• sábado, 4 de novembro de 2017 08:48

    Coisas da cidade

    Está na hora de a RGE vir a público explicar o que está acontecendo com a energia elétrica em Santa Rosa. Nas últimas semanas as quedas se tornaram irritantes. Uma ou duas pela manhã, mais uma ou duas à tarde. Mesmo com céu limpo e sol brilhando. Elevadores param, computadores desligam perigosamente, máquinas e equipamentos também. A cada queda, tudo precisa ser recomeçado.

    Evidentemente, deve haver uma explicação...

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    Parece que o clima político azedou de vez entre lideranças das Missões e do Noroeste. Tudo por conta das publicações e desmentidos envolvendo a ponte sobre o nosso querido rio Uruguai.

    Nas Missões se ouve: “A ponte é nossa!”

    Na região Noroeste o papo é outro: “Não é bem assim. Muita água ainda vai passar sob a ponte que não existe!”

    Confesso que não sei aonde isso vai dar. Depois daquela comemoração infantil do Darcisio Perondi na Câmara dos Deputados, que revela bem o nível de elegância e recato daquela casa legislativa, acho que teremos mais lances espetaculares e pouca efetividade. Talvez não vejamos a ponte tão cedo.

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    Outubro passou e com ele as intensas programações do “Outubro Rosa”, com inúmeros momentos em que as mulheres (especialmente elas) foram alertadas sobre o risco do câncer de mama. Aqui mesmo na cidade a movimentação foi grande e digna de elogios. O caso é sério. Diagnóstico precoce aumenta a possibilidade de cura. O Instituto Nacional do Câncer estima que, neste ano de 2017, chegaremos a 58.000 novos casos de câncer de mama no Brasil.

    Na internet circulou um vídeo em que uma mulher mostra como fazer o autoexame. Surpreendentemente, ela usou o peito do marido para explicar o procedimento. Essa situação tornou o vídeo divertido, porém mostra que vivemos um clima de censura bastante bizarro. Mesmo para tratar de um assunto de saúde pública, mostrar um seio feminino pode desencadear uma onda de raivosos protestos dos puristas e moralistas de plantão.

    Essa onda conservadora que anda por aí está cada vez mais ridícula.

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    O trânsito da cidade não é mais o mesmo. Não estou falando de ruas e artérias. Estou falando dos motoristas.

    Como eu vivo e trabalho na região central da cidade, percebo que as pessoas estão nervosas e irritadas. O nosso trânsito, antes muito civilizado, está repleto de motoristas com a mão na buzina. Tenho visto com frequência. Um segundo após a abertura do sinal verde, as buzinas começam a soar. Sem falar daqueles carros de publicidade que transitam lentamente e atordoam nossos ouvidos.

    Pois bem. Acho mesmo que as pessoas estão mais irritadas. Seja pela vida cada vez mais veloz, seja pelos problemas econômicos.

    Mas não custa nada tomar um chá de gentileza e cortesia antes de sair de casa. Tudo ficará melhor. Para todos.

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    O anúncio do curso de Medicina para a cidade de Ijuí despertou entusiasmos também por aqui. A possibilidade da vinda do curso de Odontologia para Santa Rosa torna-se mais palpável. A torcida é grande.

  • sábado, 28 de outubro de 2017 09:38

    A Bíblia e outros livros

    A pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil" é realizada esporadicamente. A última nos revela algumas informações curiosas. Atualmente, o brasileiro lê, em média 2,43 livros por ano. Também lê mais 2,5 livros, mas pela metade.

    Isso mostra não apenas o baixo nível de leitura, mas também que lemos de forma fragmentada. Talvez seja o impacto da era da informática e das redes sociais, que nos trazem informações rápidas e, na maioria das vezes, desvinculadas de contexto. Ou seja, leituras de pouca profundidade e que exigem pouco esforço.

    A pesquisa releva mais: 30% dos entrevistados nunca leu um livro e 74% nunca comprou um livro. Só estes números já nos deixam de cabelo em pé. As motivações para a leitura são várias: interesse profissional, exigência escolar, crescimento pessoal ou atualização cultural. Também é forte a motivação religiosa, pois a leitura da Bíblia está presente em todos os grupos entrevistados. Fica a pergunta: se tantos leem a Bíblia, o mundo não deveria estar melhor?

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    No último sábado, no programa "Noroeste Debate", da Noroeste, falamos sobre a censura às artes e à imprensa.

    Os entrevistados do Clairto Martin concordaram num aspecto. A censura é condenável. A regulamentação, não. Exemplificando: obras de conteúdo delicado (como a violência ou a sexualidade) podem receber qualificação de faixa etária e horário, como acontece nos cinemas e na TV, mas a censura propriamente dita pode servir a interesses que não contemplam o interesse social.

