• sábado, 25 de outubro de 2014 11:13

    Morrer é complicado

    Tempos atrás nascíamos e morríamos dentro de casa, cercados por familiares e parentes. Hoje, a coisa mudou. Nascemos e morremos em hospitais.

    Talvez porque vivemos hoje em apartamentos, mas também porque, em tese, hospitais são mais assépticos, escondem o horror do fim. Livramo-nos do constrangimento. Familiares e amigos ficam sabendo da nossa morte pelos anúncios de rádio e jornal. Ou pela internet. É uma morte muito bem comportada, enfim. Um cadáver é uma coisa estranha, não combina com as residências modernas.

    E a velha morte é sempre uma novidade. Comentamos o fato e viramos as costas. No máximo, um comentário mais vulgar do tipo “bateu as botas”, “esticou a canela”, “foi para a cidade dos pés juntos”, e assim por diante.

    O alemão Schopenhauer dizia que o homem descobriu a morte e, com ela, a filosofia, o pensamento metafísico. É o que nos diferencia dos animais. Sabemos que vamos morrer e nos angustiamos com o que fazer com o tempo. O tempo que temos é restrito. Isso é uma droga!

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    No imaginário popular a morte tem várias formas, embora a maioria não consiga escolher como morrer. No Rio Grande do Sul ficou famosa a expressão “morte matada” para dizer que o sujeito foi morto por algum desafeto, de facada ou tiro. Mas também temos a morte de “desgraça” para falar do suicídio.

    Também falamos que o cara morreu “como um passarinho”, seja porque a morte foi rápida e digna, ou porque morreu de velhice (“apagou”). É a morte que todos gostaríamos de ter. Isso lembra o bêbado que entrou no velório e indagou:

    “Como morreu o finado?”

    “Morreu como um passarinho...”

    “Então, foi pedrada?”

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    Mas há quem garanta que é melhor ser um bundão vivo do que um valente morto. Talvez por isso que os valentes gostam de lápides cheias de pompas e elogios. Confesso que não vejo graça nenhuma nisso. Pois elogios, se são úteis enquanto estamos vivos, são absolutamente inúteis depois que morremos. Pelo menos para o finado.

    Houve um tempo em que um morto ilustre, ou rico, recebia um mausoléu em sua homenagem. Hoje, até a cremação nos atrai. Talvez porque nossa forma de ver a morte esteja mudando, o que não deixa de ser bom. Não haverá espaço no planeta para tantos túmulos, obviamente.

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    Ao contrário do que você possa estar imaginando, este texto não tem nada a ver com a eleição, embora saibamos que ao final de um processo eleitoral existam mortos e feridos. Ocorre que os políticos, contrariando as leis biológicas, têm a estranha capacidade de ressurgir das cinzas. Aguarde o próximo pleito e verá.

  • sexta-feira, 10 de outubro de 2014 15:00

    Rescaldo

    Não há como fugir do tema. As eleições poderiam ser algo corriqueiro na nossa democracia, mas ainda é traumatizante. E surpreende ver pessoas que perdem a pose, literalmente, quando o assunto é política, revelando, no bate-papo ou nas redes sociais, um inexplicável ódio. Sinal de que vida democrática ainda não faz parte de seu cardápio diário.

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    Quando, em 2013, ocorreram aquelas manifestações públicas Brasil afora, todos imaginavam que as urnas de 2014 trariam novidades para o quadro político. Houve quem imaginasse profundas transformações e novos ares para a vida pública.

    Abertas as urnas, a decepção foi profunda.

    Quer ver? A Câmara Federal, por exemplo, tem na sua nova composição nada menos que 248 milionários (quase 50%)! A informação toma como referência as declarações de bens dos eleitos à Justiça Eleitoral. No topo da lista está o PMDB com 39 milionários, seguido do PSDB com 32, PSD (24), PP (23) e PR (18).

    Ou seja, caro leitor, temos de admitir que nada mudou e não mudará.

