• quinta-feira, 12 de setembro de 2013 22:58

    Gauchadas

    Muito perto de nós, na divisa entre Paraguai e Argentina, existe uma gigantesca barragem batizada de Yacyretá. Fica

    pouco adiante de Posadas. Pois com os debates envolvendo mais duas barragens no rio Uruguai, afloraram manifestações no outro lado rio, com denúncias que desconhecíamos.

    Entre estas, estão danos ambientais, problemas de saúde pública, geração de energia ineficiente e divergências acerca das indenizações aos desalojados.

    Para eles, a experiência amarga de Yacyretá pode se repetir no rio Uruguai.

    Nas províncias argentinas atingidas pela represa Garabi-Panambi é crescente o movimento que busca a realização de um plebiscito antes do início das obras. Via de consequência, um plebiscito no lado de lá implicará também num plebiscito no lado de cá, o que pode determinar mudança nos planos envolvendo as barragens.

    Por lá, o movimento já conta com apoio de lideranças comunitárias e políticos. E, entre os pesos pesados, está o Prêmio Nobel Pérez Esquivel.

    Debates acirrados estão por vir...

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    Deu na imprensa que a Brava Linhas Aéreas interromperá seus vôos para Santa Rosa nesta sexta. A informação prestada é de que o avião estragou, e seu conserto só é possível na Europa. Não há aviões para substituição.

    Para quem recebeu concessão de vôos, a explicação é muito estranha.

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    Em tempos de Semana Farroupilha, o orgulho gaúcho anda à solta. E algumas características são só nossas, que o digam os visitantes "estrangeiros", esses parentes de Santa Catarina e Rio de Janeiro que às vezes aparecem por aqui.

    Para eles, algumas características do gaúcho são inexplicáveis.

    Esse negócio de andar com a térmica e a cuia a tiracolo, todo dia e em qualquer lugar, como se explica? O gaúcho, porém, justifica: "Chimarrão é bom pra clarear as idéias e a urina".

    O gaúcho é o único ser que adora o 20 de setembro e quase não lembra do 7 de setembro, além de saber de cor o Hino-Riograndense.

    Gaúcho acha que sabe tudo de vinho, e que a melhor cerveja do mundo é a Polar, garantindo, inclusive, que a Oktoberfest de Santa Cruz é muito melhor do que aquela de Munique, na Alemanha.

    Adora fazer um "chibo" em Rivera. Por aqui, fronteira com a Argentina, o chibo acontece em Oberá ou Posadas. As compras, às vezes, nem valem a pena, mas garantem conversa para a semana toda.

    Todo domingo faz churrasco, e a sobra vira carreteiro. É infalível. Se for inverno, depois da comida tem a "lagarteada", de preferência comendo "bergamota".

    Gaúcho é chimango ou maragato, gremista ou colorado, PT ou anti-PT. Não existe meio termo por estas bandas. Em toda família tem alguém que foi filiado ao PTB, e "íntimo do Brizola".

    Chama o pão francês de "cacetinho" e, quando se embriaga, diz que tomou um "balaço". O filho chama-se "piá" e a esposa é a "mãe". O cavalo sempre é "pingo".

    De música, conhece o Teixeirinha e entoa o "Canto Alegretense" e "Querência Amada" com lágrimas nos olhos. Quando lhe perguntam se fala espanhol, ele responde: "Hablar, no hablo. Pero sapieco um poquito". Vá entender!

  • sábado, 7 de setembro de 2013 10:04

    Brava gente brasileira

    Dom João VI, pai de Dom Pedro I, achava aquele garoto de 23 anos um tanto rebelde e desobediente. Por isso designara José Bonifácio como seu conselheiro, na esperança de que o velho político controlasse a rebeldia o jovem. Dom Pedro não descansava, trabalhava muito e metia o bedelho em todos os assuntos sociais e políticos do Brasil colonial.

    O que José Bonifácio nunca conseguiu controlar foi o apetite sexual do rapaz, que, segundo os historiadores, dormiu com centenas de mulheres, até mesmo durante o seu casamento com a Marquesa de Santos, pois é sabido que deu em cima da própria cunhada.

    A imprensa da época chegou a registrar um incidente inusitado. O futuro imperador do Brasil agarrou uma mucama, numa rua da cidade de Santos, beijando-a publicamente, sem conhecê-la e sem pedir licença. Como resposta, recebeu um violento tapa na cara. Disseram os jornais que a moça era mesmo linda, o que justificava o descontrole do príncipe.

