• sábado, 12 de julho de 2014 07:05

    De tudo um pouco

    Eu era menino quando conheci o bispo Dom Estanislau Kreutz.Desde então encontrei o religioso inúmeras vezes. Natural
    de Santo Cristo, era um religioso à antiga, atento a tudo que acontecia ao seu redor e com memória prodigiosa. Por tais motivos tornou-se um líder. Comandou a Igreja Católica da região em momentos difíceis. Homem simples e de fala mansa e determinada. Morreu no último domingo, aos 86 anos. Só parou de trabalhar quando as condições físicas já não permitiam qualquer esforço. Grande sujeito. Daqueles que deixam o exemplo pessoal como legado.
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    A temporada de chuvas (e que chuvas!) deixou uma marca que incomoda muita gente, especialmente os motoristas. As ruas da cidade ficaram esburacadas. E as estradas da região também, aumentando os perigos do trânsito.
    Acontece todo ano. Chuvas e buracos. A durabilidade é pequena, ninguém duvida disso. Penso que está na hora de levantarmos uma questão importante nesse particular. Afinal, o que está acontecendo com o asfalto?
    Será que estamos necessitando de maior tecnologia e de mais qualificada engenharia de asfalto? Ou será que, por conta do sistema de licitações, acabamos comprando asfalto barato e de pouca duração? São duas possibilidades que me ocorrem no momento. O que é melhor: ter 100 quilômetros de asfalto que dentro de um ano pedirá reparos, ou ter 50 quilômetros de um asfalto mais duradouro?
    Se permanecermos na lógica atual, surge outra preocupação. Uma rua asfaltada é muito confortável e bonita. Tudo bem, nós gostamos disso. Mas é preciso entender que asfalto exige manutenção constante, isto é, investimento permanente. Um quarteirão com asfalto ruim custa, digamos, R$ 100 mil. Mas ao longo de uma década esse custo pode ser — e provavelmente é — de R$ 500 mil. Será que vale a pena? Ou vale a pena pensar em outro tipo de pavimentação mais duradoura?
    As respostas devem ser dadas pelos entendidos no assunto.
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    O Sebrae divulgou esta semana que Santa Rosa já tem 1.600 empreendedores individuais, sendo 833 homens e 747 mulheres.
    Com a sigla MEI, o empreendedor individual paga boleto único mensal que engloba tributos e previdência. No RS já são 234.000 e no país mais de 4 milhões.
    A modalidade criada pelo Governo desburocratiza e formaliza atividades antes informais. Conversando com alguns desses profissionais, não há dúvida. A medida foi muito bem recebida. É simples. Você se concentra na atividade profissional, e para atender o fisco e garantir a previdência, recolhe apenas uma guia por mês.
    Aliás, a simplificação fiscal deveria ser estendida para outras áreas profissionais e outros setores da economia. Há empresas sufocadas pelo emaranhado burocrático. É uma questão a ser debatida com seriedade. Em alguns setores, as empresas destinam até 20% de sua força produtiva apenas para atender a burocracia. Assim fica pesado, não é?
    Desburocratizar é um desafio urgente para um pais em desenvolvimento como o Brasil.

     

  • sábado, 5 de julho de 2014 08:13

    Coisas da cidade

    O “Sesi Show” está comemorando 25 anos de luminosa atuação, e ofereceu à cidade espetáculos de encher os olhos, nesta semana, no Centro Cívico.

    Falar bem desse grupo de arte e música é chover no molhado. Todos conhecem e todos se encantam. A Câmara de Vereadores já prestou homenagem mais que merecida. Mas, cá entre nós, o Vilson Kunzler, padrinho de incontáveis músicos que atuam Rio Grande afora, já está merecendo uma estátua.

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    Há poucos dias, por conta de cobranças feitas pelo Ministério Público, a Prefeitura contratou empresa que modificou os passeios na área central da cidade para instalação daquelas rampas de acessibilidade. Em alguns locais, foram mantidos também os acessos antigos, tornando as calçadas feias e até perigosas. Em outros, o cadeirante simplesmente não consegue transitar pois a rampa ficou pior do que a valeta antiga. Resumindo, acho que a cidade ficou mais feia. E o resultado aquém do esperado.

