• segunda-feira, 27 de janeiro de 2014 15:18

    Ruído, muito ruído

    Diálogo possível neste mês de janeiro, no berço nacional da soja:

    — Alô! De onde fala?

    — Aqui é o Inferno.

    — Desculpe, foi engano. Estou tentando uma ligação para Santa Rosa.

    — Santa Rosa? É aqui ao lado. Quer deixar algum recado?

    Tenho ouvido reclamações reiteradas. Algumas aparecem nas redes sociais. O fenômeno persiste. As pessoas aproveitam o final de semana para o descanso. Querem paz e silêncio, um direito de todos. A vida é muito ruidosa.

    Pois, quando se recolhem para uma praça, para um balneário ou para a beira do rio Uruguai, vem a surpresa. Imediatamente aparece um automóvel cujo dono deseja mostrar o seu novo equipamento de som, com 2.000 watts de potência.

    E dá-lhe sertanejo universitário ou funk! Uma poluição sonora que acaba com o descanso e chega a despertar o ódio das pessoas agredidas pelo barulho.

    Nossa reação natural ao ruído é agregar mais ruído. Ligamos a televisão e passamos a gritar. E só quem entra no ambiente percebe o quanto ele está poluído.

    O ruído não agride apenas nossos ouvidos (80 decibéis já causam danos, segundo a medicina). Um ambiente com muito barulho afeta nossa pressão sanguínea, pode causar problemas cardíacos, e altera nosso equilíbrio emocional. Até disfunções gástricas podem acontecer.

    Alguns psicólogos dizem até que o ruído está na raiz da violência, pois um ser humano submetido a barulhos insuportáveis perde o autocontrole.

    É por essa razão, por exemplo, que quando estamos num local de muito barulho e alguém desliga aquela enceradeira, sempre há alguém que comenta: “Meu Deus, que alívio!”. Realmente, é um alívio.

    O silêncio faz parte do nosso recolhimento, só ele permite que renovemos nossas energias. Está cada vez mais difícil encontrar lugares realmente calmos no mundo contemporâneo. Só no silêncio podemos contemplar a natureza, ordenar nossos pensamentos, fazer mínimas reflexões.

    Não é sem razão o ditado que diz que “o silêncio é ouro”. Pura verdade.

    Na minha opinião, o ruído indiscriminado, usado para irritar pessoas, é uma forma de agressão.

    Se você é um daqueles que quer ouvir música a todo volume, saiba que nem todos estão dispostos a compartilhá-la. Não se trata de mera proibição. Você tem direito de ouvi-la, mas os outros têm o direito de não querer suportá-la. Curta sua música de modo privado e reservado, é só isso.

    Há também os casos de garotos que modificam o próprio carro (ou motocicleta) para aumentar o ruído do motor. Inacreditável, mas existem.

    Lembro que um simples toque de celular agressivo pode irritar pessoas à sua volta. Em muito locais já encontramos um aviso na parede: “Desligue o celular”. Ou então: “Acione o modo silencioso do seu celular”.

    São formas educadas de dizer que o seu ruído pode ser uma agressão.

    Como disse antes, o mundo já está muito barulhento. Sejamos, pois, educados. Contribuir para o silêncio é fazer o mundo um pouquinho menos agressivo.

     

  • sexta-feira, 17 de janeiro de 2014 15:44

    Os impostos

    Nessa época do ano o assunto sempre vem à tona. A carga tributária brasileira, situada na faixa de 35% do PIB. O debate esquenta porque é o momento em que batem à nossa porta o IPTU, o IPVA, o ISSQN (para os profissionais liberais), o Imposto de Renda e assim por diante. Quando se fala em “custo Brasil”, do qual também se ouve falar nessa época, os objetivos são claros: pagar menos impostos e menores salários.

    Lembrando: entre as menores cargas tributárias encontramos o México (20%), e entre as maiores a Escandinávia (50%). Observação: a Escandinávia não é um país, e sim uma região formada por Dinamarca, Suécia e Noruega.

    Olhando esses números, perguntamos se a carga tributária é realmente alta. Afinal, queremos nos tornar um México ou uma Escandinávia? Lembremos que o dinheiro do imposto paga as estradas, os aeroportos, as escolas, a saúde, a segurança e tudo o que lembre infraestrutura de um país.

