• sábado, 17 de setembro de 2016 09:55

    Semana Gaúcha

    Quem acompanhou as votações, no Senado, que resultaram no golpe parlamentar de 2016 (é com esse nome que ele já entrou para a História), teve a excelente oportunidade de entender um pouco do Brasil.
    Estou falando das oligarquias que existem desde o surgimento da República, e que não sofreram abalos com a modernização, a globalização ou qualquer outro fenômeno político ou econômico. Elas continuam mandando. Estão muito acima das siglas partidárias e nem mesmo os modernos processos eleitorais eliminam o que restou do coronelismo. São características que vêm desde o período escravagista.
    Pois o Senado é o reflexo mais claro de sua atuação. Veja algumas:
    Em Alagoas, temos as famílias Calheiros e Collor de Mello. Na Bahia, as famílias Magalhães e Souto. No Ceará, a família Jereissati. No Maranhão, os Sarney, os Lobão e os Murad. Em Minas Gerais, os Neves e os Cunha. No Rio Grande do Norte, as famílias Maia, Alves, Rosado e Faria. E assim por diante.
    Já nos estados do Sul e Sudeste, não existem famílias propriamente ditas, mas grupos econômicos que atuam juntamente com aquelas quando seus interesses são ameaçados. E tratam de eleger seus representantes no Legislativo, os capatazes que estão lá com objetivos bem específicos, ou seja, que o Estado brasileiro esteja a seu serviço, e não a serviço da população. O nosso Senado é o desenho claro do país.
    As oligarquias preservam e reproduzem hereditariamente o seu poder e sua fortuna, passando de pai para filho, e pouco se preocupam com coisas como a vontade popular. Esta, provavelmente, seja a mais sólida explicação para o atraso brasileiro. Nem o capitalismo consegue ser moderno no Brasil.
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    Dos 513 deputados federais, 303 são acusados de alguma atividade ilícita. A mesma proporção acontece no Senado. Acho que as transmissões de sessões, pela TV, deveriam vir acompanhadas de um aviso às famílias: “Faixa etária: 18 anos”.
    Eles são um perigo para nossas crianças...
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    A semana farroupilha está aí, com gaúchos entusiasmados que tiram do armário suas pilchas, armam acampamentos rústicos em lugares públicos e dão um trato nos cavalos para os desfiles de setembro.
    Não se nega que o tradicionalismo tem uma dose exagerada de conservadorismo. Mas existe um aspecto louvável nessas tradições, quando lembramos do mundo globalizado da atualidade, mundo que passa uma régua linear sobre as cabeças dos seres humanos em todo o planeta. Somos apenas consumidores, mergulhados num mercado avassalador, e contra a nossa vontade.
    Estou falando da resistência cultural. Culturas e linguagens estão desaparecendo pelo mundo afora. Isso significa um empobrecimento cultural lamentável. Observe as vestimentas e o tipo de alimentação que dominam a vida atual. Somos um mundo pasteurizado e enfadonho. O jovem de Santa Rosa tem os mesmos hábitos de um garoto de Nova Iorque ou de uma vila em Portugal. Muito chato.
    Pois o chimarrão, a bomba-cha e o cavalo são formas de resistência a essa homogenei-zação que destrói as culturas regionais. São valores a serem defendidos.

     

