• sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014 16:59

    Outros protestos

    Os protestos também produzem ideias criativas. Estudantes de várias capitais brasileiras estão fazendo movimento para protestar contra fatos que não estão na pauta da imprensa. São protestos lúdicos e bem humorados. Veja.
    O mais criativo envolve o boicote aos preços praticados em bares e restaurantes (se você viaja como turista sabe o que é essa exploração).
    Um dos movimentos afirma que a moeda brasileira deveria chamar-se “$urreal”, parodiando o nosso real. E citam o exemplo de um fichário escolar vendido a R$ 200 e uma jarra de suco de frutas a R$ 52.
    Muito bem. Você pode dizer que o dono do bar ou restaurante pode fixar o preço sem perguntar a ninguém. Mas, em contrapartida, nada impede que preços extorsivos sejam publicados na internet, por exemplo, produzindo um movimento de indignação dos consumidores.
    Outro movimento é o “isoporzinho”. Como os preços de lanches e bebidas nas praias estão pela hora da morte, os participantes incentivam as pessoas a levarem seu isopor e consumir a preços bem baixos. É comum cobrarem R$ 10 por uma latinha de cerveja em nossas praias. E os vendedores não são considerados assaltantes!
    Os participantes fotografam vitrines e divulgam nas redes sociais os preços abusivos. Um exemplo é uma embalagem de batatas fritas cujo preço “normal” é de R$ 6,00 e foi encontrada numa loja de conveniência de um posto de gasolina por R$ 16,85. A divulgação (ou protesto) tem a mensagem bem simples: “não pague e avise seus amigos”.
    Pensando bem, algo assim poderia acontecer na cidade, você não acha?

    Fevereiro é o mês em que os bancos brasileiros divulgam seus balanços. É de praxe, e segue o que determina a lei.
    Mas nós, brasileiros, sempre ficamos chocados com o que vemos. Não há como evitar um sentimento de impotência diante do que é divulgado. No Brasil, banco não é negócio. É mamata. É ganhar dinheiro fácil, aos borbotões.
    Veja só que espantoso. O lucro dos 4 maiores bancos brasileiros, em 2013, é maior do que o PIB de 83 países! É isso mesmo. Muitos países, em diversos continentes, não produzem riqueza equivalente aos lucros dos bancos brasileiros.
    Estamos falando de lucros líquidos, isto é, já descontadas todas as despesas e investimentos. É lucro limpo. Cálculos superficiais dão conta de que a soma dos lucros dos banqueiros, em 2013, se aproxima de R$ 100 bilhões. Isso equivale a 3 orçamentos do Bolsa Família, e poderia pagar 3 Copas do Mundo de futebol.


    Analisando sob a ótica macroeconômica, isso significa transferência de valores monetários da população para os banqueiros. Em outras palavras: a poupança das empresas e dos cidadãos se desloca para o patrimônio dos bancos.
    É um gigantesco e brutal deslocamento de riqueza da atividade produtiva para a rede especulativa. Estamos mais próximos do cassino do que da fábrica. E isso não é nada bom.


    Você sabia? Imagine que você tenha depositado numa poupança o valor de R$ 1.000,00 em fevereiro de 2004 (dez anos atrás). Hoje você estaria com a importância de R$ 2.066,15.
    Em contrapartida, se você tomou por empréstimo o saldo de seu cheque especial, também de R$ 1.000,00, sua dívida, dez anos depois, estaria em R$ 50.195.041,03 (utilizei a taxa de um dos bancos que atuam na praça). Além disso, já teria pago uma pequena fortuna em tarifas.
    Dá para entender os lucros?

  • sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014 17:18

    Assuntos desagradáveis

    Os chamados “pesque-pagues” surgiram com força na região como fonte de renda alternativa para os produtores rurais. Muitos se consolidaram, e o dinheiro gerado vem sustentando muitas famílias. Além disso, são incontáveis as pessoas que frequentam os locais para diversão e alimentação.

    Pois agora a vigilância sanitária decidiu atacá-los de forma impiedosa. Proibiram a limpeza dos peixes no local. Isso implica em dizer que nem os clientes (pescadores) poderão comer o peixe frito, um prazer inigualável.

    O frequentador deve levar o peixe para casa, limpá-lo e jogar o lixo sabe-se lá onde...

    E o que é pior. Mesmo com a intenção dos proprietários de realizar obras de engenharia mais adequadas, a proibição foi mantida pelo simples fato de que “não há norma a respeito”. Proíbe-se, e pronto!

    ***

    Outras vítimas dessa miopia sanitária são os pequenos açougues.

