• segunda-feira, 26 de junho de 2017 07:32

    Reformas

    O meio-ambiente, no Brasil, é tema a ser melhor estudado e melhor divulgado à população. Especialmente porque, como sabemos, alterações no meio ambiente têm repercussões para as gerações futuras, e não apenas para nós. Não é coisa para brincadeiras.
    Há algum tempo os ambientalistas já alertaram sobre o que vem ocorrendo, mas pouco vi a respeito na imprensa. A MP 756/2016 altera Unidades de Conservação no Pará e em Santa Catarina, fragilizando a proteção ambiental no Brasil. Em resumo, transforma grandes áreas preservadas em “áreas de proteção”, isto é, espaços que permitem legalização de terras e também atividades econômicas. É um ajuste na denominação jurídica. A Amazônia, por exemplo, está cheia de “áreas de proteção” onde o desmatamento é quase total.
    A medida, que está prestes a ser aprovada no Congresso, também permite a regularização de áreas por grileiros. Abre-se uma enorme porta para o avanço sobre a floresta amazônica. Estamos reformando uma legislação para permitir o desmatamento. Não é isso o que, atualmente, o mundo espera de nós.
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    A reforma trabalhista que tramita no Congresso, além de agredir diretamente a Constituição, é um monstrengo que vai criar mais conflitos do que trazer a paz. Ou seja, bem ao contrário do que estão preconizando.
    As regras inventadas pelo governo para terceirização e trabalho intermitente, por exemplo, são maquiavélicas. Vão gerar desgastes físicos e mentais ao trabalhador, além da redução da massa salarial no país.
    Para as empresas, uma desqualificação geral dos empregados, a redução do poder de consumo e também a desorganização interna.
    Veja bem. Experiências similares na Itália, Espanha e Chile resultaram no encolhimento do mercado interno e aumento da pobreza. A equação é de fácil entendimento. Um povo pobre resulta também num sistema empresarial empobrecido. Ou alguém acredita que teremos empresas ricas num país de gente pobre? Será esse o destino que a reforma trabalhista deseja para o Brasil?
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    Durante a Revolução Farroupilha, ficou conhecida a unidade militar integrada exclusivamente por negros escravos, que lutavam sonhando com a liberdade futura. Ficaram conhecidos como os “Lanceiros Negros”. Enquanto a paz era negociada, um dos impasses envolvia essa unidade, pois o Império não aceitava a existência de negros livres e armados.
    Em novembro de 1844, David Canabarro desarmou a unidade que estava acampada no Cerro de Porongos. Logo após, foram atacados pelas tropas imperiais, no massacre que envergonha a história gaúcha. Não há números exatos, mas foram centenas de mortos. Os sobreviventes foram levados como escravos para o Rio de Janeiro. O acordo, que eliminou os Lanceiros Negros e terminou com a revolução, foi obra de David Canabarro e Duque de Caxias.
    Estou lembrando este episódio histórico porque na semana passada ocorreu uma operação policial em Porto Alegre, destinada a desocupar um imóvel ocupado pelo movimento de sem-tetos chamado “Lanceiros Negros”. O imóvel pertence ao Estado, e a desocupação foi um desastre político e social.
    A relação entre os dois fatos é recorrente. Questões sociais por aqui ainda são tratadas como casos de polícia e com muito preconceito. Como no século 19.

     

  • sexta-feira, 16 de junho de 2017 09:15

    Economia e clima

    Estamos em plena Indumóveis, feira que vem se auto-afirmando e reafirmando a vocação da cidade para eventos que extrapolam os limites da economia regional. Aliás, como já comentamos algum tempo atrás, a feira também contribui para a consolidação de uma economia diversificada, deixando para trás um passado de monocultura (ou de “monoeconomia”), que produzia mais insegurança do que esperanças.

    Mostrando ao público o que há de novidade nas áreas do mobiliário e da construção, a Indumóveis contribui para que a economia regional se fortaleça, gerando renda e empregos. No Brasil de hoje, isso já é uma vitória.

