• sexta-feira, 10 de abril de 2015 11:15

    Calendário

    Hoje, 10 de abril, é o 100º dia do calendário gregoriano. Faltam 265 dias para acabar o ano. Você deve estar se perguntando: para quê serve essa informação? Para nada. Eu só gostaria de saber onde foram parar esses 100 dias que já se passaram. O ano começou ontem, não foi?

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    Pois o calendário gregoriano é herança da cultura europeia que se espalhou pelo mundo, e, dizem, facilita a vida de todos. Tudo teve origem numa bula do Papa Gregório XIII, que em 1582 decidiu corrigir erros de cálculo do antigo calendário juliano vigente até então.

    Curioso é que essa alteração suprimiu dez dias. O que aconteceu entre 5 e 14 de outubro de 1582 simplesmente desapareceu. Mas o novo calendário tem causado problemas até hoje. O principal é que as semanas não coincidem com os meses.

    E o que é pior. A gente nunca sabe bem quando acontece o Carnaval e a Páscoa. Por isso é que às vezes eu confundo ovos com tamborins. Vou à igreja em pleno Carnaval e saio fantasiado no sábado de Aleluia. Coisa chata!

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    Outra eterna confusão é sobre o primeiro dia da semana. É o domingo? É a segunda-feira? O que todos concordam é que domingo é o dia mais bonito e a segunda o dia ainda mais bonito pois está a apenas quatro dias da noite da próxima sexta-feira. Na verdade, o primeiro dia é o domingo, segundo o Papa Gregório. Mas o mundo do trabalho na atualidade fixou (até pela normatização ISO) que a segunda-feira é o primeiro dia e o domingo o último. Muda alguma coisa? Sei lá.

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    Mudando do saco para a mala, e deixando as brincadeiras de lado. Os cortes orçamentários do governo estadual vão atingir de forma brutal a área da cultura. Aliás, é sempre a mais atingida. O orçamento previsto era de 102 milhões e foi reduzido para 17,8 milhões. Um “pequeno” corte de R$ 80 milhões. A cultura gaúcha, que já andava com problemas, verá que seus problemas acabaram. Não haverá projetos, nem problemas, nem cultura. Em resumo, não sobrou nada.

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    Parece conversa de surdos. Todos sabem que a redução da maioridade penal não vai reduzir a violência. Eu sei, você sabe, os congressistas sabem. Mas a proposta tem algo de sedutor que faz com que as pessoas simpatizem com ela. É apenas mais uma proposta populista, demagógica. Agrada àquela parcela da população que acredita que a solução está no ódio, no “olho por olho”. Desse jeito, acabaremos todos cegos.

    Não tem qualquer outro efeito ou resultado positivo. Nenhum bandido, ao cometer um delito, faz um exame prévio das penas que irá cumprir. O país mais violento do mundo é os EUA, e lá a maioridade penal chega, em alguns Estados, a 12 anos. Resolveu? Não.

    A verdade é que a maioria absoluta do países civilizados têm a maioridade penal fixada em 18 anos. E funciona.

     

  • sexta-feira, 3 de abril de 2015 02:00

    Janelas abertas

     

    Imagine a seguinte situação. Sua casa tem janelas que
    não permanecem fechadas. Você faz limpezas esporádicas, mas não se preocupa com as janelas. Reclama da sujeira que se acumula, grita com as pessoas que usam a casa, lamenta os pássaros que entram, xinga a poluição. Às vezes, reclama até de algum larápio que entrou para roubar laranjas que estão sobre a mesa. Mas você não dá jeito nas janelas abertas...

    Essa singela imagem é para lembrar que prender corrupto, como vem sendo feito, embora necessário e inadiável, não resolve o problema. É preciso fechar as janelas.

    Recentemente surgiram leis importantes, como a da responsabilidade fiscal. Neste ano, as leis anticorrupção. E a reforma eleitoral está em pauta e poderá alterar substancialmente o jogo político no Brasil, abolindo o financiamento privado. Estará tudo resolvido? Não sei. Mas pelo menos estamos fechando algumas janelas, o que é importante. A corrupção (ou o desvio de caráter que conduz a ela) faz parte da natureza humana, da nossa natureza. A história universal é testemunha disso.

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    Quando vejo algumas figuras conhecidas (e de passado também conhecido) vociferando contra a corrupção eu tenho a nítida impressão de que eles estão dizendo o seguinte: “Ei, vocês que já roubaram o bastante, parem com isso! Agora é a minha vez!”.

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    O sistema, para se proteger, deve ter mecanismos internos aperfeiçoados. Não bastam leis rigorosas. Se isso resolvesse, o mundo seria bem outro. Veja o exemplo dos presídios. O Brasil tem 600.000 presos mas a violência continua. Seja numa empresa, seja num governo, lá estão os seres humanos com seus defeitos e suas ambições, prontos para dar o bote, especialmente quando envolve dinheiro.

    As “janelas” a que me referia são as oportunidades que surgem, mas cujo surgimento os mecanismos de controle deveriam impedir. A frase “a ocasião faz o ladrão” nunca foi tão atual. É por isso que você não deixa as janelas de sua casa abertas, não é mesmo?

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    Dizem que todo homem tem seu preço, e que atualmente há muitos em promoção. Se por 30 dinheiros Judas fez o que fez, imagine o que não faria por um carro importado!

    Pois bem. Quando dizemos que a corrupção faz parte da natureza humana, não significa que estamos perdoando corruptos. Ao contrário. Mas isso também mostra que eles são mesmo humanos, pois cometeram algum deslize que os conduziu à cadeia. Coisa de humanos!

