• sexta-feira, 21 de julho de 2017 14:47

    Notícias inesperadas

    Veja só. Já estamos na segunda quinzena de julho. Metade do ano se foi, e acho que não vi passar. Onde foi parar a primeira metade? Sei lá. Isso me faz lembrar uma frase do Mário Quintana, que chega a assustar: “O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede. Conheço um que já devorou três gerações da minha família”.

    ***

    Os drones são a grande novidade tecnológica. Em algumas cidades da Europa já são utilizados para entregas domiciliares, como pizzas e pequenos objetos. Uma dor de cabeça para o varejo. Também estão sendo testados para o transporte de pessoas e até para substituição dos automóveis. Na hora do rush vai bem....

    Pois no domingo passado, na penitenciária de Charqueadas, os policiais abateram a tiros um drone que circulou sobre o prédio e se dirigia para uma das janelas. Ele transportava dois celulares, duas baterias e um pacotinho de cocaína.

    Entrega a domicílio é isso! Em termos de tecnologia a bandidagem não fica atrás de ninguém.

    ***

    Eis uma notícia que despertou o meu interesse. Em setembro acontece em Tuparendi o “Festival de Cucas” (dia 09, na praça central). Imagina só. Considero-me um fã incondicional da cuca. Num festival, então, acho que vou me esbaldar.

    Pois descobri que há controvérsias sobre a origem da cuca. Em alemão, diz-se “kuchen”. Nos primórdios, era um bolo para datas especiais, como o Natal, porque a farinha e o açúcar eram ingredientes muito caros. Na forma como é conhecida hoje, com a sua cobertura cocrante e muito doce, ela veio mesmo da Alemanha. Aqui no Rio Grande não há qualquer questionamento. E foi muito bem-vinda!...

    ***

    No folclore brasileiro temos uma outra “cuca”, trazida de Portugal. Estou falando do ser mitológico, caracterizado como bruxa velha e feia, que rouba as crianças. Na época da colonização essa imagem já era utilizada para assustar os pequenos.

    Bem mais tarde tornou-se personagem famosa nas histórias de Monteiro Lobato. E todos nós conhecemos a velha canção, também assustadora, usada para embalar as crianças: “Dorme, nenem, que a cuca vem pegar... Papai foi na roça, mamãe foi trabalhar...” A criança dormia, mas desconfio que com algum pesadelo...

    ***

    No Paraná, a partir de Foz de Iguaçú, está ocorrendo uma grande mobilização em defesa da UNILA, como é conhecida a Universidade Federal de Integração Latino-Americana. Como o próprio nome diz, a universidade acolhe estudantes de diversos países da América, e também apoio financeiro desses países, e funciona quase como uma instituição multi-língua. Uma universidade inovadora, moderna.

    Pois agora um deputado do PMDB, muito afinado com os propósitos do governo de destruir a educação pública, está propondo modificação na estrutura que significará o desmantelamento da UNILA. Aliás, é fácil perceber que o ensino público universitário está sob ataque no Brasil de hoje.

    A população do Paraná está se mobilizando. Há valores que precisamos defender. Um deles é a universidade pública. Sem ela, o Brasil desce a ladeira...

  • sábado, 15 de julho de 2017 11:17

    Alô?!

    Se você enxergar alguém, com o celular na mão, saindo às pressas de algum prédio ou moradia, não se assuste. Não é incêndio, não é terremoto. A pessoa em questão está apenas tentando captar sinal da telefonia móvel.

    Às vezes até consegue...

    ***

    O que é mais difícil de encontrar: o sinal da Vivo ou aquele pessoal que bateu panela pedindo impeachment?

    ***

    Em breve a publicidade será a seguinte:

    “A Vivo lhe deseja um ótimo final de semana! Como sua ligação não vai funcionar mesmo, o bom é encontrar amigos pessoalmente. Este é o segredo da felicidade. Encontre os amigos e divirta-se!

    E temos uma grande novidade: com a Vivo você não paga nada para falar com sua sogra. Este é o nosso novo plano! Basta ir até a casa dela e conversar bastante. É de graça!”

