segunda-feira, 22 de janeiro de 2018 14:53

A hora mais difícil

Nem eu nem você tivemos a oportunidade de conhecer uma jovem chamada Holly Butcher. A explicação é simples. Ela era australiana e morreu no dia 04 de janeiro. Nunca esteve no Rio Grande do Sul, que eu saiba.

Mas o que há de curioso nisso? Pois bem. A jovem morreu aos 27 anos, do câncer agressivo que vinha tratando há cerca de doze meses. Sabedora de que iria partir logo, Holly escreveu uma carta sem destinatário em particular. Uma carta para amigos, que veio a público por vontade de seus familiares.

Embora ainda tão jovem, a australiana decidiu deixar, por escrito, alguns conselhos sobre a vida.

Já conheci muitas pessoas que, ao se verem alcançadas por alguma doença grave, modificaram radicalmente seus hábitos, sua forma de ver o mundo e também os relacionamentos com amigos e parentes. Parece que a mudança radical na saúde, aliada ao risco de morte, leva as pessoas a repensarem o próprio comportamento e maneira como vivem.

O caso da jovem australiana é semelhante. A diferença é que ela sabia (mais ou menos) o dia de sua morte, e sentiu a necessidade de deixar uma mensagem, sem jamais saber o real impacto do que escreveu. Partes de sua mensagem merecem ser reproduzidas e nos fazem pensar. Veja só.

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Em dado momento, Holly escreve: “Esta é uma coisa da vida: é frágil, preciosa e imprevisível. E cada dia é um presente, não um direito dado”. Ela descobriu o que muitas pessoas se negam a ver: a fragilidade absurda da vida.

“Só quero que as pessoas parem de se preocupar tanto com coisas pequenas e as tensões insignificantes na vida e tentem lembrar-se que todos nós temos o mesmo destino depois disso tudo”.

“É tudo tão insignificante quando se olha para a vida como um todo. Estou vendo meu corpo desaparecendo diante dos meus olhos e não há nada que eu possa fazer. E tudo o que desejo agora é que eu pudesse ter mais um aniversário ou natal com a minha família, ou apenas mais um dia com o meu parceiro e o meu cão”.

“Lembre-se que há mais aspectos para a saúde do que o corpo físico”.

“É verdade que você ganha mais felicidade fazendo coisas para outros do que para si mesmo. Gostaria de ter feito mais isso”.

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Ela destaca como é estranho o apego a coisas materiais. “É uma coisa estranha ter dinheiro para gastar no final... quando você está morrendo. Não é hora de sair e comprar coisas materiais como você costuma fazer, como um vestido novo. Isso faz você pensar o quão bobo é pensarmos que vale a pena gastar tanto dinheiro em roupas novas e coisas em nossas vidas.”

Sobre as coisas fúteis, que nós às vezes valorizamos tanto, ela argumenta: “Faça o que desejar. Trabalhe para viver, não viva para trabalhar. Sério, faça o que faz seu coração sentir-se feliz. Coma o bolo. Zero culpa. Diga não às coisas que você realmente não quer fazer.”

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Todos nós, mais dia, menos dia, chegaremos ao ponto em que chegou a jovem Holly. Vamos todos partir. A pergunta que fica, portanto, é simples. Será que deixaremos exemplos àqueles que ficarem? Ou a serena mensagem final da Holly terá sido totalmente em vão?

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