• sexta-feira, 16 de agosto de 2013 17:06

    Coisas da cidade

    Pois é. Depois não sabem porque a classe política anda tão desacreditada e alvo preferido das manifestações públicas país afora.

    Por aqui a situação não é diferente. Nossos políticos, pelo que estamos vendo, são muito parecidos com os do resto do país. A cidade, atônita, soube esta semana que a área verde que dá continuidade ao Parcão está outra ver na berlinda. Pouco tempo atrás falou-se em venda pura e simples. Agora querem doar parte da área para a Receita Federal (quase 850 m²). É o projeto de lei nº 57, de iniciativa do governo municipal. É de espantar.

    E cabe perguntar: doação para a Receita Federal? A União precisa de doações? Ninguém por aqui tem imaginação alguma sobre o destino daquela área? Que falta de planejamento, que falta de perspectiva, que falta de visão de futuro!

    Isso sem falar na indiferença com o pensamento e a vontade da população da cidade. Pensando bem, "indiferença" é uma palavra muito leve. O que está havendo é desconsideração mesmo.

    Senhores, não reclamem das manifestações que virão por aí...

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    O mau tempo prejudicou a ExpoCruzeiro mais uma vez. Já virou rotina. Acho que se os organizadores agendarem a feira para o dia 25 de dezembro, vamos ter neve em Santa Rosa no Natal pela primeira vez. Ou, pelo menos, em Cruzeiro com certeza.

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    Hoje tem baile, na AABB, comemorando os 35 anos da subseção da OAB em Santa Rosa. Tudo começou com o Cláudio Piovesan Camargo, que também participou de momentos importantes da cidade. Foi dele, por exemplo, a ideia de padronização dos passeios nas ruas da cidade, o que melhorou muito o visual urbano de Santa Rosa.

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    E a Feira do Livro está em andamento. Nem vou retomar aquela velha discussão sobre o nível de leitura do povo brasileiro. Mas sem perder de vista a questão, vi esta semana um estudo da Universidade de Harvard, aquela lá dos gringos, acerca das características dos bons estudantes. Psicólogos e pedagogos conseguiram definir 5 características que diferenciam os estudantes bem sucedidos de seus colegas. Muito interessante.

    Primeira característica: os alunos eficientes driblam a bagunça da sala de aula. Isto é, conseguem concentração e foco, a despeito da baderna reinante à sua volta.

    Segunda: aprendem a aprender. Os bons alunos criam método próprio de estudo, que envolve disciplina e discernimento sobre o que é realmente importante na matéria em estudo. Lêem muito e de forma direcionada.

    Terceira: dominam a internet. É isso mesmo, a internet como fonte de conhecimento já supera há muito as velhas enciclopédias. Saber utilizar a rede mundial de computadores é uma habilidade altamente proveitosa.

    Quarta: planejam o futuro. Eles têm perspectiva, projetos, planos. O estudo é visto como elemento vital da formação do cidadão, do ser humano, de um futuro.

    Quinta: são motivados pela família. Esta última característica comprova que o aluno excelente tem atrás de si uma família que provoca, estimula, desafia e aplaude.

    Disso, nós já sabíamos, não é?

  • sábado, 10 de agosto de 2013 00:25

    Guerra subterrânea

    Por trás do bate-boca envolvendo a quantidade de médicos no país, há uma guerra surda, que poucos percebem.

    A rede de planos privados de saúde cresceu ao longo dos anos em razão das carências do SUS. Essas empresas, que possuem milhões de clientes, têm faturamentos gigantescos. As maiores são a Bradesco Saúde, a Amil, a Unimed, a Intermédica, a Sul América e a Golden Cross. Ninguém sabe ao certo quantos médicos dependem dessas empresas para sua subsistência. Possivelmente, centenas de milhares.

    Pois a histeria contra a contratação de novos médicos, o que inclui estrangeiros, tem muito a ver com essa realidade. Se as mudanças no SUS alcançarem bons resultados, é evidente que essas redes privadas sofrerão impacto financeiro. Nenhuma delas (e muitos médicos a elas vinculados) está minimamente interessada na melhoria do sistema de saúde público.

    Saúde é um negócio, dizem. Aliás, o certo é dizer "doença é negócio".

