• sexta-feira, 13 de dezembro de 2013 09:04

    De tudo um pouco

    As sucessivas operações realizadas nos últimos dias pela Polícia local, e a quantidade de pessoas presas, não deixam dúvidas. Santa Rosa é hoje um ponto de convergência e consumo de drogas.
    Não é uma constatação que nos alegre, pois ninguém duvida dos efeitos e consequências do consumo dessas substâncias, que podem bater à nossa porta sem qualquer aviso. E também sabemos de longa data que os alvos (ou futuros clientes) são sempre crianças e adolescentes. Isso representa mais um encargo para os pais, fazendo lembrar um velho ditado: “o preço da liberdade é a eterna vigilância”.
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    Entre os heróis do nosso tempo não há figura maior que Nelson Mandela. Vale a pena conhecer a vida do cara que conseguiu unir um país não obstante as aflições e injustiças que enfrentou ao longo de quase um século. Insuperável.
    Chega a ser emocionante ver a população sul-africana cantando e dançando em homenagem ao homem que virou um símbolo.
    Não é apenas a África do Sul que agradece. O mundo inteiro está diferente. Aprendemos com ele a alimentar a tolerância, a repudiar o preconceito e enfrentar a violência com as mãos desarmadas. Uma lição inesquecível.
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    Respeitadas as diferenças, João Goulart e Juscelino Kubitschek também são nossos heróis, os heróis da democracia brasileira conquistada a duras penas.
    Pois o novo sepultamento de Jango, com as honras de Estado, recupera a figura do presidente deposto arbitrariamente em 1964. Ele ficará para a História como o presidente que caiu por suas virtudes, não por seus defeitos. E as reformas de base por ele sugeridas ainda não foram implantadas.
    Hoje, quando se fala tanto em reformas estruturais para o Brasil, a figura de Jango aparece. Ele tinha sugerido modificar o Brasil no início da década de 60. Forças diversas, representantes de um Brasil arcaico e atrasado, achavam isso intolerável. Talvez porque, na época, falar em reformas era algo muito ousado.
    Por outro lado, Juscelino (que suspeita-se tenha sido assassinado) ficará como o presidente que tentou restabelecer a democracia, o que ele, mais do que ninguém, tinha condições de fazer nos idos de 1976. Sua morte foi muito conveniente para a ocasião.
    Como se vê, também temos nossos heróis na história recente.
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    O assunto está presente em todas as conversas na cidade. Com cerca de 37 milhões de reais no bolso, a Prefeitura se prepara para recuperar inúmeras ruas. Mas a atenção, mesmo, está voltada para a Avenida Expedicionário Weber.
    Todos estão na expectativa, e fazendo perguntas. Já ouvi muitas delas.
    Será apenas uma recuperação da camada asfáltica? O asfalto será de qualidade? Os alagamentos serão eliminados? Haverá ciclovia? O projeto Tapé-Porã será contemplado para beneficiar os pedestres?
    As interrogações são muitas. Mas não resta dúvida de que todos estão interessados no que acontecerá com a via mais importante e mais frenética da cidade. A população irá acompanhar de perto o investimento tão significativo. Afinal, ela, a população, irá pagar o empréstimo.

     

  • sexta-feira, 6 de dezembro de 2013 16:25

    O tempo passa...

    Tenho certeza que você tem a sensação de que o tempo está passando muito rápido, rápido demais. Eu também. Quando
    o final do ano se aproxima esses pensamentos aparecem, em meio à correria diária. Já não conseguimos realizar todas as tarefas planejadas. E não é por falta de esforço, afinal, fazemos tudo correndo. Então, o que está acontecendo?

    Estamos cada vez mais ávidos por ganhar tempo. Nossos carros, eletrodomésticos, celulares e computadores estão a cada dia mais velozes. Inventamos as compras on-line para agilizar, e também inventamos o Sedex, o motoboy e a entrega expressa. E mesmo assim parece que o tempo não é o mesmo, embora saibamos que o dia ainda tem 24 horas e a hora 60 minutos.

