• sábado, 26 de agosto de 2017 11:03

    Gasolina

    Não é preciso repetir o que já sabemos. O preço da gasolina, nas alturas, é a nossa contribuição de cada dia para a turma do Palácio do Planalto e adjacências.

    Mas o que desejo comentar é a informação equivocada que anda circulando nas redes sociais acerca da emissão de cupom fiscal pelo posto de gasolina. A imagem distribuída dá a entender que se você pedir o cupom o posto vai pagar mais impostos, encarecendo assim o combustível.

    Pura bobagem. A comunicação do posto com a Secretaria da Fazenda do Estado é automática. Entregando ou não o cupom, o valor dos impostos será recolhido. Aquele valor que consta no rodapé do cupom representa o valor aproximado dos tributos. É isso. Não muda nada.

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    Apenas para lembrar, 47% do valor da gasolina é composto por tributos. Se você gastar, por exemplo, R$ 400,00 em combustível no mês, R$ 188,00 serão impostos.

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    Pois o adolescente procurou o pai para pedir o carro emprestado. O fim de semana se aproximava e ele tinha prometido dar umas bandas com os amigos.

    Na hora do jantar, indagou:

    — Pai, você teria coragem de me emprestar o carro neste fim de semana?

    O pai respirou fundo, lembrando que o tanque estava vazio:

    — Claro, filho. E você terá coragem de encher o tanque?

     

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    A equação é de fácil entendimento. O preço do combustível subiu, e muito. Mas, vale perguntar: algum automóvel deixou de circular? Suspeito que não. As ruas estão cheias. O carro é um fetiche, quase uma paixão. É símbolo de status, e não poucos sacrificam tudo o que têm para desfilar com seu automóvel.

    Pois bem. O governo queria aumentar a arrecadação é assumiu publicamente que fez a opção mais prática e rápida.

    Assim, de forma imediata e direta, todos os possuidores de veículos passaram a pagar mais impostos. Ao contrário do que aconteceu anteriormente, desta vez todos engoliram com amargura. Ninguém berrou.

    Talvez estejamos ficando cada vez mais parecidos com os bovinos...

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    Enquanto isso, por aqui mais uma vez foi suspenso o Musicanto. A novela já virou caso crônico de indecisão. Ora vai, ora não vai. Ora tem dinheiro, ora não tem.

    Está parecendo mesmo que a decisão é fazer o feijão-com-arroz. Falta ousadia, falta criatividade, falta vontade. Assim, a cidade se apequena. Talvez seja isso mesmo o que pretendem...

  • sábado, 19 de agosto de 2017 10:19

    Santa-rosense

    Estamos no mês de agosto, no qual também se comemora o aniversário de Santa Rosa. Vi mensagens de todo tipo, na imprensa e nas redes sociais. São 86 anos, uma cidade ainda jovem. Conheço moradores daqui que nasceram antes do município, veja só.

    Mas o que eu queria mesmo lembrar é que o gentílico é a palavra utilizada para designar o local de origem de alguém ou de alguma coisa. Quem nasce no Brasil, nada mais óbvio, é brasileiro. O gentílico comum nosso, pois, é “brasileiro”. Dizemos, corretamente, automóvel brasileiro, petróleo brasileiro, música brasileira, etc.

    Existem gentílicos curiosos. Quem nasce no Estado de São Paulo é paulista. Mas quem nasce na capital daquele Estado é paulistano. No Espírito Santo, é capixaba. No Rio Grande do Sul, gaúcho. O mais curioso continua sendo o de Salvador, na Bahia: soteropolitano. Vá entender...

    Mas, pelas mensagens que vi na última semana, as pessoas sempre tropeçam nos gentílicos compostos, talvez por um estranho medo do hífen. Pois quem nasce em Porto Alegre é porto-alegrense. Em Santo Ângelo, santo-angelense. Em Santa Maria, santa-mariense.

    Repare que em todos tem o hífen separando as palavras. Por aqui, no entanto, existe uma insistência em eliminá-lo. As pessoas escrevem “santarrosense”, inclusive em matérias jornalísticas e em anúncios de empresas. É uma forma gráfica antiga e incorreta. O acordo ortográfico manteve a forma com hífen.

