• sábado, 2 de julho de 2016 12:00

    O tempo passa

    Estamos no dia 1º de julho. Você já reparou? Exatamente na metade do ano de 2016. E o século XXI já percorreu 16,5% do seu trajeto. Cruzes!
    ***
    O tempo é algo que nós, pobres mortais, jamais entendemos. Filósofos, poetas e pensadores de todo tipo já se debruçaram sobre essa questão. Até o Einstein! Ele dizia que passado, presente e futuro são coisas que não existem. Nós é que, através dos sentidos, criamos essas definições para melhor compreender o mundo. Pois, de fato, penso que a resposta é como o fim da vida. Jamais vamos entender. O tempo passa por nós ou nós passamos pelo tempo? Ou será que o tempo não existe?
    Lembro que nas aulas de catecismo a professora comentava: “Um milhão de anos, para nós, significa uma fração de segundo comparados com a eternidade”. Eu ficava conversando com meus botões: “Essa eternidade é mesmo bem velhinha”. E contávamos, no recreio, uma velha piada sobre o sujeito que conversava com Deus:
    “Senhor, é verdade que, para ti, um milhão de anos é apenas um segundo?”
    “Sim, é verdade”.
    “Bem, nesse caso o que é um milhão de dólares para ti?”
    “Para mim, um milhão de dólares é apenas um centavo”.
    “Ah, nesse caso, Senhor, podes me dar um centavo?
    “Claro” — responde Deus. — “Espere só um segundo”.
    ***
    A tocha olímpica, que está percorrendo o Brasil, vai passar por Ijuí, Santo Ângelo e São Miguel das Missões.
    A tocha é o símbolo que vem da Grécia, desde os jogos antigos, em torno de 700 anos antes de Cristo. Representa o espírito olímpico, sempre às voltas com a união dos povos através do esporte. Uma esperança que sempre se renova e anima o maior evento esportivo do planeta.
    Pois a tocha não vem a Santa Rosa. Aliás, alguém pensou em trazê-la? Duvido!
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    Clube Concórdia às vésperas de sua reinauguração. Parece consenso. A arquitetura do clube é a mais bonita da cidade. Já foi uma espécie de cartão postal de Santa Rosa. Houve um tempo em que a vida era mais simples e mais lenta e as pessoas enviavam cartões postais para amigos e parentes (a galera mais jovem não lembra disso, é claro). Aliás, na época em que havia cartões postais, lembro bem que um deles era a fotografia do clube.
    Pois a Sociedade Concórdia está colocando à disposição da comunidade, novamente, o belo salão para bailes e outros eventos similares. Todos esperavam por isso, após um longo tempo de incertezas e problemas que abalaram o clube.
    Para marcar esse retorno, dia 22 de julho teremos jantar comemorativo, promovido pela entidade. E já está marcado para 19 de agosto o baile da OAB. Dois momentos para você colocar na agenda e não perder de jeito nenhum!

     

  • segunda-feira, 20 de junho de 2016 08:23

    Estamos longe de tudo?

    É frequente ouvirmos essa expressão: “Viver aqui na região noroeste é muito bom, mas estamos longe de tudo”. Isso é verdade apenas parcialmente.

    De fato, estamos longe das capitais. Uma viagem de pouco mais de 500 quilômetros até Porto Alegre demanda oito horas de estrada. Se lembrarmos de outras capitais, como Florianópolis ou São Paulo, a questão é muito mais grave.

    Daí a importância do debate acerca do aeroporto. Não precisamos lembrar que a viagem aérea elimina a questão do tempo e da distância. De Santa Rosa a Porto Alegre são 60 minutos. Se o aeroporto será local ou regional é aspecto a ser exaustivamente debatido. Mas sem ele, continuaremos longe de tudo.

    Porém, estar distante das capitais não significa isolamento. Estamos ao lado da Argentina e a poucos quilômetros do Paraguai. É muito mais fácil o deslocamento a Foz do Iguaçú do que para Porto Alegre. Sem contar que viver numa região de fronteira é sempre muito interessante.

