• sexta-feira, 27 de janeiro de 2017 16:46

    De Trump e outras trapalhadas

    Vereadores da região chegaram a pedir autorização para participar da posse do presidente Trump, lá nos EUA. Não deu certo. Mas dizem que a resposta da assessoria norte-americana foi a seguinte:

    "Em atenção ao ofício recebido, lamentamos informar impossibilidade da visita ao nosso presidente pelos seguintes motivos:

    a) O nome do nosso presidente é "Mr. Trump" e não "Sr. Tramposo";

    b) A audiência também está impossibilitada por falta de agenda porque nosso presidente gasta quatro horas por dia só para arrumar a peruca;

    c) Em razão das novas regras de imigração do nosso Presidente, o mais próximo dos EUA que Vossas Senhorias chegarão é visitando as "Lojas Americanas";

    d) Talvez Vossas Senhorias encontrem nosso Presidente na viagem que fará futuramente à capital do Brasil, Buenos Aires".

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    Não há como fugir do assunto. A posse de Trump como o governante mais poderoso do planeta tem algo a ver com o Brasil? A resposta é "sim". O Brasil sempre foi periférico, coadjuvante da economia globalizada, parceiro comercial secundário dos EUA. Agora, com a política "patriota" do novo governante (entenda que o protecionismo voltou com força) é certo que o Brasil sairá perdendo.

    Aliás, para Trump os brasileiros se equivalem aos latinos que tentam entrar nos EUA. Esquece ele que a metade da nação norte-americana já fala espanhol e que os latinos são milhões vivendo por lá. Mas, com ele, a xenofobia e a discriminação ganham nova força. E a "grande nação", depois da posse de Trump, volta a valorizar coisas do início do século passado. Especialmente com as medidas tomadas por ele nos últimos dias, que lembram um elefante numa loja de cristais.

    Algo como se elegêssemos, no Brasil, o Bolsonaro ou o Roberto Justus.

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    Conversando com algumas pessoas, fiquei surpreso ao perceber que muitas desconhecem o muro que já existe na fronteira do México com os Estados Unidos. É o novo muro da vergonha. Ele já existe numa longa extensão e foi tema de filmes e documentários.

    Há também um humilhante muro entre Israel e a Palestina. As pessoas acham natural tudo isso, mas não lembram a vergonha que foi o muro de Berlim. Estamos vivendo uma perigosa era de atraso e retrocesso, sem dúvida.

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    Se a postura de Trump for mesmo pra valer, vamos sentir saudades do Mercosul. O protecionismo prometido por ele impede negociações bilaterais e desestimula investimentos em países como o Brasil. A mensagem é simples: "Se algo pode ser produzido nos EUA, não será comprado em outros países".

    Ou seja, parece que teremos tempos difíceis nas exportações. Talvez seja o momento para reinventar o Mercosul e os negócios na América do Sul, algo que o atual presidente do Brasil não gosta de fazer. Rejeitamos o Mercosul para agradar os EUA, e estamos levando um pé na bunda. É isso.

  • sábado, 24 de dezembro de 2016 09:35

    Sensações de fim de ano

    É sintomático. As festas do final do ano (alegres, de modo geral) são seguidas de sintomas de depressão, ou, no mínimo, de melancolia.

    Estou falando de sensações íntimas das pessoas. Alguns psicólogos explicam que o excesso de euforia sempre vem sucedido por uma dose de depressão. É o que acontece, por exemplo, na ressaca após uma dose excessiva de álcool. Nessa época do ano os sintomas são semelhantes. É final de ano, estamos sobrecarregados, não conseguimos resolver todos os nossos problemas e nem realizar todos os planos. Por tudo isso, a nossa “máquina” pode falhar, emperrar.

    Felizmente, é algo temporário. Mas a doença em si já é uma epidemia mundial. Dizem que 500 milhões de pessoas em todo o mundo têm sintomas de depressão. Está sendo chamada de “mal do século”. Tem estágios diversos, sintomas diversos e desenlaces diversos. Ela é o não-desejo, a falta de vontade interior, a anti-alegria. Todos nós já sentimos isso em algum momento.

    Soluções? Há inúmeras terapias, seja no divã do psicanalista, seja com medicação pesada. Mas você deve estar perguntando: como faço para prevenir, para não ser envolvido por isso?

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    Não há consenso a respeito. Mas algumas atitudes diante da vida já são entendidas como fundamentais, capazes de trazer novos interesses e afastar os sintomas depressivos.

