• segunda-feira, 13 de novembro de 2017 07:38

    Pesadelo

    Você certamente sabe o que é um pesadelo. É um sonho ruim, opressivo, penoso, do qual não conseguimos nos livrar. Por conta de um pesadelo recorrente, esta semana, estive pensando até em procurar um médico. Em resumo, estou sendo perseguido por um pesadelo muito assustador.

    Sonhei, por exemplo, que a gasolina já estaria custando R$ 4,30, e que um botijão de gás estaria passando de R$ 85,00. É claro que se trata de um sonho aflitivo. Por isso eu me revirava na cama, sem conseguir acordar para me livrar do pesadelo.

    Sonhei, também, que uma passagem de ônibus leito de Santa Rosa para Porto Alegre estaria custando R$ 240,00. E ainda sonhei que a energia elétrica está subindo todos os meses! Sonhei que o Ministro da Saúde defende a redução de atendimentos do SUS.

    Sonhei que o crédito estudantil no Brasil teria sido reduzido e agora teria juros de mercado. Sonhei que as universidades públicas estão sem dinheiro até para o papel higiênico. Sonhei que os cientistas brasileiros estão fugindo do país para continuar suas pesquisas. Sonhei que os universitários já não têm apoio para viagens ao exterior.

    Sonhei que as verbas de cultura tinham sofrido cortes de 90%. Sonhei que servidores estaduais do RS estariam há 4 anos sem reajuste salarial.

    Sonhei, ainda, que a aposentadoria já não existia. Sonhei que o trabalho formal tinha virado bico. Sonhei que o salário mínimo, inacredita-velmente, estava sendo reduzido! Eu lutava para sair do pesadelo, mas não conseguia.

    Depois, sonhei que o presidente da República era um cara chamado Michel Temer. Sonhei que seus ministros estavam atolados em investigações e com muitos milhões de dólares depositados em contas nos paraísos fiscais. Sonhei que a base militar de Alcântara, orgulho do Brasil, estava sendo entregue aos norte-americanos. Sonhei que o pré-sal, outro orgulho do Brasil, estava sendo vendido para empresas pretrolíferas estrangeiras. Sonhei que a destruição da Amazônia andava a pleno vapor, agora com autorização governamental.

    Sonhei, acredite, que o Internacional estaria na série B, logo ele, um time grande que jamais pode cair. Que sonho insano!

    Depois acordei, feliz por me livrar do pesadelo. É claro que tudo fora apenas um sonho ruim, um sonho agourento. Nada daquilo estava acontecendo. Saí de casa, em direção ao trabalho, mas decidi parar num posto de gasolina para abastecer. Aí o pesadelo voltou com toda força...

    ***

    Dia 15, quarta-feira, tem início mais uma Festa das Etnias.

    Essa integração de etnias é um fenômeno interessante. Em alguns momentos, qualquer movimento étnico pode ser visto como uma espécie de racismo. Mas, nos últimos anos, por aqui, tornou-se na verdade uma festa de diversidades.

    Se, por um lado, reforça o sentimento de grupo étnico (um pertencimento), por outro alimenta e educa para contemplarmos o que existe de diferente, e belo, nas outras etnias. E o que pode ser mais interessante que essa diversidade de sons, cores e sabores, somada à alegria da confraternização?

    Para finalizar, um registro aos organizadores. Pesquisei esta semana a página das etnias de Santa Rosa no Facebook. A última postagem é do dia 21 de abril de 2015, há dois anos e meio. Está havendo ruído na comunicação?

  • sábado, 4 de novembro de 2017 08:48

    Coisas da cidade

    Está na hora de a RGE vir a público explicar o que está acontecendo com a energia elétrica em Santa Rosa. Nas últimas semanas as quedas se tornaram irritantes. Uma ou duas pela manhã, mais uma ou duas à tarde. Mesmo com céu limpo e sol brilhando. Elevadores param, computadores desligam perigosamente, máquinas e equipamentos também. A cada queda, tudo precisa ser recomeçado.

    Evidentemente, deve haver uma explicação...

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    Parece que o clima político azedou de vez entre lideranças das Missões e do Noroeste. Tudo por conta das publicações e desmentidos envolvendo a ponte sobre o nosso querido rio Uruguai.

    Nas Missões se ouve: “A ponte é nossa!”

    Na região Noroeste o papo é outro: “Não é bem assim. Muita água ainda vai passar sob a ponte que não existe!”

    Confesso que não sei aonde isso vai dar. Depois daquela comemoração infantil do Darcisio Perondi na Câmara dos Deputados, que revela bem o nível de elegância e recato daquela casa legislativa, acho que teremos mais lances espetaculares e pouca efetividade. Talvez não vejamos a ponte tão cedo.