    Uma eficiente rede pública do SUS será um banho de água fria no ótimo (espetacular!) negócio que são os planos privados. Olhando sob esta perspectiva, dá para entender a artilharia que está sendo direcionada contra as mudanças no sistema público de saúde.

    Muita gente, de forma dissimulada, e até inventando argumentos toscos, trabalha pelo seu fracasso...

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    O Noroeste noticiou em página cheia, na última edição. Mas vale a pena salientar, como destaque positivo, repetindo a informação digna de destaque. A extrema pobreza (uma velha chaga brasileira) foi reduzida de 10,38% para 0,55% nos últimos dez anos aqui em Santa Rosa.

    Isso sim é fato para ser comemorado. Deveríamos fazer festa em praça pública.

    O índice melhorou muito em todo o país, mas particularmente em Santa Rosa já estamos com indicadores melhores do que os países do primeiro mundo. Está na hora de deixarmos de lado o nosso complexo de vira-latas, aquela história de que tudo de ruim acontece no Brasil. Isso é história do passado.

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    Também a renda "per capita" na cidade cresceu 100% nos últimos vinte anos. Isso não é brincadeira. Não é sem razão que, em consequência disso, a expectativa de vida também tenha crescido muito.

    O complicador (bom complicador, entenda-se) é que, quando o padrão econômico melhora, as demandas se multiplicam. Com renda mais elevada, a população quer casa própria, automóvel, celular, computador pessoal, rede de banda larga, asfalto, e por aí vai. A pressão sobre a administração pública aumenta.

    O inchaço do trânsito local, com automóveis se multiplicando a olhos vistos, é a prova incontestável do que estamos falando.

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    A Câmara de Vereadores lotou na última segunda-feira para a homenagem ao Paulo Madeira. O mais novo "Cidadão Santa-rosense" não cabia em si com tanta alegria. E, para arrematar, lá na casa da etnia italiana, uma roda de samba. Afinal, uma homenagem ao Madeira sem samba seria inconcebível...

  • sexta-feira, 2 de agosto de 2013 16:51

    Cachaça

    Não dá para concordar com aqueles que reclamam de gastos públicos com a Jornada Mundial da Juventude. Sem entrar

    no terreno movediço da fé religiosa, é importante lembrar que a JMJ foi um evento grandioso. Só na noite de sábado reuniu 3 milhões de pessoas. Algo quase inacreditável.

    Ora, um evento (religioso ou não) que reúna grande número de pessoas exige a presença do Estado, fornecendo segurança, cuidando da mobilidade, da saúde, entre outras coisas. Omitir-se, sim, seria uma irresponsabilidade.

    O evento foi visto no mundo todo. 157 países estavam representados. Segundo pesquisas, 70% dos visitantes querem voltar ao Brasil em passeios futuros. O dinheiro deixado pelos turistas beira 2 bilhões de dólares!

    Só esses números mostram que devemos nos orgulhar do que aconteceu na última semana. Quanto à tua fé, isso é outra conversa. Bem mais complicada...

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    O tema sugere uma reflexão sobre o Estado laico brasileiro. Laico significa "não religioso", secular (ou seja, não eclesiástico).

    Já ouvi muita conversa fiada a respeito. Lembra da discussão sobre símbolos religiosos em prédios públicos? Pois bem. Não se trata de negativa pública ao direito de escolha da sua fé. A ausência destes símbolos em prédios públicos significa o respeito a todas as religiões (e não apenas àquela lá representada), e também respeito àqueles que não professam qualquer religião. Com isso, estamos dizendo que o Estado respeita a todos os cidadãos. Isso é um Estado laico.

    E por falar nisso, a Câmara de Vereadores de Santa Rosa continua abrindo suas sessões semanais invocando a "proteção de Deus".

    Não está na hora de eliminar essa frase?

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    Em Ijuí, esta semana, houve protesto de pescadores que pedem a liberação da pesca do dourado e do surubi. Os apreciadores da pesca, seja no Uruguai ou nos seus afluentes, há muito vem fazendo esta reivindicação. Segundo eles, os rios estão cheios destas duas espécies de peixes, o que permitiria a liberação.

