• segunda-feira, 10 de abril de 2017 07:23

    Escritores e cientistas

    O mês de abril tem tudo a ver com livros. Dia 2 (domingo passado) foi o “Dia Internacional do Livro Infantil”, uma homenagem a Hans Christian Andersen, cujos contos se tornaram mundialmente conhecidos e divertem as crianças até hoje.

    Já o dia 18 é dedicado ao “Dia Nacional do Livro Infantil”, homenagem a Monteiro Lobato, grande escritor e um dos pais da defesa do petróleo brasileiro (deve estar se revirando no túmulo com o governo Temer).

    Dia 23 será o “Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor”, que concentra homenagens aos legados de Shakespeare e Cervantes, cuja importância dispensa comentários.

    Estou dizendo tudo isso só pra lembrar que neste mês de abril teremos Feira do Livro em Santa Rosa. Não vai esquecer, tchê!

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    Cesar Victora é gaúcho e professor da Universidade Federal de Pelotas. Dias atrás ganhou um dos mais importantes prêmios do mundo científico e da medicina. Seus estudos revelaram (e comprovaram) que a amamentação materna exclusiva até os seis meses de vida do bebê é fundamental para prevenir a morte prematura e garantir a saúde e a inteligência pelo resto da vida. O mundo agradece ao cientista brasileiro.

    Se fosse jogador de futebol, Cesar seria recebido com banda de música e carro de bombeiros. Mas não é. É um cientista que se dedica ao assunto há 30 anos. Numa entrevista, lembrou o que às vezes esquecemos: “Ciência se faz com tempo. Leva anos. E a grande recompensa não é ganhar prêmios. É mudar a vida das pessoas”.

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    De agora em diante, quando você enfrentar um sujeito meio burro numa discussão, você pode simplesmente dizer: “Tchê, acho que a tua mãe te tirou do seio muito cedo...”

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    De 1990 até 2015 são vinte e cinco anos, certo? Pois nesse período, segundo a ONU, a superfície do Brasil coberta por matas foi reduzida em 10%. Perdemos 2,5 milhões de hectares de florestas.

    Nosso vizinho Uruguai, que vem investindo em produtos derivados da madeira, ganhou 131% de massa florestal. Disso, cerca de 80% tem certificado de sustentabilidade. É de dar inveja.

    No mundo todo, 130 milhões de hectares perderam suas florestas.

    A ONU também traz outro alerta. Ao contrário do que muitos imaginam, as florestas que desaparecem não são substituídas por campos floridos, cheios de vaquinhas sorridentes. A maior parte dessa imensa área se transforma em solos áridos e empobrecidos. As regiões desérticas e sem fertilidade também estão aumentando no planeta.

    Esses dados assustadores me fizeram lembrar recente manifestação de Stephen Hawking, o maior cientista vivo, que baixou a lenha na política do presidente americano Trump justamente porque este não aceita as advertências da ciência sobre as mudanças climáticas. Esta é uma briga boa. A ciência versus a obtusidade.

    A propósito, sou obrigado a lembrar que o ano de 2016 foi o ano mais quente da História. Quem diz isso é a agência norte-americana NOOA (responsável pela medição). O clima do planeta vem esquentando ano a ano desde 1977. Já são 40 anos....

  • sexta-feira, 24 de março de 2017 15:15

    Será?

