• segunda-feira, 15 de junho de 2015 07:42

    Casamentos e outros papos

    Em 2013, no Rio Grande do Sul, foram celebrados 41.251 casamentos. Em contrapartida, houve 10.779 divórcios. Essa proporção de 1/4 vem se mantendo há cerca de 10 anos.

    A família continua prestigiada, isso é um fato. Mas as uniões arrependidas podem ser desfeitas de modo rápido e indolor.

    Isso mostra que o comportamento afetivo tem raízes mais profundas do que imaginamos. Não é a lei que deve dizer com quem casamos ou o quanto durará o casamento. Quando o Brasil discutiu, durante décadas, a lei do divórcio, tinha gente jurando que o mundo iria acabar. Não acabou. A maioria ainda acredita na união formal e carimbada. Torcendo para que seja duradoura.

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    Um dos temas da imprensa brasileira, atualmente, é a vinda dos haitianos, fugindo da situação econômica e da fúria dos terremotos. E existe um aspecto curioso. A ilha de onde vêm (formada por Haiti e República Dominicana, e próxima de Cuba) é o berço do novo mundo. Foi lá que Colombo chegou e se deslumbrou com os trópicos.

    Pois alguns desses imigrantes já convivem serenamente com os moradores de Santa Rosa há algum tempo. Acho até que temos algo a ensinar para o Brasil quando se trata de imigrantes. Poucos meses atrás tive oportunidade de conversar com eles em programa da Rádio Noroeste. Saí do estúdio emocionado com as histórias que ouvi.

    Quando você imagina que sua vida está cheia de problemas, lembre-se dos haitianos. Na verdade, você não tem problema nenhum....

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    Concurso público da Câmara de Vereadores foi cancelado. As explicações são protocolares. Mas ficou um cheirinho de coisa ruim no ar. Ah, ficou!

    Não deixa de ser lamentável que a suspeita dos vereadores de oposição e a investigação do Ministério Público tenham levado a isso. Quem, afinal, vai ser responsabilizado?

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    O recolhimento do lixo doméstico em Santa Rosa está mesmo numa encruzilhada. As informações que recebo dão conta de que a empresa responsável quer alteração no contrato para adequar custos. Até aí tudo bem.

    O ponto mais preocupante é a tal “separação” do lixo. Campanhas realizadas no passado levaram as pessoas a criar a cultura de separar lixo seco e lixo orgânico, o que é muito bom, seja para a economia, seja para o meio ambiente.

    Acontece que essa separação, na prática, só vem acontecendo dentro das casas. Lá fora, o recolhimento e a destinação do lixo é a mesma! Ou seja, o esforço de muita gente foi em vão. Sem contar que é um desperdício e um volume de lixo que vai para os aterros e que, pelo bom senso, não precisaria ir para lá. A questão é séria, sem dúvida.

  • domingo, 7 de junho de 2015 09:36

    Desde o início do ano...

    São apenas 5 meses, mas os números impressionam e nos fazem pensar. Aliás, são números que têm força de mudar nossa cabeça, nossa forma de ver o mundo. Do início de janeiro até o final de maio último, já nasceram 57.454.000 pessoas nesse nosso pequeno planeta. Isso mesmo. Já nasceram mais de 57 milhões de pessoas. É uma montanha de bebês.

    Em contrapartida, o número de mortes foi de 23.707.000. Acredite. Já morreram este ano quase 24 milhões de pessoas. É uma montanha de cadáveres.

    O balanço disso significa que a população mundial, até o final do mês passado cresceu cerca de 33.747.000 de pessoas, chegando a 7.318.714.000 de “moradores” no planeta Terra. Isso mesmo. Somos 7 bilhões e 318 milhões de seres humanos.

    Nascem cerca de 304.000 bebês todos os dias, e morrem 126.000 pessoas de todas as idades. Conclusão: as maternidades e os cemitérios são mesmo ambientes muito movimentados!