    ***

    Aliás, é incrível o número de candidatos que se dizem protagonistas da mudança. Eles aparecem em todas as eleições. Sempre desconfiei deles. Quem se intitula agente da mudança, na verdade deseja apenas que tudo continue como está, pois assim lhe é mais conveniente. O argumento da mudança, na verdade, é um auto-engano.

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    Repete-se a reclamação acerca dos votos obtidos por candidatos “paraquedistas” em Santa Rosa e municípios vizinhos. Alguns são absolutamente estranhos. Outros (imagino eu) sequer sabem onde fica Santa Rosa.

    O que está acontecendo? Nossos partidos são frágeis? Nossos candidatos são inconsistentes? Ou os cabos eleitorais daqui estão cobrando muito por seu trabalho? Não tenho a resposta. Aliás, são as lideranças locais devem procurá-la.

    ***

    Concordo que a campanha foi bem comportada. Pouco barulho e pouca poluição visual. Tudo por conta da legislação rigorosa. Há quem goste, mas confesso que sinto saudade daquela alegre “bagunça” das eleições de outros tempos.

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    Vivemos na chamada “sociedade do espetáculo”, assim definida pelo escritor francês Guy Debord. O livro foi publicado em 1967, e desconfio que ele tinha razão.

    Talvez por isso as eleições deste ano conduziram a diversos cargos políticos pessoas que se tornaram conhecidas no mundo do espetáculo, como cantores, jogadores de futebol e atores de TV. Aqui no Estado duas figuras proeminentes da TV se candidataram em meio a muita polêmica, como você bem sabe.

    No centro do país, foram eleitos o Tiririca, Romário, Russomano e Bebeto, entre outros. A vida política se transforma num espetáculo. Apenas um espetáculo, lamentavelmente.

  • sábado, 4 de outubro de 2014 13:36

    O novo mundo do trabalho

    O mundo do trabalho muda, e seu emprego pode desaparecer. É isso mesmo! A realidade está sempre em mutação, e o trabalho também. Basta olhar o passado.
    Muitas profissões interessantes desapareceram, e outras surgiram.

    Aqui na fronteira com o rio Uruguai, tivemos no passado o “balseiro”, indivíduo com a atividade pesada de conduzir troncos de madeira rio abaixo. Também tivemos o “esquilador”, encarregado de tosquiar ovelhas, assim como o “alambrador”, que colocava cercas nas propriedades rurais. São figuras de um mundo que desaparece.

    Já tivemos profissões respeitadas como datilógrafo, técnico em mecanografia, digitador de computador, telegrafista e o professor de escola de datilografia. O leiteiro, por exemplo, fez parte da minha infância. Visita diária, o cara era respeitado no bairro.

    Outro que tinha meu respeito era o lanterninha do cinema, no caso, do Cine Odeon. Eu sonhava com uma atividade que me permitisse assistir aos filmes de graça. Também apreciava conversar com o vendedor de enciclopédias. Hoje desapareceram o vendedor, o autor e o editor daquelas coleções.

    Também estão nos dando adeus as atividades de revelador de fotografias, ascensorista, consertador de guarda-chuvas e costureira. O sapateiro, hoje, só conserta sapatos. Antigamente, fabricava não só os sapatos como outros artigos de couro, como as bolas de futebol da minha infância, aquelas com câmara de borracha (o sapateiro meu vizinho trocava a câmara com frequência porque o arame farpado do potreiro liquidava com a bola todo final de semana).

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    É curioso, mas há menos de um século existiam na Europa profissões como acendedor de lampiões, limpadores de chaminés e caçadores de ratos. Todos muito necessários para a sociedade da época.

    Previsões atuais apontam como próximos desaparecimentos: carteiro, repórter, agente de viagens, leitor de medidor (luz, água, etc), cenógrafo de TV, cobrador de ônibus (em Curitiba eles já não existem), entre outros.

