sexta-feira, 9 de março de 2018 14:57

Atraso

Um relatório do Banco Mundial despertou a atenção nesta semana, e reacendeu um debate antigo. A imprensa brasileira deu destaque ao assunto.

O relatório diz que as crianças brasileiras precisarão de 260 anos para atingir o mesmo patamar de leitura das crianças dos países desenvolvidos. No campo da matemática, nosso atraso é de 75 anos.

Em resumo: no ritmo atual, levaríamos 260 anos para alcançar os países ricos.

Os dados, que comparam o desempenho em dezenas de países, são de assustar. Para recuperar esse atraso, só mesmo com uma revolução na educação e investimentos de peso. Como sabemos, estas coisas não estão acontecendo no Brasil.

A divulgação, pelo Banco Mundial, tem o objetivo de pressionar governos para que patrocinem a evolução cultural e humana, único caminho para tirar as populações da miséria.

Entre os problemas das nossas crianças, duas constatações. Elas não recebem os estímulos necessários e entram na escola carentes de habilidades. O quadro começa já nos primeiros anos de vida e alcança a escola. O resultado é que ficam em desvantagem para aprender, repetem de ano, abandonam os estudos e seu quadro de saúde é precário. Terão dificuldades pelo resto de suas vidas.

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Nas últimas décadas tivemos avanços importantes. Mas a velocidade nas melhorias deveria ser muito maior. Os pesquisadores afirmam que pecamos na qualidade. Nossas crianças aprendem a ler, mas não a interpretar. A proficiência em leitura é uma das mais baixas do mundo. O quadro é quase o mesmo na matemática.

O que fazer?

Alguns exemplos pelo mundo afora deveriam ser observados. Recentemente, os melhores desempenhos (além dos países ricos, é claro) são o Chile, Cuba, Colômbia, Peru, Coreia do Sul e Vietnam.

Esses países não estão fazendo nada revolucionário. Eles apenas decidiram que a educação é o caminho para uma vida melhor, para uma população mais feliz e distante da violência e da pobreza. Uma questão de prioridade.

Valorizar o professor, estabelecer metas sistêmicas, disseminar a leitura e investir na qualidade. Fazer da educação um projeto de nação. Parece que foi isso que nós, brasileiros, abandonamos.

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Enquanto isso, uma cruel ironia. Na mesma semana o secretário estadual de educação do RS, um tal Ronald Krummenauer, dizia à imprensa, quando questionado sobre o fechamento de escolas no Estado: “Eu deveria ter fechado mais escolas”.

Deveria, mesmo, é ter fechado a boca.

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Mudando de assunto, registro que estamos no mês da mulher, e isso não é pouca coisa. Os direitos da mulher estão na pauta como nunca estiveram. Assédio e violência devem estar em todos os debates. Não é questão de ser politicamente correto. É questão de direitos humanos, isto sim.

A propósito, dizem os gaiatos que o dia escolhido seria 6 de março. Mas como as mulheres demoraram dois dias para se arrumar, acabaram adiando para o dia 8 de março, que ficou, então, marcado internacionalmente como o Dia Internacional da Mulher.

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