• sexta-feira, 31 de janeiro de 2014 15:46

    Do verão e outras verdades

    Entrou em vigor na última terça-feira a Lei 12.846/2013, que pode ser bem efetiva no combate à corrupção. A lei surgiu por pressão das manifestações públicas no ano passado. A novidade é que a lei pune criminalmente as empresas que subornarem agentes públicos ou fraudarem licitações.

    Até agora, a ação penal atingia apenas pessoas físicas (os funcionários). Com a nova lei, pode haver multas de até R$ 60 milhões, e, no caso de reincidência, o fechamento da empresa.

    Repare que usei a palavra “pode” para lembrar que temos muitas leis. O que falta é a vigilância efetiva para que a malandragem (de colarinho branco ou não) seja efetivamente alcançada pela mão da Justiça.

    Nós sempre ouvimos falar em servidores corruptos, mas nunca vimos a condenação dos corruptores. Porém, é lógico que um não existe sem o outro.

     

    Você já ouviu falar na Associação Brasileira da Saúde Coletiva (Abrasco)? Ela é a responsável por um documento conhecido mundialmente, resultado de intensas pesquisas, chamado “Dossiê Abrasco”, que trata da contaminação dos agrotóxicos no país. A nova edição do dossiê pode ser baixada na internet.

    Algumas informações são preocupantes.

    Foi a Abrasco que revelou, em 2012, a existência de resíduos de agrotóxicos no leite materno em diversos municípios do Mato Grosso, especialmente na cidade de Lucas do Rio Verde.

    Esses resíduos tóxicos também foram encontrados na urina de professores de áreas rurais, em minhocas, na água consumida pela população, em anfíbios, e até na água da chuva! Naquela cidade, em 2006, ocorreu o fenômeno conhecido como “chuva de agrotóxicos”, que destruiu hortaliças e ocasionou um surto de intoxicações.

    Pois o longo relatório esmiúça dados bioquímicos que não nos cabe comentar aqui neste reduzido espaço.

    O que ele tenta é modificar políticas e conscientizar-nos sobre uma verdade: a finalidade de todo agrotóxico é matar determinados seres vivos “incômodos” para a agricultura. Sua essência, portanto, é uma só: é tóxica, é biocida.

    No Brasil, o consumo de agrotóxicos é tão grande que, dividido o volume pela população, temos 5,8 litros por pessoa/ano. Na Argentina, chega a 10 litros por pessoa.

    Aliás, é bom lembrar que os agrotóxicos surgiram durantes as duas grandes guerras para matar seres humanos. Com o término das guerras, eles passaram a ser usados com outras finalidades.

    Mas, no fundo, eu suspeito que continuam matando gente...

     

    O Verão Mágico é uma promoção muito legal, que agita as noites no centro da cidade. E não é só esporte. É passeio, paquera, encontro de amigos.

    As competições transformam o Parcão num enorme ponto de encontro que já está se tornando pequeno para a população da cidade.

    Observando aquela movimentação toda, ficamos nos perguntando por que ainda vemos pessoas insistirem na ideia de ocupação imobiliária da área que dá continuidade ao Parcão, logo após a travessa da Rua Coelho Neto.

    Debates já aconteceram em diversas oportunidades. Mas a prova irrefutável de que a cidade precisa daquele espaço está acontecendo neste mês de janeiro. É o Verão Mágico. Essa promoção esportiva nos revela o que querem esconder.

  • segunda-feira, 27 de janeiro de 2014 15:18

    Ruído, muito ruído

    Diálogo possível neste mês de janeiro, no berço nacional da soja:

    — Alô! De onde fala?

    — Aqui é o Inferno.

    — Desculpe, foi engano. Estou tentando uma ligação para Santa Rosa.

    — Santa Rosa? É aqui ao lado. Quer deixar algum recado?

    Tenho ouvido reclamações reiteradas. Algumas aparecem nas redes sociais. O fenômeno persiste. As pessoas aproveitam o final de semana para o descanso. Querem paz e silêncio, um direito de todos. A vida é muito ruidosa.

    Pois, quando se recolhem para uma praça, para um balneário ou para a beira do rio Uruguai, vem a surpresa. Imediatamente aparece um automóvel cujo dono deseja mostrar o seu novo equipamento de som, com 2.000 watts de potência.

