• sexta-feira, 5 de agosto de 2016 14:47

    Se

    Se eu sugerir a alguém, não importa a idade, a leitura de livros como "Guerra e Paz", "Ana Karenina", "Os Irmãos Karamazov", "Cem anos de Solidão" ou mesmo o nosso clássico "O Tempo e o Vento", tenho certeza de que vou receber a seguinte resposta:

    "Você está maluco? E eu tenho tempo para essas coisas?"

    Natural, muito natural. Vivemos uma época de leituras instantâneas e que duram pouco. Aquilo que você leu no celular há meia hora já desapareceu. Tente lembrar de alguma coisa importante que você leu no Facebook no dia de ontem. Tudo desapareceu.

    Pois se os argumentos envolvendo conhecimento cultural não são suficientes, agora temos um vindo da neurobiologia, aquele ramo da ciência que estuda o sistema nervoso e que vem fazendo importantes descobertas sobre a cognição humana, sobre como o nosso cérebro age e nos torna mais ou menos "inteligentes".

    Pois bem. A leitura de um livro complexo é vista, pelos estudiosos, como um grande processo de aperfeiçoamento na forma com que o cérebro interpreta as informações. Se você optar pelo conhecimento vindo das redes sociais ou de leituras rápidas e leves, seu cérebro simplesmente não vai reagir, não vai se aperfeiçoar, não vai saber interpretar coisas complexas.

    Mal comparando, é como bolão e xadrez. Na primeira hipótese, o cérebro tem pouco a aprender, e sim a repetir. Na segunda hipótese, as alternativas do jogo forçam o cérebro a procurar soluções, e assim ele próprio (o cérebro) se torna mais complexo e mais dinâmico. Bingo! Portanto, ao fugir de leituras complexas estamos apenas obedecendo a um cérebro preguiçoso, que prefere a inércia à evolução. O mundo está cheio de cérebros deste tipo...

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    Aliás, a desculpa de falta de tempo foi inventada pelo nosso cérebro preguiçoso. Você já tinha percebido isso?

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    Se eu fosse um atleta (o sonho ficou no passado, é claro), o maior sonho seria participar de uma Olimpíada, o grande evento esportivo do planeta. Cheguei a participar de corridas atléticas e confesso que não fiz nenhum fiasco. Mas foi só.

    Também participei de natação. Desisti quando me explicaram que ir ao fundo não contava pontos. Eu devia ficar na superfície, veja só!

    Salto com vara também não deu certo. Os técnicos insistiam para que eu alcançasse o outro lado por cima da linha medidora da altura, e não por baixo.

    Tentei o boxe. Quem me fez desistir foi o traumatologista!

    Na prova de tiro, escondi o fato de que não via o alvo com precisão. Aleguei que sou a favor do desarmamento e fui pra casa.

    No tênis fui eliminado na primeira prova. Depois me explicaram que deveria jogar a bolinha na direção do adversário, e não os tênis que trazia nos pés.

    A luta greco-romana eu nem experimentei. Ficar abraçando homens malhados e suados não é minha praia, definitivamente.

    E veja só o pentatlo. Se já me atrapalho com apenas uma prova, imagina cinco! Enfim, ficou o sonho e a admiração pelos atletas que expandem os limites do corpo humano, unem competição e beleza, e, de quebra, ajudam a fomentar a solidariedade entre os povos. A Olimpíada é sempre um grande barato.

  • segunda-feira, 1 de agosto de 2016 07:14

    Sem luz no fim do túnel

    As notícias envolvendo questões educacionais no Brasil são as piores possíveis. Disso isso porque sempre que alguém comenta problemas brasileiros vem aquele raciocínio lógico: “Sem educação continuaremos no período colonial”.

    Nada mais correto. A história prova isso. Só chegaram a um patamar de países menos injustos e mais desenvolvidos aqueles que apostaram decisivamente na educação.

    Não há novidade nenhuma nisso.

    Mas agora, com o governo interino, as notícias são péssimas.

