• sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014 14:40

    10, 20, 30, 40...

    Este ano de 2014 está repleto de datas “cheias”, assim chamadas aquelas que marcam eventos importantes fechando décadas do acontecido. É mera curiosidade, mas algumas dessas datas são importantes.

    Há 10 anos surgia o Facebook, rede social que modificou o comportamento de uma geração inteira (e continua modificando). Há 20 anos morria Antônio Carlos Jobim, um dos maiores compositores da nossa música, ano em que o Brasil elegeu Fernando Henrique Cardoso para seu primeiro mandato. Também há 20 anos Nelson Mandela chegava à presidência da África do Sul.

    Há 30 anos, o Brasil foi sacudido pela campanha das “Diretas Já”, que teve também repercussão significativa em Santa Rosa. O movimento trazia novos ares para a política brasileira, fazendo o Brasil respirar novamente.

    A propósito, também lembramos neste ano os 50 anos do golpe de 1964, que uniu militares e civis com propósitos autoritários, e mergulhou o Brasil num período de 20 anos de apatia e silêncio constrangedor.

    Há 40 anos acontecia em Portugal a Revolução dos Cravos, que encerrou um triste período da história portuguesa e devolveu o país à modernidade.

    Há 100 anos acontecia a 1ª Guerra Mundial, de triste lembrança, o primeiro conflito com uso de armas arrasadoras, como morteiros, granadas e metralhadoras. Mas, em compensação, também há 100 anos surgia o personagem Carlitos, imortal personagem do cinema criado por Charles Chaplin e que ainda hoje nos diverte e nos faz pensar.

    Por fim, vale lembrar que há 60 anos morria Getúlio Vargas, cuja influência política permanece até nossos dias.

    E assim é que o tempo passa...

    ***

    A Copa do Mundo de 1950 deixou dois legados importantes para o Brasil. O primeiro foi o Maracanã (espécie de cartão postal mundialmente conhecido). O segundo foi a imagem de “país do futebol”.

    Em qualquer lugar do planeta a Suíça lembra relógios, a Alemanha lembra chope, a Austrália lembra cangurus e o Brasil lembra futebol. É a nossa marca.

    O Brasil está preparado para a Copa?

    É claro que está. Tanto é verdade que alguns tentam atrapalhar. Se não estivesse, não precisariam fazer campanha contra, certo? Ou seja, teremos uma Copa em que alguns brasileiros tentarão avacalhar o evento de caráter mundial. É quase inacreditável, mas é assim que funciona. Tem gente esperando ansiosamente por um fracasso da Copa, ou alguma tragédia.

    Para se ter uma ideia, a Copa nem começou e o turismo no Brasil já cresceu 5,6%, e neste ano de 2014 chegaremos a 10 milhões de visitantes (500 mil só durante a Copa). Poderíamos ser mais fortes no setor, é claro, mas isso é papo para outra oportunidade.

    Do dinheiro investido na Copa, 30% foi para estádios (principal reclamação), e os restantes 70% estão sendo carreados para infraestrutura, serviços e até formação de mão de obra. Os estádios são caros? Só para comparar, o que já foi investido em aeroportos supera o valor dos estádios. Os gastos com mobilidade urbana se igualam aos dos estádios. Alguém comenta isso? Ou fazem questão de esconder?

    O Brasil realizou a Copa de 1950 sem problemas. Realizou a Copa das Confederações no ano passado. Há pouco realizou a Jornada Mundial da Juventude. E realizará a Olimpíada em 2016. A Copa, não há dúvida, será um grande espetáculo.

    O que temos visto por aqui é a síndrome do “coitadismo” brasileiro. Aquela conversa de que, no Brasil, nada é bem feito. Acho que essas pessoas estão equivocadas. Veremos...

  • sexta-feira, 31 de janeiro de 2014 15:46

    Do verão e outras verdades

    Entrou em vigor na última terça-feira a Lei 12.846/2013, que pode ser bem efetiva no combate à corrupção. A lei surgiu por pressão das manifestações públicas no ano passado. A novidade é que a lei pune criminalmente as empresas que subornarem agentes públicos ou fraudarem licitações.

    Até agora, a ação penal atingia apenas pessoas físicas (os funcionários). Com a nova lei, pode haver multas de até R$ 60 milhões, e, no caso de reincidência, o fechamento da empresa.

    Repare que usei a palavra “pode” para lembrar que temos muitas leis. O que falta é a vigilância efetiva para que a malandragem (de colarinho branco ou não) seja efetivamente alcançada pela mão da Justiça.

