• terça-feira, 29 de abril de 2014 09:25

    Datas e livros

    Se você perguntar aos vizinhos e amigos qual foi o feriado da última segunda-feira, aposto que 70% deles não saberão responder, ou pensarão algum tempo até responder. Foi um feriado colado na Páscoa. Certamente alguns deles dirão: “Pois eu reparei que a Páscoa deste ano foi bem comprida...”
    Muito bem se você lembrou de Tiradentes. Pois o feriado nacional (que este ano se transformou em feriadão) corresponde à data em que ele foi executado pelas forças portuguesas. Contam que foi enforcado e esquartejado no Rio de Janeiro, e as partes do seu corpo foram distribuídas em diversas cidades. O objetivo era intimidar futuros revoltosos, pois na época as idéias de independência estavam à solta.
    A história dos inconfidentes mineiros é espetacular. É realmente uma pena que a data em que homenageamos nosso principal mártir transcorra de forma assim tão apagada.
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    Pois hoje, 25 de abril, é feriado em Portugal. A data lembra a célebre “Revolução dos Cravos”, também conhecida como “Revolução de 25 de abril”. Recebeu o nome de “Revolução dos Cravos” porque uma florista de Lisboa passou a distribuir cravos vermelhos aos soldados, que os colocavam nos canos das espingardas.
    Tudo aconteceu em 1974. Os portugueses que, ao contrário do que imaginamos, não são ingênuos ou tolos, estavam cansados de um longo regime ditatorial que teve início em 1933. O regime salazarista estava esgotado e Portugal se tornara um país empobrecido. O movimento popular contou com o apoio de grande parte das Forças Armadas, que por aquelas bandas são bem democráticas.
    O interessante é que a revolução portuguesa sempre foi controversa. Até hoje existem os saudosistas dos tempos de Salazar, que já são poucos.
    Isso prova uma velha máxima: “A morte é um grande agente de mudanças”. No Brasil, como sabemos, os saudosistas também já são bem poucos.
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    Gabriel Garcia Márquez, que faleceu na semana passada, foi simplesmente o maior escritor latino-americano de todos os tempos. Lembro bem do impacto que senti quando li o seu “Cem anos de solidão”. Algo realmente maravilhoso. Depois, acabei lendo quase tudo o que ele escreveu.
    Por isso, deixo essa dica de leitura. Leia qualquer coisa que o Gabriel tenha escrito, mas comece por “Crônica de uma morte anunciada”, depois leia “O general em seu labirinto”. Prossiga com “O amor nos tempos do cólera” e “O outono do patriarca”. Há ainda outros, entre os quais “Viver para contar”, uma espécie de autobiografia.
    Mas, é claro, jamais esqueça de ler (e reler) o notável “Cem Anos de Solidão”, verdadeiro mergulho na alma do nosso continente.

