• sexta-feira, 29 de novembro de 2013 17:48

    Chibeiros e malandros

     

     

    Na nossas referências culturais o "chibeiro" ocupa um espaço importante. Em torno dele existem incontáveis históricas e lendas. O chibeiro é uma figura romântica, um aventureiro em busca de sobrevivência. Ao longo do tempo usaram o "chibo" para manutenção familiar e até foram importantes para a integração entre Brasil e Argentina. Superam as limitações geográficas, a burocracia estatal, e até a vigilância das forças de segurança. Com isso, aproximam populações, encontram companhia em ambos os lados, e geram filhos que falam duas línguas. Uma configuração sociológica interessante que produz valores humanos e culturais importantes para todos nós. De certa forma, eles são os heróis da fronteira.

    Mas o desaparecimento das fronteiras, a globalização, e a sociedade de consumo acabaram trazendo outros concorrentes para o chibeiro. E surgem atualmente incontáveis e atuantes grupos que, longe do romantismo do chibeiro, atuam de forma profissional no contrabando e no descaminho.

    É uma nova realidade, muito diferente daquela que sempre lembramos ao falar do chibeiro. Uma realidade mais perigosa.

    São grupos organizados, em busca de dinheiro rápido, que atuam num amplo leque de opções comerciais. Apreensões feitas pela polícia, neste 2013, dão conta de que a gama de "serviços" é mesmo ampla. Toneladas de soja, agrotóxicos, painço e sementes ilegais (a maioria transgênica) e outros produtos agrícolas. A compra e venda também envolve animais, cigarros, pneus e outras mercadorias. É uma forma de atuação que, de fato, nada mais tem a ver com o tradicional chibo.

    Junto com esse volume considerável de produtos, vêm o tráfico de drogas, a violência, o crime. Este é o perigo maior.

    ***

    A palavra chibo é típica da nossa região, no sentido do comércio "formiga", com o leva e trás de mercadorias úteis, para uso pessoal, e sem o propósito de formação de comércio organizado ou em escala. Por isso mesmo sempre existiu a tolerância estatal, pois o chibo nunca representou perigo real para o erário ou para a ordem legal.

    Porém, no restante dos países da língua portuguesa ela significa bode novo. Lembro que o (muito bom) livro do escrito peruano Mario Vargas Llosa foi publicado no Brasil com o título "A festa do bode", e em Portugal com o título "A festa do chibo".

    O sentido que damos à palavra "chibo" é estranho em outras regiões do país. É um significado regionalista da fronteira gaúcha, seja com o Uruguai, seja com a Argentina.

    ***

    Pois o brasileiro chegou na aduana argentina com uma carga estranha no automóvel. O policial logo viu que se tratava de uma carga de cachaça, mas o brasileiro explicou, muito desentendido:

    "Cachaça? Imagina! Isso é água benta que estou trazendo do Santuário da Nossa Senhora Aparecida para as paróquias aqui de Misiones..."

    O policial então abriu uma das garrafas, cheirou e gritou:

    "É cachaça, sim!".

    O brasileiro, então, ajoelhou-se e ergueu os braços para o céu:

    "Aleluia! Mais um milagre, Nossa Senhora!"

