• sexta-feira, 25 de outubro de 2013 22:12

    Falando sério

    Um velho conselho, que teria vindo da Bíblia, diz que devemos tratar as pessoas como gostaríamos de ser tratados. Na verdade, é apenas uma frase de efeito. Se pensarmos detidamente, vamos chegar à conclusão que ela é equivocada. Eu, Gilberto, não posso tratar as outras pessoas como se elas fossem outros Gilbertos (iguais a mim). Não é lógico?

    Você, que me lê nesse instante, não é o Gilberto que escreveu este texto. Você é diferente, tem anseios diferentes dos meus, tem outra história pessoal, outras experiências. Talvez seja de outro sexo, tenha outra cor de pele...

    Por isso, eu não devo tratá-lo como eu gostaria de ser tratado, mas como você precisa ser tratado e considerado. Esse é o primeiro passo para que eu reconheça que você é diferente. Aliás, um passo gigantesco.

    ******

    Alguém já disse que o grande problema do nosso tempo é que preferimos julgar a compreender. Por exemplo: quando somos apresentados a um desconhecido, de imediato formamos um julgamento da pessoa, antes de qualquer esforço para compreendê-la.

    Tente lembrar de sua reação íntima quando foi convidado a apertar a mão de um homossexual, de um negro, de uma prostituta ou de um simples catador de lixo. Lembrou? Pois é. Tenho certeza de que naquele momento você não buscou compreender, mas imediatamente julgou. Bingo!

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    Isso é psicológico e cultural. É difícil nos descolarmos desse fardo civilizatório. Mas precisamos tentar. E veja que não se trata de tolerância (palavra que significa suportar, aturar, aguentar). Trata-se de compreender, colocar-se no lugar daquele sem julgamento prévio, captar a sua humanidade.

     

    Difícil, muito difícil.

    É quase insuportável ouvir pessoas que têm opinião pronta para tudo. Surge um assunto qualquer e — voilá! — o sujeito já emite seu “parecer”, que normalmente são frases feitas, chavões, lugares-comuns.

    Racismo? “Ora, eu até tenho amigos negros”. Feminismo? “É legal, mas elas são muito radicais”. Homossexualismo? “Não tenho nada contra, mas não me misturo”. Aquecimento global? “Bobagem, esse ano fez um frio danado aqui na cidade”. Política? “Não há um sequer que seja honesto”. Pena de morte? “Bandido tem que ser tratado assim”.

    Você encontra esses papagaios diariamente. Não refletem, não questionam, não compreendem, e nem tentam. Mas têm opinião formada sobre tudo, numa mera repetição de banalidades reproduzidas à exaustão pelo senso comum inculto e avesso à reflexão.

    Por causa dessa reprodução incontrolável de clichês é que as relações humanas refletem, nos dias de hoje, mais ódio que compreensão. Por isso se reproduz a intolerância, envolvendo questões políticas, raciais, homofóbicas, e assim por diante. Constatar isso pode nos ajudar a fazer um mundo melhor, compreendendo e não julgando. Mas, é claro, sem esforço isso será apenas uma utopia...

     

  • sexta-feira, 18 de outubro de 2013 21:28

    Enquanto isso, ouço músicas

    Depois de agonizar por algum tempo, com sintomas de fraqueza e debilidade incontornáveis, o Musicanto recebeu a extrema unção há poucos dias. Há quem lamente o empobrecimento cultural da cidade, que é indiscutível, e lança a pergunta: "a cidade ainda quer o Musicanto?".

    A propósito, aí vai uma lista de assuntos para sua próxima reunião de família, do clube, ou mesmo do boteco da esquina.

    Não temos Musicanto, não temos Fundo de Cultura, não temos Carnaval de rua, não temos águas dançantes, não temos Centro Cultural e nem "ginasião", coisas que poderiam ser a marca e a identidade desta cidade.

    Ah, lembrando aquele candidato a vereador, também não temos berçário!...

    ***

    Mas não vivemos só de notícias tristes. É importante registrar a apresentação muito aplaudida do Coral 24 de Julho lá na Catedral de Gramado, no final de setembro último, sob a batuta esperta do maestro Alessandro Munaweg. Show para encantar o público de Gramado e seus turistas. A catedral balançou!...

