• sexta-feira, 14 de agosto de 2015 10:37

    Símbolos

    Com o mês de setembro se aproximando, a gauchada já anda lustrando as botas e limpando os arreios e as esporas. Com toda a razão, pois setembro é o mês dos gaúchos.

    Esta semana, a Assembléia Legislativa aprovou uma lei que instituiu a ametista como o mineral símbolo do Rio Grande. Pelo visto, eles estão com pouco trabalho.

    Na verdade, estamos cheios de símbolos. Essa nossa persistente procura de identidade resultou em diversos “símbolos” que servem como uma espécie de identificação. Coisa única no mundo. Acho que deve ter alguma serventia.

    Veja só. Os símbolos oficiais, que constam de texto legal, são o Hino, a Bandeira e o Brasão de Armas. São bem conhecidos e aparecem em eventos e documentos oficiais.

    Pois também por força de leis diversas temos como “símbolos” o cavalo crioulo, o quero-quero, o chimarrão, o churrasco, a estátua do laçador, a erva-mate, a flor “Brinco-de-Princesa”, e agora também a ametista. Já temos, pois, 11 símbolos do Rio Grande. Alguns dizem que a chama crioula é uma espécie de símbolo informal, o que completaria uma dúzia.

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    Vou propor que aquele Grenal do último domingo seja declarado a “partida de futebol símbolo do Rio Grande”. Desculpe, eu não me contive....

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    A flor “Brinco-de-Princesa” não é típica aqui da região noroeste do Estado, embora também exista por aí. Mesmo assim, todos os gaúchos deveriam observá-la, pois é de uma beleza rara e admirável. Adapta-se com facilidade a qualquer ambiente, e tem potencial paisagístico. Suas flores ficam pendentes, e por isso lembram os brincos utilizados pelas mulheres gaúchas. Atraem os beija-flores, assim como as gaúchas atraem a gauderiada.

    Eis aí um tema para alguma música nativista, não é?

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    O cavalo crioulo vem acompanhando o gaúcho desde a colonização original do Estado. Aqui no Rio Grande estão cerca de 80% dos cavalos crioulos brasileiros. Aliás, falar no gaúcho e não falar em cavalo é como falar de Roma e não lembrar do Papa.

    Gaúcho e cavalo são imagens que surgem associadas. Não é sem motivo que o cavalo crioulo se tornou admirado, reproduzido e valioso comercialmente.

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    O quero-quero, que é o sentinela dos pampas, é mesmo uma ave curiosa. Uma das raras aves que não pousa em árvores, faz o ninho no chão e ai de quem ousar perturbar os ovos e filhotes. Ele é mesmo um guerreiro.

    Com a crescente urbanização, já vi quero-queros pousando em telhados. Deve ser um tipo de evolução forçada. Pois o quero-quero está presente em uma área geográfica extensa, desde a América Central até a Terra do Fogo. Pela sua presença em todo o Estado, acho que é o mais interessante de todos os símbolos da terra gaúcha. E não me venha com piadinhas sobre o cruzamento do quero-quero com o pica-pau...

  • terça-feira, 11 de agosto de 2015 10:04

    Coisas da cidade

    No último final de semana, em que o sol brilhou após sema nas de tempo feio, o Parque de Exposições lotou. Uma multidão aproveitou o gramado para namorar, jogar bola, beber seu chimarrão e soltar a criançada em seus triciclos e bicicletas. Parecia uma grande festa. Aliás, na verdade era uma grande festa...

    O fato apenas comprova o que já sabíamos. Santa Rosa precisa de espaços públicos e áreas verdes. Mas nem todos pensam assim, como lamentavelmente também sabemos.

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    Programação do aniversário da cidade contempla diversas atrações, mas eu quero destacar três espetáculos que você pode colocar na agenda.

