• sexta-feira, 6 de junho de 2014 14:28

    Mundo complicado

    Que mundo é este? Tempos atrás recebi uma espécie de “quadro-resumo” que ajuda a entender o nosso planeta nessa primeira metade do século 21. Agora, encontrei a informação atualizada dessa geopolítica. Os dados são muito interessantes.

    Imagine que o mundo tenha apenas 100 pessoas. A situação seria esta:

    A distribuição populacional seria a seguinte: 11 pessoas na Europa, 14 nas Américas, 15 na Áfria e 60 na Ásia. Desse montante, 49 viveriam no campo e 51 nas cidades.

    Quanto ao nível de nutrição, 21 pessoas estariam acima do peso, 63 na média, 15 seriam desnutridos e 1 estaria morrendo de fome. Do total, 48 pessoas viveriam com menos de 2 dólares por dia!

    Haveria 33 cristãos, 22 muçulmanos, 14 hindus, 7 budistas, 12 de outras religiões e 12 sem nenhuma religião. Sei lá se Deus entende essa bagunça.

    Desse grupamento, apenas 7 pessoas teriam diploma universitário. 83 seriam capazes de ler e escrever (e, portanto, 17 seriam analfabetos).

    No que diz respeito à qualidade de habitação, 77 pessoas teriam casa (23 não), 87 teriam água potável (13 não). Outro dado interessante: apenas 3 pessoas falariam o português, 5 o inglês, 5 o espanhol. O mandarim continua a ser o maior grupo: 12.

    E a distribuição populacional entre homens e mulheres? Está empatada. No mundo nascem mais homens, mas em contrapartida eles morrem mais cedo. Em números gerais, haveria 50,5 homens para 49,5 mulheres, embora essa distribuição não seja equilibrada. No Brasil, por exemplo, há mais mulheres do que homens.

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    Cláudia Leite não emplacou a música da Copa, “We are one (Ole Olá)”. Sua participação na gravação se resume a menos de 40 segundos. Quem domina a cena é o rapper Pitbull e a atriz Jennifer Lopez. Cá entre nós, a Claudinha é bem chatinha mesmo.

    Nesse quesito, a música da copa da África, chamada “Waka Waka (This time for Africa)”, com a Shakira, fez muito mais sucesso e é muito mais “audível”.

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    Em torno da Copa há fatos pitorescos e curiosos. A camisa da seleção brasileira, por exemplo, merece registro. Ela é feita com poliéster reciclado. É 17% mais leve que a anterior. Usa uma tecnologia batizada de “dry fit”, que transfere a umidade do corpo do jogador para o lado externo, provocando uma rápida evaporação.

    As meias têm proteção interna para reduzir impactos no dedão e nos tornozelos. Para fazer um uniforme completo são utilizadas 18 garrafas plásticas. Interessante, não é?

    Dizem que até o cheiro de sovaco é 40% menor que qualquer outra camisa. Essa eu duvido!

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    Quando o técnico da seleção anunciou os convocados, um jornalista paulista, muito brincalhão, publicou: “Saiu a lista do Felipão: 4 picanhas, 1 saco de sal grosso, 4 garrafões de vinho e 11 rolos de papel higiênico!”.

  • sábado, 31 de maio de 2014 14:58

    Política e futebol

    Conheço muitos políticos que honram a vida pública. São vereadores, prefeitos e deputados que atuam com dignidade, com lisura. Por isso não faço coro com aqueles que amaldiçoam tudo que se relacione com a política.

    Mas não sou ingênuo. Sei também da enorme quantidade de malandros que mergulham na atividade em busca do que lhes interessa primordialmente: o dinheiro público.

    Depois do envolvimento do PT com as verbas de campanha, que ficou conhecido como mensalão, tivemos esta semana a condenação de 22 pessoas no caso do Detran. Eram pessoas ligadas ao PP, PSDB, PMDB e PDT. Visto dessa maneira, dá até a impressão de que não há partido realmente limpo.