    ***

    E a moça (dizem que é loira) ouviu o celular tocar, pegou o aparelho e se jogou no chão da sala para atender à ligação. A amiga que a visitava estranhou:

    — Por que você atende a ligação deitada?

    — Para a ligação não cair...

    ***

    Crise política, para nós, não é novidade, mas igual a esta que este estamos assistindo eu nunca tinha visto.

    Por exemplo: o cara que há algum tempo defendia o governo Temer hoje está como o vendedor de um Fiat 147 com vinte anos de uso. Nem com rosário, nem macumba, consegue convencer alguém...

    ***

    E dizem que um deputado federal, na sala do cafezinho da Câmara, fazia considerações filosóficas:

    — Se alguém acha que vou me dobrar por uma propina de 500 mil, saiba que está totalmente certo...

    ***

    O que aconteceu no Senado, na última quarta-feira, com a votação da reforma trabalhista, é mesmo vergonhoso. Políticos movidos por propinas, votando em favor do atraso. E dois senadores gaúchos pisotearam a imagem de gente politizada que o Rio Grande ainda tinha. É dose!...

    ***

    O meu celular está infestado de vírus. Esta é a conclusão a que estou chegando. Às vezes eu digo: “Alô, tudo bem?”, e ele responde: “Alô, tudo bem?”. Eu paro de falar por alguns instantes e continuo: “Sabe quem está falando?” e ele responde: “Sabe quem está falando?”. Na segunda oportunidade descobri que é a minha própria voz respondendo, em eco.

    Assim, encontrei uma nova utilidade para o celular, ou seja, conversar comigo mesmo. Antigamente a gente refletia sobre a vida e dizia: “estou conversando com meus botões”. Hoje, podemos dizer: “estou conversando com meu celular”.

    Tenho mantido conversas muito sérias com ele. E algumas discussões. Espero que o meu celular tenha um espírito compreensivo...

     

  • sábado, 8 de julho de 2017 10:06

    Falando de...

    Conversa sobre suicídio é sempre incômoda. As pessoas evitam, escondem, silenciam. É quase um tabu para a nossa cultura. Mas é preciso falar, verbalizar, porque o estigma somente faz com que o preconceito persista.
    Dias atrás, o suicídio de uma jovem aqui na região deixou muita gente chocada. Jovem e bela. O que aconteceu? Por quê? É uma realidade dolorosa que não aparece, e os familiares envolvidos tendem a ocultar.
    ***
    No ranking nacional de suicídios, o Rio Grande está no topo da lista. E entre as cidades com maior incidência no país, temos duas muito próximas: Três de Maio e Três Passos. Outro dado alarmante do Ministério da Saúde é que vem aumentando o número de suicídios na faixa etária de 15 a 29 anos. Já é a principal causa de morte entre meninas de 14 a 19 anos. No Brasil, o número de casos subiu 34% entre 2002 e 2012. As estatísticas parecem números frios lançados em folhas de papel, mas podem e devem nos levar a reflexões mais profundas.
    Alguns estudos relacionam o suicídio com o uso indiscriminado de agrotóxicos (organofosforados), o que explicaria o alto índice de depressão e suicídio na região de Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul, onde a cultura do fumo exige quantidades absurdas de veneno. Também o manganês, presente nos fungicidas, vem sendo apontado como causador da depressão. Ninguém mais duvida que os agrotóxicos abalam o sistema nervoso central das pessoas.
    É uma explicação dos efeitos dos produtos químicos no cérebro humano. Eu não duvido. Mas as pesquisas a respeito continuam...
    ***
    Outra linha de pensamento está relacionada com a formação religiosa numa região de imigrantes. A religiosidade rígida entra em choque com o mundo disperso e líquido da vida contemporânea. O conflito é inevitável, um conflito de valores, de crenças. Muita gente não suporta essas contradições.
    Também não é de duvidar. A religião tem tudo a ver com a nossa formação cultural. E num mundo de conflitos e competição, isso é terrível.
    ***
    Mas o que acontece com os jovens de outras regiões, que estão distantes dos agrotóxicos e do rigor religioso? A realidade parece ser outra. Educadores, psicólogos e sociólogos buscam explicações.
    O incentivo à competição, ao êxito profissional rápido, muitas vezes não é bom. Os adolescentes são cobrados de forma incisiva, e cada vez mais cedo. Alguns são ainda crianças, mas seus compromissos são enormes. Pulam etapas da vida, do aprendizado, e até da convivência sadia com pessoas de sua idade. São adultos prematuros, psicologicamente instáveis e inseguros.
    Por outro lado, a sociedade nos impõe a ideia de que não precisamos, hoje, de uma vida para ser vivida. Temos uma vida a ser mostrada, exibida, invejada. Parece não existir mais a vida individual, autêntica. Somos todos atores. Colocamos uma máscara ao sair de casa. Queremos parecer bem sucedidos e felizes. Mas, na verdade, a vida não é assim. Desprotegidos e vulneráveis, é o que somos. E o afeto que pode nos dar segurança tornou-se mercadoria rara. Para muitos, é um abismo insuportável. É hora de olharmos com atenção para nós mesmos e para nossos filhos.

