas gotas que caírem frontalmente.

    Mas se há uma distância a ser percorrida (até sua casa, por exemplo), a questão muda. O volume de água que o atingirá depende também do tempo que ficar sob a chuva. Assim, ao correr, embora estejamos recebendo mais água, o tempo demandado pode fazer com que, ao chegarmos ao destino, tenhamos recebido menos água no nosso corpo.

    Velha questão de física que sempre é discutida em bancos escolares. Nesse mês de julho, que vem confirmando as previsões de inverno chuvoso, parece que vamos precisar correr bastante.

    Com tanta chuva nas últimas semanas, já há gente preocupada com a repetição da enchente do ano passado. Bato três vezes na madeira. Que aquilo nunca mais aconteça...