• sábado, 11 de julho de 2015 09:53

    Deficiências e carências

    É de estarrecer, mas o Presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), atropelou a Constituição para conseguir aprovar a redução da maioridade penal. Exercendo um dos cargos mais importantes da República, o respeito constitucional era o mínimo que se esperava dele. A questão ainda será muito discutida, pois a atitude é, nitidamente, coisa de gente golpista. Aliás, é impressionante como o Brasil está carente de lideranças sérias e democráticas!

    Mas os defensores da redução estão esquecendo aspectos importantes. Estão olhando apenas para a questão “cometeu ilegalidade, tem que ser preso”. Na realidade, as coisas não são assim tão simples.

    Veja que a redução da maioridade penal implica, por exemplo, em autorizar a venda de álcool e fumo para menores de 18 anos. A pornografia poderá contar com jovens a partir dos 16 anos em filmes e vídeos do tipo “pesadão”. A exploração sexual infanto-juvenil, uma espécie de flagelo do mundo moderno, será legal no Brasil.

    São consequências desastrosas. E, pelo visto, ninguém está pensando nelas.

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    Após 15 anos de tramitação no Congresso, foi sancionada pela presidente Dilma, no último dia 6, a lei que já se tornou conhecida como “Estatuto da Pessoa com Deficiência” ou “Lei Brasileira da Inclusão”.

    Na lei estão as normas que podem, em definitivo, estabelecer a garantia dos direitos das pessoas com deficiência física, mental ou sensorial. O texto merece ser lido não apenas por seus beneficiários diretos, mas especialmente pelos administradores públicos pois ele contempla uma série de regras que devem ser atendidas, como cotas mínimas em unidades habitacionais, em frotas de táxis, em vagas de estacionamento etc.

    É claro que a lei, somente a lei, nunca é suficiente. Mas ela ajuda na construção de um Brasil mais justo. Traz consigo a idéia de que devemos cultivar o respeito e o convívio.

    Um texto de lei nunca é suficiente. Mas ajuda e alerta. Quem faz o mundo ser melhor, enfim, somos nós. É toda a sociedade.

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    Velha questão em tempos de chuvarada. O que é melhor: ficar parado sob a chuva ou correr? Pois a física diz que ficar parado molha menos. Ou seja, você só é atingido pelas gotas que caem sobre sua cabeça. Se correr, também será atingido pelas gotas que caírem frontalmente.

    Mas se há uma distância a ser percorrida (até sua casa, por exemplo), a questão muda. O volume de água que o atingirá depende também do tempo que ficar sob a chuva. Assim, ao correr, embora estejamos recebendo mais água, o tempo demandado pode fazer com que, ao chegarmos ao destino, tenhamos recebido menos água no nosso corpo.

    Velha questão de física que sempre é discutida em bancos escolares. Nesse mês de julho, que vem confirmando as previsões de inverno chuvoso, parece que vamos precisar correr bastante.

    Com tanta chuva nas últimas semanas, já há gente preocupada com a repetição da enchente do ano passado. Bato três vezes na madeira. Que aquilo nunca mais aconteça...

  • domingo, 5 de julho de 2015 08:33

    Enganos diversos

    A imprensa brasileira (e a mundial também) dedicaram espaços gigantescos à liberação do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Lá nos Estados Unidos!

    Por que tanto alarido se no Brasil isso já existe desde 2011? Na verdade, os EUA é que estão atrasados nessa questão. A razão é simples. A nossa imprensa sempre repete o que as grandes agências americanas de notícias estão divulgando. Quando algum fato ocorre no mundo, ele sempre chega até nós por intermédio das grandes agências de notícias, como a CBS, a CNN, a REUTERS, e outras. Somos, de fato, meros papagaios.

