• sexta-feira, 10 de março de 2017 16:35

    Mulheres

    “Não se contrapõe o machismo ao feminismo. O feminismo não é o contrário do machismo. O machismo é a suposição de que nós, homens, somos superiores. O feminismo não é a suposição de que as mulheres são superiores. É a suposição de que homens e mulheres são iguais. O contrário do machismo é a inteligência.”
    A explicação acima é de Mário Sergio Cortella, uma das boas cabeças do Brasil atual. Gostei da frase para lembrar o mês da mulher.
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    O assim chamado “empoderamento” da mulher talvez seja a revolução mais importante do nosso tempo. Ele é construído por movimentos sociais e sindicais mas também por vidas femininas, individualmente consideradas, que afirmam a presença da mulher como construtora da civilização.
    Vale a pena conhecer as histórias marcantes de mulheres que ajudaram a melhorar o mundo. Só para citar algumas, cujas histórias são recentes: Malala (a menina que enfrentou o radicalismo islâmico); Irena Sendler (durante a guerra salvou milhares de crianças do gueto de Varsóvia); Frida Kahlo (revolucionária mexicana e uma das grandes pintoras da América); Olga Benário (jovem judia, entregue aos nazistas); Iara Evelberg (estudante assassinada pela ditadura brasileira); Rosa Parks (lutou contra o segregacionismo nos EUA) e Nise da Silveira (a brasileira que modificou a história da psiquiatria).
    A luta pela igualdade mostra, claramente, como é difícil mudar o mundo. Mas não é impossível. As relações homem-mulher estão mudando não por benesse masculina, mas pela busca de direitos por parte das mulheres. Pouco tempo atrás ainda se via, nas revistas semanais, propagandas mostrando um conjunto de panelas e dizendo: “O sonho da perfeita dona de casa!”.
    Hoje os sonhos são outros, muito diferentes. Porque os sonhos das “cinderelas” já não impressionam ninguém.
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    Mudando de assunto. Às vezes acho que a política, em Santa Rosa, com seu provincianismo, lembra a cidade fictícia de Sucupira, imortalizada na novela “O Bem Amado”, escrita por Dias Gomes, que trazia as famosas tiradas do prefeito Odorico Paraguaçu. A última polêmica, que nem polêmica deveria ser, envolvendo o quiosque no Tape Porã, lembrou Sucupira. Se estivesse vivo, o tal prefeito diria:
    — Vou botar de lado os entretantos e partir pros finalmentes. Tomando os providenciamentos necessários, sei que quem quer beber água que passarinho não bebe acha a maldita até nos quintos dos infernos. Não precisa inauguratórios de quiosque com pinga. Pode ser quiosque de água encanada. Ou pode não ter quiosque! Porque a nossa adorada e deslavada cidade de Santa Rosa já tem vendedor daquela que matou o guarda em toda a extensão da Expedicionário Weber. Essa confabulância político-partidarística que se instalou deve ser coisa de esquerdista, de meio-campista ou de centro-avantista, só pra fazer calunismos contra a nossa administração.
    E para arrematar o discurso, acrescentaria:
    — Com a alma lavada e enxaguada, emboramente não se tenha resolvido o embróglio, esclareço para a imprensa lida, olhada e escutada, que futuramente haveremos de fazer o inauguramento que entrará para os anais e menstruais da nossa história! Será uma alegria para donzelas e cachacistas frequentadores da nossa pacatista cidade! Tenho dito!

     