    Recebi a informação de que um açougueiro foi alvo de uma gentil visita da inspetoria, com a seguinte proposta: R$ 280,00 para passar veneno no local, mais R$ 600,00 para a inspeção, e mais R$ 100,00 por mês para a visita (obrigatória). Além disso, deveria o açougueiro providenciar a alteração de seu contrato social (algo em torno de R$ 800,00), e efetuar diversas modificações físicas no estabelecimento. E tem mais: a aplicação do produto químico somente pode ser feita por uma empresa cadastrada na prefeitura. A única, diga-se de passagem!

    ***

    Tem também a história de uma manicure que recebeu a visita da vigilância, que não gostou do aparelho esterilizador por ela utilizado. Sem qualquer explicação razoável, o aparelho foi considerado ultrapassado.

    A profissional recebeu a orientação de comprar outro equipamento, de uma empresa cadastrada na prefeitura. Também é a única empresa da cidade que vende a máquina, veja só que coincidência.

    ***

    O que está acontecendo?

    Será que teremos que vigiar a vigilância?

    ***

    Deixando de lado assunto tão indigesto, falemos de outro, porém pouco cheiroso. Veja só a curiosidade.

    A produção de excremento humano (isto mesmo, cocô) é, em média, de 250 gramas por pessoa/dia. E o consumo de água é de 150 litros por pessoa, dos quais 30% são utilizados no vaso sanitário.

    Uma cidade como Santa Rosa, por exemplo, seguindo o raciocínio das médias acima, produz diariamente 17,5 toneladas de cocô humano, e consome 3,15 milhões de litros de água para limpeza de seus vasos sanitários.

    Um vaso sanitário pode consumir de 10 a 14 litros de água toda vez que você acionar a válvula. Existe orientação dos órgãos técnicos para que as pessoas substituam os vasos antigos, pois estes levam mais tempo de acionamento e consomem mais água.

    Assim, fica a sugestão sócio-higiênico-profilática. Revise o seu vaso sanitário antes que a vigilância apareça por lá e você tenha que fazer suas necessidades lá no jardim, atrás do pé de costela-de-adão...

  • sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014 14:40

    10, 20, 30, 40...

    Este ano de 2014 está repleto de datas “cheias”, assim chamadas aquelas que marcam eventos importantes fechando décadas do acontecido. É mera curiosidade, mas algumas dessas datas são importantes.

    Há 10 anos surgia o Facebook, rede social que modificou o comportamento de uma geração inteira (e continua modificando). Há 20 anos morria Antônio Carlos Jobim, um dos maiores compositores da nossa música, ano em que o Brasil elegeu Fernando Henrique Cardoso para seu primeiro mandato. Também há 20 anos Nelson Mandela chegava à presidência da África do Sul.

    Há 30 anos, o Brasil foi sacudido pela campanha das “Diretas Já”, que teve também repercussão significativa em Santa Rosa. O movimento trazia novos ares para a política brasileira, fazendo o Brasil respirar novamente.

    A propósito, também lembramos neste ano os 50 anos do golpe de 1964, que uniu militares e civis com propósitos autoritários, e mergulhou o Brasil num período de 20 anos de apatia e silêncio constrangedor.

    Há 40 anos acontecia em Portugal a Revolução dos Cravos, que encerrou um triste período da história portuguesa e devolveu o país à modernidade.

    Há 100 anos acontecia a 1ª Guerra Mundial, de triste lembrança, o primeiro conflito com uso de armas arrasadoras, como morteiros, granadas e metralhadoras. Mas, em compensação, também há 100 anos surgia o personagem Carlitos, imortal personagem do cinema criado por Charles Chaplin e que ainda hoje nos diverte e nos faz pensar.

    Por fim, vale lembrar que há 60 anos morria Getúlio Vargas, cuja influência política permanece até nossos dias.

    E assim é que o tempo passa...

    ***

    A Copa do Mundo de 1950 deixou dois legados importantes para o Brasil. O primeiro foi o Maracanã (espécie de cartão postal mundialmente conhecido). O segundo foi a imagem de “país do futebol”.

    Em qualquer lugar do planeta a Suíça lembra relógios, a Alemanha lembra chope, a Austrália lembra cangurus e o Brasil lembra futebol. É a nossa marca.

    O Brasil está preparado para a Copa?

    É claro que está. Tanto é verdade que alguns tentam atrapalhar. Se não estivesse, não precisariam fazer campanha contra, certo? Ou seja, teremos uma Copa em que alguns brasileiros tentarão avacalhar o evento de caráter mundial. É quase inacreditável, mas é assim que funciona. Tem gente esperando ansiosamente por um fracasso da Copa, ou alguma tragédia.

