• sexta-feira, 23 de maio de 2014 15:53

    O mundo gira

    Além da Copa do Mundo, o mundo respira. Na verdade, é durante a Copa que ficaremos com a respiração suspensa, na torcida. Apesar de todas as polêmicas (muitas são pura conversa fiada), o fato é que a festa está pronta e eu já comprei a bandeira verde-amarela.

    Por aqui, o Grenal solidário foi um sucesso, com bom público e muito perna-de-pau em campo, mostrando que a solidariedade pode ser divertida. Golaço do Rotary!

    O Corede e os Comudes estão convocando a população para votar, de 2 a 4 de junho, as prioridades do orçamento estadual de 2015, elegendo investimentos importantes para a região. É claro que você não vai se omitir. E comprovando que o Rio Grande é um dos estados mais conectados, a votação deste ano será exclusivamente via internet.

    Notícia da semana dá conta de que área pública está sendo usada como depósito de sucata. Nenhuma novidade. Outras áreas públicas em Santa Rosa são utilizadas por particulares para fins econômicos. Não deveria ser assim.

    Não deixa de ser curioso o apelido dado à CPI instaurada na Câmara de Vereadores: “CPI dos tubos”. A essa altura, há quem esteja repetindo aquele velho bordão do Jô Soares: “Tira o tubo!”.

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    No cinema a novidade é o filme “Noé”, mais uma produção de Hollywood com incontáveis efeitos especiais para narrar a lenda do dilúvio que, segundo a Bíblia, teria inundado o mundo conhecido daquela época.

    Dizem que o propósito divino era “limpar” o mundo dos pecadores. Pensando nisso, um aluno, desses que está sempre no computador, explicou para a professora:

    “E Deus disse a Noé: ‘Faz o backup que eu vou formatar’”.

    Mas há ainda muitas dúvidas sobre a história. Se todos os animais foram para a arca, Noé colocou um aquário lá dentro? E o que ele fez com os pernilongos, por exemplo? O fim dos dinossauros aconteceu porque Noé não os aceitou na arca? E quem fazia a limpeza dos banheiros, com tanto bicho fazendo cocô?

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    Um morador de Blumenau chegou ao céu, e explicou para São Pedro:

    “Morri por causa da enchente, São Pedro!”

    Nisso um barbudo que está atrás de São Pedro comentou:

    “Enchente, coisa nenhuma. Deve ter sido uma chuvinha bem mequetrefe”.

    “Foi chuva muito forte. Inundou toda a cidade”, disse o homem.

    “Você não sabe o que é chuva de verdade, meu caro”, disse o barbudo.

    “Como não? Perdemos tudo e muitos morreram”.

    “Deixa disso. Garanto que foi uma quase uma garoa”.

    Aí São Pedro, que já estava irritado, virou-se para o barbudo e exclamou:

    “Fica quieto, Noé! Deixa o cara contar a história dele em paz...”

     

  • sexta-feira, 16 de maio de 2014 15:57

    Álbum de figurinhas

    Dias atrás aconteceu um importante encontro, no centro da cidade, que chamou a atenção dos transeuntes. Nada a ver com a economia ou alguma festividade. O encontro reuniu um numeroso grupo de garotos (alguns acompanhados dos pais) para trocar figurinhas do álbum da Copa do Mundo.

    Não participei do encontro, mas bateu uma pontinha de saudade. Como se o espírito de colecionador voltasse a me assaltar. Também já tive álbum de jogadores de futebol. E não há nada tão envolvente quanto procurar a imagem do craque que falta. Algumas figurinhas tornam-se objeto de desejo por conta de sua raridade, embora o fenômeno seja negado pelo fabricante. Segundo ele, todas as figuras têm a mesma tiragem.

    E olhar os álbuns antigos, além do saudosismo, ajuda a entender o fenômeno mundial do futebol. Conheço muita gente que exibe os álbuns completos das Copas passadas como se fossem troféus. Na verdade, são troféus. E deixam um pouquinho de inveja...

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    Aviso aos mais jovens: a tradição determina que as figurinhas da Seleção argentina sejam coladas de cabeça para baixo. É mandinga...

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    Completar a seleção japonesa é bem fácil. É só repetir sempre a mesma figurinha.

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    Na seleção de Portugal, é só achar a figurinha do Cristiano Ronaldo. O resto pode deixar em branco.

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    Os britânicos têm um bom humor muito especial, fino e irônico. Pois é de um jornalista inglês a frase: “A copa do mundo é como o sexo na vida dos ingleses: acontece de quatro em quatro anos e o resultado nem sempre é satisfatório.”

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    Fato curioso: o jornal inglês The Sun, logo após o sorteio da Copa que colocou a Inglaterra no “grupo da morte”, estampou na capa a foto do Cristo Redentor e a manchete em letras garrafais: “Senhor, ajude-nos!”.

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    A imprensa do mundo está bem confusa com relação à nossa Copa. Alguns criticam as obras, outros temem manifestações, e outros estão boquiabertos. Eles dizem: “Esses brasileiros são mesmo muito loucos!”. Para eles, é uma ousadia fazer uma Copa do Mundo num país continental, com 11 sedes, uma bem distante da outra. Isso nunca aconteceu.

    Exemplificando: entre Porto Alegre e Manaus, a distância aérea é de 3.172 km, e a distância terrestre é de 4.563 km. Entre Porto Alegre e Fortaleza, são 3.215 via área, e 4.013 via terrestre.

    Espante-se: na Europa, a distância entre Lisboa e Moscou, é de 3.906 km, e você atravessa 7 países! Os brasileiros são mesmo muito malucos!

  • sexta-feira, 9 de maio de 2014 09:00

    Mãe só tem uma!

