• quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017 08:26

    Legal, né?

    Diversos estados americanos estão alterando a idade penal para 18 ou 21 anos. Descobriram que adolescentes devem ser tratados de forma diversa dos adultos, justamente porque não são adultos.
    Por aqui, a discussão foi grande algum tempo atrás, e ainda não morreu. Mas a experiência dos gringos dá o que pensar.

    Enquanto isso, o presidente da República indica para o STF um cidadão filiado ao PSDB (ex-advogado do PCC) para julgar os processos em que o PSDB é réu. Legal, não? A sensação é de que, definitivamente, acabaram com a República.

    A retomada dos voos a partir do aeroporto de Santo Ângelo ficou para abril ou maio deste ano. Há obras em andamento na cabeceira da pista, explicam os responsáveis.
    O contrato inicial previa que os serviços estariam prontos em outubro de 2014. O atraso é grande. A empresa aérea Gol vem adiando a confirmação da utilização do aeroporto, sem maiores explicações. Além das obras propriamente ditas, há entraves burocráticos envolvendo o Governo do Estado e a ANAC. Entre os políticos, há diversos candidatos a “pai da criança”, o que não é novidade nenhuma.
    Em 2014 o aeroporto de Santa Rosa estava na lista, mas obviamente sem preferencia. No ano passado, o governo federal reduziu o programa da aviação regional. Não estamos entre os 100 aeroportos com potencial. Destes, 73 receberão as verbas. Isso significa, em primeira análise, que fomos para o fim da fila. Legal, né?
    Nesta semana a mobilização contra a reforma da previdência teve início em todo o Brasil.
    Aqui em Santa Rosa também, com a formação do “Comitê Sindical e Popular” contra a reforma, lançado na última quarta-feira. Talvez não haja outra forma de conter a proposta que, na prática, acaba com o Estado de caráter social no país. E também acaba com a aposentadoria.
    Em âmbito nacional, a OAB também está se mobilizando, assessorada por entidades de peso, incluindo a Associação Nacional dos Auditores Fiscais.
    O governo, malandramente, prega a ideia de que o número de trabalhadores ativos não conseguirá sustentar os inativos. Ora, a Previdência integra o orçamento da Seguridade Social, e esta é superavitária. De onde, então, vem o alegado déficit? Os números apresentados pelos representantes do governo são assustadores, mas eles não dizem, em nenhum momento, de onde saíram estes números.
    Se até agora o aposentado é penalizado pelo “fator previdenciário” que lhe rouba parte dos proventos, com a reforma de Temer a coisa vai piorar muito.
    Os cálculos feitos pelos especialistas são objetivos: 100 milhões de pessoas serão prejudicadas pela Reforma da Previdência.
    Legal, né?

  • sábado, 4 de fevereiro de 2017 10:57

    O medo do que é estranho

    Dias atrás, almoçando num restaurante a quilo de Santa Rosa vivenciei uma situação interessante. Na mesa à minha esquerda uma família conversava em alemão. À minha direita, outra família falava espanhol. Na minha mesa, óbvio, usávamos o português.
    Já vivi momentos semelhantes em viagens a outros países. Mas foi naquele dia, no restaurante em Santa Rosa, que percebi o quanto era fascinante a situação. Estávamos todos confortáveis, na hora do almoço, usando códigos linguísticos bem distintos, representando culturas que formam a nossa região noroeste.
    Habituados com isso, via de regra não damos valor a esse “caldo” cultural, do qual devemos nos orgulhar. Não há muitos lugares onde o convívio dessa natureza seja tão pacífico e descontraído. Uma oportunidade valiosa para expandir nossa visão sobre a diversidade, compreender as diferenças e aprender que são elas, as diferenças, que fazem o mundo melhor e mais interessante.
    Nesta semana li que o presidente Macri, da Argentina, seguindo os passos de Trump, dos EUA, também deseja criar obstáculos para a entrada de estrangeiros. Acredito que seja apenas um lance populista (algo como: “vejam como eu protejo meus patrícios”), que alimenta a xenofobia e o ódio.
    Nesses tempos de crises migratórias pelo mundo, o “portunhol” e os “dialetos” em que se transformaram as línguas europeias na região podem nos ensinar muito.