    ***

    Pois a declaração da independência, às margens do riacho Ipiranga, também foi inusitada.

    Dom Pedro viajava do Rio Para São Paulo, numa estradinha de chão batido que hoje é a via Dutra. Eram cerca de 600 quilômetros de curvas, ribanceiras e obstáculos, percorridos a cavalo! E para complicar as coisas, além do cansaço da viagem, Dom Pedro sofreu uma crise de disenteria. Para quem não está acostumado com termos médicos, vamos traduzir. Disenteria é o que nós, aqui no sul, conhecemos por "diarréia", e também por outros termos que não convém sejam usados neste espaço de jornal.

    Mas voltemos ao que interessa. Certamente o desarranjo intestinal do jovem Dom Pedro foi provocado por comidas cruas, ou mal preparadas, consumidas durante a longa viagem.

    Numa tarde, um emissário entregou a Dom Pedro uma carta de José Bonifácio, informando que as relações com Dom João, que estava em Portugal, tinham azedado definitivamente. Dom João exigia a volta do filho à Europa, de forma nada elegante, o que aumentou a distância entre pai e filho.

    Dom Pedro acabara de cruzar o riacho Ipiranga. Cansado e com forte dor de barriga, ficou profundamente irritado ao receber as más notícias. Foi então que, de acordo com testemunhas que o acompanhavam, Dom Pedro puxou a espada e soltou o grito mais famoso da nossa história: "Independência ou morte!".

    Estava criado o Brasil independente, com o apoio entusiasmado de todos os presentes na caravana e de um incômodo desarranjo intestinal. Acredito que, após o esforço para soltar o famoso grito, Dom Pedro deve ter corrido para algum matinho próximo...

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    Bonifácio por diversas vezes já tinha advertido D. Pedro sobre a situação política da época, explicando que nada mais poderíamos esperar de Portugal. O momento era aquele, com ou sem dores de barriga.

    Pois a declaração aconteceu no momento certo. Os ideais de independência haviam se espalhado pela América a partir da independência dos EUA, e nem Espanha, nem Portugal, conseguiam conter as rebeliões em todo o continente.

    O colonialismo estava chegando ao fim. O Brasil iria experimentar a monarquia, e, só bem mais tarde, a república. Mas isso já são outros quinhentos.

  • sexta-feira, 30 de agosto de 2013 17:30

    Armadilhas da língua portuguesa

    Não passa despercebida a reação à vinda de médicos estrangeiros ao Brasil, que beira a mais ensandecida raiva.

    Os cubanos vão atuar em 700 municípios que não têm médico. Eles já atuaram em muitos países do mundo em missões humanitárias, e são mundialmente aplaudidos por isso. Se são chamados é porque são competentes, certo? Muitos estudantes brasileiros cursam medicina em Cuba. Aliás, estudantes do mundo inteiro estudam lá. Até Santa Rosa já contou com a ajuda deles, lembra?

    A raivosa reação vem de um profundo preconceito. Médicos cubanos são pobres. Na maioria são negros. E têm princípios humanitários muito fortes. O preconceito está evidente.

    E, em meio a tanta raiva e manifestações racistas, fica uma pergunta que ninguém quer responder. O que pensa disso a população desassistida de 700 municípios do interior do Brasil?

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    É tão comum que muitas vezes nem percebemos. Falando ou escrevendo cometemos erros ora insignificantes, ora gritantes. São armadilhas da linguagem, que encontramos no rádio ou no jornal. E em alguma delas sempre caímos. Na conversa de esquina, então, nem se fala.

    Dias atrás um conhecido músico dizia, numa rádio local, que tinha muitos "projetos para o futuro". Certamente, ele não faria projetos para o passado, certo?

    E na semana passada, com toda aquela chuvarada, alguém deve ter encontrado "goteiras no teto" da casa. Encontraria no assoalho, por acaso?

    E quando tem algum assunto a resolver, você vai até a "Prefeitura Municipal"? Saiba que o municipal está sobrando. Não existe prefeitura estadual. Também é redundante falar em "erário público", porque a palavra erário significa "tesouro público". Simples, simples.

    No desfile da Semana da Pátria você verá um destacamento militar comandado por um "General do Exército"? Saiba que general é sempre do exército. Não existe general na Marinha ou na Aeronáutica.

    E o jornal esportivo informa que o Dunga, técnico do Internacional, vai "manter o mesmo time" para o jogo do domingo. Ele poderia manter outro time? Impossível!

