• sábado, 27 de junho de 2015 10:24

    Ambiente em risco

    O sempre atento ecologista Pedro Fiedoruk lembra da importância do engajamento do Papa Francisco na questão do clima e do meio ambiente no mundo. A encíclica tornada pública no último dia 18 trata o assunto de forma direta, sem rodeios. Veja só esta frase:

    “É previsível que o controle da água por parte de grandes empresas mundiais se converta em uma das principais fontes de conflitos deste século.”

    O Papa alerta que estamos usando os recursos do planeta de forma irresponsável. Ele está certo, pois é evidente que a sociedade de consumo está acabando com a vida saudável. Adiante, lemos:

    “Se a tendência atual continuar, este século poderá testemunhar mudanças climáticas inéditas e uma destruição sem precedentes dos ecossistemas, com graves consequências para todos nós”.

    O cenário desenhado pela encíclica papal é, de certa forma, assustador. Mas não é ingênuo e não esconde os perigos que se avizinham. “A terra, nossa casa, parece estar se tornando mais e mais em um enorme depósito de lixo”, diz o Papa.

    Enquanto isso, as conferências das grandes potências econômicas (que são as verdadeiras poluidoras) geralmente resultam em promessas vagas e de resultados pífios. O fundamental continua sendo a economia, e do lucro ninguém abre mão.

    A desculpa mundial é o aumento da população. Mas sabemos que essa hipótese não é verdadeira. O consumo, extremo e seletivo, é que põe a vida do planeta em risco.

     

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    A propósito, dados do IBGE divulgados na última sexta-feira dão conta de que o consumo de agrotóxicos na agricultura brasileira teve um acréscimo brutal entre 2002 e 2012. É isso mesmo. Em dez anos chegamos ao topo da lista dos países consumidores de veneno.

    Dez anos atrás eram usados 2,7 quilos por hectare. Hoje são 6,9 quilos.

    Os herbicidas são o maior grupo, com 62,6% do total de vendas, seguidos pelos inseticidas (12,6%) e dos fungicidas (7,8%). Esses três grupos de componentes químicos são considerados os mais perigosos.

    Resumindo a questão: nós estamos vivendo perigosamente...

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    Outra informação do IBGE também nos traz reflexões preocupantes. O desmatamento da Amazônia Legal, entre 1997 e 2013, chegou a 248.000 km2. Isso representa quase o tamanho do estado de São Paulo. Mas não é só na Amazônia que isso acontece.

    Quase metade da vegetação nativa do Cerrado não existe mais.

    E aqui no sul, 54,2% do ecossistema Pampa foi desflorestado..

    Nessa questão, nós, gaúchos, não somos exemplo para ninguém.

  • sexta-feira, 19 de junho de 2015 08:07

    Pulando a fogueira

    A origem exata e verdadeira da festa de São João é desconhecida. Algumas versões envolvem o parentesco entre o santo festeiro e Jesus Cristo. A única certeza é que a festa veio da Europa, onde acontece há séculos. Para mim, lembra infância. Casamento caipira e fogueira são coisas que ficam marcadas na memória de forma indelével. Êta festa bem boa!

    A data de 24 de junho corresponde ao nascimento do santo, segundo registros nos quais também não devemos confiar. Afinal, qual o registro daquela época que merece crédito total? Poucos, muito poucos. Se até as datas envolvendo Jesus Cristo são inconfiáveis, imagina a data do nascimento de seus amigos e parentes...

    No Nordeste brasileiro a festa é de tal intensidade que virou acontecimento turístico que atrai, em algumas cidades, milhares de visitantes, muitos deles estrangeiros. Bom, não há como negar que eles sabem fazer festa e, de quebra, ganham dinheiro com isso.

    Junho é o mês de São João, Santo Antônio e São Pedro. Ou seja, um festeiro, um casamenteiro e o porteiro do céu e fazedor de chuva. Com tanto santo famoso, o mês de junho serve para rezas de todos os matizes, com pedidos que vão desde um casamento até um aguaceiro para acabar com a estiagem. Mas o bom mesmo é a festa. O pedido ser atendido não chega a preocupar...

    As gororobas das festas juninas são espetaculares, o ponto alto da festa. Muita pamonha, milho cozido, canjica, pipoca, pinhão, cocada, vinho quente e batata doce, entre outras guloseimas.

    Um cardápio desses é de fazer faxina intestinal e produzir gases em escala industrial. Não sei por que ainda gastam dinheiro comprando rojões.

    A dança da quadrilha faz parte das festas nordestinas. Mas em Brasília é que ela realmente faz sucesso.

    Não sei se ainda existe, nas festas juninas, a Barraca do Beijo. Colocava-se um garoto e uma garota na barraca, e diante deles se formava a fila dos que se dispunham a pagar um pequeno valor em dinheiro para receber um beijo. Tudo muito recatado e sob a vigilância dos mais velhos, é claro.

    Lembro que certa feita houve tumulto na barraca. Um garoto, que tinha emborcado uma meia dúzia de copos de quentão, resolveu que só um beijo da menina não bastava. Jogou-se para dentro da barraca a fim de beijá-la com poses cinematográficas. Foi expulso da festa e pegou gancho de um mês na escola. Mas ficou famoso, o gaiato.

    Lembra daquela história da “pergunta besta, resposta cretina”?

    Pois um curioso estava passando em frente à igreja, encontra uma noiva subindo a escadaria, e pergunta:

    “Vai ter casamento?”

    “Não, é festa junina...”

  • segunda-feira, 15 de junho de 2015 07:42

    Casamentos e outros papos

    Em 2013, no Rio Grande do Sul, foram celebrados 41.251 casamentos. Em contrapartida, houve 10.779 divórcios. Essa proporção de 1/4 vem se mantendo há cerca de 10 anos.

