• sábado, 4 de fevereiro de 2017 10:57

    O medo do que é estranho

    Dias atrás, almoçando num restaurante a quilo de Santa Rosa vivenciei uma situação interessante. Na mesa à minha esquerda uma família conversava em alemão. À minha direita, outra família falava espanhol. Na minha mesa, óbvio, usávamos o português.
    Já vivi momentos semelhantes em viagens a outros países. Mas foi naquele dia, no restaurante em Santa Rosa, que percebi o quanto era fascinante a situação. Estávamos todos confortáveis, na hora do almoço, usando códigos linguísticos bem distintos, representando culturas que formam a nossa região noroeste.
    Habituados com isso, via de regra não damos valor a esse “caldo” cultural, do qual devemos nos orgulhar. Não há muitos lugares onde o convívio dessa natureza seja tão pacífico e descontraído. Uma oportunidade valiosa para expandir nossa visão sobre a diversidade, compreender as diferenças e aprender que são elas, as diferenças, que fazem o mundo melhor e mais interessante.
    Nesta semana li que o presidente Macri, da Argentina, seguindo os passos de Trump, dos EUA, também deseja criar obstáculos para a entrada de estrangeiros. Acredito que seja apenas um lance populista (algo como: “vejam como eu protejo meus patrícios”), que alimenta a xenofobia e o ódio.
    Nesses tempos de crises migratórias pelo mundo, o “portunhol” e os “dialetos” em que se transformaram as línguas europeias na região podem nos ensinar muito.

    Só pra esclarecer. “Xenofobia” é a palavra que designa o medo, aversão ou antipatia a tudo o que é estrangeiro. É o medo do desconhecido, do diferente. A desconfiança com pessoas estranhas e grupos sociais distintos do nosso (religiões, negros, muçulmanos, asiáticos, latinos etc.).
    Para os governos, é uma arma populista. Conquista a simpatia de doentes que destilam ódio irracional (vide as redes sociais, por exemplo).
    Para os indivíduos, é uma doença que a psicologia trata com métodos de terapia comportamental. É uma espécie de fobia que exige cuidados. E vai saber se não estamos todos um pouco doentes...

    Mudando de assunto. Está em gestação, na cidade, um novo “Cine Clube”. O projeto quer reunir pessoas apreciadoras para assistir e comentar filmes que marcaram a sétima arte. Aquela coisa de papo-cabeça.
    Sabemos que a história do cinema está marcada por obras notáveis e que, inexplicavelmente, desaparecem. Não estão na TV, nos circuitos comerciais das salas e nem nos canais pagos. Um bom filme é como um bom livro. É eterno. E após experimentá-lo, nunca mais somos os mesmos.
    Pelo que estou sabendo as sessões acontecerão no SESC, duas vezes por mês. Inscreva-se. É gratuito. O Luis Artur Hoffmann e o Schimo estão aceitando participações.

    Enquanto isso, o Conselho de Cultura e a Secretaria Municipal da área preparam a Feira do Livro deste ano. As reuniões preparatórias já começaram e sugestões estão sendo acolhidas. Quero dizer com isso que você também pode dar seu “pitaco” para engrandecer a feira.
    Como a cidade anda carente de eventos dessa natureza, a Feira do Livro e o informal Cine Clube são agradáveis notícias neste início de ano.

     

  • sexta-feira, 27 de janeiro de 2017 16:46

    De Trump e outras trapalhadas

    Vereadores da região chegaram a pedir autorização para participar da posse do presidente Trump, lá nos EUA. Não deu certo. Mas dizem que a resposta da assessoria norte-americana foi a seguinte:

    "Em atenção ao ofício recebido, lamentamos informar impossibilidade da visita ao nosso presidente pelos seguintes motivos:

    a) O nome do nosso presidente é "Mr. Trump" e não "Sr. Tramposo";

    b) A audiência também está impossibilitada por falta de agenda porque nosso presidente gasta quatro horas por dia só para arrumar a peruca;

    c) Em razão das novas regras de imigração do nosso Presidente, o mais próximo dos EUA que Vossas Senhorias chegarão é visitando as "Lojas Americanas";

    d) Talvez Vossas Senhorias encontrem nosso Presidente na viagem que fará futuramente à capital do Brasil, Buenos Aires".

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    Não há como fugir do assunto. A posse de Trump como o governante mais poderoso do planeta tem algo a ver com o Brasil? A resposta é "sim". O Brasil sempre foi periférico, coadjuvante da economia globalizada, parceiro comercial secundário dos EUA. Agora, com a política "patriota" do novo governante (entenda que o protecionismo voltou com força) é certo que o Brasil sairá perdendo.

