• sexta-feira, 17 de julho de 2015 16:04

    Qual é a senha do Wi-Fi?

    O fascinante mundo da tecnologia tem um lado não tão charmoso assim. Quando surgiram os primeiros computadores, a promessa era tentadora e inevitável. O mundo seria melhor. Teríamos mais tempo para lazer, convívio familiar, encontros com amigos, desfrute da natureza. Os computadores nos livrariam das tarefas mais pesadas e também das enfadonhas.

    Quando surgiram os primeiros computadores pessoais (PC) vendidos em lojas, na década de 70, a alegria foi geral. Enfim, estaríamos livres para usufruir a vida. Não foi bem assim. Agora, em 2015, olhamos em volta e descobrimos assustados uma realidade inesperada.

    Não temos tempo para nada. Há sempre um e-mail chegando, uma mensagem soando, um site para ser visitado. E nossa caixa de correspondência é invadida por milhões de ofertas. Somos visitados por “spams”, “virus” e “hackers”, sem qualquer aviso e sem baterem na porta. A rede social, soterrada por mensagens quase sempre inúteis ou irrelevantes; tornou-se a transmissora de narcisismos e ódios que, antes, mantínhamos silenciados e envergonhados.

    As pessoas do nosso convívio estão sempre conectadas com algum lugar do mundo, com algo ou alguém que desconhecemos. E nós, à sua frente, esperando a oportunidade para conviver, nos tornamos desnecessários, dispensáveis, desimportantes.

    A velocidade dos chips e processadores, que nos prometeram mais tempo livre, agora nos brindam com incontáveis afazeres, compromissos que nunca tivemos, informações que não solicitamos e ofertas que não nos interessam.

    Afinal, onde foi parar o nosso tempo livre?

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    Não entenda mal. Eu também sou fascinado pela tecnologia. Defendo a internet com unhas e dentes. A informação relevante, que antes buscávamos em enciclopédias e bibliotecas, com enorme dificuldade, hoje está dentro da nossa casa.

    A rede mundial de computadores fez mais pelo conhecimento e pela democracia que 200 anos da história recente. A censura do conhecimento, por exemplo, que nos castigou durante a ditadura, hoje é simplesmente impossível.

    As redes sociais também podem aproximar pessoas, não há dúvida, embora o relacionamento digital pouco tenha a ver com o convívio cara-a-cara, a conversa tête-à-tête, sempre mais humana e cálida.

    As bibliotecas digitais colocam ao alcance da mão o conhecimento acumulado pela humanidade em milhares de anos. Os mitos desabam. As crendices e superstições dão lugar à verdade científica. As mentiras político-ideológicas, que também usam a internet para se proliferar, são logo desmascaradas. A tecnologia tem, pois, seu lado maravilhoso, enriquecedor.

    A dificuldade, que é visível em todas as pessoas que conheço, é separar o verdadeiro do falso, o útil do inútil, o joio do trigo. Ainda não temos “filtro” adequado para isso, mas chegaremos lá. Chegará o momento em que saberemos aproveitar corretamente essa avalanche de informação, para nosso crescimento pessoal, para melhoria das condições sociais, para, enfim, fazer da tecnologia a ferramenta de um mundo melhor. Aliás, como toda ciência, ela não é boa nem má. Depende do uso que dela fazemos.

  • sábado, 11 de julho de 2015 09:53

    Deficiências e carências

    É de estarrecer, mas o Presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), atropelou a Constituição para conseguir aprovar a redução da maioridade penal. Exercendo um dos cargos mais importantes da República, o respeito constitucional era o mínimo que se esperava dele. A questão ainda será muito discutida, pois a atitude é, nitidamente, coisa de gente golpista. Aliás, é impressionante como o Brasil está carente de lideranças sérias e democráticas!

    Mas os defensores da redução estão esquecendo aspectos importantes. Estão olhando apenas para a questão “cometeu ilegalidade, tem que ser preso”. Na realidade, as coisas não são assim tão simples.