    Só pra esclarecer. “Xenofobia” é a palavra que designa o medo, aversão ou antipatia a tudo o que é estrangeiro. É o medo do desconhecido, do diferente. A desconfiança com pessoas estranhas e grupos sociais distintos do nosso (religiões, negros, muçulmanos, asiáticos, latinos etc.).
    Para os governos, é uma arma populista. Conquista a simpatia de doentes que destilam ódio irracional (vide as redes sociais, por exemplo).
    Para os indivíduos, é uma doença que a psicologia trata com métodos de terapia comportamental. É uma espécie de fobia que exige cuidados. E vai saber se não estamos todos um pouco doentes...

    Mudando de assunto. Está em gestação, na cidade, um novo “Cine Clube”. O projeto quer reunir pessoas apreciadoras para assistir e comentar filmes que marcaram a sétima arte. Aquela coisa de papo-cabeça.
    Sabemos que a história do cinema está marcada por obras notáveis e que, inexplicavelmente, desaparecem. Não estão na TV, nos circuitos comerciais das salas e nem nos canais pagos. Um bom filme é como um bom livro. É eterno. E após experimentá-lo, nunca mais somos os mesmos.
    Pelo que estou sabendo as sessões acontecerão no SESC, duas vezes por mês. Inscreva-se. É gratuito. O Luis Artur Hoffmann e o Schimo estão aceitando participações.

    Enquanto isso, o Conselho de Cultura e a Secretaria Municipal da área preparam a Feira do Livro deste ano. As reuniões preparatórias já começaram e sugestões estão sendo acolhidas. Quero dizer com isso que você também pode dar seu “pitaco” para engrandecer a feira.
    Como a cidade anda carente de eventos dessa natureza, a Feira do Livro e o informal Cine Clube são agradáveis notícias neste início de ano.

     

  • sexta-feira, 27 de janeiro de 2017 16:46

    De Trump e outras trapalhadas

    Vereadores da região chegaram a pedir autorização para participar da posse do presidente Trump, lá nos EUA. Não deu certo. Mas dizem que a resposta da assessoria norte-americana foi a seguinte:

    "Em atenção ao ofício recebido, lamentamos informar impossibilidade da visita ao nosso presidente pelos seguintes motivos:

    a) O nome do nosso presidente é "Mr. Trump" e não "Sr. Tramposo";

    b) A audiência também está impossibilitada por falta de agenda porque nosso presidente gasta quatro horas por dia só para arrumar a peruca;

    c) Em razão das novas regras de imigração do nosso Presidente, o mais próximo dos EUA que Vossas Senhorias chegarão é visitando as "Lojas Americanas";

    d) Talvez Vossas Senhorias encontrem nosso Presidente na viagem que fará futuramente à capital do Brasil, Buenos Aires".

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    Não há como fugir do assunto. A posse de Trump como o governante mais poderoso do planeta tem algo a ver com o Brasil? A resposta é "sim". O Brasil sempre foi periférico, coadjuvante da economia globalizada, parceiro comercial secundário dos EUA. Agora, com a política "patriota" do novo governante (entenda que o protecionismo voltou com força) é certo que o Brasil sairá perdendo.

    Aliás, para Trump os brasileiros se equivalem aos latinos que tentam entrar nos EUA. Esquece ele que a metade da nação norte-americana já fala espanhol e que os latinos são milhões vivendo por lá. Mas, com ele, a xenofobia e a discriminação ganham nova força. E a "grande nação", depois da posse de Trump, volta a valorizar coisas do início do século passado. Especialmente com as medidas tomadas por ele nos últimos dias, que lembram um elefante numa loja de cristais.

    Algo como se elegêssemos, no Brasil, o Bolsonaro ou o Roberto Justus.

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    Conversando com algumas pessoas, fiquei surpreso ao perceber que muitas desconhecem o muro que já existe na fronteira do México com os Estados Unidos. É o novo muro da vergonha. Ele já existe numa longa extensão e foi tema de filmes e documentários.

    Há também um humilhante muro entre Israel e a Palestina. As pessoas acham natural tudo isso, mas não lembram a vergonha que foi o muro de Berlim. Estamos vivendo uma perigosa era de atraso e retrocesso, sem dúvida.

