• sexta-feira, 28 de junho de 2013 15:57

    Polêmicas

    A chave para clarear o ambiente político brasileiro parece ser a reforma política, da qual ouço falar desde a época em que eu usava fraldas e chupeta (pouco tempo atrás, portanto). Evidentemente as forças mais conservadoras do cenário político não a desejam.

    Uma reforma tem contornos imprevisíveis, e, num momento como este, pode derrubar incontáveis privilégios e deixar mais claras e limpas as eleições. Ninguém duvida que o atual sistema eleitoral e o financiamento das campanhas são os pilares de sustentação de um modelo político corrupto e viciado.

    Há dois caminhos. A reunião de 1,6 milhão de assinaturas (1% do eleitorado) para que o projeto siga o mesmo caminho do famoso projeto da Ficha Limpa. Para isso, a campanha já começou (saiba mais em "www.eleicõeslimpas.org.br"). No RS, com a articulação da OAB (e um grande número de entidades), a meta é obter 150 mil assinaturas. Acho que podemos obter muito mais.

    O outro caminho é aquele proposto por Dilma esta semana. Um plebiscito. Nesse aspecto, a presidenta foi rápida e objetiva ao mover as peças do xadrez. Se o Congresso não aprovar o plebiscito, será atropelado pelas manifestações públicas. E se aprovar, terá de engolir uma nova realidade de eleições limpas e partidos mais responsáveis. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

    De deixada a cargo do Congresso, ela não vai acontecer tão cedo. Mas as manifestações a tornaram quase inadiável. É o momento para ser aproveitado.

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    Eu, que gosto de futebol, já estava ficando com a consciência pesada de tanto ouvir dizer que a Copa vai deixar o país na miséria. É uma crítica leviana.

    Os estádios são construídos por municípios, clubes e empreiteiras. Para isso, quando necessitam, buscam empréstimo no BNDES. Alguns desses empréstimos já estão sendo pagos. O governo garante que não há recursos do orçamento da União para as arenas, nem mesmo para o estádio Mané Garricha, em Brasília.

    O dinheiro público, este sim, está sendo aplicado em obras de infraestrutura, como portos, aeroportos, estradas, telecomunicações, transporte urbano, etc. Quem visitou Porto Alegre recentemente sabe do que estou falando. As cidades-sede estão recebendo investimentos estruturais pesados. Algo em torno de 14,5 bilhões de reais.

    Esta semana, a renomada consultoria Ernest & Young garantiu que o retorno para o país será quatro vezes maior que todos os investimentos, e a preocupação, no momento, é com a gestão de tudo isso. Um exemplo disso é a rede hoteleira, que criará 20 mil novos leitos. Tanto os novos empreendimentos quanto os megaeventos necessitam de muita gente. O número de empregos ainda é motivo de polêmica. Uns dizem que ficará em 1,5 milhão. Outros, que pode chegar a 3 milhões de empregos permanentes.

    Eis aí uma ótima polêmica. E a minha consciência social fica mais aliviada. Vou poder torcer pela seleção sem constrangimentos.

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    Esse é um falso dilema que alguns oportunistas utilizam nesses momentos. "Não podemos fazer nada, pois o dinheiro deve ir para a saúde". Se esse raciocínio tivesse algum valor (coisa que não tem, pois é falso), não poderíamos ter cinemas, teatros, bibliotecas, parques, estradas, segurança, proteção à natureza, eventos artísticos, esportes de massa, pesquisa científica, universidades, aeroportos, turismo, indústria do entretenimento, áreas de lazer, e muito menos estádios e ginásios esportivos.

    Entendeu? Desenvolvimento humano é integral, ou não é.

  • sexta-feira, 21 de junho de 2013 17:04

    Luz, mais luz!

    Quase não resisti à tentação de falar sobre as manifestações públicas pelo Brasil afora. Mas me contive. Melhor esperar para ver as coisas com maior clareza, com mais luz. Até porque ninguém sabe exatamente o que está ocorrendo. Por isso mesmo, me reservo o direito de comentar os protestos mais tarde. Ou, como diria o grande Paulinho da Viola, em meio ao nevoeiro vou conduzindo o barco devagar.

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    O fenômeno das redes sociais (especialmente o Facebook) também precisa de um certo discernimento. O que tenho visto de bobagens por lá é de chocar.