    Pois agora, tão pouco tempo depois, os tais acessos estão literalmente se desmanchando. É só observar na próxima caminhada no centro da cidade. Em breve, não teremos quaisquer rampas de acesso. A única conclusão possível é a seguinte: o serviço foi de péssima qualidade.

    A propósito, existe prazo de garantia para serviço prestado à administração?

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    Na terça-feira, dois acidentes na estrada que liga Santa Rosa a Santo Cristo. No total, foram seis veículos danificados, porém sem vítimas.

    A questão me intriga há algum tempo. A estrada para a cidade vizinha é de ótima qualidade e muito bem sinalizada, porém a quantidade de acidentes é enorme. Não há semana sem uma notícia desse tipo. Então significa dizer que estrada boa acarreta acidentes? Ou fica valendo a história de que a causadora de acidentes é a estrada mal-cuidada?

    Não dá para entender os motoristas, não é?

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    A enchente histórica deixa danos materiais enormes e muita dor nas famílias que perderam o pouco patrimônio de que dispunham.

    Nessa luta contra a inclemência do clima, vale registrar que, mais uma vez, a solidariedade apareceu com força. O site do Jornal Noroeste noticiava o recolhimento, até quarta-feira, de 23 caminhões de donativos! É prova inegável de que o drama dos ribeirinhos chegou até aos moradores das cidades da região, que se mobilizaram. Na ponta de todos os trabalhos, a Cruz Vermelha de Santa Rosa mostrou ser incansável.

    Foi tanta água que ficou na memória a observação feita por um amigo. Disse ele: “Se a água subir mais 4 ou 5 metros, teremos a exata dimensão do que será o lago da barragem Panambi, a ser construída no rio Uruguai”.

    Pois é. Dá o que pensar.

  • sábado, 28 de junho de 2014 10:18

    Coisas que descobrimos na Copa

    A “invasão” do Brasil durante a Copa foi algo sensacional, e teve uma característica muito particular. Veja só. São levas de argentinos, uruguaios, colombianos, chilenos, costa-riquenhos, mexicanos, equatorianos, isso sem falar dos portugueses e espanhóis.

    Toda essa multidão veio ao Brasil torcer e fazer festa e se comunica numa linguagem que nós, aqui da fronteira, conhecemos muito bem: o portunhol. Ele não é reconhecido como uma língua oficial, mas existe de fato. Acho até que nunca foi tão utilizado quanto hoje.

    O Brasil faz fronteira com diversos países de língua espanhola, e nada mais natural do que nos aproximarmos utilizando essa ferramenta. Nos apropriamos do vocabulário dos vizinhos. Em contrapartida, os vizinhos também conhecem muito bem o português. Faz parte do instinto de sobrevivência, da nossa adaptação a um ambiente hostil.

    Assim, criamos uma língua de fronteiras, o nosso bravo portunhol. Se você encontrar um chileno e não conseguir entendê-lo, não hesite. Utilize o portunhol e verá que a comunicação acontece.

    Essa nossa linguagem espontânea não tem regras, não tem gramática, e tem pouca autocensura. O importante é a comunicação. Aliás, com a invasão real dos latinos em metade do território norte-americano, podemos dizer que é fácil viajar por toda a América com o mínimo de ajuda da língua inglesa. A única exceção é o Canadá, que ainda resiste. Mas logo também será invadido, sem dúvida. Chegará o dia em que vamos consagrar o portunhol como um idioma misto, porém de extrema utilidade. Arriba e adelante!

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    Foi no mínimo curiosa a matéria feita por uma jornalista porto-alegrense, que conversou com visitantes de diversos países, especialmente europeus. Ela queria saber quais os hábitos dos brasileiros que despertam a admiração deles e que poderiam ser “adotados” pelos povos de outros continentes. Pois veja que coisa surpreendente. Vou citar alguns mais legais.

    Abraços e contatos físicos entre as pesssoas. De início, eles estranham. Mas depois descobrem como é bom.

    Atendimento em lojas. Ao contrário do que imaginamos, os atendentes brasileiros dão um olé no que pode ser encontrado em lojas européias, por exemplo. Os entrevistados elogiaram muito a cortesia, o sorriso, a gentileza.