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    Se a postura de Trump for mesmo pra valer, vamos sentir saudades do Mercosul. O protecionismo prometido por ele impede negociações bilaterais e desestimula investimentos em países como o Brasil. A mensagem é simples: "Se algo pode ser produzido nos EUA, não será comprado em outros países".

    Ou seja, parece que teremos tempos difíceis nas exportações. Talvez seja o momento para reinventar o Mercosul e os negócios na América do Sul, algo que o atual presidente do Brasil não gosta de fazer. Rejeitamos o Mercosul para agradar os EUA, e estamos levando um pé na bunda. É isso.

  • sábado, 24 de dezembro de 2016 09:35

    Sensações de fim de ano

    É sintomático. As festas do final do ano (alegres, de modo geral) são seguidas de sintomas de depressão, ou, no mínimo, de melancolia.

    Estou falando de sensações íntimas das pessoas. Alguns psicólogos explicam que o excesso de euforia sempre vem sucedido por uma dose de depressão. É o que acontece, por exemplo, na ressaca após uma dose excessiva de álcool. Nessa época do ano os sintomas são semelhantes. É final de ano, estamos sobrecarregados, não conseguimos resolver todos os nossos problemas e nem realizar todos os planos. Por tudo isso, a nossa “máquina” pode falhar, emperrar.

    Felizmente, é algo temporário. Mas a doença em si já é uma epidemia mundial. Dizem que 500 milhões de pessoas em todo o mundo têm sintomas de depressão. Está sendo chamada de “mal do século”. Tem estágios diversos, sintomas diversos e desenlaces diversos. Ela é o não-desejo, a falta de vontade interior, a anti-alegria. Todos nós já sentimos isso em algum momento.

    Soluções? Há inúmeras terapias, seja no divã do psicanalista, seja com medicação pesada. Mas você deve estar perguntando: como faço para prevenir, para não ser envolvido por isso?

    ***

    Não há consenso a respeito. Mas algumas atitudes diante da vida já são entendidas como fundamentais, capazes de trazer novos interesses e afastar os sintomas depressivos.

    Comecemos com algo bem elementar. Ouvir música e dançar nada têm a ver com remédios, não é mesmo? Pois funcionam como tal. A dança (com a música, é claro), tem a força de liberar o corpo e o espírito.

    Outras coisas simples que afastam a depressão: curtir filmes, ler livros ou simplesmente cultivar um hobby. Praticar atividades físicas e alimentar-se bem também ajudam.

    Há também os que defendem a “reconexão”. É fácil de entender. Há quanto tempo você não presta atenção no canto de um pássaro? Nas cores à sua volta? E os aromas que são tantos, em todos os lugares? Pois é. Essas coisas tão pequenas podem nos salvar. Mas, é claro, precisamos estar atentos e saber usufruir.

    Acho que estou lançando uma teoria, dentro dos meus parcos conhecimentos. A depressão é a falta de conexão com a vida, espécie de separação entre aquilo que nos faz sentir a vida e aquilo que realmente colocamos em prática. Esse “descasamento” nos faz perder objetivos e a verdadeira razão de viver.

    Isso tem relação direta com a vida contemporânea. Não temos mais tempo para reflexão, para rememorar, para compreender os acontecimentos. Somos hiperativos, vivemos um excesso de ações. Nossa alma (está bem, nosso psiquismo) precisa de tempo para elaborar e absorver tudo o que acontece. Mas a sociedade exige de nós a atividade intensa e permanente, o consumo, o individualismo, o culto ao corpo e às imagens que povoam nossa vida.

    O resultado é que vivemos num constante estado de mal-estar, que se acentua no período das festas do final do ano. Por isso, cuidado! Não perca a oportunidade de comemorar, e não perca nenhuma festa. Mas não se desconecte daquilo que o faz gostar da vida.

    ***

    Bah, acho que fiz um texto quase filosófico. Espero, pois, que sirva para alguma reflexão. Para não azedar de vez a conversa, comentários sobre os pacotes do senhores Temer e Sartori ficam para outra oportunidade. Não quero estragar o Natal de ninguém...