    Mas você já deve estar questionando: “estamos mal de infraestrutura”. Também é verdade. Não temos a ponte. Para nossa integração com os países vizinhos, a ponte tem o mesmo significado de um aeroporto, não é?

    Nossos problemas de logística são bem conhecidos. Há cidades na região que ainda não contam com acesso asfáltico, coisa inadmissível em pleno segundo decênio do século XXI. Lembro do caso de Porto Vera Cruz. Um trecho de estrada que ligaria a cidade ao asfalto espera a pavimentação há três décadas. São apenas 16 quilômetros. A cada eleição para o governo do Estado as promessas se repetem, aparecem máquinas niveladoras e caminhões com brita, mas logo a seguir tudo desaparece. E a população comenta: “Talvez na próxima eleição...”

    Estamos distantes, concordo. Mas sabemos que a ponte e o aeroporto podem eliminar essa distância e nos deixar próximos de tudo. Não podemos desistir de buscar esses caminhos.

    ***

    Os índios voltaram a se instalar no trevo próximo ao frigorífico, vendendo seu artesanato. Quando os vejo, lembro da história do Brasil.

    Fazem parte de grupamento indígena que vem sendo catequizado, civilizado e explorado há mais de 500 anos. Mas é incrível perceber que eles mantém uma altivez e dignidade admirável. Continuam autenticamente indígenas.

    Além disso, são bilíngues. Usam o português para falar com os “brancos”. Entre eles, falam o guarani. Também é espantoso ver que a língua guarani, com pouca tradição escrita, sobreviveu a séculos de convívio com o espanhol e o português.

    Temos de reconhecer e respeitar essa força atávica e ancestral que trazem. Eles não desejam “se integrar” à sociedade dos brancos. Quem continuar índios. Orgulham-se de suas tradições e crenças. Nós, os brancos, insistimos há séculos para “integrá-los” à nossa civilização. Eles, porém, resistem, tal como fazem os ciganos. Se observarmos atentamente o mundo moderno e contemporâneo, não creio que eles estejam totalmente errados.

  • domingo, 12 de junho de 2016 11:00

    Curiosidades

    A vida atual tem uma marca. Milhões de pessoas convivem com ansiedade, estresse, depressão, desequilíbrios alimentares, dificuldade de auto-estima e comportamentos obsessivo-compulsivos. Uma epidemia que só mesmo a vida moderna pode explicar.

    A origem disso tem a ver com o ritmo frenético, cobranças profissionais, desejo de êxito e sucesso, entre outras causas. Você sabe bem do que estou falando.

    Pois na Inglaterra três instituições que tratam de saúde decidiram inovar em seus tratamentos (são elas a Royal College of Psychiatrics, Mental Health Foudation e Public Health England). Pois elas criaram uma lista de livros que auxiliam no tratamento das doenças e no bem-estar dos pacientes. Sem substituir o tratamento, é claro.

    Para estas instituições, certas leituras têm o mesmo efeito dos ansiolíticos. E vão adiante: autorizaram os profissionais de saúde a “recomendar” a leitura, como se estivessem prescrevendo um medicamento. Já são mais de meio milhão de pessoas que, com o tratamento clínico, estão lendo livros, especialmente de ficção.

    Os resultados, até agora, são excelentes. Os pacientes garantem que a leitura lhes traz tranquilidade e novas perspectivas de vida. Os livros modificam seu modo de ver as pessoas e o mundo à sua volta, bem como aguçam a compreensão das dificuldades da vida.

    Tudo isso, obviamente, acelera os resultados positivos do tratamento. Eis aí mais um forte motivo para você abrir um livro.

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    Na semana passada, após derrota no campeonato brasileiro, houve uma reunião tensa na Arena (aquele belíssimo estádio!), em Porto Alegre. O presidente do Grêmio (aquele belíssimo time!), Romildo Bolzan, estava tenso e preocupado. Chegou à reunião e foi logo dizendo:

    “Liga para Santa Rosa, urgente!”