  • sábado, 10 de setembro de 2016 10:21

    Pirilampos

    Semana passada, aqui neste espaço, falei da reduzida participação das mulheres na política brasileira. Pois agora me deparei com uma revista de circulação nacional que traz estatísticas a respeito. Tudo confirma o que aqui foi dito.
    O Brasil está na 175ª colocação no mundo! Uma posição lamentável.
    Na América Latina, as campeãs femininas na política são Bolívia, Cuba, México e Costa Rica (mais de 40% de participação). Na Europa, os países melhores colocados são Suécia, Finlândia, Islândia e Espanha (no mesmo patamar).
    Nossa posição, na faixa 10%, merece uma boa reflexão.
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    Uma das mais encantadoras lembranças da infância é aquele assombro com os vaga-lumes. Como aqueles bichinhos tão simpáticos produzem luz própria? Ou, como perguntávamos na época, “onde eles recarregam a bateria de suas lanternas”?
    Só quando virei adulto descobri que aquilo se chama bioluminescência, que surge de uma reação química dos órgãos fosforescentes localizados na parte inferior do abdômen. Perdi parte da minha inocência ao saber disso.
    Pois recentes informações científicas mostram preocupação com o desaparecimento (ou redução significativa) dos vaga-lumes em todo o mundo.
    Em Boston (EUA) está em andamento uma pesquisa que busca quantificar essa aparente diminuição dos pirilampos. Uma das medidas é propor aos habitantes que desliguem as luzes de suas casas e jardins na época do aparecimento deles. E, também, é claro, reduzir o consumo de inseticidas, causa provável do fenômeno.
    Aqui no Brasil o caso vem sendo estudado no centro-oeste, onde algumas espécies já estão quase completamente desaparecidas. A explicação é que as lavouras de soja (e os venenos) estão eliminando os cupinzeiros que dão origem aos vaga-lumes.
    Sem aquelas luzinhas, acho que a infância jamais será a mesma...
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    Falando nessas coisas, lembrei de um filme famoso chamado “Túmulo dos vagalumes”, de 1988, uma animação japonesa que mostra as tentativas de sobrevivência de dois irmãos (um menino e sua irmã menor) durante os momentos finais da Segunda Guerra.
    Um filme de profunda tristeza. Emociona demais. Mostra o cotidiano dos inocentes durante uma guerra e a crueldade que se repete entre os humanos. Coisa rara quando se trata de filmes de animação feitos para adultos. Fica a dica.
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    Pois os pirilampos (ou vaga-lumes) também fazem parte da vida do campo gaúcho, lembrando que estamos no mês comemorativo da Revolução Farroupilha. Fazem parte, na verdade, da nossa cultura, e volta e meia são lembrados na música e na literatura. Entre as canções mais conhecidas que falam dos vaga-lumes, está a música “Pilchas”, de Luis Coronel e Airton Pimentel, que tem uma bela primeira estrofe:
    “Não pensem que são pirilampos estas estrelas lá fora.
    É a lua clara dos campos refletida nas esporas”.

     

  • sábado, 3 de setembro de 2016 10:58

    Coisas da cidade

    É impressionante a qualidade das ligações via celular em Santa Rosa. Mas “impressionante” no pior sentido. As ligações estão com péssima qualidade. O cidadão atende o telefone e começa a caminhar, feito mosca tonta, à procura de um local onde o sinal seja audível e a conversa possa acontecer sem interrupções ou queda de sinal. Normalmente, a conversa não chega ao fim.
    Quais as alternativas? Sinal de fumaça é uma delas. Tambores é outra. Pombo-correio, talvez. É a modernidade...
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    A briga pelo aeroporto local adquiriu contornos políticos. Houve anúncio da retirada do projeto do programa de aeroportos da presidente Dilma. Seguiu-se intensa correria e desmentidos. O aeroporto, dizem, continua na lista. Ficamos entre versões e desmentidos, porque 2016 é ano de eleições. O fato é que fere o bom senso acreditar no aeroporto em Santa Rosa após os investimentos feitos em Santo Ângelo.
    Mas como há repercussões políticas no fato, continuaremos entre as versões e os desmentidos. E sem o aeroporto. Aliás, considerando o que temos hoje, é melhor um local adequado em Santo Ângelo do que persistir na briga política.
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    A mortandade de peixes no rio Pessegueirinho pode até emocionar alguns ecologistas e grande contingente de santa-rosenses. Situações semelhantes já aconteceram no passado. Não há novidade nisso tudo. A recuperação do rio e de suas margens é um sonho antigo, mas improvável na prática. A população não está preparada para colaborar, nem os empresários por lá instalados, os quais, como todo mundo sabe, continuam jogando dejetos no leito do pequeno rio.
    Se algo deve causar espanto é a existência desses peixes no Pessegueirinho. Como é que eles vivem lá? Bem, talvez eles usem máscaras...
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    Farol ligado nas estradas gerou uma onda de multas. A medida, em si, é boa. Basta transitar pelas rodovias para perceber que a visibilidade dos veículos está diferente. Mas o levantamento, apenas durante os primeiros 30 dias da medida, aponta a aplicação de 124.000 multas. Algo em torno de R$ 10,5 milhões arrecadados, só nas rodovias federais! Imagine se somarmos também as estaduais...
    O dinheiro certamente não será aplicado em estradas, pois há previsão de 30 novos pedágios somente no RS. Um deles seria próximo de Santa Rosa. Prepare-se!
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    No Brasil as mulheres não podiam votar até 1932, no governo Vargas. Mas como na época a maioria delas era analfabeta, a participação ficou muito reduzida nos anos seguintes. Somente em 1988, com a Constituição, é que adquiriram direito pleno.
    Nas eleições deste ano, o percentual de mulheres que concorrem a cargos eletivos é de 31,95%. Não houve avanços, pois o percentual é quase idêntico ao das eleições de 2012. No Rio Grande, atualmente, a taxa de ocupação de cargos eletivos por mulheres é de apenas 13,4%.
    É muito pouco, pouquíssimo! Queremos com urgência mais mulheres na política! Talvez elas façam a diferença na nossa frágil democracia. Os homens vem demonstrando, desde a instauração da República, que estão precisando de ajuda!

