• sexta-feira, 26 de dezembro de 2014 17:19

    Ainda é Natal

    Então a vizinha foi visitar a família ao lado, justo quando as crianças da casa estavam aprontando os enfeites natalinos, e estranhou a existência de duas árvores de Natal cheias de luzes e bolas coloridas.

    “Que crianças maravilhosas! Enfeitaram a casa enquanto os pais saíram!”

    Os malandrinhos riram, compreensivos.

    “Mas porque aquela segunda árvore, a menorzinha?”

    “Árvore? Não, aquilo é a bisavó. Nós a enfeitamos porque ela sempre fica muito deprimida nesta época do ano”.

    ***

    De todas as histórias e lendas que povoam a humanidade, certamente a história do nascimento de Cristo é uma das mais cativantes. A história do menino que nasce numa manjedoura emociona até o maior dos ateus. A dramaticidade é um ponto alto da história. Os pais não encontram alojamento, e Maria dá à luz o menino num abrigo de animais. Logo após, aparecem os anjos e os reis magos. Ou seja, a tristeza do momento foi logo superada pela grandeza dos visitantes. Tudo meio fantasioso mas, cá entre nós, muito mágico.

    Aliás, se você não acredita em magia, o melhor mesmo é esquecer essas histórias envolvendo o Natal. Para nos envolvermos com ele temos de abandonar a racionalidade e nos deixar levar pelo encantamento. Somente assim é possível.

    O caráter religioso do anjo, é compreensível. Mas eu jamais entendi os reis. Como foram avisados? Como sabiam que Jesus nascera naquele local? A estrela seria assim tão precisa na sua tarefa de indicar o caminho? E como se encontraram, pois conta a história que chegaram juntos ao local do nascimento. E por que escolheram aqueles presentes, sem saber o que o outro traria? Teriam se telefonado antes? E quando viram os presentes que traziam, o rei que trouxe o ouro sentiu-se lisonjeado pela importância do seu presente, ou sentiu-se traído pelos outros que trouxeram apenas incenso e mirra?

    Sei lá. Essa parte da história ainda me parece confusa. E fico a imaginar uma encruzilhada, nos desertos da terra santa, onde os três se encontram sem prévio aviso:

    “O que fazes por aqui?”, pergunta o primeiro.

    “Estou dando uma voltinha, a noite está tão bonita.”

    “Eu também saí para tomar ar fresco e, agora que encontrei vocês, me dei conta que já andei 1.300 quilômetros. Que coisa, não?”

    ***

    Dizem que houve uma grande discussão no local em que foi encontrado o menino. O debate envolvia o nome com o qual ele seria batizado. Maria e José se viram bombardeados por sugestões dos primeiros visitantes que, afinal, vinham de terras distantes e queriam dar ao garoto algum nome que identificasse a sua região.

    Por muito pouco Jesus não se chamou Natalino...

    ***

    Na última terça-feira, 23, um grupo de ciclistas fez um passeio pela cidade trajando aquelas típicas boinas de Papai Noel. O passeio, com certeza, tem algo a ver com a inauguração de parte da ciclovia que ligará o Bairro Cruzeiro ao centro de Santa Rosa. Talvez tenha sido uma comemoração. O pequeno trecho é experimental, conforme explicou o Carlos Lozekan. Agora é torcer que o trajeto seja completado. Vai valer a pena.

  • sexta-feira, 12 de dezembro de 2014 15:41

    Ah, o Natal!