    Um parêntese: não confunda carga tributária do país com aumento surpreendente do IPTU santa-rosense, que é outra história.

    Pois, retomando a conversa, se quisermos ter o nível de vida que tem a Escandinávia, o caminho é árduo, e envolve impostos. Lá é consenso de toda a sociedade que um país harmonioso envolve impostos altos e educação de qualidade. A distância entre os mais ricos e os mais pobres é pequena. E todos se consideram felizes, segundo pesquisa recente que aponta a região com a população “mais feliz do mundo”.

    E a China nessa história toda? O país cresce, com altos investimentos em educação, tornando-se uma das maiores potências do planeta. No entanto, a carga tributária também vem crescendo rapidamente.

    Você pode alegar que o Brasil ainda tem o problema histórico da corrupção, do coronelismo, do clientelismo no setor público etc. Concordo integralmente. Mas estes também são problemas que temos de enfrentar. No entanto, para encerrar a conversa, se reduzirmos impostos (como muitos defendem) a tendência é nos aproximarmos do México e ficar cada vez mais distantes da Escandinávia.

    Pense bem.

    Ainda não engoli (é boa essa expressão) a história dos simuladores nos cursos de formação de motoristas.

    Além do curso e das aulas práticas, o novo motorista terá de fazer testes em simuladores eletrônicos. Os donos do centros de formação afirmam que os custos envolvem não só a compra dos novos equipamentos mas também contratação e treinamento de instrutores. Essa alteração, que atinge todos os motoristas brasileiros, está cheirando a lobby dos fabricantes, o que não seria novidade.

    No RS, onde o valor mínimo de uma carteira está em torno de R$ 1.100,00, pode haver um acréscimo de quase 50%. Segundo a imprensa, no centro do país os valores chegarão a R$ 3.000,00 por uma carteira de motorista.

    Cá entre nós, é um absurdo. E não é imposto!

    Finalmente, um registro e um elogio. Em 2013, o SAMU, gerenciado pelo Hospital Vida e Saúde, prestou 3.042 atendimentos na região. O número é significativo, e a qualidade do atendimento indiscutível. Os pacientes que o digam. Nessa estatística, estou certo de que muitas vidas foram salvas, e muito sofrimento amenizado.

    Só pra lembrar: o dinheiro do SAMU vem dos impostos.

     

  • sexta-feira, 3 de janeiro de 2014 16:32

    Resoluções para 2014

    Todos sabemos que as nossas resoluções para o novo ano dificilmente se realizam. Mas, pelo menos, fazemos planos, estabelecemos metas e propósitos. Na maioria das vezes, de modo informal, sem muita organização. Mas isso já é alguma coisa. São comuns propósitos como fazer os exercícios físicos sempre relegados, ler bons livros, pagar dívidas antigas, concretizar aquele projeto engavetado, etc.
    No entanto, como também sabemos, a roda viva da vida sempre nos atrapalha. É assim mesmo. Não podemos nos martirizar com isso, pois se algo foi esquecido, outras coisas boas nos acontecem. A vida é assim.
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    Alguns propósitos podem ser simples gestos de cortesia e harmonia com as pessoas à nossa volta. Somente isso já seria uma grande conquista. Veja alguns exemplos. Dar atenção às pessoas e esquecer o celular e o facebook, especialmente quando se está num grupo social. Baixar o volume do som do carro quando se está estacionado em local público. Estender a mão sempre que encontrar um conhecido. Fazer parte de algum grupo de voluntários. E usar sempre as palavrinhas mágicas: "desculpe", "com licença", "muito obrigado".
    São objetivos fáceis e gratificantes, que nos tornam mais sociáveis, mais responsáveis e melhoram nossa auto-estima. E nem precisamos colocá-los no papel para que se tornem hábitos profundos na nossa vida.
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    E aqui em Santa Rosa, valem alguns propósitos para o bem da cidade. Exemplificando. Podemos estudar uma nova arborização urbana, pois estamos necessitando, especialmente num verão escaldante como este.
    Devemos impedir que deem fim às áreas verdes do centro, especialmente com a ingênua desculpa de construção de terminais de ônibus, completamente dispensáveis.
    Podemos (e devemos) fiscalizar o aproveitamento da área da Rede Ferroviária até Cruzeiro, para que seja de uso de toda a população.
    Vamos contribuir para que o trânsito seja menos estressante, o que pode ser feito simplesmente deixando o carro em casa ou transitando em bicicletas.
    Apoiar a conclusão do Centro Cultural, projeto que se arrasta incompreensivelmente há quinze anos. Cá entre nós, Santa Rosa merece.
    E, também aqui na nossa cidade, fiscalizar para que nas eleições deste ano não haja voto comprado, como tem ocorrido com frequencia.
    Como podemos ver, os propósitos do ano novo não se limitam à nossa vida privada. Também podem ser desejos públicos e comuns que se tornam realidade.
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    E os dois amigos se encontram. Um deles olha espantado para o outro e comenta:
    "Tchê, como tu estás gordo! Eu lembro de que no início do ano tu tinhas prometido emagrecer".
    "A culpa é do médico".
    "Como assim?"
    "Ele me disse que eu só posso beber uma taça de vinho após as refeições".
    "E o que isso tem a ver com essa pança?"
    "Tu consegue imaginar quantas refeições eu tenho que fazer por dia agora?"