    Tempos atrás, as redes sociais foram tomadas por manifestações indignadas sobre o auxílio-reclusão pago às famílias de pessoas encarceradas. Houve até gente pedindo a destituição da presidente da república por conta dessa "vergonha nacional". Conclusão: nenhum desses revoltados internautas sabia o que é o auxílio-reclusão, o que ele significa, e muito menos os valores que são efetivamente pagos. Também não sabiam que o auxílio-reclusão existe desde quando a Dilma era adolescente. Uma grande furada, foi o que assistimos.

    Mais recentemente, outra vez as redes sociais foram invadidas por manifestações coléricas sobre um projeto de lei que criaria uma "bolsa prostituta", no valor de R$ 2 mil, valor este que seria pago às profissionais do sexo para que pudessem estudar e mobiliar suas casas. Chegaram a indicar a autora do "vergonhoso" projeto de lei. É claro que a acusada teria de ser uma senadora do PT. Descobriu-se, logo a seguir, que o tal projeto nunca existiu. A mentira correu solta no Facebook, e milhares de ingênuos acreditaram!

    Também recentemente as redes sociais se encarregaram de divulgar a "notícia" de que o governo federal estaria acabando com o Bolsa Família. O boato causou comoção em diversas cidades e desentendimentos políticos diversos. Nada do que foi divulgado era verdade. Mas houve quem acreditasse...

    Em maio último os internautas se revoltaram contra uma estudante chamada Sophia Fernandes, que teria postado mensagem preconceituosa contra os nordestinos. Não faltou quem pedisse a condenação da jovem à cadeira elétrica. Logo descobriu-se que a mensagem era falsa, criada por alguém com segundas intenções. Na linguagem da internet, foi um "fake", ou seja, alguém usou o nome da jovem, criando perfil falso e divulgando mensagem xenófoba. Mais uma vez milhares acreditaram...

    Enfim, a rede social está cheia de besteirol, sem falar naquelas frases e mensagens jocosas e irônicas envolvendo Lula e Dilma, cujo conteúdo, além de não contribuir para o debate sócio-político, são claras manifestações do pensamento fascista.

    Se é possível deixar uma sugestão, aí vai ela. Não abandone a rede social, mas utilize-a com a finalidade para a qual foi criada. Encontre pessoas, comunique-se, aumente suas amizades. Mande mensagens simpáticas ou altruístas, se assim quiser. Enriqueça sua vida. Mas não seja ingênuo. Não acredite em factóides. Não seja manipulado.

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    Esse comentário me fez lembrar a famosa frase, dita pelo alemão Goethe, no leito de morte: "Luz, mais luz!". A luz dissipa as trevas, não é verdade?

    Mas também fez lembrar o escritor austríaco Robert Musil, comentando como a verdade pode ser distorcida:

    "Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar; ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade".

  • sexta-feira, 14 de junho de 2013 13:35

    Coisas do mundo

    O mundo ficou chocado com a informação de que o governo dos EUA monitora a vida de milhões de pessoas, via internet,

    inclusive no Brasil. É a bisbilhotagem eletrônica, que no tempo da ditadura era feita, por aqui, pelos puxa-sacos que ficaram conhecidos como "arapongas".

    Atualmente, a espionagem eletrônica (muito mais eficiente) é tida como uma agressão a um dos mais elementares direitos do cidadão em qualquer lugar do mundo. O site Wikileaks, que está sendo processado pelo governo americano, já tinha denunciado anteriormente. E como isso funciona?

    Por exemplo: eu mando um e-mail para um amigo que mora, digamos, em Giruá. A minha mensagem segue vertiginosamente até os centros de internet no Brasil, vai até a Europa, e retorna pelo mesmo caminho até Giruá. Não existe ligação direta entre a minha casa e a casa do meu amigo.

    O problema é que todas as redes óticas da América do Sul passam pelos Estados Unidos, e lá, segundo as denúncias, são monitoradas. Essa nova arapongagem já é considerada o maior e mais grave movimento de espionagem ilegal já realizado no mundo todo. Dá o que pensar...

    Enfim, na próxima vez que você entrar no "Feicibuqui", aproveite para mandar uma mensagem para o Barack Obama. Quem sabe vocês se tornam amigos...

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    Problema para os amantes de rodeios do Estado, e cavaleiros em geral. Está em debate um decreto estadual envolvendo a saúde dos cavalos. Agora, para chegar até o rodeio, além da "Guia de Transporte", será preciso portar comprovante de vacina contra a anemia infecciosa e o teste de influenza (gripe equina). Vale também para deslocamento dos cavalos dentro do próprio município.

    Isso deve pesar na guaiaca dos gaúchos.

