• segunda-feira, 29 de janeiro de 2018 10:05

    Início de ano

    A cada início de ano a informação envolvendo o clima mundial é divulgada pela imprensa. A medição do clima vem sendo feita desde 1880 (há 138 anos, portanto), por diversas entidades, incluindo a NASA, que se reúnem numa entidade chamada Organização Meteorológica Mundial.

    A notícia nada boa é que os anos de 2015, 2016 e 2017 estão entre os anos mais quentes desde o início da coleta. O ano passado, por exemplo, registrou 1,1 grau celsius acima da referência climática do início do século passado. Parece pouco, mas considerando o clima em todo o planeta, e a longo prazo, é um dado preocupante.

    Os cientistas também constataram que o Ártico está aquecendo rapidamente, numa velocidade duas vezes maior do que o restante do planeta.

    Numa situação natural, o clima deveria flutuar, com anos mais quentes e mais frios. O que preocupa, segundo eles, é essa sequência de recordes de calor. Dá o que pensar...

     

    Das 4,7 milhões de redações corrigidas na última prova do Enem, 309 mil receberam nota zero. Isso corresponde a 6,5%. Segundo os organizadores da prova, a grande maioria fugiu do tema da redação.

    Podemos tirar algumas conclusões disso.

    A primeira, que parece bastante evidente, é que a geração “smartphone” anda mesmo muito distraída. Já há estudos sérios mostrando que o uso intenso dos celulares está causando redução na capacidade de concentração dos estudantes. Ou seja, eles estão dispersivos, distraídos e obcecados com as mensagens e torpedos que chegam a todo instante. Confesso que às vezes também me sinto assim, aturdido com tanta informação chegando. É difícil “gerenciar” tudo isso. O resultado é uma dispersão mental inconveniente.

    A segunda nos leva uma velha conversa. O baixo grau de leitura reduz a capacidade de escrita e de raciocínio. Mesmo um tema ridículo como o proposto este ano (“Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil’) permite desenvolver uma redação adequada, que é a exigência do concurso. Mas um dos requisitos é que o estudante tenha vocabulário, bagagem de leitura e habilidade para formatar frases e parágrafos.

    Não há alternativa, não há outro caminho. Ou o estudante cultiva o hábito da leitura, ou será eternamente um estudante medíocre, incapaz de elaborar um raciocínio complexo e expressar ideias com vocabulário adequado. Terá dificuldades permanentes, seja nos bancos escolares, seja no mercado de trabalho.

     

     

    Falando nisso, o problema das redes sociais não é só brasileiro. Na semana passada o Facebook, através do seu poderoso chefe Mark Zuckerberg, reconheceu que o mau uso da rede está espalhando mentiras e mensagens de ódio pelo mundo afora.

    A empresa está estudando — e deve implementar no decorrer do ano — mecanismos que impedirão a divulgação de mensagens que incentivam o caos, o ódio e a propaganda violenta. No Brasil, só para dar um exemplo, já foram encontrados diversos grupos que compartilham mensagens nazistas (o que é crime).

    Para Zuckerberg, o objetivo da rede é compartilhar um “bem-estar democrático” e não aceitar a desinformação e o ataque a pessoas.

    Portanto, a liberdade total será objeto de questionamento neste ano. Resta saber qual será o alcance dessa vigilância. Mas num ponto podemos concordar. Ativistas da rede estão cheios de ódio. E precisam ser contidos.

  • segunda-feira, 22 de janeiro de 2018 14:53

    A hora mais difícil

    Nem eu nem você tivemos a oportunidade de conhecer uma jovem chamada Holly Butcher. A explicação é simples. Ela era australiana e morreu no dia 04 de janeiro. Nunca esteve no Rio Grande do Sul, que eu saiba.

    Mas o que há de curioso nisso? Pois bem. A jovem morreu aos 27 anos, do câncer agressivo que vinha tratando há cerca de doze meses. Sabedora de que iria partir logo, Holly escreveu uma carta sem destinatário em particular. Uma carta para amigos, que veio a público por vontade de seus familiares.

    Embora ainda tão jovem, a australiana decidiu deixar, por escrito, alguns conselhos sobre a vida.