    Salientam que a proibição vem de longa data, e só ocorre no lado brasileiro do rio Uruguai. No lado argentino, tudo está liberado. Uma contradição em si. Diante dessa constatação, posso desconfiar que os peixes estão circulando somente para o lado brasileiro do rio. No lado argentino a coisa está perigosa para eles... Brincadeira à parte, cabe a manifestação das autoridades trazendo a público as razões (que imagino existirem) para que a proibição persista. Há, ainda, o risco de extinção dessas espécies nos rios da região?

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    Pois na quarta-feira, em Três Passos, a Polícia Federal apreendeu uma carga enorme de cachaça cujo destino era (adivinhe!) Santa Rosa! Uma caminhão repleto de garrafas da água que passarinho não bebe, sem selo de fiscalização da vigilância sanitária e sem origem definida. Além de problemas fiscais, problemas para a saúde dos consumidores. E surge a suspeita de que, por aqui, pode haver muita cachaça falsificada. Aliás, o consumo da "mardita" em Santa Rosa é impressionante, apesar de todas as advertências quanto à saúde de seus consumidores.

    Por via das dúvidas, quando você visitar o bolicho da esquina, peça ao bolicheiro: "Aquela que matou o guarda, mas só se tiver o selo de qualidade!"

  • sexta-feira, 26 de julho de 2013 15:04

    Frio

    Na Câmara de Vereadores de Porto Alegre o protesto realizado por um grupo de pelados chamou mais atenção do que as reivindicações que envolviam o transporte urbano da capital gaúcha. Esse recurso já foi utilizado em outras ocasiões, em muitos lugares do mundo. Alguém sem roupas sempre chama a atenção, é claro.

    Pois em meio àquela situação inusitada, duas mulheres observavam o movimento todo, fazendo considerações. Uma delas comentou:

    "Olha só aquele sujeito pelado e com capuz cobrindo cabeça. Ele não quer ser reconhecido..."

    E a outra, uma "experimentada" frequentadora da casa legislativa, respondeu:

    "Também não sei quem ele é. Mas posso te garantir, não é servidor da Câmara. E nem vereador..."

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    Outro comentário, desta vez partindo de um dos manifestantes ao observar o pinto do colega pelado ao seu lado:

    "Tem uma torre na Itália que é desse jeito, não é?"

    ***

    Vivemos uma semana com temperaturas abaixo de zero em alguns momentos do dia. E o frio, evidentemente, faz as pessoas se recolherem, e encolherem sob pesadas roupas.

    Contam, na cidade, que as lojas de ferragens estão vendendo muito alicate para os homens santa-rosenses.

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    Estou desconfiado que a água que sai da torneira da minha casa está vindo diretamente do Alasca.

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    O inverno provoca uma espécie de ufanismo no gaúcho. Sofremos uma barbaridade, mas não escondemos o nosso orgulho. É como se, no inverno, definitivamente nos afastássemos do resto do país. "O inverno chegou". Adotamos uma espécie de ritualística para a chegada das frentes frias da Patagônia. Aparecem os ponchos, os casacos, as boinas.

    E se estiver por perto um visitante de outra região brasileira, aí, sim, é a glória. Insistimos em perguntar o que ele (o visitante) está achando do frio. Se ele responder que está muito assustado, o gaúcho quase tem um orgasmo.

    E o visitante é obrigado a ouvir nossos causos. Aquele inverno com geada preta, que consumiu as lavouras. E as tempestades! E os animais que morreram de frio! E o vento minuano que corta a nossa pele!

    Em síntese, queremos dizer que somos diferentes. Somos capazes de resistir a tão brutal manifestação na natureza. Só mesmo o gaúcho!... Veja como somos fortes, como somos bravos, como suportamos as adversidades.

    É uma espécie de mito que nós alimentamos com muito carinho, mesmo sabendo que em muitos locais do Paraná e de Santa Catarina as temperaturas são ainda mais baixas. Mas nem vamos falar disso. O frio faz parte da nossa cultura (mesmo que a gente quase derreta no verão). Nos orgulhamos disso, desse nosso bairrismo invernal. E curtimos o frio como nem o europeu consegue fazer: com cachaça e chimarrão...