    A família continua prestigiada, isso é um fato. Mas as uniões arrependidas podem ser desfeitas de modo rápido e indolor.

    Isso mostra que o comportamento afetivo tem raízes mais profundas do que imaginamos. Não é a lei que deve dizer com quem casamos ou o quanto durará o casamento. Quando o Brasil discutiu, durante décadas, a lei do divórcio, tinha gente jurando que o mundo iria acabar. Não acabou. A maioria ainda acredita na união formal e carimbada. Torcendo para que seja duradoura.

    ***

    Um dos temas da imprensa brasileira, atualmente, é a vinda dos haitianos, fugindo da situação econômica e da fúria dos terremotos. E existe um aspecto curioso. A ilha de onde vêm (formada por Haiti e República Dominicana, e próxima de Cuba) é o berço do novo mundo. Foi lá que Colombo chegou e se deslumbrou com os trópicos.

    Pois alguns desses imigrantes já convivem serenamente com os moradores de Santa Rosa há algum tempo. Acho até que temos algo a ensinar para o Brasil quando se trata de imigrantes. Poucos meses atrás tive oportunidade de conversar com eles em programa da Rádio Noroeste. Saí do estúdio emocionado com as histórias que ouvi.

    Quando você imagina que sua vida está cheia de problemas, lembre-se dos haitianos. Na verdade, você não tem problema nenhum....

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    Concurso público da Câmara de Vereadores foi cancelado. As explicações são protocolares. Mas ficou um cheirinho de coisa ruim no ar. Ah, ficou!

    Não deixa de ser lamentável que a suspeita dos vereadores de oposição e a investigação do Ministério Público tenham levado a isso. Quem, afinal, vai ser responsabilizado?

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    O recolhimento do lixo doméstico em Santa Rosa está mesmo numa encruzilhada. As informações que recebo dão conta de que a empresa responsável quer alteração no contrato para adequar custos. Até aí tudo bem.

    O ponto mais preocupante é a tal “separação” do lixo. Campanhas realizadas no passado levaram as pessoas a criar a cultura de separar lixo seco e lixo orgânico, o que é muito bom, seja para a economia, seja para o meio ambiente.

    Acontece que essa separação, na prática, só vem acontecendo dentro das casas. Lá fora, o recolhimento e a destinação do lixo é a mesma! Ou seja, o esforço de muita gente foi em vão. Sem contar que é um desperdício e um volume de lixo que vai para os aterros e que, pelo bom senso, não precisaria ir para lá. A questão é séria, sem dúvida.

  • domingo, 7 de junho de 2015 09:36

    Desde o início do ano...

    São apenas 5 meses, mas os números impressionam e nos fazem pensar. Aliás, são números que têm força de mudar nossa cabeça, nossa forma de ver o mundo. Do início de janeiro até o final de maio último, já nasceram 57.454.000 pessoas nesse nosso pequeno planeta. Isso mesmo. Já nasceram mais de 57 milhões de pessoas. É uma montanha de bebês.

    Em contrapartida, o número de mortes foi de 23.707.000. Acredite. Já morreram este ano quase 24 milhões de pessoas. É uma montanha de cadáveres.

    O balanço disso significa que a população mundial, até o final do mês passado cresceu cerca de 33.747.000 de pessoas, chegando a 7.318.714.000 de “moradores” no planeta Terra. Isso mesmo. Somos 7 bilhões e 318 milhões de seres humanos.

    Nascem cerca de 304.000 bebês todos os dias, e morrem 126.000 pessoas de todas as idades. Conclusão: as maternidades e os cemitérios são mesmo ambientes muito movimentados!

    Diante dessa imensidão de seres iguais a nós que nascem e morrem, você ainda tem coragem de se achar o tal, o mais importante, a cereja do bolo? Ainda tem aquela sensação de que a sua vez não chegará? O melhor é repensar essa imagem, não é?

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    Mas a roda dos números que surgem no mundo não se esgota em mortes e nascimentos. Há outros impressionantes.

    Já foram produzidos 29.416.000 de automóveis este ano. Em compensação, também foram produzidas 58.664.000 de bicicletas. Essa guerra é acirrada!....

    Na área de tecnologia parece que o mundo é um formigueiro incansável. Em 5 meses já produzimos 105.825.000 computadores e 4.364.000 celulares. O número de usuários da internet alcançou 3.134.865.000, isto é, passamos a barreira de 3 bilhões de pessoas conectadas na internet, um número que cresce a todo instante, sem parar.

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    Certamente você já está curioso para saber alguns números envolvendo alimentação e saúde no nosso planeta. Pois veja.

    Enquanto 25.000 pessoas morrem, todos os dias, pela fome, o número de obesos no planeta chegou a 536.337.000 pessoas no final de maio. Ou seja, a coisa está mesmo muito mal distribuída. Dá pra entender?

    Este ano já morreram 3,1 milhões de crianças antes de completar 5 anos. Também morreram 695.000 pessoas com AIDS e 405.080 com malária. O câncer já matou 3.394.900 pessoas este ano. O mundo não é um lugar saudável, como podemos ver.

    Para encerrar essa sequencia de números chocantes, é oportuno saber que, em cinco meses, a humanidade já gastou US$ 165.343.150.000 somente para comprar drogas ilegais em todo o planeta.

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    Não, não somos apenas um número da estatística. Somos seres humanos. Mas é certo que nos tornamos ainda mais humanos quando pensamos nos outros. Por isso, leia de novo o texto. Os números sempre ajudam a pensar.