    Eis aí um motivo de orgulho para Santa Rosa, numa área da música que não é apreciada em larga escala. O canto coral, assim como a música clássica, requer uma concentração (e certa iniciação) que a grande maioria rejeita. Mas é um bálsamo para a alma... Ouvir Michel Teló é fácil, não precisa esforço. Entra num ouvido e sai pelo outro.

    ***

    A propósito, anote na sua agenda. No próximo dia 26 de outubro, sábado, acontece no Centro Cívico o "Concerto da Primavera", reunindo corais e vozes das principais cidades gaúchas e, é claro, também o nosso 24 de Julho.

    Será uma noite para encher os olhos e balançar a sensibilidade.

    Tenho a certeza que você não vai esquecer. Ou vai?

    ***

    Pouco conheço da música clássica, e invejo essa arte quase mágica. Mas sei de algumas coisas que desejo compartilhar com você.

    O piano, por exemplo, tem aquele desenho para que os músicos tenham onde colocar o copo de uísque.

    O "Bolero de Ravel" é uma música composta por um cara chamado Ravel.

    Beethoven ficou surdo de tanto usar fones de ouvido com o seu ipod. Os florais de Bach tiveram origem no jardim que ele mantinha nos fundos da casa.

    O regente de orquestra sempre faz treinamento prévio como guarda de trânsito; só assim para agitar os braços daquela maneira.

    "4 estações" é uma famosa composição de Vivaldi, cujo nome ele copiou de um conhecido sabonete.

    A música medieval foi feita há muito tempo, por isso não toca nas rádios. Já a música sacra tem sido composta por gente com muitos pecados, que assim tentam limpar a barra com Deus. Pura perda de tempo. Os maiores compositores do Romantismo são Chopin, Tchaikovsky e Shubert. Entre os brasileiros, o mais conhecido é o Roberto Carlos, que também foi lateral esquerdo da seleção.

    Handel foi um conhecido compositor que era 50% alemão, 50% italiano e 50% inglês.

    (Meu Deus, quanta bobagem!)

  • sábado, 12 de outubro de 2013 15:09

    Melodias e outras coisas

    Depois de agonizar por algum tempo, com sintomas de fraqueza e debilidade que se estenderam pelos últimos dois anos, o Musicanto recebeu a extrema unção na semana passada. Há quem lamente o empobrecimento cultural da cidade, que é indiscutível.
    As razões disso são muitas. A propósito, aí vai uma lista de assuntos para sua próxima reunião de família, do clube, ou mesmo do boteco da esquina.
    Não temos Musicanto, não temos Fundo de Cultura, não temos Carnaval de rua, não temos águas dançantes, não temos Centro Cultural, coisas que poderiam ser a marca e a identidade desta cidade.
    Ah, lembrando aquele candidato a vereador, também não temos berçário!...
    ***
    Mas não vivemos só de notícias tristes. É importante registrar a apresentação muito aplaudida do Coral 24 de Julho lá na Catedral de Gramado, no final de setembro último, sob a batuta esperta do maestro Alessandro Munaweg. Show para encantar o público de Gramado e seus turistas. A catedral balançou!...
    Eis aí um motivo de orgulho para Santa Rosa, numa área da música que não é apreciada em larga escala. O canto coral, assim como a música clássica, requer uma concentração (e certa iniciação) que a grande maioria rejeita. Mas é um bálsamo para a alma...
    Ouvir Michel Teló é mais fácil. Não precisa esforço. Entra num ouvido e sai pelo outro.
    ***
    A propósito, anote na sua agenda. No próximo dia 26 de outubro, sábado, acontece no Centro Cívico o “Concerto da Primavera”, reunindo corais e vozes das principais cidades gaúchas e, é claro, também o nosso 24 de Julho.
    Será uma noite para encher os olhos e balançar a sensibilidade.
    Tenho a certeza que você não vai esquecer. Ou vai?
    ***
    Pouco conheço da música clássica, e invejo essa arte quase mágica. Mas sei de algumas coisas que desejo compartilhar com você.
    O piano, por exemplo, tem aquele desenho para que os músicos tenham onde colocar o copo de uísque.
    O “Bolero de Ravel” é uma música composta por um cara chamado Ravel.
    Beethoven ficou surdo de tanto usar fones de ouvido com o seu ipod.
    O regente de orquestra sempre faz treinamento prévio como guarda de trânsito; só assim para agitar os braços daquela maneira.
    “4 estações” é uma famosa composição de Vivaldi, cujo nome ele copiou de um conhecido sabonete.
    A música medieval foi feita há muito tempo, por isso não toca nas rádios. Já a música sacra tem sido composta por gente com muitos pecados, que assim tentam limpar a barra com Deus. Pura perda de tempo.
    Os maiores compositores do Romantismo são Chopin, Tchaikovsky e Shubert. Entre os brasileiros, o mais conhecido é o Roberto Carlos, que também foi lateral esquerdo da seleção.
    Handel foi um conhecido compositor que era 50% alemão, 50% italiano e 50% inglês.
    (Meu Deus, quanta bobagem!).