    Já conheci muitas pessoas que, ao se verem alcançadas por alguma doença grave, modificaram radicalmente seus hábitos, sua forma de ver o mundo e também os relacionamentos com amigos e parentes. Parece que a mudança radical na saúde, aliada ao risco de morte, leva as pessoas a repensarem o próprio comportamento e maneira como vivem.

    O caso da jovem australiana é semelhante. A diferença é que ela sabia (mais ou menos) o dia de sua morte, e sentiu a necessidade de deixar uma mensagem, sem jamais saber o real impacto do que escreveu. Partes de sua mensagem merecem ser reproduzidas e nos fazem pensar. Veja só.

    ***

    Em dado momento, Holly escreve: “Esta é uma coisa da vida: é frágil, preciosa e imprevisível. E cada dia é um presente, não um direito dado”. Ela descobriu o que muitas pessoas se negam a ver: a fragilidade absurda da vida.

    “Só quero que as pessoas parem de se preocupar tanto com coisas pequenas e as tensões insignificantes na vida e tentem lembrar-se que todos nós temos o mesmo destino depois disso tudo”.

    “É tudo tão insignificante quando se olha para a vida como um todo. Estou vendo meu corpo desaparecendo diante dos meus olhos e não há nada que eu possa fazer. E tudo o que desejo agora é que eu pudesse ter mais um aniversário ou natal com a minha família, ou apenas mais um dia com o meu parceiro e o meu cão”.

    “Lembre-se que há mais aspectos para a saúde do que o corpo físico”.

    “É verdade que você ganha mais felicidade fazendo coisas para outros do que para si mesmo. Gostaria de ter feito mais isso”.

    ***

    Ela destaca como é estranho o apego a coisas materiais. “É uma coisa estranha ter dinheiro para gastar no final... quando você está morrendo. Não é hora de sair e comprar coisas materiais como você costuma fazer, como um vestido novo. Isso faz você pensar o quão bobo é pensarmos que vale a pena gastar tanto dinheiro em roupas novas e coisas em nossas vidas.”

    Sobre as coisas fúteis, que nós às vezes valorizamos tanto, ela argumenta: “Faça o que desejar. Trabalhe para viver, não viva para trabalhar. Sério, faça o que faz seu coração sentir-se feliz. Coma o bolo. Zero culpa. Diga não às coisas que você realmente não quer fazer.”

    ***

    Todos nós, mais dia, menos dia, chegaremos ao ponto em que chegou a jovem Holly. Vamos todos partir. A pergunta que fica, portanto, é simples. Será que deixaremos exemplos àqueles que ficarem? Ou a serena mensagem final da Holly terá sido totalmente em vão?

  • sexta-feira, 29 de dezembro de 2017 08:44

    Papo furado de final de ano

    Época de fazer planos. Nem todos são realizados, eu sei, mas planejar já é um bom início. Só não cometa aquele erro tão comum de quem diz que faz planos para o futuro. O mesmo acontece com fazer projetos. Alguém faz planos ou projetos para o passado?

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    Não crie expectativas. Crie porcos. Se nada der certo, pelo menos você tem o bacon.

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    Corra atrás dos seus sonhos. Se nada der certo, pelo menos você emagrece.

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    Lembre-se: o que te engorda não é o que você come entre o Natal e o Ano Novo, mas sim o que você come entre o Ano Novo e o próximo Natal.

    ***

    Neste ano o Papai Noel me deixou a ver navios. Escrevi uma carta pedindo um botijão de gás, um tanque de gasolina cheio e um vale-transporte mensal da Toda Hora. O velhinho achou que eu estava de brincadeira...

    ***

    Os santa-rosenses não podem reclamar dos presentes recebidos no Natal: aumento do gás, aumento da luz elétrica, aumento da gasolina, aumento do transporte urbano e, possivelmente, o 13º dos vereadores.

    Isso é o que eu chamo de Natal gordo...

    ***

    Os anjos citados na Bíblia chamam-se Miguel e Gabriel. Pelo menos é o que sei (e sei muito pouco, diga-se de passagem). Mas nesse mês de dezembro descobri outros anjos, de uso menos divino, digamos.

    Descobri que Geromel é o anjo protetor dos gremistas. Abel é o protetor dos colorados, mas cansou e desistiu. Coquetel é o anjo protetor da boca livre e dos furões de festinhas particulares. Meneghel é o anjo protetor dos baixinhos e nasceu em Santa Rosa. Ravel é o anjo protetor dos boleros. Abravanel é aquele anjo que aparece aos domingos, distribui cédulas de dinheiro e nasceu quando a Bíblia ainda era rascunho.

