• segunda-feira, 14 de setembro de 2015 07:50

    Caíram os butiás do bolso

    Me caíram os butiás do bolso! Através de uma simples referência no Facebook, descobri uma página que está envolvendo dezenas (ou centenas?) de santa-rosenses de meia idade, que compartilham fotografias antigas de Santa Rosa.
    Não sei de quem foi a iniciativa, mas desconfio que um dos principais envolvidos é o Pedro Berwian, que mora na cidade de Antíqua, na Guatemala. Da América Central, ele tem postado inúmeras contribuições. Também são participantes ativos o Cláudio Franke, o Wilson Mallez, a Amarilis Floriano, o João Fernando Parise, o Carlos Losekan e muitos outros.
    A diversão é garantida para essa galera. O número de participantes aumenta dia a dia. Alguns deles, que já não residem na cidade, estão revirando baús de lembranças na casa dos pais, descobrindo imagens empoeiradas.
    Todos saboreiam ver imagens que já estavam esquecidas na memória. Tem foto de formatura, de parada estudantil, de baile carnavalesco e também da paisagem urbana quando Santa Rosa era apenas um bucólico vilarejo, com raros automóveis e pessoas que já partiram para outras querências.
    Alguns dos colabores da página se divertem vendo as “carinhas” do tempo da adolescência ou juventude. Bate uma saudade... Aliás, olhar fotografias antigas é sempre divertido, além de trazer à tona o nosso lado nostálgico.
    Tenho visto as postagens, e gosto delas. Mas, cá entre nós, pelas fotos descobri que alguns amigos andam escondendo a data de nascimento...
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    O butiá está despertando interesse dos técnicos, em seminários e projetos em todo o Rio Grande do Sul. Foi tema de seminário na última Expointer.
    Estuda-se a criação da rota turística que será chamada de “Rota dos Butiazais”, na qual estaria incluído o vizinho município de Giruá, onde a Festa do Butiá já envolve mais de 80 famílias de pequenos produtores rurais. O interessante é saber que ainda existem plantações de butiá em cidades como Pelotas, Tapes, Santa Vitória do Palmar e Barra do Ribeiro, na zona sul do Estado.
    Pois a expressão “me caíram os butiás do bolso” é muito utilizada em todo o Rio Grande para descrever uma situação em que nos vemos espantados. Como o gaúcho guarda os butiás no bolso da bombacha, um sobressalto faz com que as frutas caiam.
    Por outro lado, falando em preferência pessoal, eu desconheço suco de fruta mais saboroso do que aquele feito com butiá. E a cuca recheada, então, nem se fala! Experimente e você jamais esquecerá.
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    Fiz a apresentação para o livro que será lançado nesta sexta, no SESC, na programação da Jornada de Literatura. A obra reúne textos de autores locais, com o título “Santa-rosenses — Histórias Especulativas em uma cidade interiorana”. Para sua execução, teve apoio do Fundo Municipal de Cultura.
    O livro, bem diagramado e com design interessante, traz narrativas curtas de pessoas que gostam da cidade e, é claro, de escrever. Aliás, são histórias saborosas que fazem o livro merecer espaço na estante lá de casa.
    Este é mais um bom motivo para você comparecer ao SESC neste final de semana. A programação é extensa e boa.

  • terça-feira, 8 de setembro de 2015 08:50

    Coisas estranhas

    A rede social Facebook é gigantesca. O que ela representa você já sabe, e já deve ter perdido muito tempo em frente ao computador mexendo com ela.

    Mas esta semana descobri algo inesperado. Fiquei sabendo que já existem cerca de 20 milhões de mortos cujos “perfis” continuam existindo na rede. E o mais curioso, segundo o próprio Facebook, é que muitos desses perfis continuam sendo alimentados pelos familiares dos falecidos.

    O “perfil” é o conjunto de dados e postagens de um usuário. Quando alguém morre, estas informações continuam lá, a não ser que algum parente solicite que sejam apagadas. Mas quando o parente (amigo, namorada, etc) continua a alimentar as informações, já é estranho demais.

