• sábado, 15 de julho de 2017 11:17

    Alô?!

    Se você enxergar alguém, com o celular na mão, saindo às pressas de algum prédio ou moradia, não se assuste. Não é incêndio, não é terremoto. A pessoa em questão está apenas tentando captar sinal da telefonia móvel.

    Às vezes até consegue...

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    O que é mais difícil de encontrar: o sinal da Vivo ou aquele pessoal que bateu panela pedindo impeachment?

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    Em breve a publicidade será a seguinte:

    “A Vivo lhe deseja um ótimo final de semana! Como sua ligação não vai funcionar mesmo, o bom é encontrar amigos pessoalmente. Este é o segredo da felicidade. Encontre os amigos e divirta-se!

    E temos uma grande novidade: com a Vivo você não paga nada para falar com sua sogra. Este é o nosso novo plano! Basta ir até a casa dela e conversar bastante. É de graça!”

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    E a moça (dizem que é loira) ouviu o celular tocar, pegou o aparelho e se jogou no chão da sala para atender à ligação. A amiga que a visitava estranhou:

    — Por que você atende a ligação deitada?

    — Para a ligação não cair...

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    Crise política, para nós, não é novidade, mas igual a esta que este estamos assistindo eu nunca tinha visto.

    Por exemplo: o cara que há algum tempo defendia o governo Temer hoje está como o vendedor de um Fiat 147 com vinte anos de uso. Nem com rosário, nem macumba, consegue convencer alguém...

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    E dizem que um deputado federal, na sala do cafezinho da Câmara, fazia considerações filosóficas:

    — Se alguém acha que vou me dobrar por uma propina de 500 mil, saiba que está totalmente certo...

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    O que aconteceu no Senado, na última quarta-feira, com a votação da reforma trabalhista, é mesmo vergonhoso. Políticos movidos por propinas, votando em favor do atraso. E dois senadores gaúchos pisotearam a imagem de gente politizada que o Rio Grande ainda tinha. É dose!...

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    O meu celular está infestado de vírus. Esta é a conclusão a que estou chegando. Às vezes eu digo: “Alô, tudo bem?”, e ele responde: “Alô, tudo bem?”. Eu paro de falar por alguns instantes e continuo: “Sabe quem está falando?” e ele responde: “Sabe quem está falando?”. Na segunda oportunidade descobri que é a minha própria voz respondendo, em eco.

    Assim, encontrei uma nova utilidade para o celular, ou seja, conversar comigo mesmo. Antigamente a gente refletia sobre a vida e dizia: “estou conversando com meus botões”. Hoje, podemos dizer: “estou conversando com meu celular”.

    Tenho mantido conversas muito sérias com ele. E algumas discussões. Espero que o meu celular tenha um espírito compreensivo...

     

  • sábado, 8 de julho de 2017 10:06

    Falando de...

