sexta-feira, 16 de junho de 2017 09:15

Economia e clima

Estamos em plena Indumóveis, feira que vem se auto-afirmando e reafirmando a vocação da cidade para eventos que extrapolam os limites da economia regional. Aliás, como já comentamos algum tempo atrás, a feira também contribui para a consolidação de uma economia diversificada, deixando para trás um passado de monocultura (ou de “monoeconomia”), que produzia mais insegurança do que esperanças.

Mostrando ao público o que há de novidade nas áreas do mobiliário e da construção, a Indumóveis contribui para que a economia regional se fortaleça, gerando renda e empregos. No Brasil de hoje, isso já é uma vitória.

Um caminho desejado é a integração entre os grandes eventos da cidade (Fenasoja, Hortigranjeiros, Indumóveis, Musicanto e outros que vierem) e torná-los conhecidos do público de outras regiões. Um calendário de eventos pode auxiliar a economia e tornar definitiva a imagem de uma “cidade de eventos”.

Vale refletir a respeito...

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Não há como calcular, a não ser por aproximação, os prejuízos que as chuvaradas causaram na região. A começar pela circulação de pessoas e o comércio de fronteira, que foi interrompido semanas atrás, e terminando com lavouras que foram desperdiçadas.

Qual a lição disso? Fico com a opinião de um meteorologista, que tempos atrás afirmou: “De agora em diante, devemos aprender a conviver com alterações súbitas e devastadoras do clima”. O que ele quis dizer é o seguinte: a regularidade climática é coisa do passado. Teremos de conviver com temperaturas oscilantes, chuvas inesperadas e ventos de jogar bem longe o chapéu do gaúcho.

Longos períodos de clima estável não aparecem mais nas planilhas dos meteorologistas. O quadro mais provável (e que já vem acontecendo) são chuvas intensas e concentradas. Também viveremos situações marcadas por inundações e secas.

Para quem trabalha no campo, de modo especial, esse quadro requer estratégias inovadoras, o que inclui até mesmo mudança no calendário de plantios. Talvez você não acredite no aquecimento global, mas essas três semanas sob chuva e céu nublado me deixaram com a pulga atrás da orelha.

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É bom lembrar, também, que a Amazônia tem influência direta sobre o clima no Rio Grande do Sul.

A regularidade das chuvas no Estado é resultado dos ventos que vêm da Amazônia. É o vapor de água que se forma na floresta e é carregado para o centro-sul do Brasil e norte da Argentina. O desmatamento, lá, gera instabilidades por aqui.

Não é preciso dizer que temperaturas extremas (muito frio ou calor excessivo) são extremamente prejudiciais à produção agrícola. É esse, porém, o quadro anunciado para os anos (ou décadas) que virão.

Não há como fugir do tema, especialmente porque a nossa indiferença com as mudanças climáticas pode ter efeitos terríveis na economia gaúcha num futuro não tão distante.

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