  • sexta-feira, 4 de agosto de 2017 15:04

    Faça o bem

    Você pode até imaginar que o assunto é piegas, sentimental, coisa de auto-ajuda. Praticar a bondade é virtude reconhecida por todas as religiões. Já sabemos disso há séculos. Mas não é uma virtude aplaudida socialmente.

    No entanto, há milhares de pessoas ao redor do planeta que praticam a bondade e o altruísmo. Muitas delas às custas do próprio tempo e do próprio dinheiro. Algumas se tornam celebridades por conta disso. Muitas outras sequer fazem questão de ser conhecidas. É algo íntimo, sabemos.

    Pois agora surgem indícios de que o conselho “faça o bem sem olhar a quem” tem razão de ser.

    Uma pesquisa recente da Universidade de Lubeck, na Alemanha, descobriu que, no interior do nosso cérebro, qualquer ato de generosidade ativa partes que nos dão a sensação de felicidade (área denominada têmporo-parietal). O estudo envolveu voluntários que receberam uma quantia em dinheiro. Um grupo foi orientado a preservar o dinheiro. O outro grupo ficou livre para aplicar em atos de generosidade.

    O cérebro dos integrantes do segundo grupo mostrou ligação ativa com a tal área neurológica, e todos afirmaram que sentiram a sensação de gratificação e felicidade com o que fizeram. E juram que a tal “experiência” ajudou a modificar sua própria visão do mundo.

    ***

    É a ciência invadindo um campo de conhecimento que sempre envolveu outros conceitos. Socialmente, enfatizamos o egoísmo como forma de encontrar a felicidade. Damos pouco valor aos benefícios sociais e individuais do comportamento generoso.

    Parece que a ciência está demonstrando que estávamos errados...

    ***

    Mudando de assunto. A agricultura do mundo está de sobreaviso. Estão em andamento gigantescas fusões empresariais envolvendo a Bayer-Monsanto, a Syngenta-ChemChina e a Dupont-Dow.

    Em breve, apenas três megaempresas dominarão a produção de alimentos no mundo. Na área de máquinas agrícolas, quatro empresas já dominam mais da metade do setor.

    As primeiras consequências, segundo os técnicos, serão a elevação dos preços e a pressão envolvendo a propriedade intelectual das sementes. Em outras palavras, eles sentarão em torno de uma pequena mesa, em algum lugar do planeta, e decidirão preço das máquinas e dos insumos, como agrotóxicos, adubos e sementes.

    Para os pequenos e médios agricultores é uma ameaça real.

    A limitação de troca de sementes entre os agricultores, por exemplo, já é uma realidade e tende a se tornar crônica. Não é sem razão que a vigilância “fitosanitária”, imposta pelos governos, assim como a obrigatoriedade de usar sementes registradas, estão estrangulando a agricultura familiar.

    A força desses gigantescos conglomerados supera a resistência dos governos, especialmente aqueles descompromissados com sua própria população. Os monopólios, como a história sempre demonstrou, trazem danos e esmagam as economias.

    Para nós, que não estamos diariamente lidando na lavoura, a preocupação envolve a redução da comida saudável e da segurança alimentar. O agribusiness jamais se preocupou com isto.