• sábado, 9 de novembro de 2013 01:14

    Aprimorando meu inglês

    Por causa da Copa do Mundo, virou moda atualizar conhecimentos em inglês, tudo para esperar os turistas. Garçons, taxistas, frentistas, policiais, todos estão aprendendo. Mesmo no interior do país. Imagine se, por exemplo, um gringo lhe perguntar onde fica a Linha Salto? Neste caso, você deve ganhar tempo, também indagando: "What? Salt Line? Oh, yes!".

    Por isso, eu também estou aperfeiçoando o meu inglês, e me preparando para a Copa, já que o Felipão não deve me convocar para a zaga. Comecemos pelos vocábulos mais utilizados no cotidiano. Veja que é muito fácil.

    "Read" é palavra muito utilizada por pescadores. Por exemplo: "o que cai na read é peixe".

    "Fourteen" é uma referência a sujeito forte. "Não mexe com ele porque ele é bem fourteen".

    "Good" é fácil de saber porque lembra a infância. "Quando criança, eu gostava de jogar bolinha de good".

    "River" significa pior que feio. Exemplo: "Ele é o river".

    "Serial killer": cereal em quilo. Compra-se no mercado.

    "Pay day" é o mesmo que soltar gases.

    "Monday" é igual a ordenar: "Ontem monday lavar o carro".

    "Feel" é barbante. "Feel dental". "Feche o pacote com um feel".

    "Floor" expressa rejeição: "Ela não é floor que se cheire".

    "Morning": algo que não é quente nem frio. "Meu café está morning".

    "Never": flocos de gelo. "É divertido ver bonecos de never".

    "Ice" é uma expressão de desejo: "Ice ela me desse bola...".

    Como se observa, será fácil receber bem os turistas para a Copa. Basta memorizar alguns conceitos básicos, como estes que citei. Até a Copa vamos treinando...

    ***

    Foi mesmo bombástica a informação veiculada pela imprensa de Ijuí na última segunda-feira. A Federação Gaúcha de Futebol confirmou o time da cidade — Esporte Clube São Luiz — na Copa do Brasil de 2014.

    Por lá, a notícia veio como uma espécie de presente de Natal.

    Agora, o clube já está se mobilizando para obter patrocínios e incrementar o quadro de associados. A cidade está entusiasmada porque a Copa do Brasil serve como incremento para as finanças do clube e divulgação para a cidade.

    De quebra, talvez aconteçam jogos importantes que atraiam a torcida de toda a região para a cidade natal do Dunga.

    ***

    Finalmente, uma nota de pesar. Faleceu na última terça-feira o advogado Brilmar Zimmermann Desengrini. Foi advogado e político em Santo Ângelo, tendo atuado também em Santa Rosa. Desengrini (como era mais conhecido) foi também candidato a deputado estadual. Estava com 81 anos e residia atualmente em Florianópolis, onde faleceu vítima de câncer.

    Faço o registro porque conversei com Desengrini em muitas oportunidades. Sei também que deixou amigos por aqui.

  • sexta-feira, 1 de novembro de 2013 23:22

    Viva a Constituição!

    Em outubro comemoramos os 25 anos da Constituição de 1988. Pois acho que a comemoração foi tímida. Deveríamos comemorar com mais ênfase. Afinal, passados todos esses anos, não temos dúvida de que existe o "antes e o depois" de 1988.

    Com defeitos e virtudes, a Carta Magna tem méritos indiscutíveis, além de ter dado fim ao período autoritário que vivemos a partir de 1964. Mas os aspectos duradouros, que vêm marcando a vida dos brasileiros, são outros.

    Ela é a mais democrática constituição brasileira desde a proclamação da República. Está marcada pelos direitos sociais que o Brasil arcaico sempre nos negou. Graças a ela vivemos hoje num Brasil mais livre, mais exigente, mais participativo, mais igual. É por isso mesmo que, em razão dos inúmeros problemas sociais que ainda nos maltratam, temos o direito (e o dever) de exigir avanços, de buscar com eloquência um Brasil melhor. Para isso, temos suporte constitucional.