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    No Brasil a autorização para casamento entre pessoas do mesmo sexo foi dada em 2011 por decisão do STF, a nossa Corte Suprema. Em 2013 o Conselho Nacional de Justiça determinou a todos os cartórios do país o acolhimento desses casamentos, sem maiores burocracias. Ou seja, por aqui essa realidade existe há quatro anos, e o casamento tradicional não acabou. Apenas foram reconhecidos os direitos daqueles que têm orientação sexual diferente da nossa. Se você ainda se escandaliza com isso, é melhor repensar. O mundo está diferente. Não está melhor ou pior. Está diferente, entende?

    Mas, como o fato da semana passada aconteceu lá nos EUA, o “centro do mundo”, parece até uma grande novidade. Êta mundinho colonizado o nosso!

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    E por falar em tribunais, na semana passada o Brasil alcançou o quarto lugar entre os países com maior população carcerária. Agora já são mais de 600.000 presos nos país. Mais precisamente, 607.731 presidiários, uma taxa de 300 para cada 100.00 habitantes. Em dez anos a população carcerária aumentou 80%, saímos de 336 mil para 607 mil presos. Rússia, China e Estados Unidos estão à nossa frente. E olha que os presos não estão lá porque a estadia é confortável, pois sabemos que nossos presídios se assemelham às catacumbas da Idade Média.

    A pergunta sempre volta. Com tanta gente presa, a violência diminuiu? A resposta é somente uma: não diminuiu. Aliás, continua aumentando. Dá o que pensar....

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    Mudando de assunto e voltando à terrinha vermelha de Santa Rosa. Laudos técnicos, divulgados alguns dias atrás (veja o Noroeste da semana passada), informam que o Ginásio Moroni não corre risco de desabamento. O que está acontecendo por lá é puro e simples abandono, desleixo.

    Uma situação parecida com a nossa casa. Se a abandonarmos, logo estará transformada em sujeira e lixo. Mas isso não significa que ela irá desabar. E agora, como é que fica?

    Meses atrás a Prefeitura divulgou, com certo estardalhaço, que nada havia a ser feito se não acabar com o ginásio e limpar o terreno. A ameaça de desabamento era iminente. Tanto foi repetido o discurso que a Prefeitura cercou o ginásio. Agora descobrimos que era uma mentira! Quem mentiu? O prefeito? Ou mentiram para o prefeito? Será que o desleixo foi proposital? Não tenho essa resposta, mas tenho uma certeza. Fomos todos enganados!

  • sábado, 27 de junho de 2015 10:24

    Ambiente em risco

    O sempre atento ecologista Pedro Fiedoruk lembra da importância do engajamento do Papa Francisco na questão do clima e do meio ambiente no mundo. A encíclica tornada pública no último dia 18 trata o assunto de forma direta, sem rodeios. Veja só esta frase:

    “É previsível que o controle da água por parte de grandes empresas mundiais se converta em uma das principais fontes de conflitos deste século.”

    O Papa alerta que estamos usando os recursos do planeta de forma irresponsável. Ele está certo, pois é evidente que a sociedade de consumo está acabando com a vida saudável. Adiante, lemos:

    “Se a tendência atual continuar, este século poderá testemunhar mudanças climáticas inéditas e uma destruição sem precedentes dos ecossistemas, com graves consequências para todos nós”.

    O cenário desenhado pela encíclica papal é, de certa forma, assustador. Mas não é ingênuo e não esconde os perigos que se avizinham. “A terra, nossa casa, parece estar se tornando mais e mais em um enorme depósito de lixo”, diz o Papa.

    Enquanto isso, as conferências das grandes potências econômicas (que são as verdadeiras poluidoras) geralmente resultam em promessas vagas e de resultados pífios. O fundamental continua sendo a economia, e do lucro ninguém abre mão.

    A desculpa mundial é o aumento da população. Mas sabemos que essa hipótese não é verdadeira. O consumo, extremo e seletivo, é que põe a vida do planeta em risco.