    Acho que não há mesmo. Nenhum partido é composto exclusivamente de anjos. Partidos são compostos por pessoas, com níveis de integridade ética e moral muito distintos. Mas nem por isso podemos execrar aqueles que se dedicam à vida pública. A condenação sumária de quem exerce cargo público é, muitas vezes, injusta e perigosa. Injusta porque muitos são bons. Perigosa porque deixa a falsa impressão de que soluções autoritárias são mais eficazes que a democracia.

    Penso que no futuro os partidos deverão criar uma espécie de “auditoria” interna para acompanhar o comportamento público de seus integrantes. Essa vigilância poderia evitar o desgaste que as agremiações partidárias vêm sofrendo. E recuperar a imagem que a atuação política não pode perder.

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    Falando nisso, estou convencido de que a Copa está sendo atacada, fundamentalmente, pelo fato de acontecer num ano eleitoral.

    É uma pena, porque esta é uma festa mundial. O Brasil é o seu anfitrião em 2014. Nada mais que isso. Mas é visível que a eleição está contaminando o clima de festa do futebol. O futebol, por seu turno, como fenômeno do esporte, não dá a mínima bola (com o perdão do trocadilho) para essas coisas. A eleição acaba em outubro. O futebol jamais.

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    Tenho sérias dúvidas acerca do alegado “proveito político” que a Copa traria ao governo. Esse é o grande temor da oposição, que tenta desprestigiar o evento.

    Em todas as copas surge a mesma conversa, mas você lembra quem eram os governantes em 1974? E em 1978? E em 1982? Viu só?

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    Já comprei minha bandeira verde-amarela. Bonita que só vendo!

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    Meu único temor é a interferência do Papa Francisco. Afinal, o time dele (o San Lorenzo) já eliminou três times brasileiros na Libertadores (Botafogo, Grêmio e Cruzeiro). Pode ter sido mera coincidência, mas não custa nada desconfiar. “Yo no creo em brujas, pero que las hay, las hay!”, teria dito Cervantes. Espero que durante a Copa o Papa esteja muito ocupado lá no Vaticano e esqueça de fazer orações envolvendo o futebol.

  • sexta-feira, 23 de maio de 2014 15:53

    O mundo gira

    Além da Copa do Mundo, o mundo respira. Na verdade, é durante a Copa que ficaremos com a respiração suspensa, na torcida. Apesar de todas as polêmicas (muitas são pura conversa fiada), o fato é que a festa está pronta e eu já comprei a bandeira verde-amarela.

    Por aqui, o Grenal solidário foi um sucesso, com bom público e muito perna-de-pau em campo, mostrando que a solidariedade pode ser divertida. Golaço do Rotary!

    O Corede e os Comudes estão convocando a população para votar, de 2 a 4 de junho, as prioridades do orçamento estadual de 2015, elegendo investimentos importantes para a região. É claro que você não vai se omitir. E comprovando que o Rio Grande é um dos estados mais conectados, a votação deste ano será exclusivamente via internet.

    Notícia da semana dá conta de que área pública está sendo usada como depósito de sucata. Nenhuma novidade. Outras áreas públicas em Santa Rosa são utilizadas por particulares para fins econômicos. Não deveria ser assim.

    Não deixa de ser curioso o apelido dado à CPI instaurada na Câmara de Vereadores: “CPI dos tubos”. A essa altura, há quem esteja repetindo aquele velho bordão do Jô Soares: “Tira o tubo!”.

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    No cinema a novidade é o filme “Noé”, mais uma produção de Hollywood com incontáveis efeitos especiais para narrar a lenda do dilúvio que, segundo a Bíblia, teria inundado o mundo conhecido daquela época.

    Dizem que o propósito divino era “limpar” o mundo dos pecadores. Pensando nisso, um aluno, desses que está sempre no computador, explicou para a professora:

    “E Deus disse a Noé: ‘Faz o backup que eu vou formatar’”.

