• sábado, 28 de junho de 2014 10:18

    Coisas que descobrimos na Copa

    A “invasão” do Brasil durante a Copa foi algo sensacional, e teve uma característica muito particular. Veja só. São levas de argentinos, uruguaios, colombianos, chilenos, costa-riquenhos, mexicanos, equatorianos, isso sem falar dos portugueses e espanhóis.

    Toda essa multidão veio ao Brasil torcer e fazer festa e se comunica numa linguagem que nós, aqui da fronteira, conhecemos muito bem: o portunhol. Ele não é reconhecido como uma língua oficial, mas existe de fato. Acho até que nunca foi tão utilizado quanto hoje.

    O Brasil faz fronteira com diversos países de língua espanhola, e nada mais natural do que nos aproximarmos utilizando essa ferramenta. Nos apropriamos do vocabulário dos vizinhos. Em contrapartida, os vizinhos também conhecem muito bem o português. Faz parte do instinto de sobrevivência, da nossa adaptação a um ambiente hostil.

    Assim, criamos uma língua de fronteiras, o nosso bravo portunhol. Se você encontrar um chileno e não conseguir entendê-lo, não hesite. Utilize o portunhol e verá que a comunicação acontece.

    Essa nossa linguagem espontânea não tem regras, não tem gramática, e tem pouca autocensura. O importante é a comunicação. Aliás, com a invasão real dos latinos em metade do território norte-americano, podemos dizer que é fácil viajar por toda a América com o mínimo de ajuda da língua inglesa. A única exceção é o Canadá, que ainda resiste. Mas logo também será invadido, sem dúvida. Chegará o dia em que vamos consagrar o portunhol como um idioma misto, porém de extrema utilidade. Arriba e adelante!

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    Foi no mínimo curiosa a matéria feita por uma jornalista porto-alegrense, que conversou com visitantes de diversos países, especialmente europeus. Ela queria saber quais os hábitos dos brasileiros que despertam a admiração deles e que poderiam ser “adotados” pelos povos de outros continentes. Pois veja que coisa surpreendente. Vou citar alguns mais legais.

    Abraços e contatos físicos entre as pesssoas. De início, eles estranham. Mas depois descobrem como é bom.

    Atendimento em lojas. Ao contrário do que imaginamos, os atendentes brasileiros dão um olé no que pode ser encontrado em lojas européias, por exemplo. Os entrevistados elogiaram muito a cortesia, o sorriso, a gentileza.

    O jeitinho brasileiro, sob certa ótica, é reprovável. Mas o fato é que europeus enlouquecem quando algo dá errado. O brasileiro, ao contrário, busca a solução e encontra caminhos alternativos. Sempre há um jeitinho. E o objetivo é alcançado.

    Compartilhar bebidas chama a atenção de todos. Um copo de caipirinha, ou uma cuia de chimarrão, são sinônimos de comparti-lhamento social que os europeus desconhecem. Comprar uma cerveja e servir vários copos, por exemplo, é uma novidade para eles. Quando sentam num bar, cada um pede a sua cerveja, veja só.

    Os hábitos de higiene também são motivo de elogios. Tomar banho todos os dias e escovar os dentes após as refeições não são prática corrente. Aliás, é clássica e verdadeira a história de que os franceses inventaram os perfumes justamente por causa da péssima higiene íntima.

    Outro hábito que surpreendeu os visitantes é a carona. Eles não sabem o que é isso. Levar o amigo até a sua residência, ou combinar uma visita a determinado local compartilhando uma automóvel é algo inusitado para eles.

    Parece até que, com a Copa, eles estão aprendendo muito. E nós estamos aprendendo a valorizar aquilo que sempre tivemos, e que faz de nós um povo especial. Copa também serve para isso...