    Nós sempre ouvimos falar em servidores corruptos, mas nunca vimos a condenação dos corruptores. Porém, é lógico que um não existe sem o outro.

     

    Você já ouviu falar na Associação Brasileira da Saúde Coletiva (Abrasco)? Ela é a responsável por um documento conhecido mundialmente, resultado de intensas pesquisas, chamado “Dossiê Abrasco”, que trata da contaminação dos agrotóxicos no país. A nova edição do dossiê pode ser baixada na internet.

    Algumas informações são preocupantes.

    Foi a Abrasco que revelou, em 2012, a existência de resíduos de agrotóxicos no leite materno em diversos municípios do Mato Grosso, especialmente na cidade de Lucas do Rio Verde.

    Esses resíduos tóxicos também foram encontrados na urina de professores de áreas rurais, em minhocas, na água consumida pela população, em anfíbios, e até na água da chuva! Naquela cidade, em 2006, ocorreu o fenômeno conhecido como “chuva de agrotóxicos”, que destruiu hortaliças e ocasionou um surto de intoxicações.

    Pois o longo relatório esmiúça dados bioquímicos que não nos cabe comentar aqui neste reduzido espaço.

    O que ele tenta é modificar políticas e conscientizar-nos sobre uma verdade: a finalidade de todo agrotóxico é matar determinados seres vivos “incômodos” para a agricultura. Sua essência, portanto, é uma só: é tóxica, é biocida.

    No Brasil, o consumo de agrotóxicos é tão grande que, dividido o volume pela população, temos 5,8 litros por pessoa/ano. Na Argentina, chega a 10 litros por pessoa.

    Aliás, é bom lembrar que os agrotóxicos surgiram durantes as duas grandes guerras para matar seres humanos. Com o término das guerras, eles passaram a ser usados com outras finalidades.

    Mas, no fundo, eu suspeito que continuam matando gente...

     

    O Verão Mágico é uma promoção muito legal, que agita as noites no centro da cidade. E não é só esporte. É passeio, paquera, encontro de amigos.

    As competições transformam o Parcão num enorme ponto de encontro que já está se tornando pequeno para a população da cidade.

    Observando aquela movimentação toda, ficamos nos perguntando por que ainda vemos pessoas insistirem na ideia de ocupação imobiliária da área que dá continuidade ao Parcão, logo após a travessa da Rua Coelho Neto.

    Debates já aconteceram em diversas oportunidades. Mas a prova irrefutável de que a cidade precisa daquele espaço está acontecendo neste mês de janeiro. É o Verão Mágico. Essa promoção esportiva nos revela o que querem esconder.

  • segunda-feira, 27 de janeiro de 2014 15:18

    Ruído, muito ruído

    Diálogo possível neste mês de janeiro, no berço nacional da soja:

    — Alô! De onde fala?

    — Aqui é o Inferno.

    — Desculpe, foi engano. Estou tentando uma ligação para Santa Rosa.

    — Santa Rosa? É aqui ao lado. Quer deixar algum recado?

    Tenho ouvido reclamações reiteradas. Algumas aparecem nas redes sociais. O fenômeno persiste. As pessoas aproveitam o final de semana para o descanso. Querem paz e silêncio, um direito de todos. A vida é muito ruidosa.

    Pois, quando se recolhem para uma praça, para um balneário ou para a beira do rio Uruguai, vem a surpresa. Imediatamente aparece um automóvel cujo dono deseja mostrar o seu novo equipamento de som, com 2.000 watts de potência.

    E dá-lhe sertanejo universitário ou funk! Uma poluição sonora que acaba com o descanso e chega a despertar o ódio das pessoas agredidas pelo barulho.

    Nossa reação natural ao ruído é agregar mais ruído. Ligamos a televisão e passamos a gritar. E só quem entra no ambiente percebe o quanto ele está poluído.

    O ruído não agride apenas nossos ouvidos (80 decibéis já causam danos, segundo a medicina). Um ambiente com muito barulho afeta nossa pressão sanguínea, pode causar problemas cardíacos, e altera nosso equilíbrio emocional. Até disfunções gástricas podem acontecer.

    Alguns psicólogos dizem até que o ruído está na raiz da violência, pois um ser humano submetido a barulhos insuportáveis perde o autocontrole.

    É por essa razão, por exemplo, que quando estamos num local de muito barulho e alguém desliga aquela enceradeira, sempre há alguém que comenta: “Meu Deus, que alívio!”. Realmente, é um alívio.

