• segunda-feira, 3 de julho de 2017 07:46

    Notícias de um futuro qualquer

    Futuro comprometido, futuro duvidoso, futuro jogado às trevas. É o que podemos concluir com as informações que nos chegam. No Rio Grande do Sul, o governo fechou 2.280 turmas nas escolas públicas. No Brasil, 53% das obras de reforma, construção ou ampliação de escolas, estão paralisadas e suspensas por tempo indeterminado. Também no Brasil inventaram um programa de ensino médio onde o aluno escolhe o que estudar. Serão todos jogados num limbo onde não terão as mínimas condições de concorrer com os estudantes do resto do mundo.
    É triste descobrir que, na hora de fazer economia, nossos líderes imediatamente cortam verbas da cultura e da educação. Qualquer cão de rua sabe que não é assim que se constrói o futuro. Na verdade, não estamos construindo nada e tentando tapar o sol com uma peneira.
    ***
    As informações sobre aviões carregados de cocaína em fazendas de ministro de Estado e também de aviões de propriedade de deputado a serviço do tráfico, não deixam dúvida. Temos hoje um contingente de políticos que leva muito a sério a questão do empreendedorismo. Talvez estejam apenas tentando abrir novos negócios para o Brasil.
    Nós é que somos muito desconfiados...
    ***
    Notícias da semana dão conta de que são milhares os brasileiros especializados (técnicos, pesquisadores, cientistas etc.) estão deixando o país em busca de melhores oportunidades. As melhores cabeças estão indo embora.
    A Academia Brasileira de Ciências já informou que a situação é preocupante. Na medida em que o governo corta as verbas da ciência e da pesquisa, é crescente o número de cientistas que estão sendo convidados a viver e trabalhar em outros países. Alguns países oferecem projetos com o propósito específico de selecionar os melhores especialistas brasileiros para imigrarem.
    Mas não são apenas cientistas. Brasileiros com dinheiro no bolso também estão saindo. Segundo a Receita Federal, entre 2014 e 2016 foram entregues 55.402 “Declarações de Saída Definitiva do Brasil”.
    A crise política tem ramificações que, às vezes, nós nem imaginamos.
    ***
    Mas não vou ficar falando somente de notícias desalentadoras, essas que recebemos todos os dias e nos jogam num mar depressivo. Também há coisas boas acontecendo, veja só.
    A “Sala do Empreendedor” de Santa Rosa divulgou a estatística do primeiro trimestre deste ano. Foram 3.300 atendimentos.
    A Sala presta atendimentos sobre viabilidade e orientações diversas a microempresas e microeempreendedores individuais. É uma espécie de “bengala” para aqueles que não possuem estrutura para análise de projetos, ou para aqueles que pretendem se instalar no município.
    A estatística do semestre mostra que a Sala tem efetividade. Isso significa dizer que a economia local tem sua dinâmica, e não está parada. Isso é muito bom.

     