    Há quem diga que essa sensação de viver sempre mais rápido tem a ver com o nosso mundo tecnológico, onde um notebook comprado na semana passada já está defasado. Mal aprendemos a lidar com o monstro e já existe outro mais rápido na loja da esquina. Pouco tempo atrás tolerávamos esperar 10 minutos para baixar uma fotografia da internet. Hoje não suportamos esperar 10 segundos! E lembro que meus pais, na juventude, pouco se preocupavam quando a carta enviada pelos parentes levava 30 dias para chegar...

    Para alguns estudiosos, isso tem alterado a nossa percepção do tempo. Para nós, ocidentais, o tempo é linear. O que passou, passou. Não há como recuperar. E assim seguimos, numa linha reta, tentando aproveitar ao máximo o nosso tempo. "Quanto mais rápido melhor" parece ser o lema da nossa época. A agenda está sempre cheia. Parece que nos afastamos do nosso ritmo biológico, o que causa a sensação de que o tempo está correndo de forma incontrolável.

    Os psicólogos já identificam sintomas de algo que chamam de "doença da pressa" que causa ansiedade e dificuldade para relaxar. Conheço muita gente assim.

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    Veja só. Os fabricantes de elevadores já detectaram essa doença nos sujeitos que apertam duas, três, quatro vezes o botão da máquina, na infantil suposição de que isso irá acelerar o movimento do elevador. Por isso estão colocando elementos "de distração", como luzes que indicam a proximidade da chegada e avisos sonoros, que servem apenas para iludir o apressadinho.

    Não é preciso dizer que essa correria (muitas vezes sem objetivos claros) nos traz muitos problemas. Prejuízos nos relacionamentos sociais, obesidade por conta das comidas "fast-food", diminuição da criatividade e, é claro, a eliminação do prazer em tudo o que fazemos.

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    Já existe mundo afora um movimento de pessoas que defende o controle dessa pressa toda. Fazem jantares que duram horas. Tudo é feito com calma, lentamente, com o propósito de provocar a reflexão nos apressados. E eles descobrem que nesses momentos "jogados fora" aprenderam muito.

    Você, por exemplo, lembra da última vez que leu um livro volumoso, desses que têm 300, 400 páginas?

    Aliás, essas pessoas descobriram que a melhor "vacina" contra essa pressa é ter algum hobby, como caminhar, pintar, ler, praticar ioga, etc.

    O final do ano, com suas festas e suas homenagens metafísicas e espirituais, é um bom momento para pensarmos na agitação da nossa vida. Chegaremos à conclusão que fazemos muito e aproveitamos pouco. É isso.

  • sexta-feira, 29 de novembro de 2013 17:48

    Chibeiros e malandros

     

     

    Na nossas referências culturais o "chibeiro" ocupa um espaço importante. Em torno dele existem incontáveis históricas e lendas. O chibeiro é uma figura romântica, um aventureiro em busca de sobrevivência. Ao longo do tempo usaram o "chibo" para manutenção familiar e até foram importantes para a integração entre Brasil e Argentina. Superam as limitações geográficas, a burocracia estatal, e até a vigilância das forças de segurança. Com isso, aproximam populações, encontram companhia em ambos os lados, e geram filhos que falam duas línguas. Uma configuração sociológica interessante que produz valores humanos e culturais importantes para todos nós. De certa forma, eles são os heróis da fronteira.

    Mas o desaparecimento das fronteiras, a globalização, e a sociedade de consumo acabaram trazendo outros concorrentes para o chibeiro. E surgem atualmente incontáveis e atuantes grupos que, longe do romantismo do chibeiro, atuam de forma profissional no contrabando e no descaminho.

    É uma nova realidade, muito diferente daquela que sempre lembramos ao falar do chibeiro. Uma realidade mais perigosa.

    São grupos organizados, em busca de dinheiro rápido, que atuam num amplo leque de opções comerciais. Apreensões feitas pela polícia, neste 2013, dão conta de que a gama de "serviços" é mesmo ampla. Toneladas de soja, agrotóxicos, painço e sementes ilegais (a maioria transgênica) e outros produtos agrícolas. A compra e venda também envolve animais, cigarros, pneus e outras mercadorias. É uma forma de atuação que, de fato, nada mais tem a ver com o tradicional chibo.

    Junto com esse volume considerável de produtos, vêm o tráfico de drogas, a violência, o crime. Este é o perigo maior.