    O silêncio faz parte do nosso recolhimento, só ele permite que renovemos nossas energias. Está cada vez mais difícil encontrar lugares realmente calmos no mundo contemporâneo. Só no silêncio podemos contemplar a natureza, ordenar nossos pensamentos, fazer mínimas reflexões.

    Não é sem razão o ditado que diz que “o silêncio é ouro”. Pura verdade.

    Na minha opinião, o ruído indiscriminado, usado para irritar pessoas, é uma forma de agressão.

    Se você é um daqueles que quer ouvir música a todo volume, saiba que nem todos estão dispostos a compartilhá-la. Não se trata de mera proibição. Você tem direito de ouvi-la, mas os outros têm o direito de não querer suportá-la. Curta sua música de modo privado e reservado, é só isso.

    Há também os casos de garotos que modificam o próprio carro (ou motocicleta) para aumentar o ruído do motor. Inacreditável, mas existem.

    Lembro que um simples toque de celular agressivo pode irritar pessoas à sua volta. Em muito locais já encontramos um aviso na parede: “Desligue o celular”. Ou então: “Acione o modo silencioso do seu celular”.

    São formas educadas de dizer que o seu ruído pode ser uma agressão.

    Como disse antes, o mundo já está muito barulhento. Sejamos, pois, educados. Contribuir para o silêncio é fazer o mundo um pouquinho menos agressivo.

     

  • sexta-feira, 17 de janeiro de 2014 15:44

    Os impostos

    Nessa época do ano o assunto sempre vem à tona. A carga tributária brasileira, situada na faixa de 35% do PIB. O debate esquenta porque é o momento em que batem à nossa porta o IPTU, o IPVA, o ISSQN (para os profissionais liberais), o Imposto de Renda e assim por diante. Quando se fala em “custo Brasil”, do qual também se ouve falar nessa época, os objetivos são claros: pagar menos impostos e menores salários.

    Lembrando: entre as menores cargas tributárias encontramos o México (20%), e entre as maiores a Escandinávia (50%). Observação: a Escandinávia não é um país, e sim uma região formada por Dinamarca, Suécia e Noruega.

    Olhando esses números, perguntamos se a carga tributária é realmente alta. Afinal, queremos nos tornar um México ou uma Escandinávia? Lembremos que o dinheiro do imposto paga as estradas, os aeroportos, as escolas, a saúde, a segurança e tudo o que lembre infraestrutura de um país.

    Um parêntese: não confunda carga tributária do país com aumento surpreendente do IPTU santa-rosense, que é outra história.

    Pois, retomando a conversa, se quisermos ter o nível de vida que tem a Escandinávia, o caminho é árduo, e envolve impostos. Lá é consenso de toda a sociedade que um país harmonioso envolve impostos altos e educação de qualidade. A distância entre os mais ricos e os mais pobres é pequena. E todos se consideram felizes, segundo pesquisa recente que aponta a região com a população “mais feliz do mundo”.

    E a China nessa história toda? O país cresce, com altos investimentos em educação, tornando-se uma das maiores potências do planeta. No entanto, a carga tributária também vem crescendo rapidamente.

    Você pode alegar que o Brasil ainda tem o problema histórico da corrupção, do coronelismo, do clientelismo no setor público etc. Concordo integralmente. Mas estes também são problemas que temos de enfrentar. No entanto, para encerrar a conversa, se reduzirmos impostos (como muitos defendem) a tendência é nos aproximarmos do México e ficar cada vez mais distantes da Escandinávia.

    Pense bem.

    Ainda não engoli (é boa essa expressão) a história dos simuladores nos cursos de formação de motoristas.

    Além do curso e das aulas práticas, o novo motorista terá de fazer testes em simuladores eletrônicos. Os donos do centros de formação afirmam que os custos envolvem não só a compra dos novos equipamentos mas também contratação e treinamento de instrutores. Essa alteração, que atinge todos os motoristas brasileiros, está cheirando a lobby dos fabricantes, o que não seria novidade.

    No RS, onde o valor mínimo de uma carteira está em torno de R$ 1.100,00, pode haver um acréscimo de quase 50%. Segundo a imprensa, no centro do país os valores chegarão a R$ 3.000,00 por uma carteira de motorista.

    Cá entre nós, é um absurdo. E não é imposto!

    Finalmente, um registro e um elogio. Em 2013, o SAMU, gerenciado pelo Hospital Vida e Saúde, prestou 3.042 atendimentos na região. O número é significativo, e a qualidade do atendimento indiscutível. Os pacientes que o digam. Nessa estatística, estou certo de que muitas vidas foram salvas, e muito sofrimento amenizado.

    Só pra lembrar: o dinheiro do SAMU vem dos impostos.