  • sábado, 18 de fevereiro de 2017 08:39

    De tudo um pouco

    Dia 23, quinta-feira próxima, acontece em Santa Rosa a manifestação contra a reforma da Previdência. O movimento está sendo organizado em todo o país por entidades representativas da sociedade. Para quem ainda não prestou a devida atenção, o projeto acaba, na prática, com o sistema de aposentadoria. Veja um cálculo simples para entender a regra geral:
    Para se aposentar aos 65 anos com a média salarial (ou 100% da média) o brasileiro terá de começar a contribuir aos 16 anos. Isso porque, aos 65 anos, o cálculo é feito da seguinte forma: o valor do benefício será de 51% da média, acrescido de 1% por ano de contribuição. Assim, aos 65 anos aquele jovem terá contribuído por 49 anos (16 de idade + 49 anos de contribuição — sem interrupção!). Se começar a contribuir, digamos, aos 25 anos, provavelmente nunca receberá qualquer valor pois estará quase batendo as botas.
    A proposta está dizendo ao brasileiro: “Tu contribuis e nós não te pagamos”.
    Isso sem contar o fato de que, sempre que houver aumento da expectativa de vida, a referência dos 65 anos também aumenta para 66, 67, 68 e assim por diante.
    Participe da manifestação. Todos os brasileiros serão prejudicados pela reforma que, olhando bem, não é reforma. É desmonte.
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    Gostei da escolha do professor Arnildo Rockenbach para patrono da Feira do Livro que acontece em abril.
    Com décadas de trabalho dedicado à educação, o professor Arnildo encarna o binômio que sempre vem à mente quando falamos de livros: educação e cultura. São aspectos indisso-ciáveis da vida em sociedade, que nos trazem à mente uma verdade antiga: leitores compreendem melhor a existência, são mais tolerantes e esperançosos.
    Por isso, a escolha é uma homenagem à grande pessoa que é o professor Arnildo, e também a todos que contribuem para a cultura.
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    Algumas semanas atrás comentei, aqui neste espaço, que havia seis quebra-molas na rua Castelo Branco, num trecho de cerca de 1,5 km.
    Pois esta semana, passando por lá, descobri que agora são 8 quebra-molas no mesmo trecho. Acho que o pessoal não entendeu. Eu estava criticando, e não elogiando a quantidade de quebra-molas...
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    Acho que o Instituto Federal Farroupilha foi uma mas maiores conquistas para Santa Rosa das últimas décadas. Aliás, vale lembrar que o Instituto está oferecendo numerosas vagas para cursos técnicos de alta qualidade, sem cobrar nada.
    Mas tenho uma dúvida. Essas instituições de ensino acabam sendo tratadas de forma carinhosa pela comunidade. Basta lembrar o Liminha, o Cairú, o Machado, o Dom Bosco, o Poli, e assim por diante. A comunidade abrevia a denominação, de forma carinhosa. Não precisa mesmo mencionar o nome completo.
    Pois em relação ao Instituto Federal Farroupilha de Santa Rosa eu continuo confuso. Já foi IFET, passou a ser conhecido como IF, e agora, dizem, está sendo chamado de IFAR. Alguém me ajuda, por favor?

     

  • quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017 08:26

    Legal, né?

    Diversos estados americanos estão alterando a idade penal para 18 ou 21 anos. Descobriram que adolescentes devem ser tratados de forma diversa dos adultos, justamente porque não são adultos.
    Por aqui, a discussão foi grande algum tempo atrás, e ainda não morreu. Mas a experiência dos gringos dá o que pensar.

    Enquanto isso, o presidente da República indica para o STF um cidadão filiado ao PSDB (ex-advogado do PCC) para julgar os processos em que o PSDB é réu. Legal, não? A sensação é de que, definitivamente, acabaram com a República.

    A retomada dos voos a partir do aeroporto de Santo Ângelo ficou para abril ou maio deste ano. Há obras em andamento na cabeceira da pista, explicam os responsáveis.
    O contrato inicial previa que os serviços estariam prontos em outubro de 2014. O atraso é grande. A empresa aérea Gol vem adiando a confirmação da utilização do aeroporto, sem maiores explicações. Além das obras propriamente ditas, há entraves burocráticos envolvendo o Governo do Estado e a ANAC. Entre os políticos, há diversos candidatos a “pai da criança”, o que não é novidade nenhuma.
    Em 2014 o aeroporto de Santa Rosa estava na lista, mas obviamente sem preferencia. No ano passado, o governo federal reduziu o programa da aviação regional. Não estamos entre os 100 aeroportos com potencial. Destes, 73 receberão as verbas. Isso significa, em primeira análise, que fomos para o fim da fila. Legal, né?
    Nesta semana a mobilização contra a reforma da previdência teve início em todo o Brasil.
    Aqui em Santa Rosa também, com a formação do “Comitê Sindical e Popular” contra a reforma, lançado na última quarta-feira. Talvez não haja outra forma de conter a proposta que, na prática, acaba com o Estado de caráter social no país. E também acaba com a aposentadoria.
    Em âmbito nacional, a OAB também está se mobilizando, assessorada por entidades de peso, incluindo a Associação Nacional dos Auditores Fiscais.
    O governo, malandramente, prega a ideia de que o número de trabalhadores ativos não conseguirá sustentar os inativos. Ora, a Previdência integra o orçamento da Seguridade Social, e esta é superavitária. De onde, então, vem o alegado déficit? Os números apresentados pelos representantes do governo são assustadores, mas eles não dizem, em nenhum momento, de onde saíram estes números.
    Se até agora o aposentado é penalizado pelo “fator previdenciário” que lhe rouba parte dos proventos, com a reforma de Temer a coisa vai piorar muito.
    Os cálculos feitos pelos especialistas são objetivos: 100 milhões de pessoas serão prejudicadas pela Reforma da Previdência.
    Legal, né?

