• sexta-feira, 18 de julho de 2014 14:31

    Projeto interessante

    Veja só que projeto interessante. Todos sabemos da desoneração tributária na indústria automobilística. Depois da isenção do IPI, nossas ruas e estradas se encheram de carros, e o resultado todos conhecemos: trânsito caótico, congestionamentos, poluição, estresse e acidentes.

    Pois existe no Brasil uma rede de pessoas (alimentada pela internet) com nome de “Bicicleta para Todos”, que deseja zerar os impostos sobre bicicletas. O Brasil é o terceiro produtor mundial de bicicletas. Mas a infraestrutura das cidades não sabe disso.

    As bicicletas produzidas na Zona Franca de Manaus já estão isentas. Mas as produzidas no resto do país não tem qualquer incentivo. Alguns estados já reduziram o ICMS, o que é uma boa notícia. Segundo a entidade, a carga tributária sobre a bicicleta chega a 40% em alguns estados da federação. Considerando que a grande massa de usuários de bicicletas são pessoas que ganham salários reduzidos, teríamos também um benefício social.

    E, como sabemos, bicicleta significa mais saúde e menos poluição. Tomara que a Câmara dos Deputados, onde tramita o projeto, seja sensível.

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    O resumo da Copa pode ser feito em duas frases. Fomos ruins naquilo em que nos julgávamos excelentes, o futebol. E fomos excelentes naquilo em que nos considerávamos ruins, a organização.

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    Quanto à vitória da Alemanha (que deixou contentes alguns “alemóns” conhecidos meus), todos são unânimes. Planejamento é fundamental, e não apenas no futebol. No seu trabalho, na economia, no governo, na educação dos filhos e até na disputa de um torneio de canastra. O resto é improviso.

    Por incrível que pareça, aplicamos bem o planejamento na Copa propriamente dita, e esquecemos de aplicá-lo no time. Deu no que deu.

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    Dias atrás, num bate-papo, falávamos dessas pessoas que utilizam as redes sociais para lembrar-nos de que elas sempre estão certas. Por exemplo, se alguém diz “o João é um idiota”, esse alguém simplesmente acabou com qualquer raciocínio. Como tecer algum argumento contrário? A pessoa que espalha esse tipo de frase já está nos dizendo que não deseja qualquer debate acerca da sua afirmativa. Papo encerrado.

    Pois foi assim que lembrei de um pensamento do publicitário Nizan Guanaes para uma turma de formandos, anos atrás. Em tempos de redes sociais em que a arrogância substitui o diálogo, vale relembrar:

    “Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido. Tenha consciência de que cada homem foi feito para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma revolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra.”

    Ou seja, sempre duvide de quem tem muitas certezas e poucas interrogações.

