• sexta-feira, 22 de março de 2013 14:46

    Motoboys e outras figuras

    A normatização da profissão de motoboy já existe. O que falta é colocá-la em prática. Alguns deles já estão até fazendo cursos para melhor desempenhar suas funções. Isso é ótimo. Afinal, é uma profissão como qualquer outra, e um certo grau de profissionalismo cai muito bem.

    Fico até imaginando que um bom período das aulas deve ser dedicado a dois temas: velocidade e ultrapassagens. Por estas bandas, condutor de motocicleta não sabe ultrapassar e velocímetro é uma pecinha luminosa que só existe nos outros veículos.

    Está bem, eu sei que estou generalizando. Mas no trânsito da cidade não há dúvida nenhuma. O grande perigo são as motocicletas. E o que é pior: eles (motoqueiros ou motociclistas, você escolhe) são as vítimas mais frequentes.

    ***

    Na gíria bem humorada do mundo corporativo, motoboy tem função pomposa. Ele é o “especialista em logística de documentos”.

    No trânsito, aliás, existem outras funções fundamentais. O taxista é o  “distribuidor de recursos humanos”. E o cobrador do ônibus é o “técnico contábil de transporte de massa”. São títulos para zoar as empresas que escolhem títulos esquisitos para os cargos na ingênua ilusão de que isso dá poder e legitimidade ao seu  detentor. No futebol, certa feita um jogador, cujo time lutava contra o resultado adverso no jogo, gritou para o garoto ao lado do campo:

    “Depressa com a bola, gandula!”

    E o guri, sem pressa nenhuma, explicou:

    “Gandula, coisa nenhuma! Aqui eu sou o “coordenador do fluxo de artigos esportivos”. E devolveu a bola. Lentamente.

    ***

    Nem parece que estamos vivendo 2013 e já estamos entrando na Semana Santa, período que já foi mais religioso e contrito, mas ainda tem sua aura. É uma semana diferente. Mas já foi, é claro, muito diferente do que é hoje.

    Conheci famílias que se reuniam no início da semana para uma conversa séria. Esta será uma semana de jejum, jejum completo! Sim, todos concordavam, será uma semana diferente. Sem festas ou bailes. O rádio, se estiver ligado, será baixinho. Sem gritarias, todos admitiam.

    Pois bem, a partir de então, a mãe buscava na gaveta do armário seu caderno de receitas a fim de que, especialmente a partir da quarta-feira, a carne de boi  desaparecesse da mesa familiar. E com isso vinha uma ameaça: comer carne poderia causar tumores, dores de cabeça, nó nas tripas, e assim por diante. Algumas pessoas mais pecadoras poderiam simplesmente explodir.

    Mas muitas famílias ainda seguem o ritual nos dias de hoje. O livro de receitas sai do armário e vai para algum lugar nobre da cozinha. Afinal, eliminar a carne não significa passar fome. O livro surge, então, como a salvação para aqueles dias que ameaçavam ser de abstinência e sofrimento.

    A partir daí, para alegria geral, embora o respeitoso silêncio desses dias, aparecem maravilhosos bolos de chuva, sopas de legumes, massas (incontáveis pratos de massas e molhos), peixes assados, recheados, fritos, gratinados. Também tem frango grelhado, frango assado, frango a passarinha, etc. E depois, geléias,  doces, suspiros, compotas e frutas cristalizadas. O cardápio se renova, se multiplica, se expande milagrosamente. É o jejum, dizem.

    Algumas famílias até convidam os parentes para jejuarem em conjunto. E a despedida é bem clara:

    “Então fica combinado, compadre. No ano que vem o jejum será lá na minha casa”.

  • sexta-feira, 8 de março de 2013 16:37

    Perguntas

    O Papa Bento XVI renunciou. A Nice Richter renunciou. Só o Renan Calheiros não renuncia, veja só.

    O Musicanto está outra vez acéfalo. E também em nova crise. Isso não é nenhuma novidade. Nós temos a tendência natural de imaginar que o evento (ou a entidade) deva ser algo sólido, permanente, imutável. Mas crises, especialmente quando envolvem temas culturais, podem ser benéficas. Seja para mudar rumos, seja para provocar reflexões.

    Os desentendimentos pessoais e políticos que estão por trás da crise atual não podem ser tão grandes que impeçam o debate sobre os rumos do Musicanto.

    E uma das questões que deverão ser respondidas, num futuro próximo, é a seguinte: Santa Rosa deseja mesmo continuar realizando o festival?

    ***

    Conversa de esquina:

    "O Chávez morreu".

    "Nossa! Coitadinhos do Kico e da Chiquinha..."

    ***

    Aliás, falando em Chávez, seu erro maior foi estimular os antagonismos sociais. Talvez tenha sido uma estratégia eleitoral, sei lá, mas o fato é que isso dividiu a Venezuela.