     

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    A propósito, dados do IBGE divulgados na última sexta-feira dão conta de que o consumo de agrotóxicos na agricultura brasileira teve um acréscimo brutal entre 2002 e 2012. É isso mesmo. Em dez anos chegamos ao topo da lista dos países consumidores de veneno.

    Dez anos atrás eram usados 2,7 quilos por hectare. Hoje são 6,9 quilos.

    Os herbicidas são o maior grupo, com 62,6% do total de vendas, seguidos pelos inseticidas (12,6%) e dos fungicidas (7,8%). Esses três grupos de componentes químicos são considerados os mais perigosos.

    Resumindo a questão: nós estamos vivendo perigosamente...

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    Outra informação do IBGE também nos traz reflexões preocupantes. O desmatamento da Amazônia Legal, entre 1997 e 2013, chegou a 248.000 km2. Isso representa quase o tamanho do estado de São Paulo. Mas não é só na Amazônia que isso acontece.

    Quase metade da vegetação nativa do Cerrado não existe mais.

    E aqui no sul, 54,2% do ecossistema Pampa foi desflorestado..

    Nessa questão, nós, gaúchos, não somos exemplo para ninguém.

  • sexta-feira, 19 de junho de 2015 08:07

    Pulando a fogueira

    A origem exata e verdadeira da festa de São João é desconhecida. Algumas versões envolvem o parentesco entre o santo festeiro e Jesus Cristo. A única certeza é que a festa veio da Europa, onde acontece há séculos. Para mim, lembra infância. Casamento caipira e fogueira são coisas que ficam marcadas na memória de forma indelével. Êta festa bem boa!

    A data de 24 de junho corresponde ao nascimento do santo, segundo registros nos quais também não devemos confiar. Afinal, qual o registro daquela época que merece crédito total? Poucos, muito poucos. Se até as datas envolvendo Jesus Cristo são inconfiáveis, imagina a data do nascimento de seus amigos e parentes...

    No Nordeste brasileiro a festa é de tal intensidade que virou acontecimento turístico que atrai, em algumas cidades, milhares de visitantes, muitos deles estrangeiros. Bom, não há como negar que eles sabem fazer festa e, de quebra, ganham dinheiro com isso.

    Junho é o mês de São João, Santo Antônio e São Pedro. Ou seja, um festeiro, um casamenteiro e o porteiro do céu e fazedor de chuva. Com tanto santo famoso, o mês de junho serve para rezas de todos os matizes, com pedidos que vão desde um casamento até um aguaceiro para acabar com a estiagem. Mas o bom mesmo é a festa. O pedido ser atendido não chega a preocupar...

    As gororobas das festas juninas são espetaculares, o ponto alto da festa. Muita pamonha, milho cozido, canjica, pipoca, pinhão, cocada, vinho quente e batata doce, entre outras guloseimas.

    Um cardápio desses é de fazer faxina intestinal e produzir gases em escala industrial. Não sei por que ainda gastam dinheiro comprando rojões.

    A dança da quadrilha faz parte das festas nordestinas. Mas em Brasília é que ela realmente faz sucesso.

    Não sei se ainda existe, nas festas juninas, a Barraca do Beijo. Colocava-se um garoto e uma garota na barraca, e diante deles se formava a fila dos que se dispunham a pagar um pequeno valor em dinheiro para receber um beijo. Tudo muito recatado e sob a vigilância dos mais velhos, é claro.

    Lembro que certa feita houve tumulto na barraca. Um garoto, que tinha emborcado uma meia dúzia de copos de quentão, resolveu que só um beijo da menina não bastava. Jogou-se para dentro da barraca a fim de beijá-la com poses cinematográficas. Foi expulso da festa e pegou gancho de um mês na escola. Mas ficou famoso, o gaiato.

    Lembra daquela história da “pergunta besta, resposta cretina”?

    Pois um curioso estava passando em frente à igreja, encontra uma noiva subindo a escadaria, e pergunta:

    “Vai ter casamento?”

    “Não, é festa junina...”