    O fato é meio sinistro, meio macabro. Mas pode nos reservar alguma surpresa. Enviar pedido de amizade por gerar resposta do tipo: “Fulano morreu em 2012, mas a sogra dele aceitou seu pedido de amizade”. Cruzes!

    Curiosa mesmo foi a pesquisa divulgada pela UFF (Universidade Federal Fluminense), em seu laboratório de química.

    Os estudos revelaram de 86% das cédulas do dinheiro brasileiro (o real) analisadas pela Universidade apresentam vestígios de cocaína. Isso mesmo, cocaína. A explicação é que os usuários da droga usam as cédulas para fazer “canudos” para aspirar o entorpecente.

    Claro que a quantidade que permanece nas cédulas é inofensiva para quem manuseia o dinheiro. Outra constatação interessante. As cédulas de maior valor são usadas para a cocaína, enquanto as de menor valor mostram resquícios de crack. A relação é bem evidente.

    Por isso, fique atento. Se você é daqueles que gostam do cheiro do dinheiro, isso agora pode ser mal interpretado...

    No Rio Grande do Sul, especificamente, ainda não fizeram pesquisa semelhante. Fico me perguntando se aqui também encontrariam vestígios de cocaína e crack. Acho que o percentual seria pequeno, ou pelo menos inferior àquele encontrado no Rio de Janeiro.

    Por aqui, as chances maiores é de se encontrar vestígios de erva mate, bosta de cavalo ou fumo de cigarro importado do Paraguai.

    Já que estamos falando de estranhezas, nada mais estranho do que este mês de setembro sem desfile da pátria e sem desfile gaúcho. É como se tivessem arrancado o chão debaixo de nossos pés. É esse o sentimento de frustração que vejo nas pessoas, que até agora não entenderam os argumentos apresentados para os cancelamentos.

    E quando dissemos, dias atrás, que o desfile farroupilha poderia ser feito a pé, ou com poucos cavalos, as pessoas logo lembraram dos livros do Cyro Martins, médico, gaúcho de Quaraí, que escreveu, além de outras, três obras importantes da nossa literatura que ficaram conhecidas como a Trilogia do gaúcho a pé: “Sem rumo”, “Porteira Fechada” e “Estrada Nova”.

    Nesse setembro sem desfile, fica, pois, a sugestão de leitura.

     

  • segunda-feira, 24 de agosto de 2015 08:27

    Primavera

    A primavera ainda não chegou (ela virá no próximo dia 23 de setembro) mas as árvores já anteciparam a floração. Na cidade, os ipês estão atraindo fotógrafos profissionais e amadores que registram, no momento certo, a beleza de suas flores brancas, amarelas e lilás.

    As fotografias, é claro, vão parar na internet. São belas, muito belas. Os fotógrafos se apressam porque sabem que aquela flor logo vai desaparecer. Seu brilho e sua beleza são breves, passageiras. Em poucos dias não haverá flores.

    Nisso está uma grande indagação sobre a natureza, seja das plantas, seja dos seres humanos. Por que a beleza é tão fugaz? Por que tudo que é belo tem vida curta?

    Veja o exemplo da flor do cactus, também conhecida como “flor da noite”. Ela se abre ao entardecer e se fecha quando surge a luz do sol. Tem a duração de uma noite! Esse talvez seja o maior exemplo da fugacidade da beleza.

    A beleza é passageira, mas nós não aceitamos isso. Por isso inventamos a arte. Mas a razão disso, eu desconheço. Deixo a resposta para os filósofos, os poetas e os fabricantes de cosméticos...

     

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    Bons professores de português garantem: o plural de lilás é mesmo “lilás”. Mas há quem discorde, sugerindo “lilases”.

    Para nós, a confusão mesmo é se a flor do ipê, nessa variedade, é lilás, roxa, vinho ou violeta. Parece que a diferença fundamental está no comprimento da onda de luz refletida em cada cor. Aí já é muita confusão e exige conhecimentos técnicos.

    O que sei é que, juntamente com as brancas e amarelas, somos brindados pela sua beleza. Nem que seja por tão pouco tempo.

