• sábado, 8 de junho de 2013 11:11

    Livros e cerveja

    O inverno sempre está associado com recolhimento. As atividades ao ar livre ficam restritas. Forçados pela temperatura baixa, acabamos curtindo a intimidade da casa, seja com lareira, seja com fogão a lenha.

    Pois esse é o momento em que vai bem uma leitura. E o comentário só tem essa finalidade, mesmo. Aproveite esse recolhimento forçado para abrir um livro. A televisão, como você já está cansado de saber, serve mesmo para provocar ruído. Portanto, aproveite o frio e exercite o cérebro. Certamente você já se arrependeu de perder uma tarde de domingo assistindo o programa do Faustão, mas jamais irá se arrepender de ter lido um livro. Concorda?

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    Para quem gosta de reclamar do preço do livro no Brasil, informações recentes ajudam a rever este conceito.

    A FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) publicou a sua pesquisa anual envolvendo o mercado editorial brasileiro.

    A conclusão é surpreendente. De 2004 até 2011 o preço do livro no Brasil caiu 44,9%. As razões para isso são duas, basicamente. A redução dos tributos (PIS/Cofins) e a modernização administrativa das editoras e distribuidoras.

    Em 2011, as editoras registraram um recorde, com 469 milhões de livros comercializados, um aumento de 7,2% em relação ao ano anterior.

    Não há dúvidas. Está havendo um grande esforço em democratizar a leitura no Brasil, envolvendo escolas, empresas e poder público. A leitura está entrando na vida de muitas pessoas que não tinham o hábito.

    E veja que não estou fazendo referência às pesquisas dos neurocientistas que garantem que o cérebro humano se aperfeiçoa e se torna mais saudável com o exercício proporcionado pela leitura. Simples assim.

    E se você continua sem ler, é hora de acordar.

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    Mudando de assunto. Se você é um apreciador de cerveja (acho que é uma das paixões nacionais), saiba que está enganado ao supor que a Ambev é dona de tudo. Em volume de vendas, certamente é, pois detém as marcas mais populares. Porém, o livro "Brasil Beer - o guia das cervejas brasileiras", recentemente lançado, mostra que no país já existem mais de 450 marcas de cervejas.

    As cervejarias, que já passam de 120, estão se multiplicando. A produção de pequenas indústrias está crescendo, e oferecendo cervejas com sabores e teores alcoólicos diversos. É um mercado em mutação.

    Mas vamos com calma. Não é porque estamos em terra de alemão que essa notícia vai levá-lo a experimentar as 450 cervejas. Elas contém álcool, tá lembrado?

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    A frase para você pensar no final de semana certamente partiu de uma esposa de pescador, que não apenas conhece o marido mas também os efeitos de uma pescaria. Veja:

    "Dá um peixe a um homem, e ele o comerá. Ensina o homem a pescar, e ele ficará o dia inteiro no barco bebendo cerveja".

  • sábado, 1 de junho de 2013 21:47

    Coisas da cidade

    No último domingo, Cláudio Joner lançou seu CD "Desor-

    dem", com casa cheia, clima descontraído e, e o disco (é
    claro), que além da música tem embalagem com produção gráfica excelente. Fica a sugestão. É para você ouvir e ter na estante, e também dar de presente.

    Numa época em que estamos sufocados pelo mau gosto dos sertanejos universitários, é bom ver que na cidade há muita gente que aprecia a boa música.

    E por falar em boa música, hoje tem Nelson Coelho de Castro lá no SESC.

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    A Indumóveis, que abre suas portas na próxima quinta, dia 6, é uma prova irrefutável de que a região está traçando caminhos há muito tempo buscados. A diversidade econômica é o principal objetivo, afastando-nos de uma época em que fomos apenas uma região de monocultura.

    Aliás, esse já é um pensamento unânime entre os economistas. Só a diversificação gera riqueza sem riscos de crises desastrosas. E, no nosso caso, a combinação das indústrias de móveis e construção civil parece ter um amplo horizonte para crescer trazendo desenvolvimento.

    O momento é propício, com o impulso de dinheiro para a construção civil e a melhoria dos orçamentos da classe média. A Indumóveis, enfim, promete. E você não pode deixar de visitá-la.

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    A operação "Ágata 7", trabalho conjunto do Exército e outras forças militares, não acontece apenas aqui na região. Ela envolve cerca de 25 mil militares e alcança toda a fronteira brasileira, do Oiapoque ao Chuí.