    Conversa sobre suicídio é sempre incômoda. As pessoas evitam, escondem, silenciam. É quase um tabu para a nossa cultura. Mas é preciso falar, verbalizar, porque o estigma somente faz com que o preconceito persista.
    Dias atrás, o suicídio de uma jovem aqui na região deixou muita gente chocada. Jovem e bela. O que aconteceu? Por quê? É uma realidade dolorosa que não aparece, e os familiares envolvidos tendem a ocultar.
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    No ranking nacional de suicídios, o Rio Grande está no topo da lista. E entre as cidades com maior incidência no país, temos duas muito próximas: Três de Maio e Três Passos. Outro dado alarmante do Ministério da Saúde é que vem aumentando o número de suicídios na faixa etária de 15 a 29 anos. Já é a principal causa de morte entre meninas de 14 a 19 anos. No Brasil, o número de casos subiu 34% entre 2002 e 2012. As estatísticas parecem números frios lançados em folhas de papel, mas podem e devem nos levar a reflexões mais profundas.
    Alguns estudos relacionam o suicídio com o uso indiscriminado de agrotóxicos (organofosforados), o que explicaria o alto índice de depressão e suicídio na região de Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul, onde a cultura do fumo exige quantidades absurdas de veneno. Também o manganês, presente nos fungicidas, vem sendo apontado como causador da depressão. Ninguém mais duvida que os agrotóxicos abalam o sistema nervoso central das pessoas.
    É uma explicação dos efeitos dos produtos químicos no cérebro humano. Eu não duvido. Mas as pesquisas a respeito continuam...
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    Outra linha de pensamento está relacionada com a formação religiosa numa região de imigrantes. A religiosidade rígida entra em choque com o mundo disperso e líquido da vida contemporânea. O conflito é inevitável, um conflito de valores, de crenças. Muita gente não suporta essas contradições.
    Também não é de duvidar. A religião tem tudo a ver com a nossa formação cultural. E num mundo de conflitos e competição, isso é terrível.
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    Mas o que acontece com os jovens de outras regiões, que estão distantes dos agrotóxicos e do rigor religioso? A realidade parece ser outra. Educadores, psicólogos e sociólogos buscam explicações.
    O incentivo à competição, ao êxito profissional rápido, muitas vezes não é bom. Os adolescentes são cobrados de forma incisiva, e cada vez mais cedo. Alguns são ainda crianças, mas seus compromissos são enormes. Pulam etapas da vida, do aprendizado, e até da convivência sadia com pessoas de sua idade. São adultos prematuros, psicologicamente instáveis e inseguros.
    Por outro lado, a sociedade nos impõe a ideia de que não precisamos, hoje, de uma vida para ser vivida. Temos uma vida a ser mostrada, exibida, invejada. Parece não existir mais a vida individual, autêntica. Somos todos atores. Colocamos uma máscara ao sair de casa. Queremos parecer bem sucedidos e felizes. Mas, na verdade, a vida não é assim. Desprotegidos e vulneráveis, é o que somos. E o afeto que pode nos dar segurança tornou-se mercadoria rara. Para muitos, é um abismo insuportável. É hora de olharmos com atenção para nós mesmos e para nossos filhos.

  • sexta-feira, 4 de agosto de 2017 15:04

    Faça o bem

    Você pode até imaginar que o assunto é piegas, sentimental, coisa de auto-ajuda. Praticar a bondade é virtude reconhecida por todas as religiões. Já sabemos disso há séculos. Mas não é uma virtude aplaudida socialmente.

    No entanto, há milhares de pessoas ao redor do planeta que praticam a bondade e o altruísmo. Muitas delas às custas do próprio tempo e do próprio dinheiro. Algumas se tornam celebridades por conta disso. Muitas outras sequer fazem questão de ser conhecidas. É algo íntimo, sabemos.

    Pois agora surgem indícios de que o conselho “faça o bem sem olhar a quem” tem razão de ser.

    Uma pesquisa recente da Universidade de Lubeck, na Alemanha, descobriu que, no interior do nosso cérebro, qualquer ato de generosidade ativa partes que nos dão a sensação de felicidade (área denominada têmporo-parietal). O estudo envolveu voluntários que receberam uma quantia em dinheiro. Um grupo foi orientado a preservar o dinheiro. O outro grupo ficou livre para aplicar em atos de generosidade.

    O cérebro dos integrantes do segundo grupo mostrou ligação ativa com a tal área neurológica, e todos afirmaram que sentiram a sensação de gratificação e felicidade com o que fizeram. E juram que a tal “experiência” ajudou a modificar sua própria visão do mundo.

    ***

    É a ciência invadindo um campo de conhecimento que sempre envolveu outros conceitos. Socialmente, enfatizamos o egoísmo como forma de encontrar a felicidade. Damos pouco valor aos benefícios sociais e individuais do comportamento generoso.

    Parece que a ciência está demonstrando que estávamos errados...

    ***

    Mudando de assunto. A agricultura do mundo está de sobreaviso. Estão em andamento gigantescas fusões empresariais envolvendo a Bayer-Monsanto, a Syngenta-ChemChina e a Dupont-Dow.