    Foi só a imprensa fazer um carnaval sobre a carne que consumimos, presumidamente estragada ou contaminada, para ressurgir, nas rodas de conversas, um assunto que parecia esquecido. A “descoberta” ressuscitou o debate.
    Trata-se da economia-formiga, aquela exercida por pequenos agricultores, mascates, feirantes, e outras pessoas que trabalham no limite da informalidade, e que são milhões no país. É um mercado enorme que vem sendo atacado impiedosamente sob o argumento de risco à “saúde pública”, além do controle estatal em busca de taxas, impostos e outras arrecadações. Há controvérsias, meus amigos!
    Será que o açougueiro do bairro (figura hoje em extinção) seria capaz de fornecer um frango ou uma costela estragada ao seu vizinho?
    Será que o milho verde ou a abobrinha comprada do carroceiro tem o mesmo nível de toxidade dos alimentos transgênicos da gôndola do supermercado?
    Será que o pastel ou a carne congelada que encontrávamos no Mercado Público de Santa Rosa são capazes de colocar em risco a saúde pública?
    Será que o pequeno agropecuarista, que abate uma vaca eventualmente, seria capaz de entregar alimento de má qualidade aos seus parentes e amigos?
    Será que a linguiça do churrasco, a rapadura, a copa, o vinho, o suco de frutas e outros alimentos caseiros, consumidos desde o princípio da nossa colonização, são tão perigosos?
    Será que as galinhas criadas nos pátios dos pequenos agricultores estão formando organizações criminosas, capazes de produzir ovos contaminados para os consumidores da cidade?
    Dá o que pensar, não dá?
    ***
    Mudando de assunto. Há meses o governo vem tentando impedir a divulgação da famosa “lista do trabalho escravo”, que existe há muitos anos e é atualizada periodicamente. Nela, constam empresas flagradas em exploração selvagem de trabalhadores (até crianças).
    Na última quarta-feira a Câmara aprovou a terceirização integral de mão-de-obra, incluindo o setor público.
    Pensando bem, ambos os fatos estão relacionados. Refletem apenas o que os atuais governantes pensam sobre o mercado e as relações de trabalho. Não dá pra negar que eles são coerentes.
    Com isso, acabamos de retroceder à década de 1940, época em que surgiu a CLT. Em breve, estaremos sentindo saudades de um cara chamado Getúlio Dornelles Vargas.
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    Falando em atraso, você já reparou que estão entregando o pré-sal brasileiro em fatias? A cada semana uma parte é leiloada. Logo o Brasil terá entregue todo o seu patrimônio oriundo do petróleo.
    E pensar que, pouco tempo atrás, discutíamos o destino dessa riqueza. O debate era sobre qual percentual seria destinado à saúde e à educação. Eram milhões de barris de petróleo que resultariam em bilhões de dólares para o Brasil.
    Pois é. Acabou.

  • sexta-feira, 17 de março de 2017 16:10

    Os jovens, as drogas e a lenha

    Inauguraram a extensão da Avenida América, e o que é que ouço? Pessoas reclamando que ao longo do trecho mais deserto os jovens se reúnem para beber, ouvir música, fumar maconha e sei lá o que mais. Isso no entendimento dos reclamantes, claro. Essa gente não tem mais do que reclamar?

    Pra começo de conversa, jovens se reúnem porque precisam disso. Uma reunião de jovens é algo maravilhoso, seja onde for, na rua, num clube, numa praça. Faz parte do aprendizado da aceitação e da identificação. Os estilos extravagantes, por exemplo, são sintomas desse processo, e não de criminalidade. Pois os jovens se reúnem para conversar, dançar, ouvir música, falar dos seus estudos e de futebol, beber chimarrão ou tererê, namorar, comentar aquele livro ou aquele filme... Coisas da sua idade. Sempre foi assim e sempre será. Mas há quem veja nisso uma assembleia de devassos, o que é um grande equívoco e um grande preconceito.

    É claro que também há jovens que se reúnem para beber, fumar maconha, cheirar cocaína, traficar drogas e planejar delitos. É um fato. Mas é um fato menor, a ser investigado. O erro está em generalizar. Aliás, não existem adultos “de bem” que, na verdade, são perniciosos, pedófilos, psicopatas, fascistas e assim por diante? Pois é. Assim é viver numa sociedade complexa.

    Querem o quê? Que os jovens se reúnam na sala de casa, com os pais, forçados a ouvir o Jornal Nacional ou o programa do Faustão? Cá entre nós, isto sim é consumir drogas...

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    A droga é um problema, certo? Ela está nos presídios, nas praças, nas casas noturnas... e também dentro dos lares! Imaginar que todo e qualquer encontro de jovens envolve o consumo de drogas é procurar cabelo em ovo. E também colocar sob suspeita o comportamento deles.

    É caretice e preconceito de muitos adultos rotular os jovens como sendo potencialmente transgressores. Qualquer preconceito é sempre autoritário. Busca diminuir a liberdade de ação e de escolha do outro. É uma tentativa de moldar a vida do outro aos valores que julgam ser eternos e verdadeiros. É resultado da falta de cultura. O preconceituoso se acha no direito de julgar e decidir como o outro deve viver. Infelizmente, o jovem é um dos alvos preferidos dos preconceituosos. E também é alvo de muita violência, como mostram as estatísticas brasileiras.