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    A palavra chibo é típica da nossa região, no sentido do comércio "formiga", com o leva e trás de mercadorias úteis, para uso pessoal, e sem o propósito de formação de comércio organizado ou em escala. Por isso mesmo sempre existiu a tolerância estatal, pois o chibo nunca representou perigo real para o erário ou para a ordem legal.

    Porém, no restante dos países da língua portuguesa ela significa bode novo. Lembro que o (muito bom) livro do escrito peruano Mario Vargas Llosa foi publicado no Brasil com o título "A festa do bode", e em Portugal com o título "A festa do chibo".

    O sentido que damos à palavra "chibo" é estranho em outras regiões do país. É um significado regionalista da fronteira gaúcha, seja com o Uruguai, seja com a Argentina.

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    Pois o brasileiro chegou na aduana argentina com uma carga estranha no automóvel. O policial logo viu que se tratava de uma carga de cachaça, mas o brasileiro explicou, muito desentendido:

    "Cachaça? Imagina! Isso é água benta que estou trazendo do Santuário da Nossa Senhora Aparecida para as paróquias aqui de Misiones..."

    O policial então abriu uma das garrafas, cheirou e gritou:

    "É cachaça, sim!".

    O brasileiro, então, ajoelhou-se e ergueu os braços para o céu:

    "Aleluia! Mais um milagre, Nossa Senhora!"

  • sábado, 23 de novembro de 2013 12:13

    Coisas da cidade

    Quando falamos em área pública, não há necessidade de uma definição mais detalhada. É uma área que pertence à administração pública e é de uso comum. O uso por particulares é regulado por lei. Nada mais simples. Se a área é privada (como o imóvel de sua casa, por exemplo), é de uso particular e só pode ser usada por terceiros mediante sua autorização.
    Com essa conversa introdutória, estou me referindo a áreas públicas que vêm sendo usadas, indiscriminadamente, para anúncios e propagandas particulares. Começou no Parcão e se espalhou para os canteiros centrais de diversas avenidas. A rótula de entrada do Bairro Cruzeiro virou um festival de propagandas. O resultado disso (além do uso ilegal) é que a poluição visual se torna gritante, e gera reclamações muito apropriadas.
    A questão é que devemos levar em conta um princípio chamado isonomia. Se alguém pode usar, todos podem. É área pública, certo? Se uma empresa utiliza, todas as demais também têm direito? É claro que não. Quem está errado é aquele que a usa sem autorização legal. O correto, no caso, é ninguém utilizar, para que todos sejam respeitados. A cidade fica mais bonita e agradece.
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    As obras de ampliação do Hospital de Caridade têm um efeito, para a cidade, como a serotonina para o corpo de cada um de nós: proporciona entusiasmo e alegria. Usei esta comparação porque, afinal, estamos falando de saúde, no caso, da saúde pública. E a serotonina, como explicou meu médico, mexe com o humor, o sono, o ritmo cardíaco e até com as funções intelectuais.
    Afora essas explicações fisiológicas, o fato é que a obra trouxe à comunidade uma certa alegria, e a certeza de que em breve os serviços de saúde da cidade serão melhores.
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    A retomada das obras do Centro Cultural (antiga prefeitura) também é uma notícia saudada com entusiasmo. Aos poucos, parte por parte, chegaremos lá. Não há nenhum problema nisso. Obras desse porte, voltadas para a cultura e o entretenimento, sempre demandam tempo. Verbas públicas, licitações, pregões, e outras coisas do gênero as tornam demoradas.
    A estratégia de fazer o trabalho de forma segmentada está correta. Vamos por partes. Logo teremos um local que será o orgulho de Santa Rosa.
    É assim mesmo. Veja o Teatro São Pedro, em Porto Alegre, cuja ampliação vem sendo executada há uma década, e ainda demandará algum tempo para ficar pronta.
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    Orçamento de Santa Rosa, para 2014, será próximo de R$ 250 milhões. O número reflete o crescimento econômico dos últimos anos, e mostra que administrar bem e programar o futuro devem ser palavras de ordem. O caldo engrossou, pois não somos mais um pequeno município com questões meramente provincianas e paroquiais. Somos uma cidade em desenvolvimento. É diferente.
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    Você já percebeu? Faltam 36 dias para o ano acabar! Cruzes!!