    Dizem que somos eternas crianças, não importa a idade. O que muda é o preço dos brinquedos. Acho que é uma verdade incontestável. A criança que fomos nunca nos abandona. Ou você nunca sentiu uma vontade irresistível de brincar com o carrinho de lomba dos meninos da vizinhança? Aposto que sim.
    Pois é essa a imagem que tenho do Natal. Um tempo de brinquedos, em que esperamos a noite de festa para desembrulhar aquele pacote tão desejado.
    Azar dos papais e mamães que têm que providenciar os presentes, organizar a festa, convidar parentes e garantir os pagamentos, é claro. Tudo meio difícil de explicar para a criançada, que às vezes surge com a pergunta: “Se é o Papai Noel que traz todos esses presentes, para que serve o papai?”
    Eu, por exemplo, jamais entendi como o Papai Noel, gordão daquele jeito, consegue passar por uma chaminé. Vou morrer com essa dúvida torturante na minha cabeça.
    Há quem não goste do Natal, e em certa medida eles têm razão. É um período estressante, de correria. As festas que não aconteceram durante o ano acontecem em dezembro. As ruas e lojas estão cheias. A publicidade grita aos nossos ouvidos. As luzinhas vindas da China, do Vietnã ou da Indonésia piscam em todo lugar. Pelo menos até a virada do ano elas sobrevivem. Depois, é lixo. A TV repete pela centésima vez aqueles filmes edificantes sobre o velhinho vestindo vermelho e a esperança de um mundo melhor.
    O Roberto Carlos reaparece das cinzas. Ele é uma espécie de fênix, que desaparece mas ressurge no Natal como mágica, me levando a suspeitar que aqueles filmes de zumbis têm algum fundo de verdade. E ainda temos de ouvir a Simone repetindo: “Então é Natal.....”
    Possivelmente este ano também veremos algum show televisivo daquele cantor de músicas natalinas, o Michel Trenó.
    ***
    Dizem que o Papai Noel, antigamente, vestia azul. Mudou para o vermelho por conta de lobby da Coca-Cola. Todo Papai Noel deveria cobrar um extra da Coca-Cola pelo serviço gratuito dessa época do ano.
    Mas a cor não tem qualquer importância. O estranho mesmo continua sendo vestir roupa de inverno no nosso verão abrasador, e ainda lançar flocos de isopor imitando neve. É dose...
    ***
    Não precisa encher sua casa de pisca-pisca. Quem nasceu nesse mês foi Cristo, não Thomas Edison.
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    Perdoe a si próprio pela comilança de dezembro. É uma necessária interrupção no seu controle alimentar. Pois, na verdade, o que engorda não é o que você come entre o Natal e o Ano Novo, e sim o que você come entre o Ano Novo e o Natal.
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    Mas para aliviar o estresse basta lembrar das crianças. Afinal, são elas que, de fato, mostram a alegria de que tanto se fala nessa época. Elas nos devolvem àquele tempo do qual nunca nos separamos. Por isso, seremos sempre crianças. Ainda bem.

     

  • sexta-feira, 5 de dezembro de 2014 15:11

    Mudanças em 2016?

    Acho que em 2016 o grande debate será a reforma política. Mais objetivamente falando, a reforma dos financiamentos das campanhas eleitorais.
    O grande problema é que quem financia a campanha governa junto com o eleito. Afinal, ninguém dá milhões de reais a um candidato simplesmente porque acha o cara simpático. Na verdade trata-se de um compromisso recíproco que tem consequências ao longo do tempo. A operação Lava-Jato mostrou a realidade que já conhecíamos há séculos, mas que nunca tinha se tornado tão pública. Pelo menos, não tão óbvia. Agora o Brasil discute alterações nessas regras.
    Mas temos um elemento complicador. O Congresso atual foi eleito pelas regras vigentes (muito dinheiro privado). Você acha que os congressistas querem mudar aquilo que os favorece?
    Eu duvido muito....
    ***
    Uma mudança na lei vai representar um duro golpe nas velhas práticas da política brasileira (clientelismo, nepotismo, coronelismo, etc). Mas a desconfiança já existe. O Congresso não vai colaborar para que isso aconteça.
    Para que alguma coisa se torne real, só mesmo a pressão pública, e quando falo pressão pública temos que entender manifestações, organizações não-governamentais, OAB, CNBB, sindicatos e assim por diante.
    Se isso não acontecer, o Brasil continuará do mesmo jeito, fazendo de conta que muda, porque, afinal, os que desejam mudanças não são tantos quantos imaginamos.
    ***
    Um ano atrás a OAB entrou com ação no STF questionando o financiamento empresarial de campanhas eleitorais. Os custos da eleição deste ano chegaram a espantosos R$ 5 bilhões! Praticamente tudo pago por empresas.
    Pois bem. No STF, com 6 votos já favoráveis, o ministro Gilmar Mendes pediu vistas e sentou sobre o processo que está parado há 6 meses. Eu disse seis meses!
    Seis meses para ler um processo que poderia ser lido em um dia. O ministro é um cara que lê muito devagar...
    *************
    Mudando de assunto, mas voltando a um tema bem batido. Continuam as reuniões organizadas pela empresa contratada para a elaboração dos cadastros dos atingidos pelas barragens do complexo Garabi-Panambi.
    Consta que o cadastro deve ser concluído até 2017 (pelo menos é o que diz o cronograma). Só então é que o governo brasileiro saberá o real valor a ser investido. Até o momento, sem saber o que e quanto indenizar, o governo não tem a menor ideia do montante do empreendimento total.
    Com todo esse levantamento nas mãos (especialmente os dados financeiros), restará ao governo decidir o que fazer. Se o orçamento comportar e a obra for autorizada, 2018 será o ano em que tudo terá início.
    O tal cadastro é que definirá, enfim, a questão crucial para os moradores da região atingida, ou seja, o valor das indenizações. Há um grande número de fatores e variáveis a serem considerados. O valor final tem a ver com área construída, espécie de construção, área de proteção permanente, área privada e área pública, e assim por diante.
    Até lá teremos muita ansiedade e até alguns bate-bocas. Mas o fato é que hoje estamos na fase de levantamento de dados. E também sabemos que há muito espaço para o diálogo e a negociação. Mantenhamos a calma, pois.