  • sábado, 4 de fevereiro de 2017 10:57

    O medo do que é estranho

    Dias atrás, almoçando num restaurante a quilo de Santa Rosa vivenciei uma situação interessante. Na mesa à minha esquerda uma família conversava em alemão. À minha direita, outra família falava espanhol. Na minha mesa, óbvio, usávamos o português.
    Já vivi momentos semelhantes em viagens a outros países. Mas foi naquele dia, no restaurante em Santa Rosa, que percebi o quanto era fascinante a situação. Estávamos todos confortáveis, na hora do almoço, usando códigos linguísticos bem distintos, representando culturas que formam a nossa região noroeste.
    Habituados com isso, via de regra não damos valor a esse “caldo” cultural, do qual devemos nos orgulhar. Não há muitos lugares onde o convívio dessa natureza seja tão pacífico e descontraído. Uma oportunidade valiosa para expandir nossa visão sobre a diversidade, compreender as diferenças e aprender que são elas, as diferenças, que fazem o mundo melhor e mais interessante.
    Nesta semana li que o presidente Macri, da Argentina, seguindo os passos de Trump, dos EUA, também deseja criar obstáculos para a entrada de estrangeiros. Acredito que seja apenas um lance populista (algo como: “vejam como eu protejo meus patrícios”), que alimenta a xenofobia e o ódio.
    Nesses tempos de crises migratórias pelo mundo, o “portunhol” e os “dialetos” em que se transformaram as línguas europeias na região podem nos ensinar muito.

    Só pra esclarecer. “Xenofobia” é a palavra que designa o medo, aversão ou antipatia a tudo o que é estrangeiro. É o medo do desconhecido, do diferente. A desconfiança com pessoas estranhas e grupos sociais distintos do nosso (religiões, negros, muçulmanos, asiáticos, latinos etc.).
    Para os governos, é uma arma populista. Conquista a simpatia de doentes que destilam ódio irracional (vide as redes sociais, por exemplo).
    Para os indivíduos, é uma doença que a psicologia trata com métodos de terapia comportamental. É uma espécie de fobia que exige cuidados. E vai saber se não estamos todos um pouco doentes...

    Mudando de assunto. Está em gestação, na cidade, um novo “Cine Clube”. O projeto quer reunir pessoas apreciadoras para assistir e comentar filmes que marcaram a sétima arte. Aquela coisa de papo-cabeça.
    Sabemos que a história do cinema está marcada por obras notáveis e que, inexplicavelmente, desaparecem. Não estão na TV, nos circuitos comerciais das salas e nem nos canais pagos. Um bom filme é como um bom livro. É eterno. E após experimentá-lo, nunca mais somos os mesmos.
    Pelo que estou sabendo as sessões acontecerão no SESC, duas vezes por mês. Inscreva-se. É gratuito. O Luis Artur Hoffmann e o Schimo estão aceitando participações.

    Enquanto isso, o Conselho de Cultura e a Secretaria Municipal da área preparam a Feira do Livro deste ano. As reuniões preparatórias já começaram e sugestões estão sendo acolhidas. Quero dizer com isso que você também pode dar seu “pitaco” para engrandecer a feira.
    Como a cidade anda carente de eventos dessa natureza, a Feira do Livro e o informal Cine Clube são agradáveis notícias neste início de ano.