    Mas, como não poderia deixar de ser, o tema da Bíblia também apareceu, trazido por um ouvinte. Para ele, obras que envolvem a sexualidade são feitas por "inimigos" da religião. É claro que esse é um entendimento equivocado, pois tudo envolve interpretação. Até a Bíblia.

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    A Bíblia proibia a cobrança de juros. E também tolerava a escravidão.

    Isso, atualmente, exige interpretação, é claro!

    Com relação às mulheres, por exemplo, a Bíblia tem passagens que deixariam envergonhado qualquer machista latino. A poligamia é tolerada e diversos personagens bíblicos possuem muitas mulheres. Salomão, o rei sábio, vivia com 300 concubinas. Nos Colossenses, encontramos: "As mulheres serão submissas a seus maridos". Nesse particular, tanto a Bíblia quanto o Corão são parecidos. Mandam a mulher se calar.

    E o sacrifício dos animais? Atualmente não toleramos isso, mas na Bíblia o sacrifício era aceito e o sangue usado para "purificação".

    Erotismo na Bíblia? Se você não quiser encontrar isso, não leia o livro "Cântico dos Cânticos". É um texto que mostra a vitória do amor e da sexualidade sobre a repressão social e a ganância do poder. Aliás, é sempre bom lembrar que a perversão está mais na cabeça de quem vê do que na obra de arte ou no corpo humano desnudo.

    Por fim, mais uma pergunta: a Bíblia proíbe a bebida alcoólica? De modo algum, embora aconselhe a moderação com a bebida. O vinho aparece mais de 200 vezes no texto bíblico. No Livro dos Provérbios, lemos: "Dai bebida forte ao que está prestes a perecer, e o vinho aos amargurados do espírito".

    Jesus não transformou água em vinho? Se desejasse proibir o vinho, teria transformado a água em Fanta Uva, por exemplo.

     

  • segunda-feira, 23 de outubro de 2017 07:21

    Eu e meu dinheiro

    Quando falamos em Prêmio Nobel de Economia, imaginamos um sujeito metódico e disciplinado, dedicado a estudos como fenômenos inflacionários, distribuição de renda e outros temas áridos. Pois o vencedor do prêmio deste ano, o norte-americano Richard Thaler, dedica-se à "economia do comportamento". Pode parecer coisa de marciano, mas de fato existe uma área da economia que estuda a forma como nos relacionamos com o dinheiro. E não deixa de ser muito interessante.

    Ele estuda uma coisa chamada contabilidade mental, e como as pessoas simplificam suas decisões financeiras. A forma como usamos o dinheiro tem elementos psicológicos e culturais. De um modo geral, nós agimos de modo irracional ao lidar com ele. Poucas vezes paramos para pensar se aquilo que fazemos (uma compra, por exemplo) é a opção correta naquele momento. Para o economista, raramente agimos de forma racional.

    Isso quer dizer que o nosso relacionamento com o dinheiro não é dos melhores, e tem motivações psicológicas profundas.

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    Vou tentar exemplificar. Você nunca adquiriu algo apenas porque o desconto era bom, e depois aquele objeto ficou mofando no armário? Os economistas chamam isso de "utilidade de aquisição". Ou seja, você está disposto a pagar 100,00, mas consegue comprar por 80,00. Compra com entusiasmo mesmo sem analisar o quanto de utilidade aquela compra trará. Muita gente faz compra desse tipo. Gostamos de um bom negócio, que pode, racionalmente, não ser um bom negócio.

    Algumas empresas conhecem esse mecanismo. Elevam os preços e oferecem 40% de desconto numa mercadoria, mesmo sabendo que o preço final será exatamente o mesmo da semana passada...

    Outro exemplo: por que tanta gente está endividada? A maioria, por decisões irracionais na hora de lidar com o dinheiro. Tenho um amigo que ganha 2 salários-mínimos, e que consegue manter suas contas em dia e até mesmo poupar. Mas também tenho um amigo que ganha 20 salários-mínimos e está devendo uma vela para cada santo. Como explicar isso?

    E aquele movimento de "manada" no mercado financeiro? Quando a bolsa está em alta, milhares de pessoas decidem investir em ações. Todos acreditam (irracionalmente) que as ações continuarão a subir indefinidamente, e fazem a mesma escolha da maioria das pessoas. Não há nenhum bom senso nisso.

