• domingo, 12 de maio de 2013 10:26

    Todas as mães do mundo

    Não sei se a sua mamãe é uma idosa senhora, uma quarentona vibrante ou uma dessas jovens que crescem junto com

    os filhos. Mas se ela estiver por perto, dando conselhos, reclamando e ouvindo suas queixas, comemore essa sorte. Pouco importa se ela mora na casa ao lado ou numa cidade distante. Saiba que ela continua, eternamente, olhando para você.

    Isso é atávico. Pais esquecem os filhos. Mães, jamais.

    Se, como é o meu caso, sua mamãe é uma senhora de alguma idade, ainda mais notável se torna essa extraordinária fortuna, pois dentro de sua mamãe estão todas as mães do mundo.

    Dentro dela há uma jovenzinha escolhendo batons, colorindo os cabelos, medindo o tamanho da saia, cativando garotos, disposta a enfrentar o mundo, fazendo planos para um longo futuro.

    Dentro dela está a mulher apreensiva, temerosa, medindo as horas dos nove meses em que, magicamente, gestou alguém para ser entregue ao mundo.

    Dentro dela também há a mãe zelosa ensinando filhos a darem os primeiros passos, desenhar as primeiras letras, cuidar da bicicleta e dos cadernos, enternecida com suas ingenuidades e suas alegrias mais infantis.

    Dentro dela há a mãe que cuidou das espinhas que enfeitaram nossos rostos, que observou nossos primeiros namoros e primeiras desilusões amorosas, essas de rasgar corações, e que, de certa forma, também dilaceraram o coração delas.

    Dentro dela existe também a mulher madura, que, que divide profissão com tarefas caseiras, acompanha os estudos superiores do filho, a escolha da profissão, a formação de uma família, tal qual ela fez tempos atrás. E dessa família, é o que ela espera, virão novos seres, que ela cuidará com o mesmo zelo que dedicou a você, pois para ela a vida é sempre renovação.

    Todas as mães do mundo se reúnem dentro da nossa mãe. Como se fosse instinto, como se fosse uma missão que as torna superiores. E em cada mãe essa história se repete, pois não há mãe que não ame, de forma incondicional, só porque é assim que tem que ser. Ainda bem.

    Mãe é assim. Não termina nunca. Aliás, como dizia o Joãozinho, "mãe, só tem uma".

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    O dia das mães foi instituído no Brasil por Getúlio Vargas, aquele mesmo da CLT e do direito de voto feminino, lá nos idos de 1932.

    Mas muito antes da data se tornar uma avalanche de consumo e vendas, como conhecemos hoje, o dia das mães era comemorado nos países de língua inglesa, isso lá na Idade Média. Naquela época, os trabalhadores (geralmente agricultores ou mineiros) eram brindados com um "feriado" para que pudessem visitar suas mães, o que só acontecia uma vez por ano.

    Quase todos os países do mundo comemoram a data, o que prova que mãe é mãe em todos os lugares. Aqui no Brasil, só por mania de imitação, comemoramos na mesma data utilizada nos Estados Unidos, isto é, o segundo domingo de maio.

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    Piadinha esperta e oportuna. A professora de educação religiosa interroga os alunos para saber se todos rezavam, em casa, antes das refeições. Todos levantaram as mãos afirmativamente, menos o Joãozinho, é claro.

    "Joãozinho, por que você não reza antes das refeições".

    "Lá em casa não precisa, professora. A minha mãe cozinha muito bem."

  • sexta-feira, 3 de maio de 2013 11:04

    Leis e interpretações

    No Brasil é mais ou menos assim. Acontece uma tragédia, e logo após ouvimos uma gritaria enorme, um verdadeiro alarido, no sentido de que as leis devem ser mudadas. Ou então, o que é mais fácil, para que criemos novas leis.

    Acho que gostamos da movimentação que fatos e situações estranhas causam. Esse frenesi, esses comentários de todo tipo. E como a maioria está apenas cuidando do próprio umbigo, eis a solução mágica: a lei. Acreditamos, feito crianças, que a lei irá consertar o mundo do qual não gostamos.

    Uma boate incendeia em Santa Maria? Pois bem, vamos fiscalizar até a casa do cachorro de estimação para afastar o risco de incêndio. Um garoto matou outro numa briga de rua? Vamos reduzir a maioridade penal com urgência! E lá vamos nós, produzindo leis como quem fabrica refrigerantes.