  • sábado, 12 de julho de 2014 07:05

    De tudo um pouco

    Eu era menino quando conheci o bispo Dom Estanislau Kreutz.Desde então encontrei o religioso inúmeras vezes. Natural
    de Santo Cristo, era um religioso à antiga, atento a tudo que acontecia ao seu redor e com memória prodigiosa. Por tais motivos tornou-se um líder. Comandou a Igreja Católica da região em momentos difíceis. Homem simples e de fala mansa e determinada. Morreu no último domingo, aos 86 anos. Só parou de trabalhar quando as condições físicas já não permitiam qualquer esforço. Grande sujeito. Daqueles que deixam o exemplo pessoal como legado.
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    A temporada de chuvas (e que chuvas!) deixou uma marca que incomoda muita gente, especialmente os motoristas. As ruas da cidade ficaram esburacadas. E as estradas da região também, aumentando os perigos do trânsito.
    Acontece todo ano. Chuvas e buracos. A durabilidade é pequena, ninguém duvida disso. Penso que está na hora de levantarmos uma questão importante nesse particular. Afinal, o que está acontecendo com o asfalto?
    Será que estamos necessitando de maior tecnologia e de mais qualificada engenharia de asfalto? Ou será que, por conta do sistema de licitações, acabamos comprando asfalto barato e de pouca duração? São duas possibilidades que me ocorrem no momento. O que é melhor: ter 100 quilômetros de asfalto que dentro de um ano pedirá reparos, ou ter 50 quilômetros de um asfalto mais duradouro?
    Se permanecermos na lógica atual, surge outra preocupação. Uma rua asfaltada é muito confortável e bonita. Tudo bem, nós gostamos disso. Mas é preciso entender que asfalto exige manutenção constante, isto é, investimento permanente. Um quarteirão com asfalto ruim custa, digamos, R$ 100 mil. Mas ao longo de uma década esse custo pode ser — e provavelmente é — de R$ 500 mil. Será que vale a pena? Ou vale a pena pensar em outro tipo de pavimentação mais duradoura?
    As respostas devem ser dadas pelos entendidos no assunto.
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    O Sebrae divulgou esta semana que Santa Rosa já tem 1.600 empreendedores individuais, sendo 833 homens e 747 mulheres.
    Com a sigla MEI, o empreendedor individual paga boleto único mensal que engloba tributos e previdência. No RS já são 234.000 e no país mais de 4 milhões.
    A modalidade criada pelo Governo desburocratiza e formaliza atividades antes informais. Conversando com alguns desses profissionais, não há dúvida. A medida foi muito bem recebida. É simples. Você se concentra na atividade profissional, e para atender o fisco e garantir a previdência, recolhe apenas uma guia por mês.
    Aliás, a simplificação fiscal deveria ser estendida para outras áreas profissionais e outros setores da economia. Há empresas sufocadas pelo emaranhado burocrático. É uma questão a ser debatida com seriedade. Em alguns setores, as empresas destinam até 20% de sua força produtiva apenas para atender a burocracia. Assim fica pesado, não é?
    Desburocratizar é um desafio urgente para um pais em desenvolvimento como o Brasil.

     

  • sábado, 5 de julho de 2014 08:13

    Coisas da cidade

    O “Sesi Show” está comemorando 25 anos de luminosa atuação, e ofereceu à cidade espetáculos de encher os olhos, nesta semana, no Centro Cívico.

    Falar bem desse grupo de arte e música é chover no molhado. Todos conhecem e todos se encantam. A Câmara de Vereadores já prestou homenagem mais que merecida. Mas, cá entre nós, o Vilson Kunzler, padrinho de incontáveis músicos que atuam Rio Grande afora, já está merecendo uma estátua.

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    Há poucos dias, por conta de cobranças feitas pelo Ministério Público, a Prefeitura contratou empresa que modificou os passeios na área central da cidade para instalação daquelas rampas de acessibilidade. Em alguns locais, foram mantidos também os acessos antigos, tornando as calçadas feias e até perigosas. Em outros, o cadeirante simplesmente não consegue transitar pois a rampa ficou pior do que a valeta antiga. Resumindo, acho que a cidade ficou mais feia. E o resultado aquém do esperado.

    Pois agora, tão pouco tempo depois, os tais acessos estão literalmente se desmanchando. É só observar na próxima caminhada no centro da cidade. Em breve, não teremos quaisquer rampas de acesso. A única conclusão possível é a seguinte: o serviço foi de péssima qualidade.

    A propósito, existe prazo de garantia para serviço prestado à administração?

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    Na terça-feira, dois acidentes na estrada que liga Santa Rosa a Santo Cristo. No total, foram seis veículos danificados, porém sem vítimas.

    A questão me intriga há algum tempo. A estrada para a cidade vizinha é de ótima qualidade e muito bem sinalizada, porém a quantidade de acidentes é enorme. Não há semana sem uma notícia desse tipo. Então significa dizer que estrada boa acarreta acidentes? Ou fica valendo a história de que a causadora de acidentes é a estrada mal-cuidada?

    Não dá para entender os motoristas, não é?

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    A enchente histórica deixa danos materiais enormes e muita dor nas famílias que perderam o pouco patrimônio de que dispunham.

    Nessa luta contra a inclemência do clima, vale registrar que, mais uma vez, a solidariedade apareceu com força. O site do Jornal Noroeste noticiava o recolhimento, até quarta-feira, de 23 caminhões de donativos! É prova inegável de que o drama dos ribeirinhos chegou até aos moradores das cidades da região, que se mobilizaram. Na ponta de todos os trabalhos, a Cruz Vermelha de Santa Rosa mostrou ser incansável.

