• sexta-feira, 19 de junho de 2015 08:07

    Pulando a fogueira

    A origem exata e verdadeira da festa de São João é desconhecida. Algumas versões envolvem o parentesco entre o santo festeiro e Jesus Cristo. A única certeza é que a festa veio da Europa, onde acontece há séculos. Para mim, lembra infância. Casamento caipira e fogueira são coisas que ficam marcadas na memória de forma indelével. Êta festa bem boa!

    A data de 24 de junho corresponde ao nascimento do santo, segundo registros nos quais também não devemos confiar. Afinal, qual o registro daquela época que merece crédito total? Poucos, muito poucos. Se até as datas envolvendo Jesus Cristo são inconfiáveis, imagina a data do nascimento de seus amigos e parentes...

    No Nordeste brasileiro a festa é de tal intensidade que virou acontecimento turístico que atrai, em algumas cidades, milhares de visitantes, muitos deles estrangeiros. Bom, não há como negar que eles sabem fazer festa e, de quebra, ganham dinheiro com isso.

    Junho é o mês de São João, Santo Antônio e São Pedro. Ou seja, um festeiro, um casamenteiro e o porteiro do céu e fazedor de chuva. Com tanto santo famoso, o mês de junho serve para rezas de todos os matizes, com pedidos que vão desde um casamento até um aguaceiro para acabar com a estiagem. Mas o bom mesmo é a festa. O pedido ser atendido não chega a preocupar...

    As gororobas das festas juninas são espetaculares, o ponto alto da festa. Muita pamonha, milho cozido, canjica, pipoca, pinhão, cocada, vinho quente e batata doce, entre outras guloseimas.

    Um cardápio desses é de fazer faxina intestinal e produzir gases em escala industrial. Não sei por que ainda gastam dinheiro comprando rojões.

    A dança da quadrilha faz parte das festas nordestinas. Mas em Brasília é que ela realmente faz sucesso.

    Não sei se ainda existe, nas festas juninas, a Barraca do Beijo. Colocava-se um garoto e uma garota na barraca, e diante deles se formava a fila dos que se dispunham a pagar um pequeno valor em dinheiro para receber um beijo. Tudo muito recatado e sob a vigilância dos mais velhos, é claro.

    Lembro que certa feita houve tumulto na barraca. Um garoto, que tinha emborcado uma meia dúzia de copos de quentão, resolveu que só um beijo da menina não bastava. Jogou-se para dentro da barraca a fim de beijá-la com poses cinematográficas. Foi expulso da festa e pegou gancho de um mês na escola. Mas ficou famoso, o gaiato.

    Lembra daquela história da “pergunta besta, resposta cretina”?

    Pois um curioso estava passando em frente à igreja, encontra uma noiva subindo a escadaria, e pergunta:

    “Vai ter casamento?”

    “Não, é festa junina...”

  • segunda-feira, 15 de junho de 2015 07:42

    Casamentos e outros papos

    Em 2013, no Rio Grande do Sul, foram celebrados 41.251 casamentos. Em contrapartida, houve 10.779 divórcios. Essa proporção de 1/4 vem se mantendo há cerca de 10 anos.

    A família continua prestigiada, isso é um fato. Mas as uniões arrependidas podem ser desfeitas de modo rápido e indolor.

    Isso mostra que o comportamento afetivo tem raízes mais profundas do que imaginamos. Não é a lei que deve dizer com quem casamos ou o quanto durará o casamento. Quando o Brasil discutiu, durante décadas, a lei do divórcio, tinha gente jurando que o mundo iria acabar. Não acabou. A maioria ainda acredita na união formal e carimbada. Torcendo para que seja duradoura.

    ***

    Um dos temas da imprensa brasileira, atualmente, é a vinda dos haitianos, fugindo da situação econômica e da fúria dos terremotos. E existe um aspecto curioso. A ilha de onde vêm (formada por Haiti e República Dominicana, e próxima de Cuba) é o berço do novo mundo. Foi lá que Colombo chegou e se deslumbrou com os trópicos.

    Pois alguns desses imigrantes já convivem serenamente com os moradores de Santa Rosa há algum tempo. Acho até que temos algo a ensinar para o Brasil quando se trata de imigrantes. Poucos meses atrás tive oportunidade de conversar com eles em programa da Rádio Noroeste. Saí do estúdio emocionado com as histórias que ouvi.

    Quando você imagina que sua vida está cheia de problemas, lembre-se dos haitianos. Na verdade, você não tem problema nenhum....

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    Concurso público da Câmara de Vereadores foi cancelado. As explicações são protocolares. Mas ficou um cheirinho de coisa ruim no ar. Ah, ficou!

    Não deixa de ser lamentável que a suspeita dos vereadores de oposição e a investigação do Ministério Público tenham levado a isso. Quem, afinal, vai ser responsabilizado?

    ***

    O recolhimento do lixo doméstico em Santa Rosa está mesmo numa encruzilhada. As informações que recebo dão conta de que a empresa responsável quer alteração no contrato para adequar custos. Até aí tudo bem.

    O ponto mais preocupante é a tal “separação” do lixo. Campanhas realizadas no passado levaram as pessoas a criar a cultura de separar lixo seco e lixo orgânico, o que é muito bom, seja para a economia, seja para o meio ambiente.

    Acontece que essa separação, na prática, só vem acontecendo dentro das casas. Lá fora, o recolhimento e a destinação do lixo é a mesma! Ou seja, o esforço de muita gente foi em vão. Sem contar que é um desperdício e um volume de lixo que vai para os aterros e que, pelo bom senso, não precisaria ir para lá. A questão é séria, sem dúvida.

  • domingo, 7 de junho de 2015 09:36

    Desde o início do ano...