    Diante dessa imensidão de seres iguais a nós que nascem e morrem, você ainda tem coragem de se achar o tal, o mais importante, a cereja do bolo? Ainda tem aquela sensação de que a sua vez não chegará? O melhor é repensar essa imagem, não é?

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    Mas a roda dos números que surgem no mundo não se esgota em mortes e nascimentos. Há outros impressionantes.

    Já foram produzidos 29.416.000 de automóveis este ano. Em compensação, também foram produzidas 58.664.000 de bicicletas. Essa guerra é acirrada!....

    Na área de tecnologia parece que o mundo é um formigueiro incansável. Em 5 meses já produzimos 105.825.000 computadores e 4.364.000 celulares. O número de usuários da internet alcançou 3.134.865.000, isto é, passamos a barreira de 3 bilhões de pessoas conectadas na internet, um número que cresce a todo instante, sem parar.

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    Certamente você já está curioso para saber alguns números envolvendo alimentação e saúde no nosso planeta. Pois veja.

    Enquanto 25.000 pessoas morrem, todos os dias, pela fome, o número de obesos no planeta chegou a 536.337.000 pessoas no final de maio. Ou seja, a coisa está mesmo muito mal distribuída. Dá pra entender?

    Este ano já morreram 3,1 milhões de crianças antes de completar 5 anos. Também morreram 695.000 pessoas com AIDS e 405.080 com malária. O câncer já matou 3.394.900 pessoas este ano. O mundo não é um lugar saudável, como podemos ver.

    Para encerrar essa sequencia de números chocantes, é oportuno saber que, em cinco meses, a humanidade já gastou US$ 165.343.150.000 somente para comprar drogas ilegais em todo o planeta.

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    Não, não somos apenas um número da estatística. Somos seres humanos. Mas é certo que nos tornamos ainda mais humanos quando pensamos nos outros. Por isso, leia de novo o texto. Os números sempre ajudam a pensar.

  • domingo, 24 de maio de 2015 09:34

    Barragens à vista

    As rádios argentinas estão divulgando um áudio publicitário envolvendo a construção das barragens de Garabi e Panambi. O áudio é longo, tem cerca de cinco minutos. Diz, entre outras coisas, que todos os direitos dos atingidos serão respeitados e que o meio ambiente não sofrerá agressão.

    A iniciativa tem objetivos óbvios. Como a resistência às barragens, do outro lado do rio, é muito forte, começou a campanha de contrapropaganda.

    Isso significa que a partir de agora entramos num outro terreno, num outro clima. A guerra de interpretações e convencimentos começou. Por outro lado, o movimento dos atingidos por barragens continua trabalhando em sentido contrário.

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    Existe, ainda, o aceno dos “royalties” que serão destinados às prefeituras dos municípios atingidos. Alguns políticos sonham com valores altos, mas a coisa não é bem assim. Talvez seja apenas um ilusão.

    Segundo dados da Eletrobrás, a usina de Panambi vai gerar cerca de R$ 55 mil para cada município. O movimento dos atingidos pelas barragens faz uma comparação bem simples. Essa “receita” é a mesma proporcionada por 300 vacas leiteiras. O valor, se confirmado, é pequeno, muito pequeno.

    Isso resolve alguma coisa? Duvido.

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    A audiência pública realizada em fevereiro, em Porto Mauá, parece já ter dado algum resultado. O Ministério Público Federal passou a acompanhar tudo o que está acontecendo.

    Entre os diversos questionamentos (além da questão da proteção à reserva do Yucumã) está a real necessidade de geração de mais energia. Os promotores querem descobrir, com clareza, o quadro energético do sul do Brasil.

    A bacia do rio Uruguai, formada pelos rios Canoas e Pelotas, conta com sete hidrelétricas de médio e grande porte já construídas: Itá, Machadinho, Barra Grande, Campos Novos, Monjolinho, Foz do Chapecó e Passo Fundo. Do lado argentino, há pouco tempo foi inaugurada a gigantesca barragem de Yaciretá.