  • sexta-feira, 30 de junho de 2017 18:05

    Notícias de um futuro qualquer

    Futuro comprometido, futuro duvidoso, futuro jogado às trevas.É o que podemos concluir com as informações que nos chegam. No Rio Grande do Sul, o governo fechou 2.280 turmas nas escolas públicas. No Brasil, 53% das obras de reforma, construção ou ampliação de escolas, estão paralisadas e suspensas por tempo indeterminado. Também no Brasil inventaram um programa de ensino médio onde o aluno escolhe o que estudar. Serão todos jogados num limbo onde não terão as mínimas condições de concorrer com os estudantes do resto do mundo.
    É triste descobrir que, na hora de fazer economia, nossos líderes imediatamente cortam verbas da cultura e da educação. Qualquer cão de rua sabe que não é assim que se constrói o futuro. Na verdade, não estamos construindo nada e tentando tapar o sol com uma peneira.
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    As informações sobre aviões carregados de cocaína em fazendas de ministro de Estado e também de aviões de propriedade de deputado a serviço do tráfico, não deixam dúvida. Temos hoje um contingente de políticos que leva muito a sério a questão do empreendedorismo. Talvez estejam apenas tentando abrir novos negócios para o Brasil.
    Nós é que somos muito desconfiados...
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    Notícias da semana dão conta de que são milhares os brasileiros especializados (técnicos, pesquisadores, cientistas etc.) estão deixando o país em busca de melhores oportunidades. As melhores cabeças estão indo embora.
    A Academia Brasileira de Ciências já informou que a situação é preocupante. Na medida em que o governo corta as verbas da ciência e da pesquisa, é crescente o número de cientistas que estão sendo convidados a viver e trabalhar em outros países. Alguns países oferecem projetos com o propósito específico de selecionar os melhores especialistas brasileiros para imigrarem.
    Mas não são apenas cientistas. Brasileiros com dinheiro no bolso também estão saindo. Segundo a Receita Federal, entre 2014 e 2016 foram entregues 55.402 “Declarações de Saída Definitiva do Brasil”.
    A crise política tem ramificações que, às vezes, nós nem imaginamos.
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    Mas não vou ficar falando somente de notícias desalentadoras, essas que recebemos todos os dias e nos jogam num mar depressivo. Também há coisas boas acontecendo, veja só.
    A “Sala do Empreendedor” de Santa Rosa divulgou a estatística do primeiro trimestre deste ano. Foram 3.300 atendimentos.
    A Sala presta atendimentos sobre viabilidade e orientações diversas a microempresas e microeempreendedores individuais. É uma espécie de “bengala” para aqueles que não possuem estrutura para análise de projetos, ou para aqueles que pretendem se instalar no município.
    A estatística do semestre mostra que a Sala tem efetividade. Isso significa dizer que a economia local tem sua dinâmica, e não está parada. Isso é muito bom.

     

  • segunda-feira, 26 de junho de 2017 07:32

    Reformas

    O meio-ambiente, no Brasil, é tema a ser melhor estudado e melhor divulgado à população. Especialmente porque, como sabemos, alterações no meio ambiente têm repercussões para as gerações futuras, e não apenas para nós. Não é coisa para brincadeiras.
    Há algum tempo os ambientalistas já alertaram sobre o que vem ocorrendo, mas pouco vi a respeito na imprensa. A MP 756/2016 altera Unidades de Conservação no Pará e em Santa Catarina, fragilizando a proteção ambiental no Brasil. Em resumo, transforma grandes áreas preservadas em “áreas de proteção”, isto é, espaços que permitem legalização de terras e também atividades econômicas. É um ajuste na denominação jurídica. A Amazônia, por exemplo, está cheia de “áreas de proteção” onde o desmatamento é quase total.
    A medida, que está prestes a ser aprovada no Congresso, também permite a regularização de áreas por grileiros. Abre-se uma enorme porta para o avanço sobre a floresta amazônica. Estamos reformando uma legislação para permitir o desmatamento. Não é isso o que, atualmente, o mundo espera de nós.
    ***
    A reforma trabalhista que tramita no Congresso, além de agredir diretamente a Constituição, é um monstrengo que vai criar mais conflitos do que trazer a paz. Ou seja, bem ao contrário do que estão preconizando.
    As regras inventadas pelo governo para terceirização e trabalho intermitente, por exemplo, são maquiavélicas. Vão gerar desgastes físicos e mentais ao trabalhador, além da redução da massa salarial no país.
    Para as empresas, uma desqualificação geral dos empregados, a redução do poder de consumo e também a desorganização interna.
    Veja bem. Experiências similares na Itália, Espanha e Chile resultaram no encolhimento do mercado interno e aumento da pobreza. A equação é de fácil entendimento. Um povo pobre resulta também num sistema empresarial empobrecido. Ou alguém acredita que teremos empresas ricas num país de gente pobre? Será esse o destino que a reforma trabalhista deseja para o Brasil?
    ***
    Durante a Revolução Farroupilha, ficou conhecida a unidade militar integrada exclusivamente por negros escravos, que lutavam sonhando com a liberdade futura. Ficaram conhecidos como os “Lanceiros Negros”. Enquanto a paz era negociada, um dos impasses envolvia essa unidade, pois o Império não aceitava a existência de negros livres e armados.
    Em novembro de 1844, David Canabarro desarmou a unidade que estava acampada no Cerro de Porongos. Logo após, foram atacados pelas tropas imperiais, no massacre que envergonha a história gaúcha. Não há números exatos, mas foram centenas de mortos. Os sobreviventes foram levados como escravos para o Rio de Janeiro. O acordo, que eliminou os Lanceiros Negros e terminou com a revolução, foi obra de David Canabarro e Duque de Caxias.
    Estou lembrando este episódio histórico porque na semana passada ocorreu uma operação policial em Porto Alegre, destinada a desocupar um imóvel ocupado pelo movimento de sem-tetos chamado “Lanceiros Negros”. O imóvel pertence ao Estado, e a desocupação foi um desastre político e social.
    A relação entre os dois fatos é recorrente. Questões sociais por aqui ainda são tratadas como casos de polícia e com muito preconceito. Como no século 19.