    Chegamos ao ponto de criar leis para garantir direitos elementares, como os dos idosos, dos homossexuais, etc. Como se não tivéssemos uma Constituição. E assim vamos, acreditando que a simples existência de uma lei resolve todos os problemas. Talvez por isso é que vivemos num cipoal de mais de 100.000 leis no Brasil. É evidente que, nesse turbilhão de leis, a grande maioria delas sequer é conhecida da população.

    É claro que as leis existem para solucionar conflitos, e, em alguns casos, mudam o comportamento das pessoas. Mas é ingênuo imaginar que o texto de uma lei irá resolver questões culturais arraigadas. Em resumo, o que todos querem dizer é o seguinte. Eu vou continuar a minha vidinha, muito despreocupado. A lei fará o resto. Em breve, faremos novas leis, e assim sucessivamente. Mas a imaturidade social continuará, é claro.

     

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    E três turistas — um francês, um americano e um brasileiro — contemplavam um lago congelado na cordilheira dos Andes. Um morador do local dizia para o seu vizinho: “Duvido que você consiga convencer um desses turistas a se jogar na água gelada”. O outro aceitou o desafio e foi conversar com eles. Logo todos os três estavam dentro dágua.

    O outro morador ficou espantadíssimo.

    “Como é que você conseguiu isso”

    “Foi simples. Para o americano eu disse que a lei obrigava a entrar na água. Para o francês, disse que isso émoda por aqui. E para o brasileiro eu disse que era proibido”.

     

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    O advogado acaba de ganhar uma importante ação para o cliente, mas não consegue localizá-lo para dar a notícia. Decide, então, mandar uma breve mensagem pelo celular: “Caro João, a Justiça triunfou!”.

    Logo recebe a resposta do cliente, também breve: “Recorra imediatamente!”

     

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    E o Moisés, aquele velhinho da Bíblia que subiu a montanha para receber o texto da assim chamada “lei divina”, também era muito sábio. Com o povo reunido ao pé da montanha, começou a ler os dez mandamentos em voz alta para que entendessem todo o conteúdo. E chegou ao nono mandamento: “Não desejar a mulher do próximo”. Logo ouviu murmúrios e reclamações. Moisés, então, acalmou o povo:

    “Calma, pessoal. Isso é o que diz a lei. Vamos ver o que vai dizer a jurisprudência...”

  • domingo, 28 de abril de 2013 21:20

    A cidade e os automóveis

    O espanto das pessoas com a quantidade de automóveis circulando pelas ruas merece uma reflexão. Se por aqui já

    é um problema, nas grandes cidades já se tornou uma doença incurável. Não é preciso comentar o trânsito infernal. Você vê isso nos jornais e na TV diariamente. Mas precisamos tentar entender o problema, e de onde ele vem.

    Numa sociedade tão motorizada, é visível que o transporte público ficou em segundo plano. Não sabemos raciocinar em termos coletivos, por isso o que é individual é dominante, infelizmente. O fascínio do carro revela uma outra verdade. O carro é símbolo do que somos, ou quem parecemos ser. Por isso, quem tem um carro "é alguém". O pedestre é uma figura ignorada, depreciada. O que se vê é o desespero de todos na busca do próprio automóvel, que em poucos meses terá seu valor reduzido à metade.

    Chega ser tocante o esforço de algumas pessoas, especialmente aqueles que recebem salários minguados, em busca do seu próprio automóvel. Para eles, é como se, com o carro próprio, se igualassem à classe média e alta. É o fetiche do carro. Acreditam que o carro demonstra a sua personalidade. Ter um carro é tornar-se importante, ser percebido, passar a existir.

    Por isso essa obsessão em adquirir o carro maior, o mais vistoso e chamativo. Quem tem um carro maior, ocupa mais espaço e, intimamente, acredita que tem mais poder, mais força e mais direitos dentro do espaço destinado ao cidadão na área física das ruas e estradas. Já é bastante conhecida aquela piada irônica sobre o jovem que, fascinado por um veículo caríssimo, comentou: "Um carro desses aumenta até o tamanho do meu pênis". A frase demonstra que, para a nossa sociedade, o carro é até um elemento sensual, afrodisíaco.

    Evidentemente, isso é doentio.