    Se alguém lhe propusesse comprar informações sigilosas e importantes da sua empresa (ou do governo para o qual trabalha) em troca de um “donativo” de, por exemplo, R$ 1.000,00, eu tenho certeza de que você não aceitaria. Mas se o interessado, subitamente, subisse a oferta para R$ 10 milhões, o que você faria? Não, não precisa responder! Não precisa enviar cartas para a redação! Não, não precisa enviar contra-proposta! Foi uma brincadeira! Eu disse que foi uma brincadeira, entendeu?

  • domingo, 29 de março de 2015 11:10

    No sovaco da cobra

    Esses tempos de debate político acirrado traz também algumas palavras emblemáticas, as quais repentinamente saem do armário e se tornam de uso corrente. A mais recente, usada pelo ex-ministro Cid Gomes, é "achacar". Você lembra que ele disse que no Congresso Nacional existem cerca de 400 achacadores. Pois bem.

    Achacar pode significar adoecer e também aborrecer, desagradar. Mas o ministro usou no sentido de intimidar alguém para roubar, ou para extorquir dinheiro, fazer chantagem. Também está correto. Segundo ele, é o que fazem os congressistas atualmente.

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    Outras palavras são muito usadas, mas equivocadamente redigidas. Por exemplo, se você diz que uma CPI vai virar pizza, não está muito enganado. Mas se você quiser especificar o tipo da pizza, é preciso cuidado.

    Em incontáveis restaurantes e pizzarias constam, nos cardápios, as pizzas de calabreza e mussarela. Mas o que há de errado nisso? Tudo, porque estão escritas de forma errada.

    Na verdade, a calabresa (escrita com "esse" e não "zê") é uma pimenta originária do Peru. Também pode ser usada em referência à mulher originária da Calábria, região da Itália.

    Já a muçarela (escrita com cedilha) consta do Vocabulário Ortográfico dessa forma.

    Portanto, esse é também um alerta para os restaurantes, muito embora o cardápio escrito incorretamente não cause indigestões, pelo que eu sei.

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    Lembro também daquele salgadinho de frango, frito, que passou a designar, recentemente, um tipo de comportamento político. Coxinha deve ser escrita assim, com "xis".

    A palavra, é claro, é diminutivo de coxa, parte do corpo dos animais (e dos humanos também). Por isso, no açougue, pedimos "coxão de dentro" ou "coxão de fora".

    Nunca peça "colchão", pois o açougueiro pode rir na sua cara.

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    Quando ouvimos alguma opinião descabida, sem fundamento, podemos dizer que se trata de um "despautério". O uso está correto. Despautério é sinônimo de despropósito, disparate. É uma boa forma de desqualificar o argumento de outra pessoa: "O que você disse é um despautério". Mas o cara pode achar que está recebendo um elogio...

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    E o "sovaco da cobra", o que significa? A origem da expressão é desconhecida, já que cobra não tem sovaco, evidentemente.

    Mas popularizou-se para designar um lugar distante, inacessível, cuja existência é duvidosa. Um lugar onde é difícil viver. Um lugar confuso. Por isso, dias atrás ouvi um amigo comentando os trabalhos do Congresso atualmente: "Aquilo está parecendo sovaco de cobra". Acho que ele utilizou corretamente a expressão.

  • sexta-feira, 13 de março de 2015 16:48

    Coisas da cidade

    O Instituto Federal de Santa Rosa realizou, esta semana, a formatura da sua primeira turma de curso superior (licenciatura em matemática). O fato é motivo para comemoração regional.
    Mas a semana não ficou só nisso. Na segunda-feira, 09, também promoveu a aula inaugural do curso de Arquitetura.
    O Instituto vem consolidando e expandindo sua atuação, e já é motivo de orgulho para todos nós. Também é crescente o número de estudantes que buscam a instituição, o que é reflexo não apenas da gratuidade mas também da qualidade do que eles encontram por lá.

    Um grupo de ciclistas santa-rosenses participou, no último final de semana, de prova na Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina. O evento reuniu mais de mil ciclistas, e consistiu em subir os 25 quilômetros da serra íngreme e belíssima, aliás, um dos mais belos cartões postais do sul do Brasil. Um desafio que a turma de Santa Rosa enfrentou com coragem e muita força física.
    Na próxima oportunidade eu pretendo participar. Mas descendo a serra, é claro...
    Amanhã tem desfile de Carnaval na cidade. Um carnaval fora de época, que também é um desafio e uma experiência. O adiamento do desfile acabou criando uma expectativa. Dará certo? O público vai aprovar?
    Bem, isso veremos amanhã. Mas o fato de acontecer carnaval em Santa Rosa já é um acontecimento em si. Eu diria que é a insistência diante da improbabilidade. Numa terra de colonização européia, o simples fato de existir Carnaval é prova de que não abdicamos do direito de se divertir, brincar, fazer festa.
    Pois o Carnaval é isso mesmo, uma festa. O fato de não termos a ginga necessária para isso não tem importância nenhuma.
    O projeto da Concha Acústica a ser instalada no Parcão está saindo do papel, ou melhor, está entrando no papel. Até agora era apenas uma idéia (com uma certa idade). E no papel há projeto recente em estudo. Acredito que será muito útil e tornará o centro da cidade mais alegre, com espetáculos ao ar livre.
    Fica, pois, uma sugestão. Na montagem do projeto devem ser ouvidos os músicos. Especialmente aqueles habituados com o palco, pois são eles que sabem quais as dimensões ideais, as áreas de colocação de caixas acústicas, etc. São detalhes que às vezes passam despercebidos do público, mas são fundamentais para o bom desempenho do artista.
    Ah, e não esqueçam de que deve ser algo arquitetonicamente bonito. Aqui estamos diante de uma situação delicada. Uma obra de engenharia feia pode acabar com a beleza do lugar. É só olhar para o outro lado do parcão, onde está o camelódromo. É de chorar...