  • sábado, 19 de abril de 2014 10:32

    Os ovos

    Quando criança eu tinha minhas angústias. Se você acha que a infância é um tempo sem aflições, está muito engana do. É um tempo divertido em que a imaginação trabalha intensamente. Depois, quando viramos adultos, é que ficamos assim tão chatos.
    Uma das minhas angústias envolvia o coelho da Páscoa. Se o coelho é um mamífero, como poderia botar ovos? No mínimo, o coelho da Páscoa devia um ser monstruoso, contrário à sua própria natureza. Eu e alguns colegas de primário chegamos a cogitar abater um coelho para verificar o que havia lá dentro (um instinto assassino que não voltou a se manifestar, que eu saiba). Alguém, oportunamente, me explicou que o coelho fora escolhido apenas para fazer as entregas, pois é um animal muito veloz. Os ovos, evidentemente, vinham da galinha. Nossas mães e avós é que colocavam amendoins dentro das casquinhas. Ah, bom! Que alívio! Para mim e para o coelho.
    Quanto aos ovos de chocolate, soube ainda mais tarde, surgiram por lembrar a fruta do cacau (de onde vem o chocolate), que tem a forma de um ovo. E foi assim, de descoberta em descoberta, que o mito do coelho da Páscoa acabou e a minha vida ficou um pouco mais aborrecida....
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    Para nós, cristãos, a Páscoa é a comemoração da ressurreição de Cristo. Mas a Páscoa é bem mais antiga, pois para os judeus ela lembra o êxodo, quando Moisés libertou o povo da escravidão do faraó. Para eles, o coelho é apenas o símbolo da fertilidade.
    Na época, diz a lenda, Deus havia mandado 10 pragas sobre o Egito. As primeiras foram água em sangue, rãs, piolhos, moscas, doenças, úlceras, fogo, gafanhotos e trevas. A décima foi a morte dos primogênitos do Egito. É bobagem a história de que a última praga seria a música sertaneja, reservada para aparecer dois milênios depois de Cristo. Nem Deus, nem Moisés, seriam tão maldosos assim.
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    Em nossos dias, as pragas do Egito foram relembradas em filmes como “A Múmia”, “A Colheita Maldita” e “O Príncipe do Egito”, o que demonstra que a história continua a nos fascinar.
    Afinal, é absolutamente terrível a hipótese de sermos atacados por 10 pragas, sucessivamente. Não há faraó que resista! Tanto é que o faraó egípcio daquela época chamou Moisés e disse: “Cara, pega a tua gente e te manda! Eu não aguento mais. Desse jeito vou virar múmia antes do previsto!”.
    Ainda hoje, apesar da tecnologia, é comum acontecer fenômenos devastadores, como ataques de gafanhotos em áreas rurais, chuvas de granizo de grande intensidade, explosões vulcânicas e outros. Sempre que isso ocorre aparece alguém para lembrar a lenda das 10 pragas do Egito.
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    Mas do que é mesmo que eu estava falando? Ah, sim, dos ovos. Pois um sobrinho meu, sabendo que a mãe enfrentava um rigoroso regime de emagrecimento, colocou seu enorme ovo de chocolate na geladeira e, muito esperto, advertiu:
    “Mãe, quando você quiser ganhar peso meu ovo de chocolate está na geladeira. Pode comer à vontade!”.
    E saiu de casa tranquilo...

  • sexta-feira, 11 de abril de 2014 08:03

    Radialistas

    Em Giruá, um locutor de rádio foi ameaçado por um ouvinte que não aceitou as explicações para não rodar a música “Corpo Esgualepado”, do músico gaúcho Xiru Missioneiro.
    As razões do profissional do rádio eram simples: a música solicitada não fazia parte do estilo musical do programa.
    Mas o sujeito invadiu os estúdios da rádio com uma adaga em punho, fazendo ameaças. Depois desistiu, e agora está encrenca-do com a polícia. O radialista, por seu turno, no momento da invasão o radialista já estava se vendo todo esgualepado, com certeza.
    Pelo título já dá pra ter uma ideia do conteúdo da música que o cara queria ouvir. Ela fala da visita de um gaúcho a uma médica, que dignostica problemas generalizados. O homem tem sérios problemas de saúde, e conta tudo com linguagem pouco gramatical e muito gaudéria. Veja parte do que a médica lhe disse:
    “Teu culesterol tá em quinhentos, as tuas veias tão tudo trancada, tua coluna te afroxou os quartos, a tua espinha tá descornotada”.
    Por via das dúvidas, Elói de Ávila, mantenha a porta do estúdio fechada de agora em diante...
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    E por falar em radialista, dias atrás eu comentava com um amigo algo que ouvira no programa do Chiquinho Esperto, na Guaíra FM. Não recordo o assunto, mas o fato é que o meu amigo não lembrava do Chiquinho. Até o momento em que ele colocou a mão na cabeça e disse:
    “Aquele que está sempre narrando jogo de futebol? É claro que lembro!”
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    Essa está registrada e é verdadeira. Na Copa dos EUA, Romário era o craque brasileiro. Antes do início de um dos jogos, o locutor Gabriel Alves, de uma rádio portuguesa, fez o seguinte comentário:
    “Romário é um jogador com baixo centro de gravidade, que roda muito bem sobre si mesmo e tem grande estabilidade nas curvas”.

