• sexta-feira, 7 de março de 2014 16:53

    Bicharada

    Quantas vaquinhas são necessárias para pagar o cachê do Roberto Carlos para a propaganda da Friboi? Vi na imprensa que o cachê ficou em modestos R$ 25 milhões.

    Se considerarmos a média de R$ 8,17/kg, paga no centro do País para animais com peso médio de 500 kg, precisaríamos de 6.120 bois para pagar o Rei. Se considerarmos somente a carcaça, já descartadas partes de menor aproveitamento, o número sobre para cerca de 10.000 cabeças. Se pagarem o Rei em “espécie”, ele vai precisar comprar uma fazenda de tamanho considerável...

    ***

    Alguns ingênuos vêm divulgando nas redes sociais que a Friboi “pertence ao filho do Lula”, uma fantasia que lembra muito as teorias conspiratórias, mas que pode soar como verdade. Por isso é que as redes sociais estão perdendo credibilidade rapidamente.

    A Friboi, na verdade, é uma gigantesca corporação com unidades em 22 países de todos os continentes, incluindo EUA, Austrália e Canadá. É a maior empresa do mundo no setor de carne bovina. Também é a maior produtora de frangos do mundo (nada menos que 12 milhões de aves por dia!). E vende seus produtos em 150 países!

    Surgiu em 1953 (há 60 anos, portanto), e desde lá não para de crescer. É o que podemos chamar de multinacional brasileira. Parte do capital pertence a uma tradicional família paulista, e a maior parte é negociada na Bolsa de Valores.

    A Friboi, hoje, é operadora das marcas Seara, Friboi, JBS, Swift, Pilgrim’s Pride, Doux Frangosul, Leco, Vigor, Amélia, Anglo, Bertin, entre outras.

    Por isso, quando você divulga informações na rede social, confira sua veracidade e tome cuidado. Porque, em breve, a Friboi poderá criar algum frigorífico que realize abate de jumentos.

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    Já que estamos falando em bichos, a novidade regional é a cobra às margens do rio Uruguai, cuja presença ainda não foi confirmada. Atenção: esqueçam os comentários maldosos envolvendo sogras perdidas em Porto Mauá. Mas já surgiram histórias de pescador envolvendo a coitadinha.

    Um amigo contou que se deslocava, à noite, para sua casa de veraneio às margens do Uruguai. Em certo local, foi obrigado a parar porque havia um eucalipto caído sobre a estrada. E acrescentou:

    “Saí do carro e logo o eucalipto começou a se mover e sumiu no meio do mato. Fiquei na dúvida. Era um eucalipto ambulante ou era a cobra castelhana?”. Como se vê, pescador não perde a oportunidade...

    ***

    E os peixes que desapareceram do açude no interior de Três de Maio? O fato virou notícia nacional. Afinal, não é toda hora que se vê o esvaziamento de um açude e o roubo de meia tonelada de peixes.

    A dúvida, nas investigações, é a seguinte: os ladrões usaram algum tipo de mágica para que os peixes entrassem nas sacolas sem resistência e em silêncio? Ou o proprietário do açude tinha retornado de alguma festa de kerb?

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    Pois é, o Carnaval passou. Para muitos, agora começa 2014. Para outros, porém, agora tem início aquele período chato entre o Carnaval e o Ano Novo.

  • sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014 16:59

    Outros protestos

    Os protestos também produzem ideias criativas. Estudantes de várias capitais brasileiras estão fazendo movimento para protestar contra fatos que não estão na pauta da imprensa. São protestos lúdicos e bem humorados. Veja.
    O mais criativo envolve o boicote aos preços praticados em bares e restaurantes (se você viaja como turista sabe o que é essa exploração).
    Um dos movimentos afirma que a moeda brasileira deveria chamar-se “$urreal”, parodiando o nosso real. E citam o exemplo de um fichário escolar vendido a R$ 200 e uma jarra de suco de frutas a R$ 52.
    Muito bem. Você pode dizer que o dono do bar ou restaurante pode fixar o preço sem perguntar a ninguém. Mas, em contrapartida, nada impede que preços extorsivos sejam publicados na internet, por exemplo, produzindo um movimento de indignação dos consumidores.
    Outro movimento é o “isoporzinho”. Como os preços de lanches e bebidas nas praias estão pela hora da morte, os participantes incentivam as pessoas a levarem seu isopor e consumir a preços bem baixos. É comum cobrarem R$ 10 por uma latinha de cerveja em nossas praias. E os vendedores não são considerados assaltantes!
    Os participantes fotografam vitrines e divulgam nas redes sociais os preços abusivos. Um exemplo é uma embalagem de batatas fritas cujo preço “normal” é de R$ 6,00 e foi encontrada numa loja de conveniência de um posto de gasolina por R$ 16,85. A divulgação (ou protesto) tem a mensagem bem simples: “não pague e avise seus amigos”.
    Pensando bem, algo assim poderia acontecer na cidade, você não acha?