    Fala-se até em uma "carteirinha de saúde" a ser transportada. Assim, se houver desentendimento, numa barreira sanitária, podemos nos deparar com diálogos deste tipo:

    "A carteirinha do animal, por favor", diz o policial.

    "Tchê, esse aí ainda não foi vacinado..."

    E o policial:

    "Não estou falando com você. Estou falando com o cavalo..."

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    Virou piada municipal o folder distribuído na Indumóveis, intitulado "Mapa Turístico de Santa Rosa". Ocorre que no mapa não aparece o Parque de Exposições! É claro que algum gaiato já perguntou: "Nossa, já venderam o parque?".

    Coisas desse tipo acontecem. Azar. Mas o material gráfico, evidentemente, não tira o brilho da Indumóveis, evento que despertou a simpatia de todos. Como dizíamos anteriormente, a feira é um marco para a nossa economia, pois consolida a diversificação, deixando para trás os tempos em que vivíamos às voltas com a monocultura da soja.

    Aliás, vale lembrar que a Cresol lançou, na feira, um novo loteamento, acompanhando outras iniciativas do gênero. Se é verdade que Santa Rosa projeta, para esta década, um acréscimo populacional de 50 mil pessoas, passando dos atuais 70 mil para 120 mil, esse é o tipo de projeto econômico que tem futuro.

    A informação (que é uma projeção, na verdade) de acréscimo populacional deveria provocar um debate intenso em todas as áreas sociais e econômicas. A cidade está preparada para esse "inchaço"? O que estamos fazendo para acolher toda essa população? As perguntas são muitas, como se vê.

  • sábado, 8 de junho de 2013 11:11

    Livros e cerveja

    O inverno sempre está associado com recolhimento. As atividades ao ar livre ficam restritas. Forçados pela temperatura baixa, acabamos curtindo a intimidade da casa, seja com lareira, seja com fogão a lenha.

    Pois esse é o momento em que vai bem uma leitura. E o comentário só tem essa finalidade, mesmo. Aproveite esse recolhimento forçado para abrir um livro. A televisão, como você já está cansado de saber, serve mesmo para provocar ruído. Portanto, aproveite o frio e exercite o cérebro. Certamente você já se arrependeu de perder uma tarde de domingo assistindo o programa do Faustão, mas jamais irá se arrepender de ter lido um livro. Concorda?

    ***

    Para quem gosta de reclamar do preço do livro no Brasil, informações recentes ajudam a rever este conceito.

    A FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) publicou a sua pesquisa anual envolvendo o mercado editorial brasileiro.

    A conclusão é surpreendente. De 2004 até 2011 o preço do livro no Brasil caiu 44,9%. As razões para isso são duas, basicamente. A redução dos tributos (PIS/Cofins) e a modernização administrativa das editoras e distribuidoras.

    Em 2011, as editoras registraram um recorde, com 469 milhões de livros comercializados, um aumento de 7,2% em relação ao ano anterior.

    Não há dúvidas. Está havendo um grande esforço em democratizar a leitura no Brasil, envolvendo escolas, empresas e poder público. A leitura está entrando na vida de muitas pessoas que não tinham o hábito.

    E veja que não estou fazendo referência às pesquisas dos neurocientistas que garantem que o cérebro humano se aperfeiçoa e se torna mais saudável com o exercício proporcionado pela leitura. Simples assim.

    E se você continua sem ler, é hora de acordar.

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    Mudando de assunto. Se você é um apreciador de cerveja (acho que é uma das paixões nacionais), saiba que está enganado ao supor que a Ambev é dona de tudo. Em volume de vendas, certamente é, pois detém as marcas mais populares. Porém, o livro "Brasil Beer - o guia das cervejas brasileiras", recentemente lançado, mostra que no país já existem mais de 450 marcas de cervejas.

    As cervejarias, que já passam de 120, estão se multiplicando. A produção de pequenas indústrias está crescendo, e oferecendo cervejas com sabores e teores alcoólicos diversos. É um mercado em mutação.

    Mas vamos com calma. Não é porque estamos em terra de alemão que essa notícia vai levá-lo a experimentar as 450 cervejas. Elas contém álcool, tá lembrado?

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    A frase para você pensar no final de semana certamente partiu de uma esposa de pescador, que não apenas conhece o marido mas também os efeitos de uma pescaria. Veja:

    "Dá um peixe a um homem, e ele o comerá. Ensina o homem a pescar, e ele ficará o dia inteiro no barco bebendo cerveja".