     

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    Teremos um desfile farroupilha sem cavalos? Este é o grande debate do momento no Rio Grande. A preocupação envolve indícios da doença chamada “mormo”, com alguns focos já detectados no Estado.

    A doença é infecto-contagiosa, causada por uma bactéria. Atinge os equínos, mas pode também afetar o ser humano. Em termos técnicos, é uma zoonose. O problema é que não existe tratamento eficaz com vacina. O animal fica infectado pelo resto de sua vida. O controle se dá pela interdição das propriedades e o abate dos animais infectados. Prejuízo econômico na certa.

    Por isso, não temos outra saída senão entender a situação. Se assim for determinado pelas autoridades, o melhor é a gauchada desfilar a pé. Ou, se for o caso, atender as exigências da área da saúde. Algo meio estranho, mas necessário.

    Aliás, gaúcho sem cavalo não é nenhuma novidade.

     

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    Já o desfile de 7 de setembro foi cancelado por “medida de economia”. Se tinham intenção de fazer piada, juro que ficou bem sem graça.

  • sexta-feira, 14 de agosto de 2015 10:37

    Símbolos

    Com o mês de setembro se aproximando, a gauchada já anda lustrando as botas e limpando os arreios e as esporas. Com toda a razão, pois setembro é o mês dos gaúchos.

    Esta semana, a Assembléia Legislativa aprovou uma lei que instituiu a ametista como o mineral símbolo do Rio Grande. Pelo visto, eles estão com pouco trabalho.

    Na verdade, estamos cheios de símbolos. Essa nossa persistente procura de identidade resultou em diversos “símbolos” que servem como uma espécie de identificação. Coisa única no mundo. Acho que deve ter alguma serventia.

    Veja só. Os símbolos oficiais, que constam de texto legal, são o Hino, a Bandeira e o Brasão de Armas. São bem conhecidos e aparecem em eventos e documentos oficiais.

    Pois também por força de leis diversas temos como “símbolos” o cavalo crioulo, o quero-quero, o chimarrão, o churrasco, a estátua do laçador, a erva-mate, a flor “Brinco-de-Princesa”, e agora também a ametista. Já temos, pois, 11 símbolos do Rio Grande. Alguns dizem que a chama crioula é uma espécie de símbolo informal, o que completaria uma dúzia.

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    Vou propor que aquele Grenal do último domingo seja declarado a “partida de futebol símbolo do Rio Grande”. Desculpe, eu não me contive....

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    A flor “Brinco-de-Princesa” não é típica aqui da região noroeste do Estado, embora também exista por aí. Mesmo assim, todos os gaúchos deveriam observá-la, pois é de uma beleza rara e admirável. Adapta-se com facilidade a qualquer ambiente, e tem potencial paisagístico. Suas flores ficam pendentes, e por isso lembram os brincos utilizados pelas mulheres gaúchas. Atraem os beija-flores, assim como as gaúchas atraem a gauderiada.

    Eis aí um tema para alguma música nativista, não é?

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    O cavalo crioulo vem acompanhando o gaúcho desde a colonização original do Estado. Aqui no Rio Grande estão cerca de 80% dos cavalos crioulos brasileiros. Aliás, falar no gaúcho e não falar em cavalo é como falar de Roma e não lembrar do Papa.

    Gaúcho e cavalo são imagens que surgem associadas. Não é sem motivo que o cavalo crioulo se tornou admirado, reproduzido e valioso comercialmente.

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    O quero-quero, que é o sentinela dos pampas, é mesmo uma ave curiosa. Uma das raras aves que não pousa em árvores, faz o ninho no chão e ai de quem ousar perturbar os ovos e filhotes. Ele é mesmo um guerreiro.

    Com a crescente urbanização, já vi quero-queros pousando em telhados. Deve ser um tipo de evolução forçada. Pois o quero-quero está presente em uma área geográfica extensa, desde a América Central até a Terra do Fogo. Pela sua presença em todo o Estado, acho que é o mais interessante de todos os símbolos da terra gaúcha. E não me venha com piadinhas sobre o cruzamento do quero-quero com o pica-pau...