    Acabaram com o Pronatec. Acabaram com o Ciência Sem Fronteiras na graduação. Acabaram com o sistema de avaliação da educação básica, o IDEB. Cortaram 90.000 bolsas do financiamento estudantil, o FIES. Os recursos do pré-sal, que iriam para a educação na proporção de 75%, estão fadados a desaparecer com a proposta de concessão à iniciativa privada. E, dizem, o Enem também está com os dias contados.

    O ensino público está sob ameaça. Não é sem fundamento que o jornal O Globo publicou, na semana passada, um editorial pedindo a privatização da educação brasileira. E tem gente no “governo” que está adorando a ideia.

    Como se não bastasse, o atual ministro da Educação publicou, em rede social, um texto atribuído ao grande Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores escritores brasileiros. Pois espantem-se. O texto era falso!

    Na educação, portanto, parece que apagaram a luz e retrocedemos trinta anos...

    ***

    Mudando de assunto. O “Brique da Praça” acontece nas manhãs de domingo, na Praça da Bandeira. Quando surgiu, foi saudado e prestigiado. Os artesãos da cidade estavam entusiasmados. Com o tempo, porém, perdeu fôlego.

    Parece que está na hora de revitalizá-lo.

    A praça naturalmente atrai pessoas aos domingos por conta do já tradicional programa “Bolsa de Automóveis”, comandado pelo Elói de Ávila, da Noroeste.

    A combinação do programa de rádio com o Brique me parece perfeita para criar um ambiente onde as pessoas se encontram, conversam e bebem seu chimarrão.

    Ou seja, um momento importante para cultivar as amizades e também fazer algum negócio. Mas está faltando um empurrãozinho...

    ***

    Sem fazer comparações, mas já comparando, lembro do “Brique” na praça central de Santo Ângelo, que está em atividade há muitos anos. Por lá, são numerosos os artesãos que comparecem nas manhãs de domingo, atraindo muita gente.

    Durante todo esse tempo, o brique não perdeu fôlego. Continua sendo um ponto de encontro dos santo-angelenses. Deveria servir de exemplo.

     

  • sexta-feira, 22 de julho de 2016 10:26

    Coisas da cidade

    Algum tempo atrás (uns dois anos), um primo meu veio a Santa Rosa e mostrou-me, muito satisfeito, que conseguira gravações de músicas da dupla “Maninho e Mauri”. Raridades que ele buscava e que lembravam sua infância. Uma das músicas ele enfatizou, dizendo:

    “Essa eu jamais esqueci. Era a música preferida do meu falecido pai”.

    Ora, eu sabia que o pai dele (meu tio) tinha falecido há cerca de 30 anos. E disse-lhe que iria comentar com a dupla de músicos essa preferência da família. Quando eu disse isso, o meu primo ficou realmente espantado.

    “O que você está dizendo, Gilberto? Você conhece a dupla “Maninho e Mauri”? Eles ainda vivem?”

    A minha resposta foi óbvia. Os dois continuavam amigos e, eventualmente, se encontrando para cantar. Agora já não posso mais dizer isso. O Maninho partiu esta semana, deixando a cidade cheia de saudades.

    Pois a dupla “Maninho e Mauri” fez, nas décadas de 60 e 70, um sucesso estrondoso, que alcançava grande parte do Rio Grande. A presença deles no rádio e em bailes era sempre motivo de comemoração, com músicas dirigidas ao povo simples e interiorano. A morte do Maninho é uma desses acontecimentos que deixa algo nostálgico dentro de cada um.

    Da tristeza do Mauri Carlos, então, nem se fala...

    #

    A campanha de coleta do lixo eletrônico foi um sucesso. Foram 16 toneladas recolhidas por empresa de Horizontina habilitada para a tarefa, com o suporte da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável. Eu mesmo consegui me livrar de algumas “tranqueiras” lá de casa.

    As dimensões da coleta provocam uma reflexão. Vivemos uma civilização do descartável, do lixo produzido em escala, das mercadorias fabricadas para serem substituídas rapidamente. Não há mais eletrodomésticos “para a vida toda”. E quando lembramos da informática, então, nem se fala. Computadores, que alguns anos atrás comprávamos por consórcio, hoje são equipamentos que se tornam obsoletos de um dia para o outro.