    Um caminho desejado é a integração entre os grandes eventos da cidade (Fenasoja, Hortigranjeiros, Indumóveis, Musicanto e outros que vierem) e torná-los conhecidos do público de outras regiões. Um calendário de eventos pode auxiliar a economia e tornar definitiva a imagem de uma “cidade de eventos”.

    Vale refletir a respeito...

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    Não há como calcular, a não ser por aproximação, os prejuízos que as chuvaradas causaram na região. A começar pela circulação de pessoas e o comércio de fronteira, que foi interrompido semanas atrás, e terminando com lavouras que foram desperdiçadas.

    Qual a lição disso? Fico com a opinião de um meteorologista, que tempos atrás afirmou: “De agora em diante, devemos aprender a conviver com alterações súbitas e devastadoras do clima”. O que ele quis dizer é o seguinte: a regularidade climática é coisa do passado. Teremos de conviver com temperaturas oscilantes, chuvas inesperadas e ventos de jogar bem longe o chapéu do gaúcho.

    Longos períodos de clima estável não aparecem mais nas planilhas dos meteorologistas. O quadro mais provável (e que já vem acontecendo) são chuvas intensas e concentradas. Também viveremos situações marcadas por inundações e secas.

    Para quem trabalha no campo, de modo especial, esse quadro requer estratégias inovadoras, o que inclui até mesmo mudança no calendário de plantios. Talvez você não acredite no aquecimento global, mas essas três semanas sob chuva e céu nublado me deixaram com a pulga atrás da orelha.

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    É bom lembrar, também, que a Amazônia tem influência direta sobre o clima no Rio Grande do Sul.

    A regularidade das chuvas no Estado é resultado dos ventos que vêm da Amazônia. É o vapor de água que se forma na floresta e é carregado para o centro-sul do Brasil e norte da Argentina. O desmatamento, lá, gera instabilidades por aqui.

    Não é preciso dizer que temperaturas extremas (muito frio ou calor excessivo) são extremamente prejudiciais à produção agrícola. É esse, porém, o quadro anunciado para os anos (ou décadas) que virão.

    Não há como fugir do tema, especialmente porque a nossa indiferença com as mudanças climáticas pode ter efeitos terríveis na economia gaúcha num futuro não tão distante.

  • segunda-feira, 12 de junho de 2017 08:32

    A menina que salvava livros

    Vivemos num mundo de imagens, não é novidade para ninguém.Recebemos milhares de imagens todos os dias, e até ficamos indiferentes a muitas delas. Muitas passam em branco.
    Pois nos últimos dias duas imagens chamaram a atenção. Para muitos brasileiros, estas não passaram em branco. Por isso é importante comentá-las aqui, para nos darmos conta de como o Brasil é um país de contrastes, onde convivem realidades absolutamente distintas. Veja só.
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    Uma delas foi a imagem (filmada) do assessor de Michel Temer carregando sua mala de dinheiro (R$ 500 mil em dinheiro vivo). A imagem suscitou a indignação em todos os brasileiros com vergonha na cara, e foi apresentada pelos telejornais. O sujeito, de nome Rodrigo Rocha Loures, é uma figura importante dentro do Planalto. Foi filmado entrando e saindo do carro, na maior tranquilidade. Ficou a impressão de que, para ele, carregar aquela mala faz parte da sua rotina diária, como se fosse um office-boy indo para o trabalho. Mas aquela não era uma mala normal. Ela representava o subterrâneo da vida pública.
    Quantas destas viagens já fizeram o Sr. Rodrigo e sua mala? Quantos empresários e políticos já viram, abriram, vasculharam sua mala, à procura de propinas? Quanto tem custado, para o Brasil, o conteúdo imoral da mala e de seu dono? Talvez jamais saibamos com exatidão.
    O que sabemos, com certeza, é que essa mala nos envergonha, nos humilha, destrói nossa dignidade como nação.
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    A outra imagem foi a foto de uma menina (de nome Rivânia Rogéria de Ramos Silva), sentada sobre uma jangada, escapando da enchente que atingia a vila onde mora, no município de São José da Coroa Grande, na zona da mata de Pernambuco. Lá a enchente desabrigou mais de 40 mil pessoas. A foto circulou e apareceu nos principais jornais do país.
    A menina, em seu desespero, fugindo da fúria da natureza, levou consigo aquilo que mais preza: seus livros. A avó tinha lhe dito: “Salve o que for mais importante”. Ela não teve dúvidas. Lançou mão de uma sacola, a mesma sacola que a acompanha todos os dias até à escola, e nela colocou seus livros. Com seu vestido vermelho e de pés descalços, olhar assustado, Rivânia foi vista por milhões de pessoas.
    Na foto, ela está abraçada a uma sacola cheia de livros. Segundo testemunhas, ela ficou abraçada aos livros até chegar a um local seguro.
    Rivânia tem apenas 8 anos. Vive com os avós, que são muito pobres. Consta que já voltou para casa, cujos móveis foram destruídos pela cheia. Para a TV pernambucana, disse que sonha ser bailarina ou médica.
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    Pois todo o dinheiro, toda a astúcia, toda a canalhice do Sr. Rodrigo Rocha Loures nos humilharam demais nos últimos dias. O conteúdo da mala (apenas de uma mala, uma única mala) mudaria completamente a vida da família de Rivânia. Mas esse dinheiro nunca chegará até ela.
    Por outro lado, a coragem da menina Rivânia nos mostrou que precisamos nos manter vivos. Ela pode nos dar esperanças. Obrigado, Rivânia...