    Mas, ao contrário do que imaginamos, a operação não se limita a combater o contrabando e o tráfico de drogas (que são, evidentemente, o objetivo principal). Mas por conta dessa grande mobilização, também são prestados serviços diversos, vistorias, inspeções e apreensão de armas e, é claro, de gente.

    Sabemos que em todas as operações anteriores foram presos traficantes e contrabandistas que atuam nessa imensa fronteira brasileira com os demais países latino-americanos. Desta vez não será diferente.

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    Como você já deve ter observado, a caixa dágua da praça do Bairro Cruzeiro está parecendo a Torre de Pisa, inclinadinha como se fosse desabar a qualquer momento.

    A Corsan está providenciando a licitação para sua recuperação. A caixa é uma espécie de patrimônio histórico do bairro, e seu eventual desabamento causaria muita tristeza por lá. Assim, como diria seu Tibúrcio, a obra de recuperação vai "matar dois coelhos com uma caixa dágua só".

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    O mesmo Tibúrcio manifestou seu espanto com o surto de raiva bovina em Porto Lucena, que já atinge duas centenas de animais. O que será que está acontecendo? Essa raiva toda deve ter um motivo. Talvez as vacas estejam sendo mal tratadas, com pasto de má qualidade. Ou será que estão alimentando-as com cacau e detergente para que elas dêem diretamente o achocolatado, em vez de leite com formol? Sabe-se lá...

    De todo modo, muito cuidado ao chamar de "vaca" aquela sua vizinha antipática. Pode ser que ela esteja com raiva bovina e a situação se complique...

  • sexta-feira, 24 de maio de 2013 17:41

    Definições interessantes

    Essa é de doer. Os livros brasileiros estão sendo impressos na China. É isso mesmo. Até os livros submergiram às regras da globalização predatória. Pagar salários miseráveis, com mão de obra abundante e submissa, virou a fonte de instabilidade econômica no mundo todo. Aqui no Brasil, diversos são os setores da economia que vêm sendo afetados por esse tsunami.

    Somente no ano passado 13,5 mil toneladas de livros impressos na China chegaram ao Brasil. A explicação dos editores é óbvia: trazer os livros prontos torna a mercadoria mais barata. Grande novidade!

    A questão fundamental, que vem atormentando a cabeça dos economistas, é a seguinte. Como enfrentar esta onda sem pauperizar a vida dos brasileiros (e de muitos habitantes dos países ocidentais)? É mais do que evidente que essas gigantescas cargas de mercadorias vindas da Ásia estão gerando dificuldades para as empresas, desemprego e ociosidade industrial. São tempos novos, ou estamos repetindo a era da revolução industrial, de século e meio atrás?

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    Na Colômbia, um livro vem obtendo sucesso inesperado. É um dicionário escrito por crianças. É claro que o trabalho de coleta de suas definições foi feito por professores, que as organizaram em livro. Mas não deixa de ser interessante ver o ponto de vista das crianças, a forma como elas vêem o mundo.

    Veja a definição de "adulto" que consta do dicionário: "Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro de si". As crianças não estão nos chamando de tolos?

    No interessante dicionário, "água" é uma "transparência que se pode tomar".

    "Solidão" é, segundo as crianças, uma "tristeza que a pessoa tem às vezes". Outra definição legal é a da palavra tranqüilidade: "Quando o seu pai diz que vai te bater, e depois diz que não vai". Veja outras:

    "Ancião": Um homem que fica sentado o dia todo.

    "Igreja": Onde a pessoa vai perdoar Deus.

    "Sexo": É uma pessoa que beija em cima da outra.

    "Camponês": Um homem que não tem casa, nem dinheiro. Só filhos.

    "Branco": É uma cor que não pinta.

    "Deus": É o amor com cabelos grandes e poderes.

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    "O frio é psicológico", disse-me alguém, tempos atrás. Na ocasião, eu lhe respondi: "Nossa, como está psicológico hoje, você não acha?".

    Desculpe a piada sem graça, mas ela é apenas para lembrar que estamos às vésperas da estação mais gaúcha, embora todas as demais tenham o seu encanto, especialmente a primavera, pois, afinal, todo mundo tem uma prima com nome Vera, que é muito linda (desculpe, foi outra fraquinha).