    "Um sorriso nos lábios" também é redundância. A minha clavícula, por exemplo, nunca sorriu. "Ganhar grátis" é outra. "A viúva do falecido", então, nem precisa comentários.

    Veja mais algumas: "habitat natural" (todo habitat é natural). "Pequenos detalhes" (se são detalhes, são pequenos). "Elo de ligação" (elo significa ligação). "Monopólio exclusivo" (monopólio é sempre exclusivo). "Baseado em fatos reais" (todo fato é real). Ambos os dois. Conclusão final. Encarar de frente.

    Cair nessas armadilhas não é nenhum crime, nenhum desastre. Mas deixam a frase doendo no ouvido. Só isso. A melhor delas, envolve o Joãozinho, é claro. Na aula de História, ele explicou à professora:

    "Tiradentes morreu porque decapitaram a cabeça dele, profe!".

    "Joãozinho, se decapitaram é porque foi a cabeça. Não poderiam decapitar o pé do Tiradentes, certo? Você tem mais alguma coisa a dizer a respeito?"

    "Pô, professora! Decapitaram o cara e a senhora ainda quer mais detalhes!? Que coisa mais sinistra!"

  • sexta-feira, 23 de agosto de 2013 10:15

    Perigo à vista, de novo

    A Câmara de Vereadores realiza hoje, às 19 horas, audiência pública para debater o projeto de lei de doação de parte da área verde que dá continuidade ao Parcão. O projeto de lei nº 57 foi encaminhado pelo Prefeito, que deseja doar 850m² à União, para construção de uma nova sede para a Receita Federal.

    A desconfiança geral é que se trata de estratégia de fatiamento da área. Hoje doa-se um pedaço, amanhã outro, mais tarde vende-se outro pedaço. E assim, de fatia em fatia, a cidade perde uma área fundamental para seu futuro.

    Quem se debruça sobre a questão, chegará a uma conclusão inevitável: não há bom senso no projeto. Primeiramente porque, se você imaginar Santa Rosa dentro de 20 anos, é evidente que aquela área fará muita falta. Corremos o risco de, em breve, chorar sobre o leite derramado (para usar um ditado bem popular).

    Não há bom senso também porque a União não precisa de doações do Município. O mais lógico seria justamente o contrário. A União já possui áreas na cidade. Algumas, muito bem localizadas.

    Temos que lembrar, ainda, o último domingo no Parcão. Uma multidão estava lá, curtindo o sol, convivendo, aproveitando o espaço público para encontro e diversão.

    Imagine a mesma situação no prazo de 10, 20 anos! Não sabemos o que fazer com aquela área? Será que somos tão pequenos, tão sem imaginação?

    ***

    A área que pretendem doar é a mais central da cidade. Se observarmos a expansão urbana da última década, aquela área é, hoje, mais central do que o prédio dos Correios, por exemplo. É o coração da cidade!

    Significa dizer que o planejamento urbano foi para o espaço. Uma cidade em rápido crescimento, e sem o menor planejamento urbanístico, é isso o que temos, lamentavelmente.

    Também lembremos que a área foi comprada com dinheiro do município, e custou caro. Aliás, com o nosso dinheiro. E agora, incrivelmente, querem doá-la! Isso não é meio vexatório?

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    O executivo municipal encaminhou o projeto em regime de urgência, e será votado já na próxima segunda-feira. Regime de urgência para doação de área? Eu nunca tinha visto isso no processo legislativo.

    Tamanha pressa, com todo o respeito, dá margem a inúmeras suspeitas, a inúmeras desconfianças.

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    A Feira do Livro foi mesmo belíssima. Só o alarido da criançada na praça já justificaria o evento. A venda foi excelente. Havia um clima de festa no ar. Por isso, não tenho dúvidas, quem lá compareceu saiu um pouco mais feliz. Uma criança que convive com livros será um adulto diferente, melhorado.

    Mas uma feira desse porte envolve muita gente, que merece aplausos. Desde a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, passando pela ASES e pelo patrono Clairto Martin, até as professoras de inúmeras escolas que para lá levaram seus alunos.

    O esforço valeu a pena. A feira está madura, melhorando a cada ano.

    Finalmente, se posso deixar uma sugestão, no próximo ano devemos ter estande de livros para o público adulto, pois lamentavelmente temos uma crença de que apenas jovens devem ler. Adultos abandonam a leitura, de forma inexplicável. Mas é inegável que eles também precisam dos livros. E como!