    Ninguém entendeu nada. Mas ele logo explicou:

    “Precisamos melhorar a nossa zaga! Vou contratar o Salsicha e o Caçula! Eles vão botar a casa em ordem”.

    Foi preciso muita conversa para explicar ao presidente que os dois atletas, embora tenham marcado a história do futebol gaúcho (e as canelas dos adversários), já estão aposentados para o futebol. Mas o técnico anotou os nomes na agenda:

    “Talvez eu precise deles no returno...”

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    Piada de esquina. Quando Itamar Franco assumiu a presidência a Volkswagen relançou o fusca, que ficou conhecido como “Fusca Itamar”.

    Agora, passados tantos anos, com o governo provisório de Temer, a Volkswagen vai lançar uma linha especial do seu carro mais vendido, o Gol. O novo modelo vai se chamar “Gol Pista”, com uma particularidade interessante no câmbio, que terá apenas uma marcha: a ré.

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    Será na próxima quarta, 15, a audiência pública da Câmara de Vereadores que tratará do estacionamento rotativo na cidade.

    Há muitas questões envolvendo o tema. A participação popular é imprescindível. Agende-se.

  • segunda-feira, 6 de junho de 2016 08:28

    Futebol no lar

    Marido e mulher discutindo, ela irritadíssima reclamando que ele só pensa em futebol e há dias vem protelando o conserto do chuveiro, o corte da grama e a arrumação do portão, que está caindo.

    “Ah, mulher, assim tu tá chutando minha canela! Tu sabe que entrar de carrinho é falta. Eu tô cheio de gás, louco pra fazer um gol de voleio e arrumar a casa. Mas só no sábado. Por isso deixa dessa marcação homem a homem...”

    Ela continua a dizer que o marido está há semanas prometendo os consertos.

    “Pare de bater na mesma tecla. No sábado eu vou dar um jeito nisso”.

    “Tu tá só fazendo catimba. Chega de fazer cera, parece pipoqueiro”.

    Nesse momento ele percebeu que a mulher também entendia de futebol, ou, pelo menos, da gíria do futebol. E gostou da conversa.

    “Meu bem, tu sabe que eu sou de molhar a camisa e de dar o sangue. Fica de olho no lance. Você vai ver que eu resolvo isso numa chapuletada, vai ser gol de placa! Não sou perneta nem pé torto...”

    “Quero que saiba que tu tá na marca da cal. Se eu chutar, você sai dessa casa! E não vai ter prorrogação ou decisão nos pênaltis. E também não vai ganhar no tapetão, como se fosse o Michel Temer”.

    Aquilo sim era uma bola venenosa, pensou ele. Sentiu que não podia chavecar e fazer pouco do adversário. Muito menos entrar de salto alto. E diante do que ela dizia, também não poderia devolver uma bola quadrada. Naquele momento a mulher parecia uma caixa de surpresas, um becão açougueiro que dá pontapé até na sombra. Concluiu que precisava de uma estratégia. Um gol no apagar das luzes, abrindo o placar, seria a salvação da lavoura. O jogo estava embolado... Ela virou-se e acrescentou:

    “Depois não adianta chorar sobre o leite derramado!”

    Ele sentiu que o jogo não era amistoso. Era jogo embolado e ele estava mais para morte súbita do que para vitória consagradora. Precisava virar o jogo com um gol relâmpago, mesmo que fosse com a ajuda do morrinho artilheiro, gol de mão, gol na banheira. De qualquer jeito! E lascou:

    “Benhê! Vamos combinar o seguinte. No sábado, depois do conserto, vamos jantar fora e beber uma cervejinha...”

    Ela pensou por um instante, e concordou com um sorriso.

    Ele comemorou esfregando as mãos e pensando consigo mesmo: “Craque é craque! Acabei de fazer um gol de trivela!”

    Mas logo depois lembrou que, no sábado, o time do coração tinha jogo. Sacudiu a cabeça desconsolado. “Pisei na bola, mas agora não adianta chorar. Ninguém vive só de vitórias...”.