• sexta-feira, 5 de julho de 2013 14:42

    Gente interessante

    Santa Rosa já teve a sua "esquina democrática", a exemplo de muitas cidades Brasil afora. Ela estava localizada na confluência rua Santos Dumont com a rua que passa em frente à antiga prefeitura, bem diante da ex-banca de revistas (espaço que hoje é ocupado pelos artesãos locais).

    Lá se reuniam políticos, jornalistas, advogados e outros debatedores para comentar os assuntos em voga na cidade, especialmente nas manhãs de sábado, sempre com a presença do aguerrido Erani Müller (que foi vereador e deputado). O Erani era uma espécie de catalisador dos debates. Os tempos eram outros, e os assuntos também. Na época, a política dominava, mas de vez em quando as conversas também envolviam pescarias, especialmente quando o peixe era grande demais para caber no rio Santa Rosa.

    Hoje temos o "paço democrático", em frente ao Centro Cívico, onde se encontram figuras carimbadas em discussões sobre o fim do mundo, as passeatas nacionais e a importância do tomate na elaboração do molho de macarrão. Já vi debates acalorados sobre o motor do Chevette 1977, as estratégias de sobrevivência no casamento, o futuro do rio Uruguai e a qualidade dos vinhos vindos da região de Chiapeta. Lá estão o Borrego, o Jansen, o Lucindo, o Adalto, o Faccin, o Vescia, o Barão, o Leo Bauken e outras figuras impagáveis que tentam resolver os problemas nacionais e universais. Ao final das conversas, obviamente, não produzem nenhuma conclusão valiosa, ou, pelo menos exequível. Mas, tenho de reconhecer, eles se divertem!

    Afinal, o que há de melhor a fazer com a vida numa manhã de sábado?

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    Vale a pena refletir sobre a manifestação do presidente do Uruguai, Pepe Mujica, que é uma figura ímpar entre os líderes do mundo. Mujica é conhecido por andar de ônibus, cultivar o próprio jardim e ser um hábil negociador político. Também é lembrado por ter combatido a ditadura uruguaia nas décadas de 60 e 70, regime que ajudou a derrubar. A vida austera do presidente uruguaio sempre chamou a atenção de todos. Afinal, é algo incomum ver um presidente da república pegando ônibus para chegar ao trabalho.

    Pois a imprensa internacional batizou Mujica de "o presidente mais pobre do mundo" em razão do seu estilo simples de viver. Indagado a respeito, o presidente uruguaio respondeu com a calma de sempre:

    "Eu não sou pobre. Pobres são aqueles que precisam de muito para viver. Esses são os verdadeiros pobres. Eu tenho o suficiente. Sou austero, carrego poucas coisas comigo, porque para viver não preciso mais do que tenho".

    Nesses tempos de consumo desenfreado, em que as pessoas lutam desesperadamente para trocar de carro e de celular todos os dias, em que as pessoas são tão descartáveis quando um saquinho de supermercado, a resposta de Mujica merece uma grande e verdadeira reflexão.

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    A notícia divulgada na semana passada dá conta de que a Prefeitura comprou uma área de 5 hectares, que será doada a uma empresa que virá instalar-se no município. Até aí, tudo bem. A iniciativa privada sempre tira vantagem do interesse das comunidades pelo desenvolvimento.

    O interessante é que o valor pago é de R$ 350 mil. Fazendo as contas, temos R$ 70 mil por hectare. Considerando o atual preço da soja, são 1.160 sacas de soja por hectare. Deve ser o preço de lavoura mais caro do país. Eu, hein!

  • sexta-feira, 28 de junho de 2013 15:57

    Polêmicas

    A chave para clarear o ambiente político brasileiro parece ser a reforma política, da qual ouço falar desde a época em que eu usava fraldas e chupeta (pouco tempo atrás, portanto). Evidentemente as forças mais conservadoras do cenário político não a desejam.

    Uma reforma tem contornos imprevisíveis, e, num momento como este, pode derrubar incontáveis privilégios e deixar mais claras e limpas as eleições. Ninguém duvida que o atual sistema eleitoral e o financiamento das campanhas são os pilares de sustentação de um modelo político corrupto e viciado.

    Há dois caminhos. A reunião de 1,6 milhão de assinaturas (1% do eleitorado) para que o projeto siga o mesmo caminho do famoso projeto da Ficha Limpa. Para isso, a campanha já começou (saiba mais em "www.eleicõeslimpas.org.br"). No RS, com a articulação da OAB (e um grande número de entidades), a meta é obter 150 mil assinaturas. Acho que podemos obter muito mais.