    São apenas 5 meses, mas os números impressionam e nos fazem pensar. Aliás, são números que têm força de mudar nossa cabeça, nossa forma de ver o mundo. Do início de janeiro até o final de maio último, já nasceram 57.454.000 pessoas nesse nosso pequeno planeta. Isso mesmo. Já nasceram mais de 57 milhões de pessoas. É uma montanha de bebês.

    Em contrapartida, o número de mortes foi de 23.707.000. Acredite. Já morreram este ano quase 24 milhões de pessoas. É uma montanha de cadáveres.

    O balanço disso significa que a população mundial, até o final do mês passado cresceu cerca de 33.747.000 de pessoas, chegando a 7.318.714.000 de “moradores” no planeta Terra. Isso mesmo. Somos 7 bilhões e 318 milhões de seres humanos.

    Nascem cerca de 304.000 bebês todos os dias, e morrem 126.000 pessoas de todas as idades. Conclusão: as maternidades e os cemitérios são mesmo ambientes muito movimentados!

    Diante dessa imensidão de seres iguais a nós que nascem e morrem, você ainda tem coragem de se achar o tal, o mais importante, a cereja do bolo? Ainda tem aquela sensação de que a sua vez não chegará? O melhor é repensar essa imagem, não é?

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    Mas a roda dos números que surgem no mundo não se esgota em mortes e nascimentos. Há outros impressionantes.

    Já foram produzidos 29.416.000 de automóveis este ano. Em compensação, também foram produzidas 58.664.000 de bicicletas. Essa guerra é acirrada!....

    Na área de tecnologia parece que o mundo é um formigueiro incansável. Em 5 meses já produzimos 105.825.000 computadores e 4.364.000 celulares. O número de usuários da internet alcançou 3.134.865.000, isto é, passamos a barreira de 3 bilhões de pessoas conectadas na internet, um número que cresce a todo instante, sem parar.

    ***

    Certamente você já está curioso para saber alguns números envolvendo alimentação e saúde no nosso planeta. Pois veja.

    Enquanto 25.000 pessoas morrem, todos os dias, pela fome, o número de obesos no planeta chegou a 536.337.000 pessoas no final de maio. Ou seja, a coisa está mesmo muito mal distribuída. Dá pra entender?

    Este ano já morreram 3,1 milhões de crianças antes de completar 5 anos. Também morreram 695.000 pessoas com AIDS e 405.080 com malária. O câncer já matou 3.394.900 pessoas este ano. O mundo não é um lugar saudável, como podemos ver.

    Para encerrar essa sequencia de números chocantes, é oportuno saber que, em cinco meses, a humanidade já gastou US$ 165.343.150.000 somente para comprar drogas ilegais em todo o planeta.

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    Não, não somos apenas um número da estatística. Somos seres humanos. Mas é certo que nos tornamos ainda mais humanos quando pensamos nos outros. Por isso, leia de novo o texto. Os números sempre ajudam a pensar.

  • domingo, 24 de maio de 2015 09:34

    Barragens à vista

    As rádios argentinas estão divulgando um áudio publicitário envolvendo a construção das barragens de Garabi e Panambi. O áudio é longo, tem cerca de cinco minutos. Diz, entre outras coisas, que todos os direitos dos atingidos serão respeitados e que o meio ambiente não sofrerá agressão.

    A iniciativa tem objetivos óbvios. Como a resistência às barragens, do outro lado do rio, é muito forte, começou a campanha de contrapropaganda.

    Isso significa que a partir de agora entramos num outro terreno, num outro clima. A guerra de interpretações e convencimentos começou. Por outro lado, o movimento dos atingidos por barragens continua trabalhando em sentido contrário.

    ***

    Existe, ainda, o aceno dos “royalties” que serão destinados às prefeituras dos municípios atingidos. Alguns políticos sonham com valores altos, mas a coisa não é bem assim. Talvez seja apenas um ilusão.

    Segundo dados da Eletrobrás, a usina de Panambi vai gerar cerca de R$ 55 mil para cada município. O movimento dos atingidos pelas barragens faz uma comparação bem simples. Essa “receita” é a mesma proporcionada por 300 vacas leiteiras. O valor, se confirmado, é pequeno, muito pequeno.

    Isso resolve alguma coisa? Duvido.

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    A audiência pública realizada em fevereiro, em Porto Mauá, parece já ter dado algum resultado. O Ministério Público Federal passou a acompanhar tudo o que está acontecendo.

    Entre os diversos questionamentos (além da questão da proteção à reserva do Yucumã) está a real necessidade de geração de mais energia. Os promotores querem descobrir, com clareza, o quadro energético do sul do Brasil.

    A bacia do rio Uruguai, formada pelos rios Canoas e Pelotas, conta com sete hidrelétricas de médio e grande porte já construídas: Itá, Machadinho, Barra Grande, Campos Novos, Monjolinho, Foz do Chapecó e Passo Fundo. Do lado argentino, há pouco tempo foi inaugurada a gigantesca barragem de Yaciretá.

    Ou seja, já estamos cercados por barragens. Aí está a dúvida. Precisa mais?

    ***

    Temos que admitir. A questão das barragens, além dos aspectos econômicos propriamente ditos, tem um componente sentimental.

    De modo especial para nós, que vivemos próximos à fronteira, o Uruguai representa belas paisagens e histórias envolvendo pescarias, balseiros e contrabandos. Tudo isso mexe com a nossa imaginação, nossas memórias e nossos sentimentos.

    Sabemos, também, que as barragens significam o fim do rio Uruguai. Em quase toda a extensão da fronteira Brasil-Argentina haverá apenas lagos e reservas. O rio que move nossa imaginação estará morto.

    Apenas não sabemos em que data dará seu último suspiro.