    Por isso fiz um alerta tempos atrás, aqui mesmo no Noroeste. O que tem origem em Santa Rosa é “santa-rosense”. Não tenha medo do hífen. Ele não morde.

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    A CPI criada pelo Senado Federal para analisar as contas da Previdência Social só encerrará suas atividades em setembro, e pode ser prorrogada por mais tempo. Mas um relatório preliminar veio a público, e revela o que já sabíamos. A previdência social no Brasil não é deficitária.

    A CPI mostrará também que a sonegação (valores não repassados à Previdência) é gigantesca, e que a dívida (não cobrada) também é espetacular.

    Aquele blá-blá-blá de que a previdência está quebrada precisa ser repensado. Aliás, toda a Previdência social precisa ser repensada. Mas essa conversa de que tudo está quebrado serve apenas para justificar um discurso malicioso, sem qualquer análise aprofundada. Discurso que acaba escondendo as reais dificuldades do sistema previdenciário.

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    Curioso, tratando-se do novo acordo ortográfico entre os países de língua portuguesa, é o caso da palavra “Mega-Sena”, do concurso de números que embala o sonho de muita gente todas as semanas.

    Pelo acordo, a palavra “mega” só tem hífen se a palavra seguinte começar com “H” ou com vogal igual à última do sufixo. Assim, pela regrinha, deveríamos escrever sempre “megassena”.

    Você já deve estar se perguntando: por que então usamos “mega-sena”, com hífen, e até a Caixa Federal escreve desta forma?

    Acontece que o tal concurso se tornou uma marca, é um registro legal. Ninguém pode, por exemplo, criar um concurso ou um produto chamado Mega-Sena. Mal comparando, é como o nome de uma pessoa grafado erradamente pelo tabelião. Será quase impossível, portanto, que a Caixa Federal venha a alterar o nome da Mega-Sena. Vamos continuar sonhando com a grafia antiga.

  • sábado, 29 de julho de 2017 12:20

    Coisas da cidade

    Dia desses um amigo comentou a situação. Poucos dias depois, outro fez comentário semelhante. É claro que isso despertou o meu interesse. A situação, ou, no caso as circunstâncias, devem chegar até à Prefeitura, para providências.

    O asfalto no trecho entre o trevo do cemitério municipal e o crematório está se desfazendo. Virou aventura passar por lá. As crateras já estão disputando espaço. Além disso, a ponte, por seu estado precário, amedronta qualquer motorista. Vale conferir...

     

    Outro caso curioso é o da avenida Tuparendi, uma das principais vias da cidade, cuja sinalização de solo desapareceu. À noite, ou sob chuva, está perigosa. Também requer providências. Recados dados, pois.

     

    No último sábado, o show com Humberto Gessinger, um dos artistas mais completos no atual cenário cultural brasileiro, foi um belo espetáculo, com ótimo público. Vale registrar que Santa Rosa tem recebido bons eventos artísticos, inserindo-se no circuito cultural do Estado, e o público da cidade e da região tem correspondido. Isso é muito bom.

    Registre-se, porém, a reclamação de muitos que lá estavam. O espetáculo só começou quando faltavam alguns minutos para as 2 horas da madrugada. Muitos reclamaram, pois não ficara claro, nos anúncios, que o show seria àquela hora da noite. Confesso que não sei dizer se essa definição de horário foi dos promotores ou do artista. Se todos soubessem, o público certamente seria menor. Vale repensar esta questão. O cansaço foi geral.

     

    Esta semana circulou nas redes sociais um apócrifo manifesto conclamando a população para não abastecer seus veículos na última terça-feira, dia 25, como forma de protesto. O texto, de forma ingênua, dizia que assim estaríamos mudando o Brasil.

    Não é preciso dizer que nada aconteceu.

    Como todo mundo já percebeu, aquela greve de caminhoneiros em 2014 foi apenas uma grande manipulação. Certamente não será com iniciativa desse tipo que iremos mudar o Brasil. Não podemos ser ingênuos a esse ponto.