     

  • sexta-feira, 26 de maio de 2017 08:51

    Musicalidades

    Se dependesse somente dos eleitores de Santa Rosa, em 2014 o Aécio Neves teria se tornado presidente do Brasil. Na cidade, mais de 23 mil pessoas votaram nele. Hoje, esses eleitores se perguntam como foi possível votar no cara. Aonde estavam com a cabeça?

    Política tem disso. Não há santos ou heróis, ao contrário do que os ingênuos imaginam. E descobrir a verdade sobre a vida de Aécio Neves (a vida oculta, inconfessável, que veio a público na semana passada) foi um soco no estômago de muita gente.

    Felizmente, o resultado geral daquela eleição nos livrou dele. Evitou-se uma tragédia em escala nacional. Fica a lição.

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    O fim da bela história do Colégio Liminha deixou um sentimento de tristeza em muita gente. Gerações inteiras frequentaram o colégio ou conviveram com ele. É visível, nestas pessoas, o pesar e o luto, como se tivessem perdido um ente querido. Afinal, são 74 anos de educação...

    Pois o Liminha decidiu encerrar suas atividades em Santa Rosa por diversas razões. A principal delas, penso eu, é a reestruturação da entidade mantenedora, que congrega as irmãs franciscanas. Mas também há questões de economia e concorrência no mercado da educação, cujo peso não pode ser desconsiderado.

    As irmãs ficarão na história da cidade como uma lembrança afetuosa.

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    Em matéria de música, os santa-rosenses não ficam parados. Agora mesmo temos novidades para todos os gostos. Veja só.

    O Zelindo Cancian, que também é músico, resolveu reunir em CD algumas músicas de sua preferência, trazendo à tona seu lado cantor e homenageando Teixeirinha, Santino Ferreira e outros. São músicas românticas, tipo dor de cotovelo. Mas não se preocupe. Não há nada que nos faça cortar os pulsos...

    O Albino Medeiros, mestre incontestável na gaita, tem uma longa história na música da região. Pois ele acaba de lançar seu 11º CD, “Na garupa do tempo”. Mais uma vez, o disco está repleto de músicas regionais, ou seja, vaneiras, valsas e chamamés. Para os apreciadores da música regionalista, é um prato cheio.

    Enquanto isso, os santa-rosenses do grupo “Bife de Búfalo” também estão com novidade no mercado, para alegria dos apreciadores de suas músicas hilariantes. É diversão pura, sob o comando do Fernando Keiber e do Émerson Maicá.

    Aliás, os caras estão devendo um show em Santa Rosa (vivem hoje em Porto Alegre), já que há muitos amigos e fãs do grupo por aqui.

    É o quarto disco, sempre com a mesma verve humorística.

    Como são antenados com as novas tecnologias, as músicas estão disponíveis no Spotify, Amazon, Deezer, Google Play e outras plataformas. Para ouvir e dar boas risadas.