     

  • sexta-feira, 28 de novembro de 2014 23:15

    Eu transito, tu transitas, ele transita...


    O trânsito está caótico, já sabemos. Por outro lado temos de
    reconhecer que os pedestres não têm ajudado, especialmente
    depois que descobriram que, na faixa, a prioridade é deles. Observando o trânsito da cidade, constato que as pessoas fazem uma série de atividades sobre as faixas de segurança e não apenas alcançar o passeio do outro lado.
    Normalmente a travessia é utilizada para fazer chamadas telefônicas. É impressionante como os telefones tocam justamente quando o pedestre coloca o pé na faixa! Já vi gente respondendo mensagens, trocando a bateria, conferindo chamadas. Mas também vi gente fazendo limpeza no buraco do nariz sem a menor cerimônia. Por isso mesmo imaginei outras atividades que os pedestres descansados da cidade poderiam fazer naquele momento descontraído em que atravessam nossas ruas.
    Você pode brincar de polichinelo, relembrando a infância. Pode ler o jornal Noroeste. Se quiser, brinque de pular pousando os pés apenas nas faixas brancas. Se estiver acompanhado, pode colocar em dia os comentários da manhã, sem qualquer pressa. Se estiver em grupo, faça uma fila indiana para que a travessia se torne mais demorada e mais divertida. Aproveite também para conferir o extrato bancário.
    Garotas bonitas podem transformar a faixa em passarela, mostrando aquela calça jeans que é um show. Nesse caso, os motoristas devem bater palmas. especialmente se a moça for de parar o trânsito. Aliás, dias atrás uma emissora de TV fez o teste. Colocou uma jovem modelo, em roupas justíssimas, cruzando uma rua em São Paulo. Nunca uma pedestre foi tão respeitada!
    ***
    Brincadeiras à parte, o fato é que transitar é um direito de todos. Ou seja, o respeito mútuo é exigência, pré-requisito para que a cidade funcione. A combinação de motorista nervoso e pedestre insolente é a pior solução.
    O caminho é outro. Chama-se gentileza.
    ***
    Com tanto automóvel por aí, acho que pedestre já é uma espécie ameaçada de extinção. Para o IBGE, a cidade tem 72 mil habitantes. Para o DENATRAN, temos 48 mil veículos. Ou seja, 1,50 habitante por veículo. Sai da frente!
    ***
    O garoto tinha acabado de tirar a carteira de motorista e resolveu dar carona para uma senhora, sua vizinha, até o trabalho. Aproveitou para mostrar suas “habilidades” ao volante, acelerando e fazendo ultrapassagens. Ao chegar, a senhora saiu do carro e disse:
    “Muito obrigada. Muito obrigada”.
    “De nada, D. Dulce. Quando precisar é só chamar!”
    “Eu não estava falando com você, querido. Estava falando com Deus...”
    ***
    O cara bateu na traseira do carro à sua frente. O trânsito parou, veio o guarda, aquela conversa toda. E o motorista justificou:
    “Veja só, seu guarda. A mulher fez sinal de que ia virar à esquerda. E não é que virou mesmo?”