     

  • segunda-feira, 23 de junho de 2014 08:32

    Propostas

    O meio acadêmico já está às voltas com a polêmica. universidades públicas podem cobrar taxas de alunos que dispõem de recursos financeiros? Os estudantes vindos de famílias abastadas devem pagar para frequentar as universidades públicas, mesmo sendo taxas de pequeno valor?
    É um velho problema. As universidades públicas, de boa qualidade, são frequentadas por estudantes que podem pagar. Por outro lado, as universidades particulares, algumas com baixa qualidade, são frequentadas por estudantes mais pobres que, em sua maioria, também trabalham. A sugestão, feita pelo economista inglês Stijn Broecke, é que o Brasil passe a taxar os estudantes ricos, angariando mais recursos e expandindo o sistema universitário, tomando como exemplo situações já existentes no Reino Unido.
    É uma proposta que vai mexer com a abelheira. Embora o público universitário venha aumentando rapidamente, via programas governamentais e a criação de novas universidades na última década, o fato é que ainda falta muito para atingirmos a excelência. Resta saber se aqueles que dispõem de recursos aceitarão o princípio da solidariedade...
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    A Copa do Mundo é mesmo um momento de festa, seja realizada no Brasil ou em qualquer lugar do mundo. Além de ser um atrativo torneio de futebol, é um grande evento que abre espaços para todo tipo de bom humor. Uma espécie de catarse pública. Lembra até o Carnaval.
    A TV vem dando um show de imagens, com a alta tecnologia atual, mas tão bom quanto os gols é ver as manifestações da torcida. Há jogos em que o maior espetáculo está nas arquibancadas ou nas ruas das cidades-sede.
    Fiquei até imaginando. Se eu fosse repórter escalado para trabalhar na Copa, escolheria a cobertura das manifestações das torcidas, e não as entrevistas com jogadores. Certamente, seria muito divertido!
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    Os primeiros passos para a concretização do projeto Tapé Porã estão em andamento. Ideia surgida há quase quinze anos, ela se torna mais forte na medida em que a cidade cresce. Tenho conversado com muita gente a respeito, e já não tenho dúvidas. Santa Rosa quer o “caminho bonito”, integrando o centro da cidade com todas a vilas e bairros que margeiam a Avenida Expedicionário Weber, chegando ao coração do Bairro Cruzeiro. A população abraçou a proposta e sabe da sua importância para o futuro urbanístico da cidade.
    Pois nesta semana a Administração municipal tomou medidas concretas. Destinou verba, a ser incrementada logo a seguir, e propôs a criação de um núcleo gestor desse parque longitudinal. Chegou a hora de elaborarmos um Plano Diretor para o Tapé Porã, que garanta a sua execução nos próximos anos (e nas próximas administrações).

  • sexta-feira, 13 de junho de 2014 15:24

    A peronha

    A Copa envolve 32 seleções nacionais em 64 jogos. Será assistida por 3,5 milhões de torcedores nos estádios e por 3 bilhões de espectadores na TV. Terá movimentação de 3 milhões de turistas, sendo mais de 600.000 estrangeiros.

    12 estádios, sendo 7 novos e 5 reformados. O investimento público em 24 aeroportos reformados e mais 50 projetos entre corredores de ônibus, terminais rodoviários, pontes e viadutos chega a 14 bilhões. A entrada de dinheiro no Brasil, durante a competição, chegará perto de R$ 7 bilhões.

    Os números, portanto, sempre são superlativos. Ocorre que, das obras previstas, nem tudo foi entregue. Em algumas, o que não é surpresa, o valor final foi superior ao projetado. E o que se pode concluir é que, no mínimo, prefeitos, governadores e a presidência da República foram muito otimistas quando a Copa foi anunciada. Mas a capacidade de empreender e realizar grandes obras em curto espaço de tempo foi testada. Será que fomos ambiciosos demais? Ou formos lerdos demais? Ou será que somos perfeccionistas imaginando que tudo tem de estar prontinho antes dos jogos?

    O fato é que a Copa começou e, como diria o amigo Borrego, “a peronha já está rolando”. Peronha, esclareço, é do tempo em que se amarrava cachorro com linguiça.

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    Você vai dormir e vê o céu limpo. Acorda pela manhã com chuva, e comenta: “O tempo mudou”. Pois saiba que você está corretíssimo. Existe uma distinção, aprovada pelos cientistas, entre o tempo e o clima. São coisas diferentes.

    O tempo muda diariamente, muda rápido. Quando algumas pessoas comentam que não há aquecimento global porque o inverno europeu foi muito duro, ou porque a camada de gelo na Antártida este ano aumentou de tamanho, estão fazendo grande confusão. Elas estão falando do tempo, e não do clima.

    Já o clima também muda, mas pode levar décadas para a mudança ser observada e sentida. Por isso mesmo é que existem organismos internacionais acompanhando o clima há muitos anos, revelando causas e mostrando soluções.