    O jeitinho brasileiro, sob certa ótica, é reprovável. Mas o fato é que europeus enlouquecem quando algo dá errado. O brasileiro, ao contrário, busca a solução e encontra caminhos alternativos. Sempre há um jeitinho. E o objetivo é alcançado.

    Compartilhar bebidas chama a atenção de todos. Um copo de caipirinha, ou uma cuia de chimarrão, são sinônimos de comparti-lhamento social que os europeus desconhecem. Comprar uma cerveja e servir vários copos, por exemplo, é uma novidade para eles. Quando sentam num bar, cada um pede a sua cerveja, veja só.

    Os hábitos de higiene também são motivo de elogios. Tomar banho todos os dias e escovar os dentes após as refeições não são prática corrente. Aliás, é clássica e verdadeira a história de que os franceses inventaram os perfumes justamente por causa da péssima higiene íntima.

    Outro hábito que surpreendeu os visitantes é a carona. Eles não sabem o que é isso. Levar o amigo até a sua residência, ou combinar uma visita a determinado local compartilhando uma automóvel é algo inusitado para eles.

    Parece até que, com a Copa, eles estão aprendendo muito. E nós estamos aprendendo a valorizar aquilo que sempre tivemos, e que faz de nós um povo especial. Copa também serve para isso...

     

  • segunda-feira, 23 de junho de 2014 08:32

    Propostas

    O meio acadêmico já está às voltas com a polêmica. universidades públicas podem cobrar taxas de alunos que dispõem de recursos financeiros? Os estudantes vindos de famílias abastadas devem pagar para frequentar as universidades públicas, mesmo sendo taxas de pequeno valor?
    É um velho problema. As universidades públicas, de boa qualidade, são frequentadas por estudantes que podem pagar. Por outro lado, as universidades particulares, algumas com baixa qualidade, são frequentadas por estudantes mais pobres que, em sua maioria, também trabalham. A sugestão, feita pelo economista inglês Stijn Broecke, é que o Brasil passe a taxar os estudantes ricos, angariando mais recursos e expandindo o sistema universitário, tomando como exemplo situações já existentes no Reino Unido.
    É uma proposta que vai mexer com a abelheira. Embora o público universitário venha aumentando rapidamente, via programas governamentais e a criação de novas universidades na última década, o fato é que ainda falta muito para atingirmos a excelência. Resta saber se aqueles que dispõem de recursos aceitarão o princípio da solidariedade...
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    A Copa do Mundo é mesmo um momento de festa, seja realizada no Brasil ou em qualquer lugar do mundo. Além de ser um atrativo torneio de futebol, é um grande evento que abre espaços para todo tipo de bom humor. Uma espécie de catarse pública. Lembra até o Carnaval.
    A TV vem dando um show de imagens, com a alta tecnologia atual, mas tão bom quanto os gols é ver as manifestações da torcida. Há jogos em que o maior espetáculo está nas arquibancadas ou nas ruas das cidades-sede.
    Fiquei até imaginando. Se eu fosse repórter escalado para trabalhar na Copa, escolheria a cobertura das manifestações das torcidas, e não as entrevistas com jogadores. Certamente, seria muito divertido!
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    Os primeiros passos para a concretização do projeto Tapé Porã estão em andamento. Ideia surgida há quase quinze anos, ela se torna mais forte na medida em que a cidade cresce. Tenho conversado com muita gente a respeito, e já não tenho dúvidas. Santa Rosa quer o “caminho bonito”, integrando o centro da cidade com todas a vilas e bairros que margeiam a Avenida Expedicionário Weber, chegando ao coração do Bairro Cruzeiro. A população abraçou a proposta e sabe da sua importância para o futuro urbanístico da cidade.
    Pois nesta semana a Administração municipal tomou medidas concretas. Destinou verba, a ser incrementada logo a seguir, e propôs a criação de um núcleo gestor desse parque longitudinal. Chegou a hora de elaborarmos um Plano Diretor para o Tapé Porã, que garanta a sua execução nos próximos anos (e nas próximas administrações).