    Veja que a redução da maioridade penal implica, por exemplo, em autorizar a venda de álcool e fumo para menores de 18 anos. A pornografia poderá contar com jovens a partir dos 16 anos em filmes e vídeos do tipo “pesadão”. A exploração sexual infanto-juvenil, uma espécie de flagelo do mundo moderno, será legal no Brasil.

    São consequências desastrosas. E, pelo visto, ninguém está pensando nelas.

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    Após 15 anos de tramitação no Congresso, foi sancionada pela presidente Dilma, no último dia 6, a lei que já se tornou conhecida como “Estatuto da Pessoa com Deficiência” ou “Lei Brasileira da Inclusão”.

    Na lei estão as normas que podem, em definitivo, estabelecer a garantia dos direitos das pessoas com deficiência física, mental ou sensorial. O texto merece ser lido não apenas por seus beneficiários diretos, mas especialmente pelos administradores públicos pois ele contempla uma série de regras que devem ser atendidas, como cotas mínimas em unidades habitacionais, em frotas de táxis, em vagas de estacionamento etc.

    É claro que a lei, somente a lei, nunca é suficiente. Mas ela ajuda na construção de um Brasil mais justo. Traz consigo a idéia de que devemos cultivar o respeito e o convívio.

    Um texto de lei nunca é suficiente. Mas ajuda e alerta. Quem faz o mundo ser melhor, enfim, somos nós. É toda a sociedade.

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    Velha questão em tempos de chuvarada. O que é melhor: ficar parado sob a chuva ou correr? Pois a física diz que ficar parado molha menos. Ou seja, você só é atingido pelas gotas que caem sobre sua cabeça. Se correr, também será atingido pelas gotas que caírem frontalmente.

    Mas se há uma distância a ser percorrida (até sua casa, por exemplo), a questão muda. O volume de água que o atingirá depende também do tempo que ficar sob a chuva. Assim, ao correr, embora estejamos recebendo mais água, o tempo demandado pode fazer com que, ao chegarmos ao destino, tenhamos recebido menos água no nosso corpo.

    Velha questão de física que sempre é discutida em bancos escolares. Nesse mês de julho, que vem confirmando as previsões de inverno chuvoso, parece que vamos precisar correr bastante.

    Com tanta chuva nas últimas semanas, já há gente preocupada com a repetição da enchente do ano passado. Bato três vezes na madeira. Que aquilo nunca mais aconteça...

  • domingo, 5 de julho de 2015 08:33

    Enganos diversos

    A imprensa brasileira (e a mundial também) dedicaram espaços gigantescos à liberação do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Lá nos Estados Unidos!

    Por que tanto alarido se no Brasil isso já existe desde 2011? Na verdade, os EUA é que estão atrasados nessa questão. A razão é simples. A nossa imprensa sempre repete o que as grandes agências americanas de notícias estão divulgando. Quando algum fato ocorre no mundo, ele sempre chega até nós por intermédio das grandes agências de notícias, como a CBS, a CNN, a REUTERS, e outras. Somos, de fato, meros papagaios.

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    No Brasil a autorização para casamento entre pessoas do mesmo sexo foi dada em 2011 por decisão do STF, a nossa Corte Suprema. Em 2013 o Conselho Nacional de Justiça determinou a todos os cartórios do país o acolhimento desses casamentos, sem maiores burocracias. Ou seja, por aqui essa realidade existe há quatro anos, e o casamento tradicional não acabou. Apenas foram reconhecidos os direitos daqueles que têm orientação sexual diferente da nossa. Se você ainda se escandaliza com isso, é melhor repensar. O mundo está diferente. Não está melhor ou pior. Está diferente, entende?

    Mas, como o fato da semana passada aconteceu lá nos EUA, o “centro do mundo”, parece até uma grande novidade. Êta mundinho colonizado o nosso!

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    E por falar em tribunais, na semana passada o Brasil alcançou o quarto lugar entre os países com maior população carcerária. Agora já são mais de 600.000 presos nos país. Mais precisamente, 607.731 presidiários, uma taxa de 300 para cada 100.00 habitantes. Em dez anos a população carcerária aumentou 80%, saímos de 336 mil para 607 mil presos. Rússia, China e Estados Unidos estão à nossa frente. E olha que os presos não estão lá porque a estadia é confortável, pois sabemos que nossos presídios se assemelham às catacumbas da Idade Média.