    Para as cidades, então, esse tsunami de veículos é arrasador. As condições de vida se deterioram. O espaço físico, que pertence às pessoas, é literalmente tomado por máquinas poluentes. As cidades se tornam feias, poluídas e insuportavelmente barulhentas. Uma metáfora do inferno.

    Chegamos ao absurdo de ver os países dependerem da indústria automobilística. O nível de produção das montadoras vem sendo usado como referência para medir a saúde da economia. Uma distorção grave. Mas é o que está acontecendo.

    Para terminar, o mercado prevê, para este ano de 2013, a colocação de 3,5 milhões de carros nas ruas e estradas brasileiras. Cruz credo!

    ***

    O movimento "Alerta Noroeste Missões", cuja manifestação aconteceu quarta-feira última, tem algo de idealista. O objetivo maior é reivindicar obras (e a conclusão daquelas que estão paralisadas) no sistema viário da região. O movimento está cheio de razão.

    O grande problema é mesmo chamar a atenção do poder central (Porto Alegre e Brasília) para a região noroeste em que vivemos.

    Para usar um termo muito utilizado na sociologia, somos uma região periférica. O poder central está longe de nós. Não despertamos interesse. E quando há algum interesse, não há urgência.

    Por isso mesmo o movimento é legítimo e merece apoio. Por isso também ele é idealista, pois posiciona-se contra a maré histórica que concentra tudo nas grandes cidades e esvazia o campo. Vamos torcer para que o movimento se faça ouvir no centro do poder. Às vezes, a periferia também tem força.

  • sexta-feira, 19 de abril de 2013 13:22

    Coisas da Cidade

    Por problemas técnicos, a edição impressa do Noroeste do dia 12 não trouxe a crônica em que abordamos a questão
    da proposta de venda de imóveis valiosos do município. Aliás, ficamos também sem o texto do Clairto e o barulho do Bem-te-vi. Isso acontece.

    Mas, por ter constado do site (ah, vai me dizer que ainda não viu a novidade?) o texto acabou se multiplicando pelas redes sociais, onde uma galera ansiosa esperava informações e posicionamentos a respeito do assunto.

    Nos meus quase 50 anos de Santa Rosa não tinha visto tamanha expressão de repúdio. Por isso mesmo, conforta ver um grande número de pessoas que não escondem sua preocupação com o futuro da cidade. É bem lógico. Nos momentos de crescimento (como este que vivemos) é que temos de pensar o futuro com bom senso.

    O motivo do repúdio não é a venda em si, mas as áreas envolvidas, que todos entendem cruciais para a Santa Rosa do futuro. E, como já dito na crônica anterior, parece que não aprendemos a pensar a cidade como algo que se modifica, que de avoluma, que deve se preparar para os desafios do futuro. Pensamos apenas o problema imediato. Isso é pensar pequeno.

    A proposta, pelo que se viu, não é séria. Mas, se a cidade vacilar, o estrago será feito.

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    E por falar em cidade, tem início hoje, se estendendo até dia 27, a programação do 2º Santa Arte, uma enorme agitação envolvendo música, teatro, artes plásticas, literatura, e muito mais. Paralelamente, há a semana do Livro, para pensarmos na sua importância na formação dos seres humanos. É muito legal porque os artistas se agitam e a cidade fica mais alegre e poética.

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    A partir de 2 de maio a hora do estacionamento rotativo passa para R$ 1,00. Portanto, fiquem atentos, senhores motoristas.

    Ainda tontos com a varredura feita pela Brigada, os motoristas devem agora redobrar seus cuidados ao estacionar na zona azul.

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    O momento é de comemorarmos a escolha do Clairto Martin como patrono da próxima feira do livro. Ele merece, pois além de escrever para o Noroeste, Clairto tem uma produção literária de alta qualidade.

    E vejam que não sou de puxar o saco de ninguém. Conheço os trabalhos do Clairto, seja como poeta, seja como contista, e garanto que a escolha de seu nome dará um brilho especial à feira que acontece no próximo mês de agosto.

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    Outro que receberá uma homenagem merecida é o Paulo Madeira. Foi escolhido para receber o título de "cidadão santa-rosense", com aprovação unânime pela Câmara de Vereadores.

    Nascido em Cruz Alta, Paulo Madeira abraçou Santa Rosa com enorme carinho e dedicação. Ao longo das últimas décadas vi o Paulo participar da vida comunitária e da política, sempre com espantosa capacidade de diálogo. O título é mais do que merecido.