    É o que está acontecendo com a nossa casa, ou seja, o nosso planeta. O clima está mudando, e para pior. O recente relatório da ONU sobre mudanças climáticas é preocupante. Os efeitos das mudanças já estão sendo constatados, afetando a agricultura, os ecossistemas, a saúde humana, o abastecimento de água e diversos setores industriais.

    O que o relatório deixa claro é que estamos vulneráveis. As regiões mais pobres do planeta sofrerão o maior impacto. Secas e enchentes serão mais intensas. Os oceanos já estão se tornando mais ácidos, afetando incontáveis espécies. Os humanos estão mais expostos a doenças transmitidas pela água e pelos alimentos.

    Mas nem tudo é tragédia. O relatório indica que as medidas de adaptação são simples, como obras de saneamento básico, aperfeiçoamento tecnológico na agricultura, remoção de pessoas das áreas de risco. E, é claro, o controle da emissão dos gases. Seria uma adaptação, mas não a solução definitiva.

     

     

     

     

  • sexta-feira, 6 de junho de 2014 14:28

    Mundo complicado

    Que mundo é este? Tempos atrás recebi uma espécie de “quadro-resumo” que ajuda a entender o nosso planeta nessa primeira metade do século 21. Agora, encontrei a informação atualizada dessa geopolítica. Os dados são muito interessantes.

    Imagine que o mundo tenha apenas 100 pessoas. A situação seria esta:

    A distribuição populacional seria a seguinte: 11 pessoas na Europa, 14 nas Américas, 15 na Áfria e 60 na Ásia. Desse montante, 49 viveriam no campo e 51 nas cidades.

    Quanto ao nível de nutrição, 21 pessoas estariam acima do peso, 63 na média, 15 seriam desnutridos e 1 estaria morrendo de fome. Do total, 48 pessoas viveriam com menos de 2 dólares por dia!

    Haveria 33 cristãos, 22 muçulmanos, 14 hindus, 7 budistas, 12 de outras religiões e 12 sem nenhuma religião. Sei lá se Deus entende essa bagunça.

    Desse grupamento, apenas 7 pessoas teriam diploma universitário. 83 seriam capazes de ler e escrever (e, portanto, 17 seriam analfabetos).

    No que diz respeito à qualidade de habitação, 77 pessoas teriam casa (23 não), 87 teriam água potável (13 não). Outro dado interessante: apenas 3 pessoas falariam o português, 5 o inglês, 5 o espanhol. O mandarim continua a ser o maior grupo: 12.

    E a distribuição populacional entre homens e mulheres? Está empatada. No mundo nascem mais homens, mas em contrapartida eles morrem mais cedo. Em números gerais, haveria 50,5 homens para 49,5 mulheres, embora essa distribuição não seja equilibrada. No Brasil, por exemplo, há mais mulheres do que homens.

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    Cláudia Leite não emplacou a música da Copa, “We are one (Ole Olá)”. Sua participação na gravação se resume a menos de 40 segundos. Quem domina a cena é o rapper Pitbull e a atriz Jennifer Lopez. Cá entre nós, a Claudinha é bem chatinha mesmo.

    Nesse quesito, a música da copa da África, chamada “Waka Waka (This time for Africa)”, com a Shakira, fez muito mais sucesso e é muito mais “audível”.

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    Em torno da Copa há fatos pitorescos e curiosos. A camisa da seleção brasileira, por exemplo, merece registro. Ela é feita com poliéster reciclado. É 17% mais leve que a anterior. Usa uma tecnologia batizada de “dry fit”, que transfere a umidade do corpo do jogador para o lado externo, provocando uma rápida evaporação.

    As meias têm proteção interna para reduzir impactos no dedão e nos tornozelos. Para fazer um uniforme completo são utilizadas 18 garrafas plásticas. Interessante, não é?

    Dizem que até o cheiro de sovaco é 40% menor que qualquer outra camisa. Essa eu duvido!

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    Quando o técnico da seleção anunciou os convocados, um jornalista paulista, muito brincalhão, publicou: “Saiu a lista do Felipão: 4 picanhas, 1 saco de sal grosso, 4 garrafões de vinho e 11 rolos de papel higiênico!”.