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    Num certo mês de maio, na região serrana do Rio Grande, um gringo (gringo é pão-duro, certo?) telefonou para a polícia.

    — Aqui é o Genaro! Queria fazer uma queixa contra meu vizinho Lorenzo... Ele esconde droga dentro dos troncos de madeira para a lareira...

    Pois no dia seguinte o Lorenzo recebeu a visita de um grupo de policiais, munidos de machados e motosserras. Abriram todas as toras que havia no galpão e não encontraram droga nenhuma. Foram embora desiludidos e pedindo desculpas.

    Logo em seguida toca o telefone do Lorenzo:

    — Alô, Lorenzo! Aqui é o Genaro. A polícia apareceu por aí?

    — Sim.

    — E serraram a lenha toda?

    — Sim.

    E o Genaro muito contente arremata:

    — Então, feliz aniversário, amigo! Este foi o meu presente deste ano!...

     

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  • sexta-feira, 10 de março de 2017 16:35

    Mulheres

    “Não se contrapõe o machismo ao feminismo. O feminismo não é o contrário do machismo. O machismo é a suposição de que nós, homens, somos superiores. O feminismo não é a suposição de que as mulheres são superiores. É a suposição de que homens e mulheres são iguais. O contrário do machismo é a inteligência.”
    A explicação acima é de Mário Sergio Cortella, uma das boas cabeças do Brasil atual. Gostei da frase para lembrar o mês da mulher.
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    O assim chamado “empoderamento” da mulher talvez seja a revolução mais importante do nosso tempo. Ele é construído por movimentos sociais e sindicais mas também por vidas femininas, individualmente consideradas, que afirmam a presença da mulher como construtora da civilização.
    Vale a pena conhecer as histórias marcantes de mulheres que ajudaram a melhorar o mundo. Só para citar algumas, cujas histórias são recentes: Malala (a menina que enfrentou o radicalismo islâmico); Irena Sendler (durante a guerra salvou milhares de crianças do gueto de Varsóvia); Frida Kahlo (revolucionária mexicana e uma das grandes pintoras da América); Olga Benário (jovem judia, entregue aos nazistas); Iara Evelberg (estudante assassinada pela ditadura brasileira); Rosa Parks (lutou contra o segregacionismo nos EUA) e Nise da Silveira (a brasileira que modificou a história da psiquiatria).
    A luta pela igualdade mostra, claramente, como é difícil mudar o mundo. Mas não é impossível. As relações homem-mulher estão mudando não por benesse masculina, mas pela busca de direitos por parte das mulheres. Pouco tempo atrás ainda se via, nas revistas semanais, propagandas mostrando um conjunto de panelas e dizendo: “O sonho da perfeita dona de casa!”.
    Hoje os sonhos são outros, muito diferentes. Porque os sonhos das “cinderelas” já não impressionam ninguém.
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    Mudando de assunto. Às vezes acho que a política, em Santa Rosa, com seu provincianismo, lembra a cidade fictícia de Sucupira, imortalizada na novela “O Bem Amado”, escrita por Dias Gomes, que trazia as famosas tiradas do prefeito Odorico Paraguaçu. A última polêmica, que nem polêmica deveria ser, envolvendo o quiosque no Tape Porã, lembrou Sucupira. Se estivesse vivo, o tal prefeito diria:
    — Vou botar de lado os entretantos e partir pros finalmentes. Tomando os providenciamentos necessários, sei que quem quer beber água que passarinho não bebe acha a maldita até nos quintos dos infernos. Não precisa inauguratórios de quiosque com pinga. Pode ser quiosque de água encanada. Ou pode não ter quiosque! Porque a nossa adorada e deslavada cidade de Santa Rosa já tem vendedor daquela que matou o guarda em toda a extensão da Expedicionário Weber. Essa confabulância político-partidarística que se instalou deve ser coisa de esquerdista, de meio-campista ou de centro-avantista, só pra fazer calunismos contra a nossa administração.
    E para arrematar o discurso, acrescentaria:
    — Com a alma lavada e enxaguada, emboramente não se tenha resolvido o embróglio, esclareço para a imprensa lida, olhada e escutada, que futuramente haveremos de fazer o inauguramento que entrará para os anais e menstruais da nossa história! Será uma alegria para donzelas e cachacistas frequentadores da nossa pacatista cidade! Tenho dito!