  • sábado, 23 de novembro de 2013 12:13

    Coisas da cidade

    Quando falamos em área pública, não há necessidade de uma definição mais detalhada. É uma área que pertence à administração pública e é de uso comum. O uso por particulares é regulado por lei. Nada mais simples. Se a área é privada (como o imóvel de sua casa, por exemplo), é de uso particular e só pode ser usada por terceiros mediante sua autorização.
    Com essa conversa introdutória, estou me referindo a áreas públicas que vêm sendo usadas, indiscriminadamente, para anúncios e propagandas particulares. Começou no Parcão e se espalhou para os canteiros centrais de diversas avenidas. A rótula de entrada do Bairro Cruzeiro virou um festival de propagandas. O resultado disso (além do uso ilegal) é que a poluição visual se torna gritante, e gera reclamações muito apropriadas.
    A questão é que devemos levar em conta um princípio chamado isonomia. Se alguém pode usar, todos podem. É área pública, certo? Se uma empresa utiliza, todas as demais também têm direito? É claro que não. Quem está errado é aquele que a usa sem autorização legal. O correto, no caso, é ninguém utilizar, para que todos sejam respeitados. A cidade fica mais bonita e agradece.
    ***
    As obras de ampliação do Hospital de Caridade têm um efeito, para a cidade, como a serotonina para o corpo de cada um de nós: proporciona entusiasmo e alegria. Usei esta comparação porque, afinal, estamos falando de saúde, no caso, da saúde pública. E a serotonina, como explicou meu médico, mexe com o humor, o sono, o ritmo cardíaco e até com as funções intelectuais.
    Afora essas explicações fisiológicas, o fato é que a obra trouxe à comunidade uma certa alegria, e a certeza de que em breve os serviços de saúde da cidade serão melhores.
    ***
    A retomada das obras do Centro Cultural (antiga prefeitura) também é uma notícia saudada com entusiasmo. Aos poucos, parte por parte, chegaremos lá. Não há nenhum problema nisso. Obras desse porte, voltadas para a cultura e o entretenimento, sempre demandam tempo. Verbas públicas, licitações, pregões, e outras coisas do gênero as tornam demoradas.
    A estratégia de fazer o trabalho de forma segmentada está correta. Vamos por partes. Logo teremos um local que será o orgulho de Santa Rosa.
    É assim mesmo. Veja o Teatro São Pedro, em Porto Alegre, cuja ampliação vem sendo executada há uma década, e ainda demandará algum tempo para ficar pronta.
    ***
    Orçamento de Santa Rosa, para 2014, será próximo de R$ 250 milhões. O número reflete o crescimento econômico dos últimos anos, e mostra que administrar bem e programar o futuro devem ser palavras de ordem. O caldo engrossou, pois não somos mais um pequeno município com questões meramente provincianas e paroquiais. Somos uma cidade em desenvolvimento. É diferente.
    ***
    Você já percebeu? Faltam 36 dias para o ano acabar! Cruzes!!

  • sexta-feira, 22 de novembro de 2013 14:47

    Coisas da cidade

    Quando falamos em área pública, não há necessidade de uma definição mais detalhada. É uma área que pertence à administração pública e é de uso comum. O uso por particulares é regulado por lei. Nada mais simples. Se a área é privada (como o imóvel de sua casa, por exemplo), é de uso particular e só pode ser usada por terceiros mediante sua autorização.

    Com essa conversa introdutória, estou me referindo a áreas públicas que vêm sendo usadas, indiscriminadamente, para anúncios e propagandas particulares. Começou no Parcão e se espalhou para os canteiros centrais de diversas avenidas. A rótula de entrada do Bairro Cruzeiro virou um festival de propagandas. O resultado disso (além do uso ilegal) é que a poluição visual se torna gritante, e gera reclamações muito apropriadas.

    A questão é que devemos levar em conta um princípio chamado isonomia. Se alguém pode usar, todos podem. É área pública, certo? Se uma empresa utiliza, todas as demais também têm direito? É claro que não. Quem está errado é aquele que a usa sem autorização legal. O correto, no caso, é ninguém utilizar, para que todos sejam respeitados. A cidade fica mais bonita e agradece.

    ***

    As obras de ampliação do Hospital de Caridade têm um efeito, para a cidade, como a serotonina para o corpo de cada um de nós: proporciona entusiasmo e alegria. Usei esta comparação porque, afinal, estamos falando de saúde, no caso, da saúde pública. E a serotonina, como explicou meu médico, mexe com o humor, o sono, o ritmo cardíaco e até com as funções intelectuais.

    Afora essas explicações fisiológicas, o fato é que a obra trouxe à comunidade uma certa alegria, e a certeza de que em breve os serviços de saúde da cidade serão melhores.