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    Aliás, locutor esportivo, por falar tanto, sempre comete gafes. É algo inevitável. Até o Galvão Bueno, da Globo, tem as suas. Algumas de suas mancadas ficaram famosas. Veja essas:
    “Chutou pra fora! Chutou com a perna que não era dele!”
    “O juiz vai dar 3 minutos de acréscimo. Vamos a 49...”
    “Bem, amigos da Rede Globo! Estamos aqui em Buenos Aires, no Equador...”
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    Em 1969, em plena ditadura, a rádio Progresso, de Ijuí, foi fechada durante 21 dias. A ordem foi recebida das mãos de um capitão do Exército. Aliás, alguns defendiam o seu fechamento definitivo. Depois disso, a rádio voltou ao ar, porém com a presença de “interventores”. A censura tomou conta da emissora.
    Levou meses para voltar à normalidade, inclusive com mobilização de lideranças empresariais de Ijuí explicando que a rádio não tinha nada a ver com política.
    Pois contam que no dia em que a rádio voltou ao ar um locutor deu a previsão do tempo. Fazia um sol maravilhoso na cidade, mas ele anunciou: “Nesse momento, em Ijuí, tempo muito feio...”.
    Faz lembrar aquele velho dito: corro o risco, mas não perco a piada. O radialista mostrava seu bom humor, e sua crítica.

     

  • quinta-feira, 3 de abril de 2014 20:50

    A bomba

    Esta semana, nos 50 anos do golpe de 1964, a imprensa brasileira foi invadida por incontáveis matérias tratando do tema. Rever o período é algo necessário porque precisamos conhecer para que não se repita. O período de 21 anos do regime deixou pouca coisa para o Brasil além dos mortos. Mas passou, e precisamos seguir em frente, até mesmo para tentar resolver os problemas que existiam naquela época e que continuam a nos atormentar. Perdemos duas décadas, este é o saldo.

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    Pois lembrei esta semana um fato que continua na memória. No final da década de 70, o Brasil caminhava para a democracia. Na época, eu era um adolescente que gostava de revista em quadrinhos, romances e jornais. Naturalmente, era curioso com o que estava acontecendo.

    Pois um belo dia a notícia correu pela cidade. A banca de revistas, situada na Avenida Rio Branco, tinha sido alvo de atentado na madrugada. Uma bomba incendiária reduzira a pó a banca que eu frequentava diariamente.

    Para a opinião pública, o fato foi represália pela venda de jornais independentes como “O Pasquim”, “Movimento”, “Cooperjornal” e outros que tratavam de temas políticos sob o ponto de vista da oposição. A ditadura estava nos seus estertores.

    O resultado é que fiquei algum tempo sem minhas leituras. E a pequena Santa Rosa da época entrou para o noticiário nacional. Afinal, os atentados vinham acontecendo em todo o Brasil. Nada foi revelado, e também não se confirmou a versão de que o crime fora encomendado por políticos locais.

    Pois dias atrás, na TV, o polêmico general Newton Cruz revelou que, realmente, os atentados a bomba eram praticados por grupos que desejavam apenas conturbar e retardar o processo de democratização do Brasil. Não conseguiram, como se vê.

     

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    Mudando de assunto. É hoje a inauguração do “Ponto de Leitura”, uma parceria da ONG Cidade Interativa com o CASF (Centro Assistencial Sagrada Família), lá na Vila Agrícola.

    A Cidade Interativa entra com o acervo de livros e vídeos e o CASF com a infraestrutura para atender à numerosa comunidade do entorno, oferecendo cultura gratuitamente.

    Isto sim é uma excelente notícia!

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    Hoje é 4 de abril. A data lembra o assassinato (em 1968) do líder norte-americano Martin Luther King Jr., pastor protestante e ganhador do Nobel por sua luta contra o racismo e a defesa da não violência. Luther King, morto aos 40 anos, tornou-se um símbolo da paz e da solidariedade.

    Vale lembrar a data porque hoje, no Brasil e no mundo, ainda há energúmenos que manifestam suas opiniões racistas sem qualquer vergonha. É triste.

    Confesso que não compreendo como funciona o cérebro de pessoas que manifestam seu ódio contra índios, negros, mulheres, homossexuais, judeus e religiosos de matizes diversos.

    Deve haver um problema, alguma carência de neurônios, sei lá.

    Após milênios de processo civilizatório, a existência desses preconceitos mostra que ainda temos muito a caminhar. Ou então que a civilização não alcança a todos de modo igual. Enquanto a inteligência humana avança, alguns ficam para trás. Talvez seja isso.