    A pergunta sempre volta. Com tanta gente presa, a violência diminuiu? A resposta é somente uma: não diminuiu. Aliás, continua aumentando. Dá o que pensar....

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    Mudando de assunto e voltando à terrinha vermelha de Santa Rosa. Laudos técnicos, divulgados alguns dias atrás (veja o Noroeste da semana passada), informam que o Ginásio Moroni não corre risco de desabamento. O que está acontecendo por lá é puro e simples abandono, desleixo.

    Uma situação parecida com a nossa casa. Se a abandonarmos, logo estará transformada em sujeira e lixo. Mas isso não significa que ela irá desabar. E agora, como é que fica?

    Meses atrás a Prefeitura divulgou, com certo estardalhaço, que nada havia a ser feito se não acabar com o ginásio e limpar o terreno. A ameaça de desabamento era iminente. Tanto foi repetido o discurso que a Prefeitura cercou o ginásio. Agora descobrimos que era uma mentira! Quem mentiu? O prefeito? Ou mentiram para o prefeito? Será que o desleixo foi proposital? Não tenho essa resposta, mas tenho uma certeza. Fomos todos enganados!

  • sábado, 27 de junho de 2015 10:24

    Ambiente em risco

    O sempre atento ecologista Pedro Fiedoruk lembra da importância do engajamento do Papa Francisco na questão do clima e do meio ambiente no mundo. A encíclica tornada pública no último dia 18 trata o assunto de forma direta, sem rodeios. Veja só esta frase:

    “É previsível que o controle da água por parte de grandes empresas mundiais se converta em uma das principais fontes de conflitos deste século.”

    O Papa alerta que estamos usando os recursos do planeta de forma irresponsável. Ele está certo, pois é evidente que a sociedade de consumo está acabando com a vida saudável. Adiante, lemos:

    “Se a tendência atual continuar, este século poderá testemunhar mudanças climáticas inéditas e uma destruição sem precedentes dos ecossistemas, com graves consequências para todos nós”.

    O cenário desenhado pela encíclica papal é, de certa forma, assustador. Mas não é ingênuo e não esconde os perigos que se avizinham. “A terra, nossa casa, parece estar se tornando mais e mais em um enorme depósito de lixo”, diz o Papa.

    Enquanto isso, as conferências das grandes potências econômicas (que são as verdadeiras poluidoras) geralmente resultam em promessas vagas e de resultados pífios. O fundamental continua sendo a economia, e do lucro ninguém abre mão.

    A desculpa mundial é o aumento da população. Mas sabemos que essa hipótese não é verdadeira. O consumo, extremo e seletivo, é que põe a vida do planeta em risco.

     

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    A propósito, dados do IBGE divulgados na última sexta-feira dão conta de que o consumo de agrotóxicos na agricultura brasileira teve um acréscimo brutal entre 2002 e 2012. É isso mesmo. Em dez anos chegamos ao topo da lista dos países consumidores de veneno.

    Dez anos atrás eram usados 2,7 quilos por hectare. Hoje são 6,9 quilos.

    Os herbicidas são o maior grupo, com 62,6% do total de vendas, seguidos pelos inseticidas (12,6%) e dos fungicidas (7,8%). Esses três grupos de componentes químicos são considerados os mais perigosos.

    Resumindo a questão: nós estamos vivendo perigosamente...

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    Outra informação do IBGE também nos traz reflexões preocupantes. O desmatamento da Amazônia Legal, entre 1997 e 2013, chegou a 248.000 km2. Isso representa quase o tamanho do estado de São Paulo. Mas não é só na Amazônia que isso acontece.

    Quase metade da vegetação nativa do Cerrado não existe mais.

    E aqui no sul, 54,2% do ecossistema Pampa foi desflorestado..

    Nessa questão, nós, gaúchos, não somos exemplo para ninguém.