     

  • segunda-feira, 15 de agosto de 2016 09:18

    Da Olimpíada brazuca

    Os americanos (aqueles lá dos EUA) não têm jeito mesmo. Primeiramente, queriam que a ordem alfabética de chamada das equipes na abertura da Olimpíada fosse em inglês. Ora, a Olimpíada acontece no Brasil, onde se fala português, my friends!

    Depois, reclamaram da homenagem ao Santos Dumont. Dizem eles que os irmãos Wright são os verdadeiros pais da aviação. Eles, de fato, voaram impulsionados por uma espécie de catapulta, antes do brasileiro. Dumont, em Paris, voou movido por motores. Os aviões, até hoje, são movidos por motores, my friends!

    Dos 50 chefes de Estado que viriam para o Brasil, aparecerem apenas 18. Nosso prestígio está como o último pau do galinheiro. O mundo sabe muito bem o que está acontecendo por aqui. A pergunta feita pelas autoridades mundiais é simples: se a presidente eleita não estaria na abertura da Olimpíada, por que eles estariam, my friends?

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    Poucos dias atrás a região foi abalada com a informação falsa de que o local da ponte sobre o rio Uruguai já estaria definido. O fato chegou a ser comemorado efusivamente em Porto Xavier e em outros municípios da região missioneira. Por aqui, o que se viu foi uma enorme frustração, como se um bomba tivesse sido jogada sobre o noroeste do Estado.

    Pois a divulgação partiu de um deputado federal, veja só. No mínimo, uma irresponsabilidade. O fato foi desmentido no dia seguinte pelo Ministério encarregado dos estudos de viabilidade da ponte. Todos se perguntam: qual o propósito da falsa notícia?Na verdade, a definição ainda não ocorreu. Ou, como diz o ditado popular, muita água ainda vai correr por debaixo da ponte, digo, antes da ponte surgir.

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    Dizem que o mês de agosto é chamado de “mês do cachorro louco” porque, em razão das instabilidades climáticas, nesse período os cães tornam-se inquietos, e aumenta o número de cadelas no cio. Os cachorros ficam “doidões”, babando pelas fêmeas. Assim, a raiva (que é transmitida pela saliva) também se espalha. Quando transmitida pelo morcego, pode atingir também outros animais. Isso tem base científica? Sei lá. Vou precisar da ajuda dos veterinários!

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    Mas todos sabemos da fama de agosto, o mês do azar.

    Foi em agosto que Getúlio cometeu suicídio e Juscelino morreu num acidente automobilístico. O mesmo destino teve a Princesa Diana. A primeira Guerra Mundial teve seu início. Hiroshima e Nagasaki foram destruídas. E Hitler se tornou chefe de Estado também em agosto.

    Tragédia pouca é bobagem, especialmente para quem gosta. Mas, para afastar as crendices, também temos boas notícias históricas em agosto. Veja.

    É o mês do nascimento de Jorge Amado (1912), de Madre Tereza de Calcutá (1910) e de Leon Tolstói (1828), um dos maiores escritores da história, e de acontecimentos como o Festival de Wookstock, a independência da Índia e a rendição do Japão, que determinou o fim da Segunda Guerra.

    E nós, em particular, temos que comemorar o mês de agosto. Afinal, foi num dia 10 de agosto que surgiu Santa Rosa...