    Polêmica na capital dos gaúchos. Alunos do Colégio Farroupilha iniciaram um projeto para estimular as pessoas a andarem a pé, abandonando o carro e driblando o trânsito caótico. Reuniram dinheiro doado pelos pais, avós e padrinhos, e estão colocando placas na cidade, indicando aos pedestres o melhor caminho para diversos locais. Como se dissessem: “por aqui o caminho é mais curto” ou “são apenas 10 minutos de caminhada até a Redenção”.

    A polêmica fica por conta da autorização para colocar estas placas, pois o órgão responsável pelo trânsito não gostou da ideia. Os alunos dizem que serão centenas de placas, e que a população está gostando da iniciativa.

    Isso faz lembrar a confusa, e muitas vezes inexistente, sinalização das ruas de Santa Rosa. Um visitante, chegando à cidade pela primeira vez, estará irremediavelmente perdido.

    As poucas placas existentes sequer apresentam padronização visual. Já vi placas de diversos tamanhos e cores, o que só confunde e pouco informa o transeunte ou o motorista. Indicações de ruas, por exemplo, são raras. Está na hora de pensarmos essa questão. Mas não devemos pensar como moradores da cidade, e sim como visitantes. Para a cidade, será muito importante.

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    O mundo gira, mas as mães não mudam. Experimente ser mãe de um adolescente hoje, e terás experiências inesquecíveis, que a sua avó nunca teve. Pelo menos nesse particular, há alguma vantagem. Atualmente a preocupação é a mesma, mas as circunstâncias são diferentes. Aliás, desconfio que os filhos de hoje também têm opiniões que no passado não existiam. Veja algumas opiniões sobre a palavra “mãe”:

    “É uma lei da vida: a cama da mãe é sempre melhor que a sua”.

    “Minha mãe acha que meu quarto é o Facebook. Ela entra e só reclama”.

    “Tempos atrás minha mãe implorava para eu sair do computador para ir jantar. Hoje eu imploro para ela sair do Facebook e ir fazer a janta”.

    “Minha mãe diz que sou preguiço e não faço nada. Ela acha que é fácil manter o sistema respiratório, circulatório, digestivo e nervoso, tudo funcionando!”

    “Desconfio que a teoria evolucionista não está certa. Se assim fosse, as mães teriam dois pares de mãos, quatro olhos e a capacidade de auto-cura”.

    “Certa feita eu me perdi da mãe no supermercado. Aí gritei: ‘Quem me acha bonito levanta a mão’. Encontrei ela na hora!”

    “Não sei o que é pior: professor de física ou mãe com Facebook?”

    “Perguntei pra minha mãe se ela achava que eu passaria no Enem, e ela respondeu: ‘Se tem gente que ganha até na loteria...”

    “É uma injustiça. Você cria sua mãe com tanto amor e carinho e depois ela te manda lavar a louça!...”

    “Minha mãe concordou quando eu disse que acreditava em discos voadores. Mas deu apenas um sorriso quando eu disse que terminaria a faculdade...”

  • terça-feira, 29 de abril de 2014 09:25

    Datas e livros

    Se você perguntar aos vizinhos e amigos qual foi o feriado da última segunda-feira, aposto que 70% deles não saberão responder, ou pensarão algum tempo até responder. Foi um feriado colado na Páscoa. Certamente alguns deles dirão: “Pois eu reparei que a Páscoa deste ano foi bem comprida...”
    Muito bem se você lembrou de Tiradentes. Pois o feriado nacional (que este ano se transformou em feriadão) corresponde à data em que ele foi executado pelas forças portuguesas. Contam que foi enforcado e esquartejado no Rio de Janeiro, e as partes do seu corpo foram distribuídas em diversas cidades. O objetivo era intimidar futuros revoltosos, pois na época as idéias de independência estavam à solta.
    A história dos inconfidentes mineiros é espetacular. É realmente uma pena que a data em que homenageamos nosso principal mártir transcorra de forma assim tão apagada.
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    Pois hoje, 25 de abril, é feriado em Portugal. A data lembra a célebre “Revolução dos Cravos”, também conhecida como “Revolução de 25 de abril”. Recebeu o nome de “Revolução dos Cravos” porque uma florista de Lisboa passou a distribuir cravos vermelhos aos soldados, que os colocavam nos canos das espingardas.
    Tudo aconteceu em 1974. Os portugueses que, ao contrário do que imaginamos, não são ingênuos ou tolos, estavam cansados de um longo regime ditatorial que teve início em 1933. O regime salazarista estava esgotado e Portugal se tornara um país empobrecido. O movimento popular contou com o apoio de grande parte das Forças Armadas, que por aquelas bandas são bem democráticas.
    O interessante é que a revolução portuguesa sempre foi controversa. Até hoje existem os saudosistas dos tempos de Salazar, que já são poucos.
    Isso prova uma velha máxima: “A morte é um grande agente de mudanças”. No Brasil, como sabemos, os saudosistas também já são bem poucos.
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    Gabriel Garcia Márquez, que faleceu na semana passada, foi simplesmente o maior escritor latino-americano de todos os tempos. Lembro bem do impacto que senti quando li o seu “Cem anos de solidão”. Algo realmente maravilhoso. Depois, acabei lendo quase tudo o que ele escreveu.
    Por isso, deixo essa dica de leitura. Leia qualquer coisa que o Gabriel tenha escrito, mas comece por “Crônica de uma morte anunciada”, depois leia “O general em seu labirinto”. Prossiga com “O amor nos tempos do cólera” e “O outono do patriarca”. Há ainda outros, entre os quais “Viver para contar”, uma espécie de autobiografia.
    Mas, é claro, jamais esqueça de ler (e reler) o notável “Cem Anos de Solidão”, verdadeiro mergulho na alma do nosso continente.