sábado, 28 de outubro de 2017 09:38

A Bíblia e outros livros

A pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil" é realizada esporadicamente. A última nos revela algumas informações curiosas. Atualmente, o brasileiro lê, em média 2,43 livros por ano. Também lê mais 2,5 livros, mas pela metade.

Isso mostra não apenas o baixo nível de leitura, mas também que lemos de forma fragmentada. Talvez seja o impacto da era da informática e das redes sociais, que nos trazem informações rápidas e, na maioria das vezes, desvinculadas de contexto. Ou seja, leituras de pouca profundidade e que exigem pouco esforço.

A pesquisa releva mais: 30% dos entrevistados nunca leu um livro e 74% nunca comprou um livro. Só estes números já nos deixam de cabelo em pé. As motivações para a leitura são várias: interesse profissional, exigência escolar, crescimento pessoal ou atualização cultural. Também é forte a motivação religiosa, pois a leitura da Bíblia está presente em todos os grupos entrevistados. Fica a pergunta: se tantos leem a Bíblia, o mundo não deveria estar melhor?

***

No último sábado, no programa "Noroeste Debate", da Noroeste, falamos sobre a censura às artes e à imprensa.

Os entrevistados do Clairto Martin concordaram num aspecto. A censura é condenável. A regulamentação, não. Exemplificando: obras de conteúdo delicado (como a violência ou a sexualidade) podem receber qualificação de faixa etária e horário, como acontece nos cinemas e na TV, mas a censura propriamente dita pode servir a interesses que não contemplam o interesse social.

Mas, como não poderia deixar de ser, o tema da Bíblia também apareceu, trazido por um ouvinte. Para ele, obras que envolvem a sexualidade são feitas por "inimigos" da religião. É claro que esse é um entendimento equivocado, pois tudo envolve interpretação. Até a Bíblia.

***

A Bíblia proibia a cobrança de juros. E também tolerava a escravidão.

Isso, atualmente, exige interpretação, é claro!

Com relação às mulheres, por exemplo, a Bíblia tem passagens que deixariam envergonhado qualquer machista latino. A poligamia é tolerada e diversos personagens bíblicos possuem muitas mulheres. Salomão, o rei sábio, vivia com 300 concubinas. Nos Colossenses, encontramos: "As mulheres serão submissas a seus maridos". Nesse particular, tanto a Bíblia quanto o Corão são parecidos. Mandam a mulher se calar.

E o sacrifício dos animais? Atualmente não toleramos isso, mas na Bíblia o sacrifício era aceito e o sangue usado para "purificação".

Erotismo na Bíblia? Se você não quiser encontrar isso, não leia o livro "Cântico dos Cânticos". É um texto que mostra a vitória do amor e da sexualidade sobre a repressão social e a ganância do poder. Aliás, é sempre bom lembrar que a perversão está mais na cabeça de quem vê do que na obra de arte ou no corpo humano desnudo.

Por fim, mais uma pergunta: a Bíblia proíbe a bebida alcoólica? De modo algum, embora aconselhe a moderação com a bebida. O vinho aparece mais de 200 vezes no texto bíblico. No Livro dos Provérbios, lemos: "Dai bebida forte ao que está prestes a perecer, e o vinho aos amargurados do espírito".

Jesus não transformou água em vinho? Se desejasse proibir o vinho, teria transformado a água em Fanta Uva, por exemplo.

 

Faça seu comentário