    Amanhã, dia 8, show “Violas Singulares”, no SESC, para apreciadores da boa música instrumental. Na segunda, 10, show no Parcão com Luiz Marenco, Walther Moraes e João Chagas Leite. Para quem gosta da música gaúcha, é prato cheio. Na semana seguinte, tem Renato Bothetti no Centro Cívico (dia 19, quarta).

    A programação do mês comemorativo ao aniversário de Santa Rosa é extensa. Não dá para reproduzi-la nesse espaço do jornal. Por isso, procure a sua nos órgãos públicos municipais. Aliás, a programação é boa, mas a divulgação está me parecendo fraquinha.

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    Essa você não sabia. No presídio de Santa Rosa, mediante convênio com uma metalúrgica local, 35 presos trabalham em turno integral. A maior parte do salário recebido vai para os familiares. O trabalho ajuda na redução da pena e qualifica essas pessoas para o exercício profissional no futuro.

    E o que é melhor: a previsão é de que até o final do ano o número de detentos trabalhando se aproxime de uma centena!

    Para esse nosso 2015 de notícias ruins, esta é belíssima novidade.

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    Registro, para não deixar passar em branco, a morte de Oçami Tiba, no último domingo.

    Ele, que tinha esse nome pelas suas origens japonesas, foi um psico-pedagogo que influenciou professores e pais na difícil tarefa de educar filhos. Seus livros fizeram (e fazem) muito sucesso no Brasil todo.

    Entre os seus ensinamentos, um sempre despertou a atenção. Ele alertava pais e educadores sobre os perigos da “cultura do prazer”.

    As crianças, como sabemos, são um problema, uma espécie de “batata quente”. Os pais as jogam nas mãos dos professores e os professores as devolvem. E vivemos num tempo em que todos pensam em fazer “o que lhe dá prazer”. A vida, porém, não é bem assim.

    Dizia ele que a educação é amor, mas também é disciplina. Se a criança achar que a vida é só prazer, ficará a cada dia mais próxima do mundo das drogas, onde o que se busca é apenas o prazer. O pai que é apenas um “provedor material” também erra, pois apenas dá condições, mas nada cobra do filho.

    Mais tarde, esse filho será atropelado pela vida. Bem lembrado, não é?

  • segunda-feira, 3 de agosto de 2015 08:08

    Ódio à solta

    É difícil explicar, mas todos já perceberam que o ódio é uma manifestação psicológica e social que anda solta, feito epidemia, seja na imprensa, seja nas redes sociais, seja nos encontros mais respeitáveis. As pessoas perderam o recato e destilam seu ódio de forma até orgulhosa. “Vejam como eu sou capaz de odiar!”, dizem orgulhosamente. Tempos atrás isso era um comportamento reprovável, mas hoje parece que tem apoiadores.

    Na verdade, essas pessoas sempre odiaram (é um transtorno íntimo, psicológico) mas agora essas manifestações se tornaram públicas, e até aplaudidas. Vejo até homens de imprensa que jogam no lixo a sua responsabilidade pública para poder distribuir e destilar seu ódio (a revista Veja, por exemplo).

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    O caso recente mais emblemático é o do deputado federal Laerte Bessa (PR-DF), que pertence à bancada da bala e à bancada evangélica. Bessa foi relator do projeto de redução da maioridade penal na Câmara. Ele continua defendendo que a maioridade seja reduzida para até 12 anos.

    Pois esse cara vem defendendo publicamente (inclusive numa entrevista para o jornal inglês The Guardian) a prática de eugenia no Brasil. O tal deputado quer que, futuramente, se estude a possibilidade de descobrir, ainda na barriga da mãe grávida, se aquela criança terá tendências criminosas. Sendo isso possível, estaria autorizado o aborto.