    Ou seja, já estamos cercados por barragens. Aí está a dúvida. Precisa mais?

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    Temos que admitir. A questão das barragens, além dos aspectos econômicos propriamente ditos, tem um componente sentimental.

    De modo especial para nós, que vivemos próximos à fronteira, o Uruguai representa belas paisagens e histórias envolvendo pescarias, balseiros e contrabandos. Tudo isso mexe com a nossa imaginação, nossas memórias e nossos sentimentos.

    Sabemos, também, que as barragens significam o fim do rio Uruguai. Em quase toda a extensão da fronteira Brasil-Argentina haverá apenas lagos e reservas. O rio que move nossa imaginação estará morto.

    Apenas não sabemos em que data dará seu último suspiro.

  • sexta-feira, 15 de maio de 2015 16:46

    Coisas da cidade (e dos livros)

    Tem Feira do Livro na praça da Bandeira. Pois bem. Não vou estender a conversa acerca da importância do livro, esse velho companheiro da humanidade. Você sabe muito bem disso.

    Hoje temos até mesmo livros digitais, que são úteis em algumas circunstâncias. O surpreendente, mesmo, é a paixão das pessoas pelo livro em papel. Já ouvi amigos dizerem que, tão bom quanto o conteúdo, é o cheiro do papel. Eu mesmo já me flagrei cheirando livros em livraria.

    O hábito de manusear livros é tão arraigado que ele, o livro, sobrevive num tempo em que tudo parece virtual, até os negócios, até os amores.

    Pois abrir o livro resiste a esse mundo célere, marcado pela pressa, pela urgência. Abrir um livro e beber um mate nos parece sinônimo de felicidade.

    Concordo plenamente.

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    A ciclovia, que gerou polêmica e algumas resistências, finalmente está consolidada. A utilização é crescente. Aliás, também é crescente o número de ciclistas na cidade motivados por aquele espaço físico. Até ha pouco tempo muitos expressavam o medo de transitar com bicicletas. Pois este medo acabou.

    É visível, também, que os motoristas já se acostumaram com a ciclovia ao lado da pista no sentido bairro-centro. Era apenas uma questão de tempo.

    A ciclovia veio para ficar. E é muito bem vinda, diga-se.

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    Hoje à noite, no Hotel Imigrantes, os advogados da região estarão reunidos para palestra e debate sobre o novo Código de Processo Civil.

    Embora seja um tema de interesse direto do mundo jurídico, ele alcança a toda a população. O judiciário abarrotado, lento e quase paralisado que temos hoje preocupa a todos os brasileiros. Se você reclama do Legislativo e do Executivo, nem queira saber do caos do Judiciário.

    Existe a esperança que o novo código, que entra em vigor no início do próximo ano, contribua para a agilização e efetividade da prestação jurisdicional. O Brasil precisa disso.

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    O programa vale-livro, da Prefeitura, destinou vales de R$ 15,00 para os estudantes e de R$ 20,00 para professores. Eles certamente serão “descontados” na Feira do Livro, beneficiando muita gente.

    Pois convido você a fazer uma comparação simples, mas provocativa. No último Gre-nal, em Porto Alegre, uma cadeira bem posicionada no Beira-Rio custou R$ 400,00. Levando a esposa, o torcedor pagou R$ 800,00.

    Com tal valor daria para comprar, por exemplo, 26 livros de R$ 30,00. O que você acha?

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    Gosto da frase atribuída ao Joseph Conrad, que disse: “O autor só escreve metade do livro. A outra metade é completada pelo leitor”.

    É fácil de entender. Cada leitor, com suas emoções e experiências, complementa aquilo que escritor colocou no papel. Isso torna os livros tão interessantes. Servem até para troca de ideias entre os leitores de um mesmo livro, como se o texto ainda estivesse incompleto.