    Em breve, apenas três megaempresas dominarão a produção de alimentos no mundo. Na área de máquinas agrícolas, quatro empresas já dominam mais da metade do setor.

    As primeiras consequências, segundo os técnicos, serão a elevação dos preços e a pressão envolvendo a propriedade intelectual das sementes. Em outras palavras, eles sentarão em torno de uma pequena mesa, em algum lugar do planeta, e decidirão preço das máquinas e dos insumos, como agrotóxicos, adubos e sementes.

    Para os pequenos e médios agricultores é uma ameaça real.

    A limitação de troca de sementes entre os agricultores, por exemplo, já é uma realidade e tende a se tornar crônica. Não é sem razão que a vigilância “fitosanitária”, imposta pelos governos, assim como a obrigatoriedade de usar sementes registradas, estão estrangulando a agricultura familiar.

    A força desses gigantescos conglomerados supera a resistência dos governos, especialmente aqueles descompromissados com sua própria população. Os monopólios, como a história sempre demonstrou, trazem danos e esmagam as economias.

    Para nós, que não estamos diariamente lidando na lavoura, a preocupação envolve a redução da comida saudável e da segurança alimentar. O agribusiness jamais se preocupou com isto.

  • segunda-feira, 3 de julho de 2017 07:46

    Notícias de um futuro qualquer

    Futuro comprometido, futuro duvidoso, futuro jogado às trevas. É o que podemos concluir com as informações que nos chegam. No Rio Grande do Sul, o governo fechou 2.280 turmas nas escolas públicas. No Brasil, 53% das obras de reforma, construção ou ampliação de escolas, estão paralisadas e suspensas por tempo indeterminado. Também no Brasil inventaram um programa de ensino médio onde o aluno escolhe o que estudar. Serão todos jogados num limbo onde não terão as mínimas condições de concorrer com os estudantes do resto do mundo.
    É triste descobrir que, na hora de fazer economia, nossos líderes imediatamente cortam verbas da cultura e da educação. Qualquer cão de rua sabe que não é assim que se constrói o futuro. Na verdade, não estamos construindo nada e tentando tapar o sol com uma peneira.
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    As informações sobre aviões carregados de cocaína em fazendas de ministro de Estado e também de aviões de propriedade de deputado a serviço do tráfico, não deixam dúvida. Temos hoje um contingente de políticos que leva muito a sério a questão do empreendedorismo. Talvez estejam apenas tentando abrir novos negócios para o Brasil.
    Nós é que somos muito desconfiados...
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    Notícias da semana dão conta de que são milhares os brasileiros especializados (técnicos, pesquisadores, cientistas etc.) estão deixando o país em busca de melhores oportunidades. As melhores cabeças estão indo embora.
    A Academia Brasileira de Ciências já informou que a situação é preocupante. Na medida em que o governo corta as verbas da ciência e da pesquisa, é crescente o número de cientistas que estão sendo convidados a viver e trabalhar em outros países. Alguns países oferecem projetos com o propósito específico de selecionar os melhores especialistas brasileiros para imigrarem.
    Mas não são apenas cientistas. Brasileiros com dinheiro no bolso também estão saindo. Segundo a Receita Federal, entre 2014 e 2016 foram entregues 55.402 “Declarações de Saída Definitiva do Brasil”.
    A crise política tem ramificações que, às vezes, nós nem imaginamos.
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    Mas não vou ficar falando somente de notícias desalentadoras, essas que recebemos todos os dias e nos jogam num mar depressivo. Também há coisas boas acontecendo, veja só.
    A “Sala do Empreendedor” de Santa Rosa divulgou a estatística do primeiro trimestre deste ano. Foram 3.300 atendimentos.
    A Sala presta atendimentos sobre viabilidade e orientações diversas a microempresas e microeempreendedores individuais. É uma espécie de “bengala” para aqueles que não possuem estrutura para análise de projetos, ou para aqueles que pretendem se instalar no município.
    A estatística do semestre mostra que a Sala tem efetividade. Isso significa dizer que a economia local tem sua dinâmica, e não está parada. Isso é muito bom.