    ***

    Aviso na porta da Paróquia:

    "Prezadas senhoras, não esqueçam que último sábado do ano teremos a feira para arrecadar fundos para a beneficência. É uma boa ocasião para se livrar de coisas inúteis que há na casa. Tragam seus maridos!".

    ***

    A secretária da médica ginecologista pergunta para a mulher que acaba de entrar no consultório:

    "A senhora veio fazer o pré-natal?"

    "Mas você é mesmo burra, minha filha. Vim fazer o pós-natal. Você não sabe que o Natal foi na segunda-feira passada?"

    ***

    Num shopping em São Paulo as pessoas reclamaram porque viram um Papai Noel negro, e diziam: "Não existe Papai Noel negro". Pois é. Para eles, Papai Noel branco existe. Devem também acreditar em Saci Pererê, em Boitatá, em Bolsonaro...

  • sexta-feira, 22 de dezembro de 2017 16:17

    Dezembro e suas aventuras

    Além daquelas festas tradicionais, dezembro também é marcado por formaturas. Isso mesmo. Formaturas de ensino fundamental e médio (coisas que não existiam tempos atrás) e formaturas universitárias. Apesar de enfadonhas e intermináveis, as cerimônias podem nos fazer pensar sobre o eterno rodar da carroça da vida. São jovens entusiasmados, cheios de energias e planos. É bonito vê-los mergulhados em alegria e confraternização. Também descobrimos que já não somos tão jovens. O nosso nenê, que há poucos dias precisava de ajuda até para escolher um calçado, agora tem diploma, pensa por conta própria e escolhe seus amigos sem nos consultar. Que coisa!

    Fico pensando: será que meus pais tiveram essa estranha sensação? Pode até ser desconfortável, mas é inevitável. O tempo transcorre independente do nosso controle. Um dia eles, os piás, estarão esperando a formatura de seus filhos. O que também é bonito só de imaginar...

    ***

    Falando sobre o tempo e a finitude da vida, lembrei de uma frase de uma amigo, dita tempos atrás durante uma conversa descontraída:

    "A vida é sábia, e termina. Talvez seja sábia justamente porque termina. Imagine, por exemplo, gente como o deputado Eduardo Cunha e o Aécio Neves vivendo 300 anos! Impossível calcular o tamanho da desgraça".

    Pois é verdade. A vida precisa mesmo terminar em algum momento. E a renovação (vide os formandos por aí) é sempre necessária.

    ***

    O sujeito foi levado ao juiz para explicar do que estava sendo acusado:

    - É porque fui buscar os presentes de Natal antes do momento certo, doutor.

    - Como assim? Você não pode se antecipar para buscar os presentes?

    - É que eu estava buscando antes de as lojas abrirem...

    ***

    Parece invenção, coisa inacreditável, mas tempos atrás conheci um sujeito que faz parte de uma anedota. Comentei o fato com ele, e recebi a confirmação. Ele já conhecia a anedota e volta e meia era obrigado a ouvi-la. Pois vamos a ela:

    - Sabe o nome do cara que montou o primeiro presépio, lá em Belém?

    - Não sei, não.

    - O Armando Nascimento de Jesus.

    A propósito, o apelido dele é Jesuzinho. Juro.

    ***

    A propósito, você sabia que ainda hoje existe polêmica sobre o local onde nasceu Jesus? É verdade. A história clássica, e lida em todas as igrejas cristãs, diz que Cristo nasceu em Belém pois a família viajara para lá em plena gravidez de Maria. O evangelho de Mateus, escrito muito tempo depois, afirma que ele nasceu em "Belém de Judá".

    Pois há quem diga que essa afirmação buscava revestir Jesus das características previstas para o messias. Defendem que, em todo o novo Testamento, ele é chamado de "Jesus, o nazareno" ou "Jesus de Nazaré". Isto é, aquele que nasceu em Nazaré, pois naquela época não existiam sobrenomes.

    Se a polêmica persiste, é certo que não vai alterar a fé de ninguém. O bom é que, no Natal, lembremos daquela bela história e de os ensinamentos que ficaram. Estes, sim, andam bem esquecidos...