    Por isso acho que as comemorações foram fracas, tímidas. Talvez não estejamos entendendo a importância histórica desse longo período democrático de 25 anos, o mais longo da história brasileira. Só isso já bastaria para uma festa.

    ***

    Mas isso não significa que o texto constitucional resolveu nossos problemas. Ainda somos um campeão de desigualdades. A riqueza é altamente concentrada e ninguém ignora as dificuldades nas áreas de educação, saúde e meio ambiente.

    O que a Constituição nos garante é o direito de lutar por aquilo que está no seu preâmbulo, quando fala do estado democrático: "o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias". Parece simples, mas não é.

    ***

    Entre os fundamentos do estado democrático, está o pluralismo político. Já vivemos sufocados por um regime infantil, chamado bipartidarismo. Agora, os ares são outros. Temos 32 partidos, e outros estão na fila. Dizem que teremos 40 em breve.

    A questão é saber se toda essa gama de agremiações representa mesmo a pluralidade do Brasil. Penso que não. Se existem partidos legítimos, também sabemos que muitos são meras siglas de aluguel, criadas para atender grupos políticos e familiares. Alguns são mera extensão do coronelismo arcaico. Outros, simples artimanhas de quem jamais se afasta do poder, apreciador de suas benesses.

    Não há ilegalidade nisso. Mas o eleitor deve se preparar para fazer a "faxina", isto é, não apoiar siglas insignificantes, que não representam interesses de parcelas da população.

    Qual seria a quantidade sensata de partidos? Quinze? Vinte? Não sei, não sabemos. Penso que a pluralidade política e cultural do Brasil não precisa de 32 partidos. Quarenta, então, menos ainda. O certo é que essa é uma tarefa do eleitor.

  • sexta-feira, 25 de outubro de 2013 22:12

    Falando sério

    Um velho conselho, que teria vindo da Bíblia, diz que devemos tratar as pessoas como gostaríamos de ser tratados. Na verdade, é apenas uma frase de efeito. Se pensarmos detidamente, vamos chegar à conclusão que ela é equivocada. Eu, Gilberto, não posso tratar as outras pessoas como se elas fossem outros Gilbertos (iguais a mim). Não é lógico?

    Você, que me lê nesse instante, não é o Gilberto que escreveu este texto. Você é diferente, tem anseios diferentes dos meus, tem outra história pessoal, outras experiências. Talvez seja de outro sexo, tenha outra cor de pele...

    Por isso, eu não devo tratá-lo como eu gostaria de ser tratado, mas como você precisa ser tratado e considerado. Esse é o primeiro passo para que eu reconheça que você é diferente. Aliás, um passo gigantesco.

    ******

    Alguém já disse que o grande problema do nosso tempo é que preferimos julgar a compreender. Por exemplo: quando somos apresentados a um desconhecido, de imediato formamos um julgamento da pessoa, antes de qualquer esforço para compreendê-la.

    Tente lembrar de sua reação íntima quando foi convidado a apertar a mão de um homossexual, de um negro, de uma prostituta ou de um simples catador de lixo. Lembrou? Pois é. Tenho certeza de que naquele momento você não buscou compreender, mas imediatamente julgou. Bingo!

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    Isso é psicológico e cultural. É difícil nos descolarmos desse fardo civilizatório. Mas precisamos tentar. E veja que não se trata de tolerância (palavra que significa suportar, aturar, aguentar). Trata-se de compreender, colocar-se no lugar daquele sem julgamento prévio, captar a sua humanidade.

     

    Difícil, muito difícil.

    É quase insuportável ouvir pessoas que têm opinião pronta para tudo. Surge um assunto qualquer e — voilá! — o sujeito já emite seu “parecer”, que normalmente são frases feitas, chavões, lugares-comuns.

    Racismo? “Ora, eu até tenho amigos negros”. Feminismo? “É legal, mas elas são muito radicais”. Homossexualismo? “Não tenho nada contra, mas não me misturo”. Aquecimento global? “Bobagem, esse ano fez um frio danado aqui na cidade”. Política? “Não há um sequer que seja honesto”. Pena de morte? “Bandido tem que ser tratado assim”.