     

  • sexta-feira, 16 de junho de 2017 09:15

    Economia e clima

    Estamos em plena Indumóveis, feira que vem se auto-afirmando e reafirmando a vocação da cidade para eventos que extrapolam os limites da economia regional. Aliás, como já comentamos algum tempo atrás, a feira também contribui para a consolidação de uma economia diversificada, deixando para trás um passado de monocultura (ou de “monoeconomia”), que produzia mais insegurança do que esperanças.

    Mostrando ao público o que há de novidade nas áreas do mobiliário e da construção, a Indumóveis contribui para que a economia regional se fortaleça, gerando renda e empregos. No Brasil de hoje, isso já é uma vitória.

    Um caminho desejado é a integração entre os grandes eventos da cidade (Fenasoja, Hortigranjeiros, Indumóveis, Musicanto e outros que vierem) e torná-los conhecidos do público de outras regiões. Um calendário de eventos pode auxiliar a economia e tornar definitiva a imagem de uma “cidade de eventos”.

    Vale refletir a respeito...

    ***

    Não há como calcular, a não ser por aproximação, os prejuízos que as chuvaradas causaram na região. A começar pela circulação de pessoas e o comércio de fronteira, que foi interrompido semanas atrás, e terminando com lavouras que foram desperdiçadas.

    Qual a lição disso? Fico com a opinião de um meteorologista, que tempos atrás afirmou: “De agora em diante, devemos aprender a conviver com alterações súbitas e devastadoras do clima”. O que ele quis dizer é o seguinte: a regularidade climática é coisa do passado. Teremos de conviver com temperaturas oscilantes, chuvas inesperadas e ventos de jogar bem longe o chapéu do gaúcho.

    Longos períodos de clima estável não aparecem mais nas planilhas dos meteorologistas. O quadro mais provável (e que já vem acontecendo) são chuvas intensas e concentradas. Também viveremos situações marcadas por inundações e secas.

    Para quem trabalha no campo, de modo especial, esse quadro requer estratégias inovadoras, o que inclui até mesmo mudança no calendário de plantios. Talvez você não acredite no aquecimento global, mas essas três semanas sob chuva e céu nublado me deixaram com a pulga atrás da orelha.

    ***

    É bom lembrar, também, que a Amazônia tem influência direta sobre o clima no Rio Grande do Sul.

    A regularidade das chuvas no Estado é resultado dos ventos que vêm da Amazônia. É o vapor de água que se forma na floresta e é carregado para o centro-sul do Brasil e norte da Argentina. O desmatamento, lá, gera instabilidades por aqui.

    Não é preciso dizer que temperaturas extremas (muito frio ou calor excessivo) são extremamente prejudiciais à produção agrícola. É esse, porém, o quadro anunciado para os anos (ou décadas) que virão.

    Não há como fugir do tema, especialmente porque a nossa indiferença com as mudanças climáticas pode ter efeitos terríveis na economia gaúcha num futuro não tão distante.