    Resumindo a conversa: o cara quer que bebês sejam assassinados antes de nascerem, sob a acusação de “tendências” criminosas! Diz ele que foi mal interpretado, mas a entrevista está gravada. Ora, nem o mega-criminoso Adolf Hitler chegou a esse ponto. O nazismo, com sua carga notória de ódio, chegou a estudar a reprodução humana pois acreditava que o controle sobre os genes poderia gerar a raça pura (uma besteira descomunal, como sabemos). O controle pretendido por eles foi descartado como sendo teoria científica sem fundamento.

    Mas nem Hitler, nem seus asseclas, chegaram ao ponto a que chegou esse Deputado, cujo mandato é caríssimo para o bolso dos brasileiros.

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    O curioso que, no Brasil, já tivemos um famoso defensor da eugenia, o líder integralista e direitista Plínio Salgado, lá na década de 30 do século passado, quando a influência do nazismo era visível no Brasil. Como sabemos, os ventos da democracia sepultaram o movimento integralista e sua idéias estúpidas. Porém, acho que essas idéias ainda andam circulando por aí, com alguns defensores notórios, por incrível que pareça.

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    Mudando do saco para a mala. A ponte internacional voltou a ser motivo de polêmica. Comentários de bastidores davam conta de que o projeto já definira Porto Mauá como o local da obra. Houve desmentidos. Disseram que ninguém bateu o martelo até o momento. Os prefeitos da região das Missões vieram a público desmentir os comentários.

    Pois bem. Acho que atrás dessa fumaça há fogo, e a ponte está mais próxima que imaginamos. Por via das dúvidas, estou esperando algum passarinho vir contar a novidade.

  • sexta-feira, 24 de julho de 2015 13:27

    Tá todo mundo louco

    Pois é. Foi esta sensação que tive esta semana, o que me fez lembrar aquela antiga canção do Silvio Brito. Veja se não tenho motivos para isso:

    Cuba abriu as portas de sua embaixada nos Estados Unidos.

    Os americanos querem abrir empresas em Cuba e aproveitar as praias de lá.

    Enchentes por aqui agora são anuais, com data marcada.

    Crianças manipulam smarthphones e seus pais compram livros de colorir.

    O supra-sumo da inteligência é postar vídeos no Facebook.

    Selfie é uma coisa inventada para dizer: “preciso de atenção”. E funciona.

    Mercado de artigos para cachorros movimenta R$ 16 bilhões anuais no Brasil.

    Tem gente que, quando acorda, liga o computador antes de esquentar o café.

    A linguagem atual se transformou em hãm, naum, xau, tb e kkk.

    O Brasil é comandado por Eduardo Cunha.

    Santa Rosa tem engarrafamentos!

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    Dizem que o Eduardo Cunha estava observando Brasília, quando um avião passou sobre o prédio da Câmara Federal. Um assessor comentou:

    “Aquele não é o avião da presidente?”

    E o Cunha respondeu:

    “Não é, não. Se fosse, teria uma moto na frente e outra atrás”.

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    Por aqui, estamos com frio e chuva. Mas no resto do mundo a coisa é diferente. Junho último foi o mês de junho mais quente da história, desde que começaram as medições há 136 anos. O ano de 2014 foi o mais quente também. E 2015 promete bater este recorde.

    As medições, em mais de um século, apontam para um crescimento gradativo das temperaturas, e os especialistas garantem que, pela primeira vez, a culpa é da ação direta do homem mediante emissão de gases que causam o efeito estufa.

    E tem gente que acredita que não existe aquecimento global.

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    Loucura mesmo foi o que aconteceu em Ijuí, com a “desclassificação” da Unijuí para implantação da Faculdade de Medicina. Quando todos comemoravam, veio a notícia que podemos classificar de perturbadora. Perplexidade foi o que se viu.

    Agora, há uma mobilização geral, incluindo lideranças de setor educacional e político para que o MEC volte a analisar a questão.

    A cidade ganhou o curso, mas a instituição vencedora foi uma universidade privada do Rio de Janeiro. Como vamos entender tal despropósito? É mesmo uma loucura...