    Mas há ainda muitas dúvidas sobre a história. Se todos os animais foram para a arca, Noé colocou um aquário lá dentro? E o que ele fez com os pernilongos, por exemplo? O fim dos dinossauros aconteceu porque Noé não os aceitou na arca? E quem fazia a limpeza dos banheiros, com tanto bicho fazendo cocô?

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    Um morador de Blumenau chegou ao céu, e explicou para São Pedro:

    “Morri por causa da enchente, São Pedro!”

    Nisso um barbudo que está atrás de São Pedro comentou:

    “Enchente, coisa nenhuma. Deve ter sido uma chuvinha bem mequetrefe”.

    “Foi chuva muito forte. Inundou toda a cidade”, disse o homem.

    “Você não sabe o que é chuva de verdade, meu caro”, disse o barbudo.

    “Como não? Perdemos tudo e muitos morreram”.

    “Deixa disso. Garanto que foi uma quase uma garoa”.

    Aí São Pedro, que já estava irritado, virou-se para o barbudo e exclamou:

    “Fica quieto, Noé! Deixa o cara contar a história dele em paz...”

     

  • sexta-feira, 16 de maio de 2014 15:57

    Álbum de figurinhas

    Dias atrás aconteceu um importante encontro, no centro da cidade, que chamou a atenção dos transeuntes. Nada a ver com a economia ou alguma festividade. O encontro reuniu um numeroso grupo de garotos (alguns acompanhados dos pais) para trocar figurinhas do álbum da Copa do Mundo.

    Não participei do encontro, mas bateu uma pontinha de saudade. Como se o espírito de colecionador voltasse a me assaltar. Também já tive álbum de jogadores de futebol. E não há nada tão envolvente quanto procurar a imagem do craque que falta. Algumas figurinhas tornam-se objeto de desejo por conta de sua raridade, embora o fenômeno seja negado pelo fabricante. Segundo ele, todas as figuras têm a mesma tiragem.

    E olhar os álbuns antigos, além do saudosismo, ajuda a entender o fenômeno mundial do futebol. Conheço muita gente que exibe os álbuns completos das Copas passadas como se fossem troféus. Na verdade, são troféus. E deixam um pouquinho de inveja...

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    Aviso aos mais jovens: a tradição determina que as figurinhas da Seleção argentina sejam coladas de cabeça para baixo. É mandinga...

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    Completar a seleção japonesa é bem fácil. É só repetir sempre a mesma figurinha.

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    Na seleção de Portugal, é só achar a figurinha do Cristiano Ronaldo. O resto pode deixar em branco.

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    Os britânicos têm um bom humor muito especial, fino e irônico. Pois é de um jornalista inglês a frase: “A copa do mundo é como o sexo na vida dos ingleses: acontece de quatro em quatro anos e o resultado nem sempre é satisfatório.”

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    Fato curioso: o jornal inglês The Sun, logo após o sorteio da Copa que colocou a Inglaterra no “grupo da morte”, estampou na capa a foto do Cristo Redentor e a manchete em letras garrafais: “Senhor, ajude-nos!”.

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    A imprensa do mundo está bem confusa com relação à nossa Copa. Alguns criticam as obras, outros temem manifestações, e outros estão boquiabertos. Eles dizem: “Esses brasileiros são mesmo muito loucos!”. Para eles, é uma ousadia fazer uma Copa do Mundo num país continental, com 11 sedes, uma bem distante da outra. Isso nunca aconteceu.

    Exemplificando: entre Porto Alegre e Manaus, a distância aérea é de 3.172 km, e a distância terrestre é de 4.563 km. Entre Porto Alegre e Fortaleza, são 3.215 via área, e 4.013 via terrestre.

    Espante-se: na Europa, a distância entre Lisboa e Moscou, é de 3.906 km, e você atravessa 7 países! Os brasileiros são mesmo muito malucos!