    ***

    Outubro passou e com ele as intensas programações do “Outubro Rosa”, com inúmeros momentos em que as mulheres (especialmente elas) foram alertadas sobre o risco do câncer de mama. Aqui mesmo na cidade a movimentação foi grande e digna de elogios. O caso é sério. Diagnóstico precoce aumenta a possibilidade de cura. O Instituto Nacional do Câncer estima que, neste ano de 2017, chegaremos a 58.000 novos casos de câncer de mama no Brasil.

    Na internet circulou um vídeo em que uma mulher mostra como fazer o autoexame. Surpreendentemente, ela usou o peito do marido para explicar o procedimento. Essa situação tornou o vídeo divertido, porém mostra que vivemos um clima de censura bastante bizarro. Mesmo para tratar de um assunto de saúde pública, mostrar um seio feminino pode desencadear uma onda de raivosos protestos dos puristas e moralistas de plantão.

    Essa onda conservadora que anda por aí está cada vez mais ridícula.

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    O trânsito da cidade não é mais o mesmo. Não estou falando de ruas e artérias. Estou falando dos motoristas.

    Como eu vivo e trabalho na região central da cidade, percebo que as pessoas estão nervosas e irritadas. O nosso trânsito, antes muito civilizado, está repleto de motoristas com a mão na buzina. Tenho visto com frequência. Um segundo após a abertura do sinal verde, as buzinas começam a soar. Sem falar daqueles carros de publicidade que transitam lentamente e atordoam nossos ouvidos.

    Pois bem. Acho mesmo que as pessoas estão mais irritadas. Seja pela vida cada vez mais veloz, seja pelos problemas econômicos.

    Mas não custa nada tomar um chá de gentileza e cortesia antes de sair de casa. Tudo ficará melhor. Para todos.

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    O anúncio do curso de Medicina para a cidade de Ijuí despertou entusiasmos também por aqui. A possibilidade da vinda do curso de Odontologia para Santa Rosa torna-se mais palpável. A torcida é grande.

  • sábado, 28 de outubro de 2017 09:38

    A Bíblia e outros livros

    A pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil" é realizada esporadicamente. A última nos revela algumas informações curiosas. Atualmente, o brasileiro lê, em média 2,43 livros por ano. Também lê mais 2,5 livros, mas pela metade.

    Isso mostra não apenas o baixo nível de leitura, mas também que lemos de forma fragmentada. Talvez seja o impacto da era da informática e das redes sociais, que nos trazem informações rápidas e, na maioria das vezes, desvinculadas de contexto. Ou seja, leituras de pouca profundidade e que exigem pouco esforço.

    A pesquisa releva mais: 30% dos entrevistados nunca leu um livro e 74% nunca comprou um livro. Só estes números já nos deixam de cabelo em pé. As motivações para a leitura são várias: interesse profissional, exigência escolar, crescimento pessoal ou atualização cultural. Também é forte a motivação religiosa, pois a leitura da Bíblia está presente em todos os grupos entrevistados. Fica a pergunta: se tantos leem a Bíblia, o mundo não deveria estar melhor?

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    No último sábado, no programa "Noroeste Debate", da Noroeste, falamos sobre a censura às artes e à imprensa.

    Os entrevistados do Clairto Martin concordaram num aspecto. A censura é condenável. A regulamentação, não. Exemplificando: obras de conteúdo delicado (como a violência ou a sexualidade) podem receber qualificação de faixa etária e horário, como acontece nos cinemas e na TV, mas a censura propriamente dita pode servir a interesses que não contemplam o interesse social.

    Mas, como não poderia deixar de ser, o tema da Bíblia também apareceu, trazido por um ouvinte. Para ele, obras que envolvem a sexualidade são feitas por "inimigos" da religião. É claro que esse é um entendimento equivocado, pois tudo envolve interpretação. Até a Bíblia.

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    A Bíblia proibia a cobrança de juros. E também tolerava a escravidão.

    Isso, atualmente, exige interpretação, é claro!

    Com relação às mulheres, por exemplo, a Bíblia tem passagens que deixariam envergonhado qualquer machista latino. A poligamia é tolerada e diversos personagens bíblicos possuem muitas mulheres. Salomão, o rei sábio, vivia com 300 concubinas. Nos Colossenses, encontramos: "As mulheres serão submissas a seus maridos". Nesse particular, tanto a Bíblia quanto o Corão são parecidos. Mandam a mulher se calar.