    ***

    A retomada das obras do Centro Cultural (antiga prefeitura) também é uma notícia saudada com entusiasmo. Aos poucos, parte por parte, chegaremos lá. Não há nenhum problema nisso. Obras desse porte, voltadas para a cultura e o entretenimento, sempre demandam tempo. Verbas públicas, licitações, pregões, e outras coisas do gênero as tornam demoradas.

    A estratégia de fazer o trabalho de forma segmentada está correta. Vamos por partes. Logo teremos um local que será o orgulho de Santa Rosa.

    É assim mesmo. Veja o Teatro São Pedro, em Porto Alegre, cuja ampliação vem sendo executada há uma década, e ainda demandará algum tempo para ficar pronta.

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    Orçamento de Santa Rosa, para 2014, será próximo de R$ 250 milhões. O número reflete o crescimento econômico dos últimos anos, e mostra que administrar bem e programar o futuro devem ser palavras de ordem. O caldo engrossou, pois não somos mais um pequeno município com questões meramente provincianas e paroquiais. Somos uma cidade em desenvolvimento. É diferente.

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    Você já percebeu? Faltam 36 dias para o ano acabar! Cruzes!!

     

  • sexta-feira, 15 de novembro de 2013 19:48

    Da leitura e suas vantagens

    O automóvel tem sido, desde o advento da produção em série, o grande sonho de consumo de todos. Nossas cidades (e toda a nossa cultura) estão definidas em função do automóvel. O Brasil, este país ainda em desenvolvimento, já produz quase 2 milhões de carros por ano. A produção de caminhões chega a 150 mil unidades por ano. Haja combustível! Haja estradas! Haja espaço!

    Pois no último final de semana, com a chuvarada, as cidades da região metropolitana de Porto Alegre simplesmente pararam. Milhares de cidadãos “montados” em seus automóveis, e parados!

    O que era para ser praticidade, conforto e prazer, tornou-se uma tortura. Precisamos repensar isso. Acho que, definitivamente, a civilização do automóvel não deu certo.

    ***

    Encontramos, seguidamente, artigos na imprensa alardeando as vantagens da leitura. Os “conselheiros” vão desde escritores até médicos. Já conhecemos muito bem isso. A leitura aumenta nosso vocabulário, aperfeiçoa nossa escrita, aprimora a capacidade de análise, nos humaniza e permite o conhecimento de outros mundos, outras realidades. Os benefícios para a memória e saúde mental são bem conhecidos e amplamente divulgados.

    Esses são alguns dos benefícios. Mas gostaria de ressaltar dois outros.

    A autoestima é o primeiro. Pessoas que lêem se tornam mais confiantes em si mesmas. E, intimamente, se consideram atualizadas e inteligentes. Ou seja, a autoestima delas é alta, o que é muito bom.

    A outra vantagem é econômica. Não há forma mais barata de adquirir conhecimento e todos os demais benefícios de que falávamos. A leitura é barata e pode ser gratuita (basta ir até uma biblioteca) e as histórias lidas permanecem conosco durante longo tempo.

    Mal comparando, ler é muito mais barato do que o cinema e o teatro, por exemplo. E ainda bem mais barato do que um jogo de futebol.

    ***

    Falando nisso, vi nos jornais que os jogos finais da Copa do Brasil, entre Flamengo e Atlético Paranaense, terão ingressos que chegam a R$ 800,00 a cadeira central. Assustado, li novamente a matéria do jornal, pois não estava acreditando. Oitocentos reais para assistir a um jogo de futebol?

    Imagino que esses torcedores devem ser os mesmos que dizem que o livro, o teatro e o cinema são muito caros. Os mesmos que, muitas vezes, negam ao próprio filho um livro, alegando ser dispendioso. Devem ser.

    Pois esse valor, superior a um salário mínimo, nos dá uma noção de quanto o futebol, por aqui, se tornou um fenômeno que envolve fanatismo, devoção cega, irracionalismo e falta de bom senso. Apreciado pelas multidões, tornou-se o esporte nacional. Mas, pelo visto, agora se tornou uma indústria gigantesca cuja única finalidade é o lucro em dimensões extraordinárias.

    Como se vê, sou um torcedor ressentido. E começo a desconfiar que também sou um trouxa...