    E dá-lhe sertanejo universitário ou funk! Uma poluição sonora que acaba com o descanso e chega a despertar o ódio das pessoas agredidas pelo barulho.

    Nossa reação natural ao ruído é agregar mais ruído. Ligamos a televisão e passamos a gritar. E só quem entra no ambiente percebe o quanto ele está poluído.

    O ruído não agride apenas nossos ouvidos (80 decibéis já causam danos, segundo a medicina). Um ambiente com muito barulho afeta nossa pressão sanguínea, pode causar problemas cardíacos, e altera nosso equilíbrio emocional. Até disfunções gástricas podem acontecer.

    Alguns psicólogos dizem até que o ruído está na raiz da violência, pois um ser humano submetido a barulhos insuportáveis perde o autocontrole.

    É por essa razão, por exemplo, que quando estamos num local de muito barulho e alguém desliga aquela enceradeira, sempre há alguém que comenta: “Meu Deus, que alívio!”. Realmente, é um alívio.

    O silêncio faz parte do nosso recolhimento, só ele permite que renovemos nossas energias. Está cada vez mais difícil encontrar lugares realmente calmos no mundo contemporâneo. Só no silêncio podemos contemplar a natureza, ordenar nossos pensamentos, fazer mínimas reflexões.

    Não é sem razão o ditado que diz que “o silêncio é ouro”. Pura verdade.

    Na minha opinião, o ruído indiscriminado, usado para irritar pessoas, é uma forma de agressão.

    Se você é um daqueles que quer ouvir música a todo volume, saiba que nem todos estão dispostos a compartilhá-la. Não se trata de mera proibição. Você tem direito de ouvi-la, mas os outros têm o direito de não querer suportá-la. Curta sua música de modo privado e reservado, é só isso.

    Há também os casos de garotos que modificam o próprio carro (ou motocicleta) para aumentar o ruído do motor. Inacreditável, mas existem.

    Lembro que um simples toque de celular agressivo pode irritar pessoas à sua volta. Em muito locais já encontramos um aviso na parede: “Desligue o celular”. Ou então: “Acione o modo silencioso do seu celular”.

    São formas educadas de dizer que o seu ruído pode ser uma agressão.

    Como disse antes, o mundo já está muito barulhento. Sejamos, pois, educados. Contribuir para o silêncio é fazer o mundo um pouquinho menos agressivo.

     

  • sexta-feira, 17 de janeiro de 2014 15:44

    Os impostos

    Nessa época do ano o assunto sempre vem à tona. A carga tributária brasileira, situada na faixa de 35% do PIB. O debate esquenta porque é o momento em que batem à nossa porta o IPTU, o IPVA, o ISSQN (para os profissionais liberais), o Imposto de Renda e assim por diante. Quando se fala em “custo Brasil”, do qual também se ouve falar nessa época, os objetivos são claros: pagar menos impostos e menores salários.

    Lembrando: entre as menores cargas tributárias encontramos o México (20%), e entre as maiores a Escandinávia (50%). Observação: a Escandinávia não é um país, e sim uma região formada por Dinamarca, Suécia e Noruega.

    Olhando esses números, perguntamos se a carga tributária é realmente alta. Afinal, queremos nos tornar um México ou uma Escandinávia? Lembremos que o dinheiro do imposto paga as estradas, os aeroportos, as escolas, a saúde, a segurança e tudo o que lembre infraestrutura de um país.

    Um parêntese: não confunda carga tributária do país com aumento surpreendente do IPTU santa-rosense, que é outra história.

    Pois, retomando a conversa, se quisermos ter o nível de vida que tem a Escandinávia, o caminho é árduo, e envolve impostos. Lá é consenso de toda a sociedade que um país harmonioso envolve impostos altos e educação de qualidade. A distância entre os mais ricos e os mais pobres é pequena. E todos se consideram felizes, segundo pesquisa recente que aponta a região com a população “mais feliz do mundo”.

    E a China nessa história toda? O país cresce, com altos investimentos em educação, tornando-se uma das maiores potências do planeta. No entanto, a carga tributária também vem crescendo rapidamente.

    Você pode alegar que o Brasil ainda tem o problema histórico da corrupção, do coronelismo, do clientelismo no setor público etc. Concordo integralmente. Mas estes também são problemas que temos de enfrentar. No entanto, para encerrar a conversa, se reduzirmos impostos (como muitos defendem) a tendência é nos aproximarmos do México e ficar cada vez mais distantes da Escandinávia.