    O outro caminho é aquele proposto por Dilma esta semana. Um plebiscito. Nesse aspecto, a presidenta foi rápida e objetiva ao mover as peças do xadrez. Se o Congresso não aprovar o plebiscito, será atropelado pelas manifestações públicas. E se aprovar, terá de engolir uma nova realidade de eleições limpas e partidos mais responsáveis. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

    De deixada a cargo do Congresso, ela não vai acontecer tão cedo. Mas as manifestações a tornaram quase inadiável. É o momento para ser aproveitado.

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    Eu, que gosto de futebol, já estava ficando com a consciência pesada de tanto ouvir dizer que a Copa vai deixar o país na miséria. É uma crítica leviana.

    Os estádios são construídos por municípios, clubes e empreiteiras. Para isso, quando necessitam, buscam empréstimo no BNDES. Alguns desses empréstimos já estão sendo pagos. O governo garante que não há recursos do orçamento da União para as arenas, nem mesmo para o estádio Mané Garricha, em Brasília.

    O dinheiro público, este sim, está sendo aplicado em obras de infraestrutura, como portos, aeroportos, estradas, telecomunicações, transporte urbano, etc. Quem visitou Porto Alegre recentemente sabe do que estou falando. As cidades-sede estão recebendo investimentos estruturais pesados. Algo em torno de 14,5 bilhões de reais.

    Esta semana, a renomada consultoria Ernest & Young garantiu que o retorno para o país será quatro vezes maior que todos os investimentos, e a preocupação, no momento, é com a gestão de tudo isso. Um exemplo disso é a rede hoteleira, que criará 20 mil novos leitos. Tanto os novos empreendimentos quanto os megaeventos necessitam de muita gente. O número de empregos ainda é motivo de polêmica. Uns dizem que ficará em 1,5 milhão. Outros, que pode chegar a 3 milhões de empregos permanentes.

    Eis aí uma ótima polêmica. E a minha consciência social fica mais aliviada. Vou poder torcer pela seleção sem constrangimentos.

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    Esse é um falso dilema que alguns oportunistas utilizam nesses momentos. "Não podemos fazer nada, pois o dinheiro deve ir para a saúde". Se esse raciocínio tivesse algum valor (coisa que não tem, pois é falso), não poderíamos ter cinemas, teatros, bibliotecas, parques, estradas, segurança, proteção à natureza, eventos artísticos, esportes de massa, pesquisa científica, universidades, aeroportos, turismo, indústria do entretenimento, áreas de lazer, e muito menos estádios e ginásios esportivos.

    Entendeu? Desenvolvimento humano é integral, ou não é.

  • sexta-feira, 21 de junho de 2013 17:04

    Luz, mais luz!

    Quase não resisti à tentação de falar sobre as manifestações públicas pelo Brasil afora. Mas me contive. Melhor esperar para ver as coisas com maior clareza, com mais luz. Até porque ninguém sabe exatamente o que está ocorrendo. Por isso mesmo, me reservo o direito de comentar os protestos mais tarde. Ou, como diria o grande Paulinho da Viola, em meio ao nevoeiro vou conduzindo o barco devagar.

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    O fenômeno das redes sociais (especialmente o Facebook) também precisa de um certo discernimento. O que tenho visto de bobagens por lá é de chocar.

    Tempos atrás, as redes sociais foram tomadas por manifestações indignadas sobre o auxílio-reclusão pago às famílias de pessoas encarceradas. Houve até gente pedindo a destituição da presidente da república por conta dessa "vergonha nacional". Conclusão: nenhum desses revoltados internautas sabia o que é o auxílio-reclusão, o que ele significa, e muito menos os valores que são efetivamente pagos. Também não sabiam que o auxílio-reclusão existe desde quando a Dilma era adolescente. Uma grande furada, foi o que assistimos.

    Mais recentemente, outra vez as redes sociais foram invadidas por manifestações coléricas sobre um projeto de lei que criaria uma "bolsa prostituta", no valor de R$ 2 mil, valor este que seria pago às profissionais do sexo para que pudessem estudar e mobiliar suas casas. Chegaram a indicar a autora do "vergonhoso" projeto de lei. É claro que a acusada teria de ser uma senadora do PT. Descobriu-se, logo a seguir, que o tal projeto nunca existiu. A mentira correu solta no Facebook, e milhares de ingênuos acreditaram!

    Também recentemente as redes sociais se encarregaram de divulgar a "notícia" de que o governo federal estaria acabando com o Bolsa Família. O boato causou comoção em diversas cidades e desentendimentos políticos diversos. Nada do que foi divulgado era verdade. Mas houve quem acreditasse...