    Por outro lado, utilizar o dinheiro do petróleo para melhorar as condições de vida da população pobre foi o seu grande mérito. A Venezuela é rica, mas, por incrível que pareça, nunca teve políticas sociais dignas. O que faziam com tanto dinheiro antes de Chávez? A resposta parece óbvia, não é?

    ***

    E por falar em riqueza, a ONG britânica Oxfam divulgou que as 100 pessoas mais ricas do mundo faturaram, em 2012, a mixaria de 240 bilhões de dólares.

    Com esse dinheiro, daria para resolver a fome do mundo umas três vezes. Dá o que pensar, certo?

    ***

    Noticiado esta semana o arrombamento de uma livraria no centro da cidade. A propósito, arrombamentos a estabelecimentos comerciais têm se tornado corriqueiros, o que deixa a suspeita de que os gatunos andam muito faceiros em Santa Rosa.

    Mas a notícia da invasão da livraria dava conta de que os proprietários, pelo menos num primeiro momento, não sabiam quais os objetos furtados, e se entre eles haveria algo de grande valor.

    Pois fiquei matutando a respeito. Tratando-se de uma livraria, presume-se que existiam livros. E se não foi constatada a falta de dinheiro ou objetos valiosos, a conclusão a que cheguei é bastante lógica. Os malandros levaram livros para ler no final de semana! Alguém duvida?

    Seria mesmo inusitado o diálogo dos ladrões após o roubo:

    "O que você conseguiu?"

    "Um Érico Veríssimo, dois Philip Roth e um Saramago".

    "Cara, você se saiu melhor do que eu, que consegui só um Paulo Coelho e dois Jorge Amado, e ainda assim de segunda mão..."

  • quarta-feira, 6 de março de 2013 10:00

    De tudo um pouco!

    Veja que notícia interessante. O governo do Uruguai, nosso vizinho, lançou a campanha "Armas pela Vida", diante da constatação do aumento do número de homicídios naquele país. Agora, o cidadão troca aquela arma clandestina por um bicicleta ou por um microcomputador de baixo custo. A estimativa é de que existem por lá 500 mil armas ilegais, e que o programa irá substituir a violência pela saúde (no caso da bicicleta) ou pela inserção digital (no caso dos computadores).

    Solução inteligente, não é?

    ************

    Falando em violência, um foragido da justiça paulista foi preso em Santa Catarina por causa de um erro de português. Isso mesmo. O bandido portava documentos falsos e foi detido numa barreira da Polícia Rodoviária Federal. Tudo parecia certinho até que o policial observou com a atenção a Carteira de Habilitação do malandro e uma autorização para transitar com o veículo, fornecida supostamente pelo Detran. Na autorização constava a palavra "permição" em vez de "permissão".

    O policial decidiu verificar a validade do documento e encontrou o nome do ilustre motorista entre os foragidos da Justiça. Fica a lição: um erro de português pode dar cadeia...

    ************

    A Coca-Cola, como já disse alguém, é os EUA engarrafados. Um ícone do nosso mundo. A marca mais conhecida e mais vendida. Um símbolo sedutor em qualquer canto do planeta. Pois a fabricante do refrigerante bolou novos textos para suas latinhas. Primeiramente, com nomes de pessoas. Agora, com nomes de cidades, fazendo marketing e também uma homenagem.

    Fiquei pensando no assunto. Em alguns casos, a combinação da frase publicitária com o nome da cidade vira poesia pura. Por exemplo: "Quanto mais Alvorada melhor". "Quanto mais Feliz melhor". São combinações ótimas. Mas em termos ecológicos a combinação "Quanto mais Derrubadas melhor" não fica nada legal. Também não soa bem "Quanto mais Formigueiro melhor".

    Há, porém, frases que não aparecerão nas latinhas do refrigerante, por motivos óbvios. "Quanto mais Anta Gorda melhor". "Quanto mais Jaguarão melhor". "Quanto mais Muçum melhor". "Quanto mais Tapera melhor". Enfim, a homenagem publicitária terá de fazer opções e esquecer algumas cidades gaúchas...

    ************

    O santa-rosense Arnaldo Buss, que há tempos vive em Porto Alegre, inaugurou a Galeria Espaço Cultural Duque, no centro histórico da capital (Rua Duque de Caixas, 649). O empreendimento dedica-se às artes plásticas gaúchas, e, no andar térreo, mantém um café. Além de movimentar a vida cultural da capital, Arnaldo espera que o local se torne um local de encontro dos santa-rosenses que circulam por Porto Alegre.

    ************

    Na Europa, a venda de carne de cavalo, sem qualquer alerta ao consumidor, virou caso de polícia. Culturalmente, nossos rejeitamos esse alimento, mas há muitos países em que a carne de cavalo e de jumento são consumidas diariamente. O Brasil, por exemplo, exporta carne de jegue para consumo em países asiáticos.

    De qualquer maneira, de agora em diante tome cuidado ao pedir um "bife a cavalo".