    E o sacrifício dos animais? Atualmente não toleramos isso, mas na Bíblia o sacrifício era aceito e o sangue usado para "purificação".

    Erotismo na Bíblia? Se você não quiser encontrar isso, não leia o livro "Cântico dos Cânticos". É um texto que mostra a vitória do amor e da sexualidade sobre a repressão social e a ganância do poder. Aliás, é sempre bom lembrar que a perversão está mais na cabeça de quem vê do que na obra de arte ou no corpo humano desnudo.

    Por fim, mais uma pergunta: a Bíblia proíbe a bebida alcoólica? De modo algum, embora aconselhe a moderação com a bebida. O vinho aparece mais de 200 vezes no texto bíblico. No Livro dos Provérbios, lemos: "Dai bebida forte ao que está prestes a perecer, e o vinho aos amargurados do espírito".

    Jesus não transformou água em vinho? Se desejasse proibir o vinho, teria transformado a água em Fanta Uva, por exemplo.

     

  • segunda-feira, 23 de outubro de 2017 07:21

    Eu e meu dinheiro

    Quando falamos em Prêmio Nobel de Economia, imaginamos um sujeito metódico e disciplinado, dedicado a estudos como fenômenos inflacionários, distribuição de renda e outros temas áridos. Pois o vencedor do prêmio deste ano, o norte-americano Richard Thaler, dedica-se à "economia do comportamento". Pode parecer coisa de marciano, mas de fato existe uma área da economia que estuda a forma como nos relacionamos com o dinheiro. E não deixa de ser muito interessante.

    Ele estuda uma coisa chamada contabilidade mental, e como as pessoas simplificam suas decisões financeiras. A forma como usamos o dinheiro tem elementos psicológicos e culturais. De um modo geral, nós agimos de modo irracional ao lidar com ele. Poucas vezes paramos para pensar se aquilo que fazemos (uma compra, por exemplo) é a opção correta naquele momento. Para o economista, raramente agimos de forma racional.

    Isso quer dizer que o nosso relacionamento com o dinheiro não é dos melhores, e tem motivações psicológicas profundas.

    ***

    Vou tentar exemplificar. Você nunca adquiriu algo apenas porque o desconto era bom, e depois aquele objeto ficou mofando no armário? Os economistas chamam isso de "utilidade de aquisição". Ou seja, você está disposto a pagar 100,00, mas consegue comprar por 80,00. Compra com entusiasmo mesmo sem analisar o quanto de utilidade aquela compra trará. Muita gente faz compra desse tipo. Gostamos de um bom negócio, que pode, racionalmente, não ser um bom negócio.

    Algumas empresas conhecem esse mecanismo. Elevam os preços e oferecem 40% de desconto numa mercadoria, mesmo sabendo que o preço final será exatamente o mesmo da semana passada...

    Outro exemplo: por que tanta gente está endividada? A maioria, por decisões irracionais na hora de lidar com o dinheiro. Tenho um amigo que ganha 2 salários-mínimos, e que consegue manter suas contas em dia e até mesmo poupar. Mas também tenho um amigo que ganha 20 salários-mínimos e está devendo uma vela para cada santo. Como explicar isso?

    E aquele movimento de "manada" no mercado financeiro? Quando a bolsa está em alta, milhares de pessoas decidem investir em ações. Todos acreditam (irracionalmente) que as ações continuarão a subir indefinidamente, e fazem a mesma escolha da maioria das pessoas. Não há nenhum bom senso nisso.

    Outro exemplo: você consegue um empréstimo de 5.000,00 para pagar dívidas antigas. Negocia com os credores e consegue quitá-las com 4.000,00. Sobram, portanto, 1.000,00. O que faz com o que sobrou? Gasta em outras compras (viagens, troca de celular, etc.) Não é irracional?

    E quando se faz compra em prestações? Normalmente, as pessoas calculam apenas a parcela que poderão pagar mensalmente. Não avaliam os encargos (juros e tarifas) e portanto não têm noção do custo verdadeiro da compra. É por isso que, muitas vezes, a compra de um automóvel representa, ao final, o custo de dois automóveis para o bolso do comprador.

    Confesso que também já me meti em encrencas semelhantes. Por isso, posso dizer de cadeira: toda a decisão financeira é uma luta entre o bom senso e os atrativos do consumo. Não é fácil, eu garanto.

    ***

    Uma senhora vai ao médico, trazendo a filha menor.

    "Doutor, minha filha engoliu uma nota de 50 reais! É grave?"

    O médico sorriu e respondeu:

    "Não se preocupe, minha senhora. A turma de Brasília já engoliu bilhões nos últimos meses e ninguém foi parar no hospital..."