    Em maio último os internautas se revoltaram contra uma estudante chamada Sophia Fernandes, que teria postado mensagem preconceituosa contra os nordestinos. Não faltou quem pedisse a condenação da jovem à cadeira elétrica. Logo descobriu-se que a mensagem era falsa, criada por alguém com segundas intenções. Na linguagem da internet, foi um "fake", ou seja, alguém usou o nome da jovem, criando perfil falso e divulgando mensagem xenófoba. Mais uma vez milhares acreditaram...

    Enfim, a rede social está cheia de besteirol, sem falar naquelas frases e mensagens jocosas e irônicas envolvendo Lula e Dilma, cujo conteúdo, além de não contribuir para o debate sócio-político, são claras manifestações do pensamento fascista.

    Se é possível deixar uma sugestão, aí vai ela. Não abandone a rede social, mas utilize-a com a finalidade para a qual foi criada. Encontre pessoas, comunique-se, aumente suas amizades. Mande mensagens simpáticas ou altruístas, se assim quiser. Enriqueça sua vida. Mas não seja ingênuo. Não acredite em factóides. Não seja manipulado.

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    Esse comentário me fez lembrar a famosa frase, dita pelo alemão Goethe, no leito de morte: "Luz, mais luz!". A luz dissipa as trevas, não é verdade?

    Mas também fez lembrar o escritor austríaco Robert Musil, comentando como a verdade pode ser distorcida:

    "Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar; ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade".

  • sexta-feira, 14 de junho de 2013 13:35

    Coisas do mundo

    O mundo ficou chocado com a informação de que o governo dos EUA monitora a vida de milhões de pessoas, via internet,

    inclusive no Brasil. É a bisbilhotagem eletrônica, que no tempo da ditadura era feita, por aqui, pelos puxa-sacos que ficaram conhecidos como "arapongas".

    Atualmente, a espionagem eletrônica (muito mais eficiente) é tida como uma agressão a um dos mais elementares direitos do cidadão em qualquer lugar do mundo. O site Wikileaks, que está sendo processado pelo governo americano, já tinha denunciado anteriormente. E como isso funciona?

    Por exemplo: eu mando um e-mail para um amigo que mora, digamos, em Giruá. A minha mensagem segue vertiginosamente até os centros de internet no Brasil, vai até a Europa, e retorna pelo mesmo caminho até Giruá. Não existe ligação direta entre a minha casa e a casa do meu amigo.

    O problema é que todas as redes óticas da América do Sul passam pelos Estados Unidos, e lá, segundo as denúncias, são monitoradas. Essa nova arapongagem já é considerada o maior e mais grave movimento de espionagem ilegal já realizado no mundo todo. Dá o que pensar...

    Enfim, na próxima vez que você entrar no "Feicibuqui", aproveite para mandar uma mensagem para o Barack Obama. Quem sabe vocês se tornam amigos...

    ***

    Problema para os amantes de rodeios do Estado, e cavaleiros em geral. Está em debate um decreto estadual envolvendo a saúde dos cavalos. Agora, para chegar até o rodeio, além da "Guia de Transporte", será preciso portar comprovante de vacina contra a anemia infecciosa e o teste de influenza (gripe equina). Vale também para deslocamento dos cavalos dentro do próprio município.

    Isso deve pesar na guaiaca dos gaúchos.

    Fala-se até em uma "carteirinha de saúde" a ser transportada. Assim, se houver desentendimento, numa barreira sanitária, podemos nos deparar com diálogos deste tipo:

    "A carteirinha do animal, por favor", diz o policial.

    "Tchê, esse aí ainda não foi vacinado..."

    E o policial:

    "Não estou falando com você. Estou falando com o cavalo..."

    ***

    Virou piada municipal o folder distribuído na Indumóveis, intitulado "Mapa Turístico de Santa Rosa". Ocorre que no mapa não aparece o Parque de Exposições! É claro que algum gaiato já perguntou: "Nossa, já venderam o parque?".

    Coisas desse tipo acontecem. Azar. Mas o material gráfico, evidentemente, não tira o brilho da Indumóveis, evento que despertou a simpatia de todos. Como dizíamos anteriormente, a feira é um marco para a nossa economia, pois consolida a diversificação, deixando para trás os tempos em que vivíamos às voltas com a monocultura da soja.

    Aliás, vale lembrar que a Cresol lançou, na feira, um novo loteamento, acompanhando outras iniciativas do gênero. Se é verdade que Santa Rosa projeta, para esta década, um acréscimo populacional de 50 mil pessoas, passando dos atuais 70 mil para 120 mil, esse é o tipo de projeto econômico que tem futuro.

    A informação (que é uma projeção, na verdade) de acréscimo populacional deveria provocar um debate intenso em todas as áreas sociais e econômicas. A cidade está preparada para esse "inchaço"? O que estamos fazendo para acolher toda essa população? As perguntas são muitas, como se vê.