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    Mas não vamos chorar sobre o leite derramado. Há também as novas atividades exigidas pelo mercado. As profissões do futuro são boas alternativas, até porque nossos filhos não gostariam de exercer funções como as que mostrei acima. Entre elas estão aquelas relacionadas com eletricidade, energias alternativas, plásticos, subprodutos do petróleo, mecatrônica, automação, engenharias em geral, comunicação em rede, etc.

    Uma nova profissão será “condutor de drones”, voltada somente para profissionais de 5 a 15 anos de idade. No currículo, deve constar a experiência com games na internet. E também o “desintoxicador digital”, encarregado de limpar sua cabeça das tolices que você viu na internet durante a semana. Será uma espécie de profissional de saúde mental, indispensável no futuro mas necessário já nos dias de hoje, pelo menos para alguns conhecidos meus.

    Mas existem outras à sua escolha: guia turístico no Iraque, motorista de transportadora na Amazônia, proctologista de traficante, pastor evangélico no Irã, instrutor de homem-bomba e degustador de comida pet. Fique tranquilo. Você não ficará sem emprego...

  • sábado, 27 de setembro de 2014 10:08

    Teorias Conspiratórias

    Você já conhece muitas teorias conspiratórias. Elas sempre existiram, mas na era da informática e do Facebook elas se proliferam com uma velocidade impressionante. O mais interessante é que existe gente que acredita nelas.

    A mais famosa envolve a chegada do homem na lua. Há quem diga que aquelas imagens famosas são apenas uma montagem feita em laboratório para garantir aos EUA o domínio da corrida espacial contra a Rússia. Conheço pessoas que creem nela.

    Outra, mais recente, dizia que o filho do Lula seria o dono da empresa Friboi, e que esta estaria por trás de todas as decisões da economia brasileira. Que bobagem.

    A cédula de um dólar deu motivo para outra teoria que corre o mundo. A imagem de um triângulo, chamado de “olho da Providência”, indicaria um movimento global para controle da humanidade, liderado por uma seita secreta chamada “iluminati”, com propósitos inconfessáveis. Se isso tiver um mínimo de verdade, vou começar a desconfiar de todo mundo. Aliás, tenho um vizinho que me olha de um modo muito estranho. Tenho que tomar cuidado....

    Por outro lado, a possibilidade do fim do mundo está sempre alinhada com o surgimento do Anticristo, uma figura que ninguém sabe o que representa. Quando guri eu chamava de “Anticristo” a supervisora da minha escola. Tenho que admitir, porém, que ela nunca me fez nada de mal.

    Outras teorias envolvem coisas ainda mais misteriosas, mas que sempre colocam o mundo em perigo. Cavaleiros templários, maçonaria, os judeus, a besta 666, os cavaleiros do Apocalipse, a linhagem de Cristo, e assim por diante.

    Existe ainda a conspiração envolvendo os extraterrestres, na chamada “Área 51”. O governo americano estaria aliado aos ETs para abduzir e controlar seres humanos, levando-os para outros planetas habitados para experiências científicas. Em troca disso, os EUA continuariam dominando o mundo com o auxílio dos verdinhos lá de fora. Acredite, essa teoria corre o mundo.

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    Qualquer teoria da conspiração tem alguns fatores indispensáveis. Veja só. Ela envolve um plano secreto, comandado por alguma organização também secreta. O plano só é do conhecimento de alguns iluminados. O objetivo final, normalmente, é controlar a população, ou suas riquezas. Quando a tal sociedade secreta é integrada apenas por gente má, o objetivo é simplesmente destruir o planeta.

    Você já viu isso em filmes de Hollywood, não é mesmo? Pois bem. É só lá que as teorias conspiratórias funcionam. Ainda bem que sempre aparecem os valentes heróis para acabar com a festa dos bandidos...

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    Agora vou revelar um segredo, que você não deve comentar com ninguém. Fica entre nós. Existe um grupo conspiratório que deseja separar o Rio Grande do resto do Brasil. Mas não se trata de criar outro país, e sim de restabelecer o Tratado de Torde-silhas. Assim, deixaríamos de ser brasileiros, e voltaríamos a ser castelhanos. Me arrepio só de pensar.