    Para se ter uma ideia, a Copa nem começou e o turismo no Brasil já cresceu 5,6%, e neste ano de 2014 chegaremos a 10 milhões de visitantes (500 mil só durante a Copa). Poderíamos ser mais fortes no setor, é claro, mas isso é papo para outra oportunidade.

    Do dinheiro investido na Copa, 30% foi para estádios (principal reclamação), e os restantes 70% estão sendo carreados para infraestrutura, serviços e até formação de mão de obra. Os estádios são caros? Só para comparar, o que já foi investido em aeroportos supera o valor dos estádios. Os gastos com mobilidade urbana se igualam aos dos estádios. Alguém comenta isso? Ou fazem questão de esconder?

    O Brasil realizou a Copa de 1950 sem problemas. Realizou a Copa das Confederações no ano passado. Há pouco realizou a Jornada Mundial da Juventude. E realizará a Olimpíada em 2016. A Copa, não há dúvida, será um grande espetáculo.

    O que temos visto por aqui é a síndrome do “coitadismo” brasileiro. Aquela conversa de que, no Brasil, nada é bem feito. Acho que essas pessoas estão equivocadas. Veremos...

  • sexta-feira, 31 de janeiro de 2014 15:46

    Do verão e outras verdades

    Entrou em vigor na última terça-feira a Lei 12.846/2013, que pode ser bem efetiva no combate à corrupção. A lei surgiu por pressão das manifestações públicas no ano passado. A novidade é que a lei pune criminalmente as empresas que subornarem agentes públicos ou fraudarem licitações.

    Até agora, a ação penal atingia apenas pessoas físicas (os funcionários). Com a nova lei, pode haver multas de até R$ 60 milhões, e, no caso de reincidência, o fechamento da empresa.

    Repare que usei a palavra “pode” para lembrar que temos muitas leis. O que falta é a vigilância efetiva para que a malandragem (de colarinho branco ou não) seja efetivamente alcançada pela mão da Justiça.

    Nós sempre ouvimos falar em servidores corruptos, mas nunca vimos a condenação dos corruptores. Porém, é lógico que um não existe sem o outro.

     

    Você já ouviu falar na Associação Brasileira da Saúde Coletiva (Abrasco)? Ela é a responsável por um documento conhecido mundialmente, resultado de intensas pesquisas, chamado “Dossiê Abrasco”, que trata da contaminação dos agrotóxicos no país. A nova edição do dossiê pode ser baixada na internet.

    Algumas informações são preocupantes.

    Foi a Abrasco que revelou, em 2012, a existência de resíduos de agrotóxicos no leite materno em diversos municípios do Mato Grosso, especialmente na cidade de Lucas do Rio Verde.

    Esses resíduos tóxicos também foram encontrados na urina de professores de áreas rurais, em minhocas, na água consumida pela população, em anfíbios, e até na água da chuva! Naquela cidade, em 2006, ocorreu o fenômeno conhecido como “chuva de agrotóxicos”, que destruiu hortaliças e ocasionou um surto de intoxicações.

    Pois o longo relatório esmiúça dados bioquímicos que não nos cabe comentar aqui neste reduzido espaço.

    O que ele tenta é modificar políticas e conscientizar-nos sobre uma verdade: a finalidade de todo agrotóxico é matar determinados seres vivos “incômodos” para a agricultura. Sua essência, portanto, é uma só: é tóxica, é biocida.

    No Brasil, o consumo de agrotóxicos é tão grande que, dividido o volume pela população, temos 5,8 litros por pessoa/ano. Na Argentina, chega a 10 litros por pessoa.

    Aliás, é bom lembrar que os agrotóxicos surgiram durantes as duas grandes guerras para matar seres humanos. Com o término das guerras, eles passaram a ser usados com outras finalidades.

    Mas, no fundo, eu suspeito que continuam matando gente...

     

    O Verão Mágico é uma promoção muito legal, que agita as noites no centro da cidade. E não é só esporte. É passeio, paquera, encontro de amigos.

    As competições transformam o Parcão num enorme ponto de encontro que já está se tornando pequeno para a população da cidade.

    Observando aquela movimentação toda, ficamos nos perguntando por que ainda vemos pessoas insistirem na ideia de ocupação imobiliária da área que dá continuidade ao Parcão, logo após a travessa da Rua Coelho Neto.

    Debates já aconteceram em diversas oportunidades. Mas a prova irrefutável de que a cidade precisa daquele espaço está acontecendo neste mês de janeiro. É o Verão Mágico. Essa promoção esportiva nos revela o que querem esconder.