  • segunda-feira, 23 de dezembro de 2013 07:48

    Boas e más notícias no fim de 2013

    Boa notícia vem do Conselho Nacional de Trânsito. Superando uma polêmica antiga, ficou decidido que as bicicletas elétricas são, mesmo, bicicletas. Ou seja, não são veículos de cujos motoristas se exige habilitação. Agora, as magrelas com aquele motorzinho poderão circular livremente, atendidas pequenas exigências, como a potência máxima de 350 watts. Como meio de transporte alternativo, nós sabemos que a bicicleta é mesmo imbatível.

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    Má notícia, por outro lado, é o estado de trafegabilidade da ERS 344, de Santa Rosa até Entre-Ijuís. A rodovia está se deteriorando rapidamente. Em alguns pontos, sinalização está desaparecendo. Isso cria uma nova situação. Como a polícia irá multar, por exemplo, uma ultrapassagem em faixa dupla se a faixa já não existe?

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    Boa noticia no campo social. Desde 1990, o Brasil conseguiu reduzir em 53% a proporção de pessoas que passam fome no país. Uma tarefa gigantesca e muito digna. Isso nos coloca entre os campeões mundiais na tarefa de reduzir o número de cidadãos famintos, segundo a ONU.

    Mas também não significa que a missão está encerrada. Ainda temos 7% da população com fome, cerca de 13 milhões de brasileiros.

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    Quando a cidade do Rio de Janeiro criou a multa para quem é flagrado jogando lixo nas ruas houve muito bate-boca. Para alguns, é um absurdo multar um pedestre. Mas o fato é que a medida deu certo. Segundo a companhia municipal encarregada da limpeza da cidade, o volume de lixo nas ruas já diminuiu em 34%.

    Até parece que somente somos civilizados quando existe uma ameaça ao nosso bolso. Vale a pena pensar no assunto por aqui também.

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    O salário mínimo brasileiro será de 724 reais (é o piso nacional, sem considerar os pisos regionais). Isso significa um ganho real mais uma vez. Desde 2003, a elevação do salário mínimo foi de 480% sobre o dólar. Na época, o salário correspondia a 56 dólares. Hoje vale 330 dólares. Em contrapartida, a má noticia nessa área é que o reajuste dos aposentados mais uma vez, em 2013, perdeu para a inflação e para o dólar. Ou seja, o achatamento continua, sem contar o injusto fator previdenciário, que permanece incólume.

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    Prefeitura lançou esta semana o “Projeto de Educação para o Trânsito”. Entre os públicos-alvo, o principal será os alunos das escolas municipais. A notícia é muito boa porque a educação para o trânsito é fundamental nos dias que correm. A convivência entre o nosso frágil corpo e aqueles monstrinhos metálicos chamados automóveis é necessária, num processo de civilidade e respeito que, muitas vezes, é difícil de alcançar.

    Sem querer assustar, mas já assustando, a estatística comprova que, no Brasil, desde 1980, o trânsito já causou 980.000 mortes. É aterrorizante!