    Fevereiro é o mês em que os bancos brasileiros divulgam seus balanços. É de praxe, e segue o que determina a lei.
    Mas nós, brasileiros, sempre ficamos chocados com o que vemos. Não há como evitar um sentimento de impotência diante do que é divulgado. No Brasil, banco não é negócio. É mamata. É ganhar dinheiro fácil, aos borbotões.
    Veja só que espantoso. O lucro dos 4 maiores bancos brasileiros, em 2013, é maior do que o PIB de 83 países! É isso mesmo. Muitos países, em diversos continentes, não produzem riqueza equivalente aos lucros dos bancos brasileiros.
    Estamos falando de lucros líquidos, isto é, já descontadas todas as despesas e investimentos. É lucro limpo. Cálculos superficiais dão conta de que a soma dos lucros dos banqueiros, em 2013, se aproxima de R$ 100 bilhões. Isso equivale a 3 orçamentos do Bolsa Família, e poderia pagar 3 Copas do Mundo de futebol.


    Analisando sob a ótica macroeconômica, isso significa transferência de valores monetários da população para os banqueiros. Em outras palavras: a poupança das empresas e dos cidadãos se desloca para o patrimônio dos bancos.
    É um gigantesco e brutal deslocamento de riqueza da atividade produtiva para a rede especulativa. Estamos mais próximos do cassino do que da fábrica. E isso não é nada bom.


    Você sabia? Imagine que você tenha depositado numa poupança o valor de R$ 1.000,00 em fevereiro de 2004 (dez anos atrás). Hoje você estaria com a importância de R$ 2.066,15.
    Em contrapartida, se você tomou por empréstimo o saldo de seu cheque especial, também de R$ 1.000,00, sua dívida, dez anos depois, estaria em R$ 50.195.041,03 (utilizei a taxa de um dos bancos que atuam na praça). Além disso, já teria pago uma pequena fortuna em tarifas.
    Dá para entender os lucros?

  • sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014 17:18

    Assuntos desagradáveis

    Os chamados “pesque-pagues” surgiram com força na região como fonte de renda alternativa para os produtores rurais. Muitos se consolidaram, e o dinheiro gerado vem sustentando muitas famílias. Além disso, são incontáveis as pessoas que frequentam os locais para diversão e alimentação.

    Pois agora a vigilância sanitária decidiu atacá-los de forma impiedosa. Proibiram a limpeza dos peixes no local. Isso implica em dizer que nem os clientes (pescadores) poderão comer o peixe frito, um prazer inigualável.

    O frequentador deve levar o peixe para casa, limpá-lo e jogar o lixo sabe-se lá onde...

    E o que é pior. Mesmo com a intenção dos proprietários de realizar obras de engenharia mais adequadas, a proibição foi mantida pelo simples fato de que “não há norma a respeito”. Proíbe-se, e pronto!

    ***

    Outras vítimas dessa miopia sanitária são os pequenos açougues.

    Recebi a informação de que um açougueiro foi alvo de uma gentil visita da inspetoria, com a seguinte proposta: R$ 280,00 para passar veneno no local, mais R$ 600,00 para a inspeção, e mais R$ 100,00 por mês para a visita (obrigatória). Além disso, deveria o açougueiro providenciar a alteração de seu contrato social (algo em torno de R$ 800,00), e efetuar diversas modificações físicas no estabelecimento. E tem mais: a aplicação do produto químico somente pode ser feita por uma empresa cadastrada na prefeitura. A única, diga-se de passagem!

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    Tem também a história de uma manicure que recebeu a visita da vigilância, que não gostou do aparelho esterilizador por ela utilizado. Sem qualquer explicação razoável, o aparelho foi considerado ultrapassado.

    A profissional recebeu a orientação de comprar outro equipamento, de uma empresa cadastrada na prefeitura. Também é a única empresa da cidade que vende a máquina, veja só que coincidência.

    ***

    O que está acontecendo?

    Será que teremos que vigiar a vigilância?

    ***

    Deixando de lado assunto tão indigesto, falemos de outro, porém pouco cheiroso. Veja só a curiosidade.