    Comecemos com algo bem elementar. Ouvir música e dançar nada têm a ver com remédios, não é mesmo? Pois funcionam como tal. A dança (com a música, é claro), tem a força de liberar o corpo e o espírito.

    Outras coisas simples que afastam a depressão: curtir filmes, ler livros ou simplesmente cultivar um hobby. Praticar atividades físicas e alimentar-se bem também ajudam.

    Há também os que defendem a “reconexão”. É fácil de entender. Há quanto tempo você não presta atenção no canto de um pássaro? Nas cores à sua volta? E os aromas que são tantos, em todos os lugares? Pois é. Essas coisas tão pequenas podem nos salvar. Mas, é claro, precisamos estar atentos e saber usufruir.

    Acho que estou lançando uma teoria, dentro dos meus parcos conhecimentos. A depressão é a falta de conexão com a vida, espécie de separação entre aquilo que nos faz sentir a vida e aquilo que realmente colocamos em prática. Esse “descasamento” nos faz perder objetivos e a verdadeira razão de viver.

    Isso tem relação direta com a vida contemporânea. Não temos mais tempo para reflexão, para rememorar, para compreender os acontecimentos. Somos hiperativos, vivemos um excesso de ações. Nossa alma (está bem, nosso psiquismo) precisa de tempo para elaborar e absorver tudo o que acontece. Mas a sociedade exige de nós a atividade intensa e permanente, o consumo, o individualismo, o culto ao corpo e às imagens que povoam nossa vida.

    O resultado é que vivemos num constante estado de mal-estar, que se acentua no período das festas do final do ano. Por isso, cuidado! Não perca a oportunidade de comemorar, e não perca nenhuma festa. Mas não se desconecte daquilo que o faz gostar da vida.

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    Bah, acho que fiz um texto quase filosófico. Espero, pois, que sirva para alguma reflexão. Para não azedar de vez a conversa, comentários sobre os pacotes do senhores Temer e Sartori ficam para outra oportunidade. Não quero estragar o Natal de ninguém...

  • sábado, 17 de dezembro de 2016 12:11

    Aposentadoria privada é o nosso destino?

    Quando você ouviu essa conversa sobre a reforma da previdência social pensou imediatamente em um plano da previdência privada. Pois é isso mesmo que eles querem que você pense. Os planos de previdência privada são, hoje, poderosos grupos empresariais, a maioria vinculados ao sistema financeiro, e querem parte do seu dinheiro.

    Não acho que a previdência privada seja obra do demônio. Pode ser muito proveitosa, mas é preciso ter cuidado, muito cuidado.

    Planos privados têm riscos (vide o caso Varig, em que milhares de pessoas da classe média foram, subitamente, jogadas na miséria). Se o plano for à falência, você também estará quebrado, lembre-se. Os planos cobram taxas de administração e carregamento que estão entre 3% e 10% de tudo o que você paga. A rentabilidade é baixa. Não há fundo garantidor (como na poupança, por exemplo). Se você cumprir o prazo para alcançar a renda mensal que eles chamam de aposentadoria privada, tudo bem. Mas deve lembrar que, se você morrer (o que pode ocorrer a qualquer momento), todo o dinheiro guardado fica para a empresa, e não volta para a tua família.

    Ela não tem a mesma natureza na seguridade pública, pois esta tem raízes dentro da sociedade brasileira e traz como princípios a solidariedade e a segurança. Sem contar que a seguridade oficial envolve um amplo leque dos chamados “benefícios”, que vão desde um auxílio acidentário até à aposentadoria propriamente dita. Essa é a razão pela qual a previdência e a saúde oficiais, no Brasil, são mantidas por diversas fontes. Eu pago, as empresas pagam, os sorteios lotéricos pagam, a construção civil paga, e assim por diante.

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    Justamente porque as fontes são diversas, a conversa de que a Previdência está quebrada precisa ser questionada.

    Aliás, vale a pena ler a cartilha publicada pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais da RECEITA FEDERAL (Anfip), levada ao Congresso no último dia 3. Na cartilha, os fiscais analisam os números da previdência e garantem: em 2014 a Previdência teve em superávit de R$ 53 bilhões. O governo do senhor Temer diz que houve prejuízo de R$ 146 bilhões.

    Entre a opinião técnica, baseada em números, e a opinião política, baseada em interesses inconfessáveis, eu fico com a primeira.

    O governo está manipulando dados e levando à população uma farsa. Pois é esta farsa do rombo da previdência que vem sendo denunciada pelos auditores fiscais. Na página da ANFIP, na internet, existem vários documentos e vídeos a respeito.