  • sexta-feira, 4 de outubro de 2013 18:00

    Coisas da cidade

    Pois estamos em pleno Encontro de Hortigranjeiros, agora em sua 30ª edição. Nesse longo período podemos vislumbrar a importância do evento que modificou a base produtiva no município e também da região.

    Três décadas atrás os produtores viviam a angústia (que ainda existe em certa medida) de escolher entre a produção extensiva da monocultura e a diversificação. Não é uma decisão confortável. Muitos ainda se perguntam qual o caminho adequado à sua sobrevivência e à geração de riqueza. Um número considerável apostou na produção diversificada, na certeza de que isso impede as grandes crises da dupla soja-trigo. O resultado está no Hortigranjeiros.

    Pouco importa se você vai até o Parque de Exposições para rechear a geladeira de sua casa ou apenas a passeio. Observar a diversidade que alcançamos já vale a pena. Três décadas do Encontro de Hortigranjeiros é motivo de enorme orgulho para todos nós.

    ***

    Logo adiante, na próxima semana, teremos a Oktoberfest, aquele momento em que os germânicos perdem sua pose rígida e séria e partem para a brincadeira. Aliás, uma brincadeira que mistura todas as descendências étnicas, pois festa com chope já não é exclusividade deles. Conheço alguns gringos e polacos que bebem mais do que o Fritz.

    Tempos atrás eu pensei em sugerir a realização concomitante da Oktorberfest e da Festa das Etnias. Mais tarde, refletindo melhor, desisti da proposta. Fiquei imaginando o momento em que a população iria ingerir toneladas de chucrute e beberia milhares de litros de chope. Certamente a emissão de gases traria desagradáveis consequências para a qualidade do ar em Santa Rosa. Abandonei a ideia.

    ***

    Chope é parte do cotidiano do brasileiro. lembra a história de dois amigos que sentam no bar, e são recebidos pelo garçom com aquele bloquinho de anotações na mão. "Traga-me um chope, por favor", diz o primeiro.

    O garçom anota o pedido.

    "Um chope também para mim, mas quero numa caneca bem limpa, certo?"

    Alguns minutos mais tarde o garçom retorna com os pedidos.

    "O chope da caneca limpinha, pra quem é mesmo?".

    ***

    Os historiadores garantem que o chope surgiu há cerca de 5.400 anos. Há registros de que os sumérios, entre uma guerra e outra, consumiam o líquido fermentado. Fico imaginando o rei sumério declarando: "Uma paradinha para o chope. Continuamos a batalha amanhã".

    Consta também que o chope chegou ao Brasil em 1808, na carona da família real que fugia das tropas de Napoleão que invadiam Portugal. Sabendo que viria para um país tropical, D. João recorreu ao chope, deixando de lado o vinho. Sem querer, acabou sendo o precursor de um hábito que tomou conta do Brasil, especialmente após a descoberta da pasteurização (que deu origem à cerveja). Saúde!