    Aliás, para Trump os brasileiros se equivalem aos latinos que tentam entrar nos EUA. Esquece ele que a metade da nação norte-americana já fala espanhol e que os latinos são milhões vivendo por lá. Mas, com ele, a xenofobia e a discriminação ganham nova força. E a "grande nação", depois da posse de Trump, volta a valorizar coisas do início do século passado. Especialmente com as medidas tomadas por ele nos últimos dias, que lembram um elefante numa loja de cristais.

    Algo como se elegêssemos, no Brasil, o Bolsonaro ou o Roberto Justus.

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    Conversando com algumas pessoas, fiquei surpreso ao perceber que muitas desconhecem o muro que já existe na fronteira do México com os Estados Unidos. É o novo muro da vergonha. Ele já existe numa longa extensão e foi tema de filmes e documentários.

    Há também um humilhante muro entre Israel e a Palestina. As pessoas acham natural tudo isso, mas não lembram a vergonha que foi o muro de Berlim. Estamos vivendo uma perigosa era de atraso e retrocesso, sem dúvida.

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    Se a postura de Trump for mesmo pra valer, vamos sentir saudades do Mercosul. O protecionismo prometido por ele impede negociações bilaterais e desestimula investimentos em países como o Brasil. A mensagem é simples: "Se algo pode ser produzido nos EUA, não será comprado em outros países".

    Ou seja, parece que teremos tempos difíceis nas exportações. Talvez seja o momento para reinventar o Mercosul e os negócios na América do Sul, algo que o atual presidente do Brasil não gosta de fazer. Rejeitamos o Mercosul para agradar os EUA, e estamos levando um pé na bunda. É isso.

  • sábado, 24 de dezembro de 2016 09:35

    Sensações de fim de ano

    É sintomático. As festas do final do ano (alegres, de modo geral) são seguidas de sintomas de depressão, ou, no mínimo, de melancolia.

    Estou falando de sensações íntimas das pessoas. Alguns psicólogos explicam que o excesso de euforia sempre vem sucedido por uma dose de depressão. É o que acontece, por exemplo, na ressaca após uma dose excessiva de álcool. Nessa época do ano os sintomas são semelhantes. É final de ano, estamos sobrecarregados, não conseguimos resolver todos os nossos problemas e nem realizar todos os planos. Por tudo isso, a nossa “máquina” pode falhar, emperrar.

    Felizmente, é algo temporário. Mas a doença em si já é uma epidemia mundial. Dizem que 500 milhões de pessoas em todo o mundo têm sintomas de depressão. Está sendo chamada de “mal do século”. Tem estágios diversos, sintomas diversos e desenlaces diversos. Ela é o não-desejo, a falta de vontade interior, a anti-alegria. Todos nós já sentimos isso em algum momento.

    Soluções? Há inúmeras terapias, seja no divã do psicanalista, seja com medicação pesada. Mas você deve estar perguntando: como faço para prevenir, para não ser envolvido por isso?

    ***

    Não há consenso a respeito. Mas algumas atitudes diante da vida já são entendidas como fundamentais, capazes de trazer novos interesses e afastar os sintomas depressivos.

    Comecemos com algo bem elementar. Ouvir música e dançar nada têm a ver com remédios, não é mesmo? Pois funcionam como tal. A dança (com a música, é claro), tem a força de liberar o corpo e o espírito.

    Outras coisas simples que afastam a depressão: curtir filmes, ler livros ou simplesmente cultivar um hobby. Praticar atividades físicas e alimentar-se bem também ajudam.

    Há também os que defendem a “reconexão”. É fácil de entender. Há quanto tempo você não presta atenção no canto de um pássaro? Nas cores à sua volta? E os aromas que são tantos, em todos os lugares? Pois é. Essas coisas tão pequenas podem nos salvar. Mas, é claro, precisamos estar atentos e saber usufruir.

    Acho que estou lançando uma teoria, dentro dos meus parcos conhecimentos. A depressão é a falta de conexão com a vida, espécie de separação entre aquilo que nos faz sentir a vida e aquilo que realmente colocamos em prática. Esse “descasamento” nos faz perder objetivos e a verdadeira razão de viver.

    Isso tem relação direta com a vida contemporânea. Não temos mais tempo para reflexão, para rememorar, para compreender os acontecimentos. Somos hiperativos, vivemos um excesso de ações. Nossa alma (está bem, nosso psiquismo) precisa de tempo para elaborar e absorver tudo o que acontece. Mas a sociedade exige de nós a atividade intensa e permanente, o consumo, o individualismo, o culto ao corpo e às imagens que povoam nossa vida.