    Mas, como eu dizia, nada mais gaúcho que o inverno. E não é preciso forçar a memória para lembrar algumas coisas que despertam nossos sentimentos mais "gauchísticos". Veja só.

    Pinhão e milho verde, na panela em cima do fogão. O próprio fogão a lenha, com aquela caixa de madeira embaixo, cheia de gravetos. Chimarrão, sempre indispensável. Bife feito na chapa. Poncho comprado lá no Uruguai. Cuecão (desses que ficam incomodando aquela linha que separa as nádegas). Geada quebradiça sob os sapatos. Laranja sob o sol da tarde. Chaleira com água bem quente, para o banho e para lavar a louça.

    Ah, quase esqueço. Tem também as meias de lã bem grossas, pois nessa época, como dizia um amigo, "o frio justifica as meias" (desculpe outra vez).

  • sexta-feira, 17 de maio de 2013 10:15

    Atenda logo, tchê!

    O celular é útil, prático, nos mantém ao alcance do mundo, e, ao contrário do que muita gente pensa, não é nada barato.

    No Brasil, onde já existem 263 milhões de linhas de celular (algo próximo de 1,4 linha por habitante). É como bunda e celulite, todo mundo tem. Os números brasileiros, porém, são realmente espantosos.

    Um levantamento da UIT (União Internacional de Telecomunicações), realizado em fevereiro último, mostra que o serviço no Brasil é muito ruim, além de caro. Utilizando como parâmetro um pacote que inclui 30 ligações e 100 mensagens, o custo brasileiro é o 43º mais caro no mundo. Este pacote custa em média R$ 125,00. Nos Estados Unidos, já convertendo o custo em dólares, ficaria por R$ 72,00. Em Portugal, R$ 46,00. Na Dinamarca, R$ 16,00.

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    O chato, nessa onda incomensurável de aparelhos móveis, é o seu uso sem nenhuma cerimônia ou civilidade.

    Com frequência ouço reclamações. Na missa, no cinema, ou mesmo numa sala de aula, os aparelhinhos subitamente soam, muitas vezes com muitos decibéis.

    Dias atrás, estava eu numa fila de banco, e, de repente, tocou um celular. O ruído era de uma música funk, ruidosa e obscena (o que não é nenhuma novidade). O volume era inacreditavelmente alto. Vi o desconforto das pessoas à minha volta, e o sujeito (dono do celular) tentando localizá-lo no bolso do casaco. De dentro do bolso, primeiramente, saiu um molho de chaves, um baralho, um pente, um espelho redondo com um vistoso adesivo do Internacional, uma ficha de aposta do jogo do bicho e um maço de cigarros com o respectivo isqueiro. Depois, finalmente, surgiu o ruidoso e agressivo aparelho celular.

    Quase decorei a letra da música muito "instrutiva". Afinal, letra de funk normalmente não tem mais de duas linhas. Fácil, fácil.

    Não é preciso dizer que, atendida a ligação, a irritação das pessoas em volta era visível. Mais um fator de estresse.

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    A verdade é que o uso indiscriminado do celular está atrapalhando a vida das pessoas, mesmo que elas não percebam isso. A comunicação tornou-se banal, e incontáveis ligações são efetuadas sem o menor senso de utilidade. Também perdemos a noção de prioridade. Se estamos conectados 24 horas por dia, já não sabemos o que é realmente prioritário.

    Casos como os citados acima tornaram-se uma praga. Celulares tocando em sessão de cinema, teatro, culto religioso, reuniões de trabalho e assim por diante. Parece que todos estão à espera de ligações urgentes, inadiáveis, quando de fato estão apenas sendo chatos com as pessoas à sua volta.

    E ainda têm aqueles que, mesmo em plena conversa com amigos, estão usando seus aparelhos para verificar redes sociais. É a chatice ao extremo.

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    O curioso que essa dependência do celular já é considerada uma doença, por alguns, e tem nome: "nomofobia". É a angústia relacionada com a possível perda do celular, ou a incapacidade de ficar sem o aparelho por mais de um dia. É um tipo de ansiedade que tem relação com outros transtornos, segundo os psicólogos, que vêm encontrando um número crescente destes dependentes da tecnologia. Será mesmo necessário ficar conectado 24 horas? Aliás, seria mesmo muito bom se todas as pessoas (inclusive eu) se perguntassem: Quanto tempo consigo ficar longe do celular?