    Pense bem.

    Ainda não engoli (é boa essa expressão) a história dos simuladores nos cursos de formação de motoristas.

    Além do curso e das aulas práticas, o novo motorista terá de fazer testes em simuladores eletrônicos. Os donos do centros de formação afirmam que os custos envolvem não só a compra dos novos equipamentos mas também contratação e treinamento de instrutores. Essa alteração, que atinge todos os motoristas brasileiros, está cheirando a lobby dos fabricantes, o que não seria novidade.

    No RS, onde o valor mínimo de uma carteira está em torno de R$ 1.100,00, pode haver um acréscimo de quase 50%. Segundo a imprensa, no centro do país os valores chegarão a R$ 3.000,00 por uma carteira de motorista.

    Cá entre nós, é um absurdo. E não é imposto!

    Finalmente, um registro e um elogio. Em 2013, o SAMU, gerenciado pelo Hospital Vida e Saúde, prestou 3.042 atendimentos na região. O número é significativo, e a qualidade do atendimento indiscutível. Os pacientes que o digam. Nessa estatística, estou certo de que muitas vidas foram salvas, e muito sofrimento amenizado.

    Só pra lembrar: o dinheiro do SAMU vem dos impostos.

     

  • sexta-feira, 3 de janeiro de 2014 16:32

    Resoluções para 2014

    Todos sabemos que as nossas resoluções para o novo ano dificilmente se realizam. Mas, pelo menos, fazemos planos, estabelecemos metas e propósitos. Na maioria das vezes, de modo informal, sem muita organização. Mas isso já é alguma coisa. São comuns propósitos como fazer os exercícios físicos sempre relegados, ler bons livros, pagar dívidas antigas, concretizar aquele projeto engavetado, etc.
    No entanto, como também sabemos, a roda viva da vida sempre nos atrapalha. É assim mesmo. Não podemos nos martirizar com isso, pois se algo foi esquecido, outras coisas boas nos acontecem. A vida é assim.
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    Alguns propósitos podem ser simples gestos de cortesia e harmonia com as pessoas à nossa volta. Somente isso já seria uma grande conquista. Veja alguns exemplos. Dar atenção às pessoas e esquecer o celular e o facebook, especialmente quando se está num grupo social. Baixar o volume do som do carro quando se está estacionado em local público. Estender a mão sempre que encontrar um conhecido. Fazer parte de algum grupo de voluntários. E usar sempre as palavrinhas mágicas: "desculpe", "com licença", "muito obrigado".
    São objetivos fáceis e gratificantes, que nos tornam mais sociáveis, mais responsáveis e melhoram nossa auto-estima. E nem precisamos colocá-los no papel para que se tornem hábitos profundos na nossa vida.
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    E aqui em Santa Rosa, valem alguns propósitos para o bem da cidade. Exemplificando. Podemos estudar uma nova arborização urbana, pois estamos necessitando, especialmente num verão escaldante como este.
    Devemos impedir que deem fim às áreas verdes do centro, especialmente com a ingênua desculpa de construção de terminais de ônibus, completamente dispensáveis.
    Podemos (e devemos) fiscalizar o aproveitamento da área da Rede Ferroviária até Cruzeiro, para que seja de uso de toda a população.
    Vamos contribuir para que o trânsito seja menos estressante, o que pode ser feito simplesmente deixando o carro em casa ou transitando em bicicletas.
    Apoiar a conclusão do Centro Cultural, projeto que se arrasta incompreensivelmente há quinze anos. Cá entre nós, Santa Rosa merece.
    E, também aqui na nossa cidade, fiscalizar para que nas eleições deste ano não haja voto comprado, como tem ocorrido com frequencia.
    Como podemos ver, os propósitos do ano novo não se limitam à nossa vida privada. Também podem ser desejos públicos e comuns que se tornam realidade.
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    E os dois amigos se encontram. Um deles olha espantado para o outro e comenta:
    "Tchê, como tu estás gordo! Eu lembro de que no início do ano tu tinhas prometido emagrecer".
    "A culpa é do médico".
    "Como assim?"
    "Ele me disse que eu só posso beber uma taça de vinho após as refeições".
    "E o que isso tem a ver com essa pança?"
    "Tu consegue imaginar quantas refeições eu tenho que fazer por dia agora?"