    Foi tanta água que ficou na memória a observação feita por um amigo. Disse ele: “Se a água subir mais 4 ou 5 metros, teremos a exata dimensão do que será o lago da barragem Panambi, a ser construída no rio Uruguai”.

    Pois é. Dá o que pensar.

  • sábado, 28 de junho de 2014 10:18

    Coisas que descobrimos na Copa

    A “invasão” do Brasil durante a Copa foi algo sensacional, e teve uma característica muito particular. Veja só. São levas de argentinos, uruguaios, colombianos, chilenos, costa-riquenhos, mexicanos, equatorianos, isso sem falar dos portugueses e espanhóis.

    Toda essa multidão veio ao Brasil torcer e fazer festa e se comunica numa linguagem que nós, aqui da fronteira, conhecemos muito bem: o portunhol. Ele não é reconhecido como uma língua oficial, mas existe de fato. Acho até que nunca foi tão utilizado quanto hoje.

    O Brasil faz fronteira com diversos países de língua espanhola, e nada mais natural do que nos aproximarmos utilizando essa ferramenta. Nos apropriamos do vocabulário dos vizinhos. Em contrapartida, os vizinhos também conhecem muito bem o português. Faz parte do instinto de sobrevivência, da nossa adaptação a um ambiente hostil.

    Assim, criamos uma língua de fronteiras, o nosso bravo portunhol. Se você encontrar um chileno e não conseguir entendê-lo, não hesite. Utilize o portunhol e verá que a comunicação acontece.

    Essa nossa linguagem espontânea não tem regras, não tem gramática, e tem pouca autocensura. O importante é a comunicação. Aliás, com a invasão real dos latinos em metade do território norte-americano, podemos dizer que é fácil viajar por toda a América com o mínimo de ajuda da língua inglesa. A única exceção é o Canadá, que ainda resiste. Mas logo também será invadido, sem dúvida. Chegará o dia em que vamos consagrar o portunhol como um idioma misto, porém de extrema utilidade. Arriba e adelante!

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    Foi no mínimo curiosa a matéria feita por uma jornalista porto-alegrense, que conversou com visitantes de diversos países, especialmente europeus. Ela queria saber quais os hábitos dos brasileiros que despertam a admiração deles e que poderiam ser “adotados” pelos povos de outros continentes. Pois veja que coisa surpreendente. Vou citar alguns mais legais.

    Abraços e contatos físicos entre as pesssoas. De início, eles estranham. Mas depois descobrem como é bom.

    Atendimento em lojas. Ao contrário do que imaginamos, os atendentes brasileiros dão um olé no que pode ser encontrado em lojas européias, por exemplo. Os entrevistados elogiaram muito a cortesia, o sorriso, a gentileza.

    O jeitinho brasileiro, sob certa ótica, é reprovável. Mas o fato é que europeus enlouquecem quando algo dá errado. O brasileiro, ao contrário, busca a solução e encontra caminhos alternativos. Sempre há um jeitinho. E o objetivo é alcançado.

    Compartilhar bebidas chama a atenção de todos. Um copo de caipirinha, ou uma cuia de chimarrão, são sinônimos de comparti-lhamento social que os europeus desconhecem. Comprar uma cerveja e servir vários copos, por exemplo, é uma novidade para eles. Quando sentam num bar, cada um pede a sua cerveja, veja só.

    Os hábitos de higiene também são motivo de elogios. Tomar banho todos os dias e escovar os dentes após as refeições não são prática corrente. Aliás, é clássica e verdadeira a história de que os franceses inventaram os perfumes justamente por causa da péssima higiene íntima.

    Outro hábito que surpreendeu os visitantes é a carona. Eles não sabem o que é isso. Levar o amigo até a sua residência, ou combinar uma visita a determinado local compartilhando uma automóvel é algo inusitado para eles.

    Parece até que, com a Copa, eles estão aprendendo muito. E nós estamos aprendendo a valorizar aquilo que sempre tivemos, e que faz de nós um povo especial. Copa também serve para isso...