    Outro exemplo: você consegue um empréstimo de 5.000,00 para pagar dívidas antigas. Negocia com os credores e consegue quitá-las com 4.000,00. Sobram, portanto, 1.000,00. O que faz com o que sobrou? Gasta em outras compras (viagens, troca de celular, etc.) Não é irracional?

    E quando se faz compra em prestações? Normalmente, as pessoas calculam apenas a parcela que poderão pagar mensalmente. Não avaliam os encargos (juros e tarifas) e portanto não têm noção do custo verdadeiro da compra. É por isso que, muitas vezes, a compra de um automóvel representa, ao final, o custo de dois automóveis para o bolso do comprador.

    Confesso que também já me meti em encrencas semelhantes. Por isso, posso dizer de cadeira: toda a decisão financeira é uma luta entre o bom senso e os atrativos do consumo. Não é fácil, eu garanto.

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    Uma senhora vai ao médico, trazendo a filha menor.

    "Doutor, minha filha engoliu uma nota de 50 reais! É grave?"

    O médico sorriu e respondeu:

    "Não se preocupe, minha senhora. A turma de Brasília já engoliu bilhões nos últimos meses e ninguém foi parar no hospital..."

  • sexta-feira, 13 de outubro de 2017 08:58

    Separatismos

    Nesses tempos em que voltamos a falar de separatismo, existe uma pergunta que nunca foi respondida: por que o nome “Rio Grande do Sul”? Ninguém tem certeza, mas há duas teorias a respeito.

    A primeira diz respeito ao Guaíba, que todos consideravam um grande rio. Mas também há a versão de que o nome foi escolhido por causa da foz da Lagoa dos Patos, que também foi confundida com um grande rio. Os primeiros e precários mapas que falavam desta região foram feitos a partir de 1560, e, obviamente, a confusão sobre os fenômenos geográficos era enorme. Fazer mapas, na época, era uma tarefa inglória.

    Na outra ponta do Brasil, o nome Rio Grande do Norte surgiu justamente para diferenciar do Rio Grande do Sul. Inicialmente a região se chamava Rio Grande, em homenagem ao rio Potengi, e era o nome de uma capitania hereditária doada a um sujeito de nome João de Barros. A razão deste assunto é simples: eu sempre gostei de aulas de geografia.

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    Pois a consulta sobre a separação do Sul recebeu 341.566 votos. Entre os que votaram, a maioria votou “sim”. Esperava-se algo entre 2 e 3 milhões. O total de eleitores dos três estados do sul está perto de 22 milhões.

    Resumindo, a consulta recebeu menos votos do que em ocasiões anteriores. E não deu certo, mais uma vez. Talvez porque o pessoal não concorde com a moeda “pila” e a capital em Lages...

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    Não inventei esta pergunta, mas já a ouvi no mínimo duas dezenas de vezes andando pela cidade.

    “Afinal, o que é que o Rotary está fazendo dentro da praça destinada às etnias, lá no Parque de Exposições?”.

    Eu respondo: “Não tenho a menor ideia. Será que estão querendo se separar dos clubes de serviço e formar uma etnia?.”

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    O dia 12 de outubro, que no Brasil lembra o Dia da Criança e de Nossa Senhora Aparecida, é comemorado em toda a América por causa do descobrimento, que aconteceu em 1492.

    Como sabemos, Colombo buscava uma rota alternativa para as Índias, e chegou à região da América Central, ocupada por milhares de nativos, os quais, equivocadamente, passaram a ser chamados de “índios”.

    Uma questão interessante é saber que Colombo não recebeu todas as glórias a que tinha direito. A homenagem ficou para o nome Colômbia, nosso país vizinho. A América tem esse nome devido a Américo Vespúcio, que mais tarde mapeou desde o Canadá até o nordeste brasileiro. Por isso é que sabemos, hoje, que os navegadores já tinham visitado o Brasil muito antes de Cabral. Mas isso é uma outra história.

    O fato é que os navegadores chegaram ao Novo Mundo e encontraram inúmeras tribos. Era gente bronzeada e pelada. Isso foi um choque para os europeus que ainda viviam na idade média, com dogmatismos religiosos e a inquisição.

    Pois bem. Passados 525 anos da “descoberta” de Colombo, ainda vejo por aqui gente espantada com uma peça de teatro onde aparece gente nua, ou até com pinturas em museus. Descobri, nos últimos dias, que gente que nunca entrou num museu subitamente transformou-se em crítico de arte. Certamente teriam coragem de jogar numa fogueira os quadros que nem os reis europeus de 1500 ousariam queimar.

    Com tantos problemas Brasil afora, preocupar-se com gente pelada em teatro é, no mínimo, falta do que fazer...