    Você encontra esses papagaios diariamente. Não refletem, não questionam, não compreendem, e nem tentam. Mas têm opinião formada sobre tudo, numa mera repetição de banalidades reproduzidas à exaustão pelo senso comum inculto e avesso à reflexão.

    Por causa dessa reprodução incontrolável de clichês é que as relações humanas refletem, nos dias de hoje, mais ódio que compreensão. Por isso se reproduz a intolerância, envolvendo questões políticas, raciais, homofóbicas, e assim por diante. Constatar isso pode nos ajudar a fazer um mundo melhor, compreendendo e não julgando. Mas, é claro, sem esforço isso será apenas uma utopia...

     

  • sexta-feira, 18 de outubro de 2013 21:28

    Enquanto isso, ouço músicas

    Depois de agonizar por algum tempo, com sintomas de fraqueza e debilidade incontornáveis, o Musicanto recebeu a extrema unção há poucos dias. Há quem lamente o empobrecimento cultural da cidade, que é indiscutível, e lança a pergunta: "a cidade ainda quer o Musicanto?".

    A propósito, aí vai uma lista de assuntos para sua próxima reunião de família, do clube, ou mesmo do boteco da esquina.

    Não temos Musicanto, não temos Fundo de Cultura, não temos Carnaval de rua, não temos águas dançantes, não temos Centro Cultural e nem "ginasião", coisas que poderiam ser a marca e a identidade desta cidade.

    Ah, lembrando aquele candidato a vereador, também não temos berçário!...

    ***

    Mas não vivemos só de notícias tristes. É importante registrar a apresentação muito aplaudida do Coral 24 de Julho lá na Catedral de Gramado, no final de setembro último, sob a batuta esperta do maestro Alessandro Munaweg. Show para encantar o público de Gramado e seus turistas. A catedral balançou!...

    Eis aí um motivo de orgulho para Santa Rosa, numa área da música que não é apreciada em larga escala. O canto coral, assim como a música clássica, requer uma concentração (e certa iniciação) que a grande maioria rejeita. Mas é um bálsamo para a alma... Ouvir Michel Teló é fácil, não precisa esforço. Entra num ouvido e sai pelo outro.

    ***

    A propósito, anote na sua agenda. No próximo dia 26 de outubro, sábado, acontece no Centro Cívico o "Concerto da Primavera", reunindo corais e vozes das principais cidades gaúchas e, é claro, também o nosso 24 de Julho.

    Será uma noite para encher os olhos e balançar a sensibilidade.

    Tenho a certeza que você não vai esquecer. Ou vai?

    ***

    Pouco conheço da música clássica, e invejo essa arte quase mágica. Mas sei de algumas coisas que desejo compartilhar com você.

    O piano, por exemplo, tem aquele desenho para que os músicos tenham onde colocar o copo de uísque.

    O "Bolero de Ravel" é uma música composta por um cara chamado Ravel.

    Beethoven ficou surdo de tanto usar fones de ouvido com o seu ipod. Os florais de Bach tiveram origem no jardim que ele mantinha nos fundos da casa.

    O regente de orquestra sempre faz treinamento prévio como guarda de trânsito; só assim para agitar os braços daquela maneira.

    "4 estações" é uma famosa composição de Vivaldi, cujo nome ele copiou de um conhecido sabonete.

    A música medieval foi feita há muito tempo, por isso não toca nas rádios. Já a música sacra tem sido composta por gente com muitos pecados, que assim tentam limpar a barra com Deus. Pura perda de tempo. Os maiores compositores do Romantismo são Chopin, Tchaikovsky e Shubert. Entre os brasileiros, o mais conhecido é o Roberto Carlos, que também foi lateral esquerdo da seleção.

    Handel foi um conhecido compositor que era 50% alemão, 50% italiano e 50% inglês.

    (Meu Deus, quanta bobagem!)