    O resultado é que vivemos num constante estado de mal-estar, que se acentua no período das festas do final do ano. Por isso, cuidado! Não perca a oportunidade de comemorar, e não perca nenhuma festa. Mas não se desconecte daquilo que o faz gostar da vida.

    ***

    Bah, acho que fiz um texto quase filosófico. Espero, pois, que sirva para alguma reflexão. Para não azedar de vez a conversa, comentários sobre os pacotes do senhores Temer e Sartori ficam para outra oportunidade. Não quero estragar o Natal de ninguém...

  • sábado, 17 de dezembro de 2016 12:11

    Aposentadoria privada é o nosso destino?

    Quando você ouviu essa conversa sobre a reforma da previdência social pensou imediatamente em um plano da previdência privada. Pois é isso mesmo que eles querem que você pense. Os planos de previdência privada são, hoje, poderosos grupos empresariais, a maioria vinculados ao sistema financeiro, e querem parte do seu dinheiro.

    Não acho que a previdência privada seja obra do demônio. Pode ser muito proveitosa, mas é preciso ter cuidado, muito cuidado.

    Planos privados têm riscos (vide o caso Varig, em que milhares de pessoas da classe média foram, subitamente, jogadas na miséria). Se o plano for à falência, você também estará quebrado, lembre-se. Os planos cobram taxas de administração e carregamento que estão entre 3% e 10% de tudo o que você paga. A rentabilidade é baixa. Não há fundo garantidor (como na poupança, por exemplo). Se você cumprir o prazo para alcançar a renda mensal que eles chamam de aposentadoria privada, tudo bem. Mas deve lembrar que, se você morrer (o que pode ocorrer a qualquer momento), todo o dinheiro guardado fica para a empresa, e não volta para a tua família.

    Ela não tem a mesma natureza na seguridade pública, pois esta tem raízes dentro da sociedade brasileira e traz como princípios a solidariedade e a segurança. Sem contar que a seguridade oficial envolve um amplo leque dos chamados “benefícios”, que vão desde um auxílio acidentário até à aposentadoria propriamente dita. Essa é a razão pela qual a previdência e a saúde oficiais, no Brasil, são mantidas por diversas fontes. Eu pago, as empresas pagam, os sorteios lotéricos pagam, a construção civil paga, e assim por diante.

    ***

    Justamente porque as fontes são diversas, a conversa de que a Previdência está quebrada precisa ser questionada.

    Aliás, vale a pena ler a cartilha publicada pela Associação Nacional dos Auditores Fiscais da RECEITA FEDERAL (Anfip), levada ao Congresso no último dia 3. Na cartilha, os fiscais analisam os números da previdência e garantem: em 2014 a Previdência teve em superávit de R$ 53 bilhões. O governo do senhor Temer diz que houve prejuízo de R$ 146 bilhões.

    Entre a opinião técnica, baseada em números, e a opinião política, baseada em interesses inconfessáveis, eu fico com a primeira.

    O governo está manipulando dados e levando à população uma farsa. Pois é esta farsa do rombo da previdência que vem sendo denunciada pelos auditores fiscais. Na página da ANFIP, na internet, existem vários documentos e vídeos a respeito.

    Na prática, a “reforma” do atual governo vai extinguir a aposentadoria. Somente terão direito a ela os altos funcionários do governo (leia-se supersalários) e os militares. Em outras palavras, a reforma castiga os pobres e mantém os privilégios já existentes.

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    Num cálculo singelo, a proposta é a seguinte: se você começar a contribuir aos 16 anos poderá se aposentar aos 65 anos. Se começar a contribuir quando terminar a faculdade, aos 24 anos, poderá se aposentar aos 74 anos de idade. Agricultores, por exemplo, que começam a trabalhar muito cedo, trabalharão 50 anos para se aposentarem. Em ambas as hipóteses, o salário será “ótimo”. O suficiente para pagar os remédios na farmácia da esquina.

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    É por essas e outras que o Brasil vem perdendo o respeito do mundo de forma célere. O mundo está se perguntando onde nós conseguimos políticos tão canalhas.

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    Rotary doa instrumentos musicais

    Integrantes do Rotary Clube de Tucunduva, doaram instrumentos musicais a alunos da Oficina Municipal de Música, mantida pela Prefeitura de Tucunduva. Os instrumentos foram entregues pelo empresário Jardel Gebauer e pelo músico e também empresário Ivar Costa. Os dois violões foram adquiridos com recursos dos próprios rotarianos que efetuaram a entrega.