    O preço mais alto envolve apenas mais arrecadação tributária. Não tem nada a ver com a Petrobrás, com as distribuidoras ou com o dono do posto de combustível. A questão é de caráter estritamente político. Se o seu candidato diz, durante a campanha, que não tolera aumento de impostos, e depois dá sustentação a esse tipo de medida, temos de concordar num aspecto em particular. Você também é um pouco responsável por isso...

     

    O show Pratas da Casa em homenagem ao Musicanto, na última terça-feira, encheu o Centro Cívico de um clima saudosístico. Os artistas locais apresentaram músicas consagradas do festival e despertaram em muita gente o desejo de ver novamente o Musicanto em plena forma.

    Acredito que foi uma boa largada, com o entusiasmo do Nando Keiber e o apoio de todos os que lá estavam. A cidade tem diversos eventos consagrados. O que teve maior alcance, digamos, geográfico-cultural (acho que inventei a palavra nesse momento) foi o Musicanto. E é justamente o evento que busca se recuperar.

    Portanto, jamais negue o seu apoio.

  • sexta-feira, 21 de julho de 2017 14:47

    Notícias inesperadas

    Veja só. Já estamos na segunda quinzena de julho. Metade do ano se foi, e acho que não vi passar. Onde foi parar a primeira metade? Sei lá. Isso me faz lembrar uma frase do Mário Quintana, que chega a assustar: “O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede. Conheço um que já devorou três gerações da minha família”.

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    Os drones são a grande novidade tecnológica. Em algumas cidades da Europa já são utilizados para entregas domiciliares, como pizzas e pequenos objetos. Uma dor de cabeça para o varejo. Também estão sendo testados para o transporte de pessoas e até para substituição dos automóveis. Na hora do rush vai bem....

    Pois no domingo passado, na penitenciária de Charqueadas, os policiais abateram a tiros um drone que circulou sobre o prédio e se dirigia para uma das janelas. Ele transportava dois celulares, duas baterias e um pacotinho de cocaína.

    Entrega a domicílio é isso! Em termos de tecnologia a bandidagem não fica atrás de ninguém.

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    Eis uma notícia que despertou o meu interesse. Em setembro acontece em Tuparendi o “Festival de Cucas” (dia 09, na praça central). Imagina só. Considero-me um fã incondicional da cuca. Num festival, então, acho que vou me esbaldar.

    Pois descobri que há controvérsias sobre a origem da cuca. Em alemão, diz-se “kuchen”. Nos primórdios, era um bolo para datas especiais, como o Natal, porque a farinha e o açúcar eram ingredientes muito caros. Na forma como é conhecida hoje, com a sua cobertura cocrante e muito doce, ela veio mesmo da Alemanha. Aqui no Rio Grande não há qualquer questionamento. E foi muito bem-vinda!...

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    No folclore brasileiro temos uma outra “cuca”, trazida de Portugal. Estou falando do ser mitológico, caracterizado como bruxa velha e feia, que rouba as crianças. Na época da colonização essa imagem já era utilizada para assustar os pequenos.

    Bem mais tarde tornou-se personagem famosa nas histórias de Monteiro Lobato. E todos nós conhecemos a velha canção, também assustadora, usada para embalar as crianças: “Dorme, nenem, que a cuca vem pegar... Papai foi na roça, mamãe foi trabalhar...” A criança dormia, mas desconfio que com algum pesadelo...

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    No Paraná, a partir de Foz de Iguaçú, está ocorrendo uma grande mobilização em defesa da UNILA, como é conhecida a Universidade Federal de Integração Latino-Americana. Como o próprio nome diz, a universidade acolhe estudantes de diversos países da América, e também apoio financeiro desses países, e funciona quase como uma instituição multi-língua. Uma universidade inovadora, moderna.

    Pois agora um deputado do PMDB, muito afinado com os propósitos do governo de destruir a educação pública, está propondo modificação na estrutura que significará o desmantelamento da UNILA. Aliás, é fácil perceber que o ensino público universitário está sob ataque no Brasil de hoje.

    A população do Paraná está se mobilizando. Há valores que precisamos defender. Um deles é a universidade pública. Sem ela, o Brasil desce a ladeira...