    Na prática, a “reforma” do atual governo vai extinguir a aposentadoria. Somente terão direito a ela os altos funcionários do governo (leia-se supersalários) e os militares. Em outras palavras, a reforma castiga os pobres e mantém os privilégios já existentes.

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    Num cálculo singelo, a proposta é a seguinte: se você começar a contribuir aos 16 anos poderá se aposentar aos 65 anos. Se começar a contribuir quando terminar a faculdade, aos 24 anos, poderá se aposentar aos 74 anos de idade. Agricultores, por exemplo, que começam a trabalhar muito cedo, trabalharão 50 anos para se aposentarem. Em ambas as hipóteses, o salário será “ótimo”. O suficiente para pagar os remédios na farmácia da esquina.

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    É por essas e outras que o Brasil vem perdendo o respeito do mundo de forma célere. O mundo está se perguntando onde nós conseguimos políticos tão canalhas.

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    Rotary doa instrumentos musicais

    Integrantes do Rotary Clube de Tucunduva, doaram instrumentos musicais a alunos da Oficina Municipal de Música, mantida pela Prefeitura de Tucunduva. Os instrumentos foram entregues pelo empresário Jardel Gebauer e pelo músico e também empresário Ivar Costa. Os dois violões foram adquiridos com recursos dos próprios rotarianos que efetuaram a entrega.

  • sábado, 10 de dezembro de 2016 11:52

    Falando do milho numa hora dessas?

    Talvez você esteja esperando algum comentário ácido sobre o clima político, jurídico e social do Brasil. Pois vou decepcioná-lo. Vou falar sobre o milho. Isso mesmo, o cereal cuja colheita já teve início, é importante para a economia da região e é o mais consumido no mundo.

    De origem milenar, o milho foi importante para a alimentação dos maias e astecas. Ou seja, o cereal já estava na América séculos antes da chegada dos europeus. Com os indígenas aprendemos muito sobre o milho. Eu, por exemplo, gosto do milho em forma de pipoca, de milho cozido na panela de pressão, de pão de milho, de pamonha, de farofa de milho. A culinária do milho é mesmo riquíssima.

    Pois na França, recentemente, uma pesquisa divulgou que ratos alimentados com milho transgênico teriam sofrido surto de tumores e câncer. Imagine a polêmica que se instaurou por lá. Alguns questionaram a validade do estudo, a quantidade de ratos mortos, a duração dos testes, etc.

    Talvez não seja o momento para entrar em pânico, pois novas pesquisas já estão sendo realizadas. Mas a notícia já nos deixa um pouco assustados, com certeza.

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    No Brasil, a legislação prevê que a cerveja pode ser fabricada com até 45% de cereais não maltados. A cevada tem malte, certo? Pois o milho não tem. E está sendo utilizado em larga escala pelos grandes fabricantes de cerveja.

    A primeira constatação é que estamos bebendo “suco de milho”.

    A segunda é que o milho utilizado é quase 100% transgênico.

    A terceira é que os rótulos das cervejas não dizem nada sobre isso. Dizem apenas que foram utilizados “cereais não maltados”.

    A conclusão óbvia é que o consumidor brasileiro está sendo enganado com a plena omissão das autoridades. Lembra a velha polêmica: retirar a informação sobre transgênicos dos rótulos das embalagens é uma punhalada pelas costas!

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    Apesar desse perigo real, lembro que o milho também é usado em outras atividades industriais, como fabricação de tintas, tecidos, plástico, papel, sabão, álcool e incontáveis outros produtos.

    O bom é que o milho é rico em nutrientes, de modo especial o carboidrato que gera energia. Pergunte aos porquinhos da granja mais próxima. Eles adoram!

    Mas há também algo curioso acerca do milho. A celulose que envolve cada grão de milho também contém elementos valiosos, mas nós, seres humanos, não a aproveitamos. A razão é estranha. Nosso intestino não tem enzimas capazes de digerir a celulose do milho.

    Por isso, quando o comemos em forma de grãos, podemos dizer ao milho: “Nos encontraremos amanhã...”

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    Mudando de assunto: chegamos ao ponto em que integrantes do sistema judiciário estão defendendo o fim do “habeas corpus”, o fim do devido processo legal, os salários acima do teto constitucional e o fim do direito de defesa do cidadão, além da proteção às suas próprias arbitrariedades. É surreal. Quase inacreditável. Estão, evidentemente, brincando com fogo...