    A produção de excremento humano (isto mesmo, cocô) é, em média, de 250 gramas por pessoa/dia. E o consumo de água é de 150 litros por pessoa, dos quais 30% são utilizados no vaso sanitário.

    Uma cidade como Santa Rosa, por exemplo, seguindo o raciocínio das médias acima, produz diariamente 17,5 toneladas de cocô humano, e consome 3,15 milhões de litros de água para limpeza de seus vasos sanitários.

    Um vaso sanitário pode consumir de 10 a 14 litros de água toda vez que você acionar a válvula. Existe orientação dos órgãos técnicos para que as pessoas substituam os vasos antigos, pois estes levam mais tempo de acionamento e consomem mais água.

    Assim, fica a sugestão sócio-higiênico-profilática. Revise o seu vaso sanitário antes que a vigilância apareça por lá e você tenha que fazer suas necessidades lá no jardim, atrás do pé de costela-de-adão...

  • sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014 14:40

    10, 20, 30, 40...

    Este ano de 2014 está repleto de datas “cheias”, assim chamadas aquelas que marcam eventos importantes fechando décadas do acontecido. É mera curiosidade, mas algumas dessas datas são importantes.

    Há 10 anos surgia o Facebook, rede social que modificou o comportamento de uma geração inteira (e continua modificando). Há 20 anos morria Antônio Carlos Jobim, um dos maiores compositores da nossa música, ano em que o Brasil elegeu Fernando Henrique Cardoso para seu primeiro mandato. Também há 20 anos Nelson Mandela chegava à presidência da África do Sul.

    Há 30 anos, o Brasil foi sacudido pela campanha das “Diretas Já”, que teve também repercussão significativa em Santa Rosa. O movimento trazia novos ares para a política brasileira, fazendo o Brasil respirar novamente.

    A propósito, também lembramos neste ano os 50 anos do golpe de 1964, que uniu militares e civis com propósitos autoritários, e mergulhou o Brasil num período de 20 anos de apatia e silêncio constrangedor.

    Há 40 anos acontecia em Portugal a Revolução dos Cravos, que encerrou um triste período da história portuguesa e devolveu o país à modernidade.

    Há 100 anos acontecia a 1ª Guerra Mundial, de triste lembrança, o primeiro conflito com uso de armas arrasadoras, como morteiros, granadas e metralhadoras. Mas, em compensação, também há 100 anos surgia o personagem Carlitos, imortal personagem do cinema criado por Charles Chaplin e que ainda hoje nos diverte e nos faz pensar.

    Por fim, vale lembrar que há 60 anos morria Getúlio Vargas, cuja influência política permanece até nossos dias.

    E assim é que o tempo passa...

    ***

    A Copa do Mundo de 1950 deixou dois legados importantes para o Brasil. O primeiro foi o Maracanã (espécie de cartão postal mundialmente conhecido). O segundo foi a imagem de “país do futebol”.

    Em qualquer lugar do planeta a Suíça lembra relógios, a Alemanha lembra chope, a Austrália lembra cangurus e o Brasil lembra futebol. É a nossa marca.

    O Brasil está preparado para a Copa?

    É claro que está. Tanto é verdade que alguns tentam atrapalhar. Se não estivesse, não precisariam fazer campanha contra, certo? Ou seja, teremos uma Copa em que alguns brasileiros tentarão avacalhar o evento de caráter mundial. É quase inacreditável, mas é assim que funciona. Tem gente esperando ansiosamente por um fracasso da Copa, ou alguma tragédia.

    Para se ter uma ideia, a Copa nem começou e o turismo no Brasil já cresceu 5,6%, e neste ano de 2014 chegaremos a 10 milhões de visitantes (500 mil só durante a Copa). Poderíamos ser mais fortes no setor, é claro, mas isso é papo para outra oportunidade.

    Do dinheiro investido na Copa, 30% foi para estádios (principal reclamação), e os restantes 70% estão sendo carreados para infraestrutura, serviços e até formação de mão de obra. Os estádios são caros? Só para comparar, o que já foi investido em aeroportos supera o valor dos estádios. Os gastos com mobilidade urbana se igualam aos dos estádios. Alguém comenta isso? Ou fazem questão de esconder?

    O Brasil realizou a Copa de 1950 sem problemas. Realizou a Copa das Confederações no ano passado. Há pouco realizou a Jornada Mundial da Juventude. E realizará a Olimpíada em 2016. A Copa, não há dúvida, será um grande espetáculo.

    O que temos visto por aqui é a síndrome do “coitadismo” brasileiro. Aquela conversa de que, no Brasil, nada é bem feito. Acho que essas pessoas estão equivocadas. Veremos...