    É um mundo diferente que, segundo os ambientalistas, está consumindo a si mesmo. Ou seja, o planeta não conseguirá abastecer por muito tempo a forma de vida que levamos. O consumo é excessivo.

    No mínimo, mais uma angústia para as gerações futuras.

    #

    As ondas de frio que vêm castigando a região tem um lado altamente positivo. As vendas do comércio aumentaram, trazendo otimismo. Especialmente quando falamos de equipamentos para aquecimento doméstico e roupas quentes. Uma súbita queda nos termômetros significa uma corrida às lojas.

    Conversei a respeito com um comerciante amigo meu, do ramo do vestuário. Sua satisfação estava estampada. Faceiro como genro levando a sogra para a rodoviária...

     

     

     

  • segunda-feira, 11 de julho de 2016 07:53

    Socorro, uma sigla!

    Recebi, há poucos dias, o boleto bancário para pagamento da TFM, uma sigla não tão nova no mar de siglas em que vivemos. Ela diz respeito à “Taxa de Fiscalização e Monitoramento”, cobrada pela Prefeitura. O estranho é que não fui fiscalizado nem monitorado.
    Pois cheguei à conclusão que as siglas, no Brasil, são usadas para dar um ar de respeito à infindável lista de impostos, tributos e taxas que estamos habituados a pagar. E quando surge qualquer atividade capaz de gerar riqueza, com ela surge (por um passe de mágica) um imposto qualquer. É o Estado querendo abocanhar algo. Não ficarei surpreso se, em breve, inventarem impostos ou multas para ciclistas, carroceiros e skatistas. Melhor comentar isso em voz baixa. Vai que algum tributarista da área pública esteja nos escutando...
    ***
    Pois as siglas não são poucas: IR, IPTU, ITBI, ITCDm, ITR, IOF, COFINS, IPVA, ICMS, PIS, IPI, ISS, AIRE e assim por diante. Por trás delas, é claro, existem outras siglas conhecidas: PDT, PT, PMDB, PSDB, PP, DEM e outras tantas que nos confundem e divertem, como SUS, TPM, UPA, interminavelmente.
    Insatisfeito com os impostos, o poder público disfarça sua voracidade criando taxas, cuja lista não caberia neste espaço do jornal. Ah, além das taxas ainda temos as contribuições, que também são numerosas.
    Enfim, podemos dizer que vivemos sufocados por siglas nada agradáveis. Enquanto essas formas de arrecadação se multiplicam, um imposto que está previsto na Constituição Federal, passados tantos anos, ainda não foi criado. Estou falando do “Imposto sobre grandes fortunas”, algo existente na maioria dos países do mundo e que no Brasil não nasceu por razões óbvias. Observando o atual Congresso Nacional, podemos esquecer a sempre renovada conversa em torno de uma esperada “reforma tributária”. Cá entre nós, ela nunca acontecerá.
    Antes, são capazes de aumentar a lista de siglas que tanto nos atormenta...
    ***
    Algumas frases para pensar o momento sócio-político brasileiro:
    “Não temos aliados eternos nem inimigos perpétuos” (Paulo Rónai, uma frase antiga que deveria ser pensada nesses dias bicudos).
    “Agressividade é a burrice em desespero” (autor anônimo, que tratou com objetividade a violência simbólica que está por aí).
    “Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito” (Albert Einstein, numa frase que está mais atual do que nunca).
    “Com alguns deputados, só conversando na sauna, e pelado!” (Sérgio Motta, ex-ministro, jornalista e engenheiro, prevendo o que aconteceria no Brasil em 2016).
    “É bobagem essa história de que o Estado Islâmico pretende fazer atentados no Brasil. Por aqui nós já temos o Congresso Nacional para espalhar o terror” (anônimo).
    “O momento exige que os homens de bem tenham a audácia dos canalhas” (frase de Benjamin Disraeli, político e escritor britânico. Acho que ele estava pensando em Eduardo Cunha e sua turma).