segunda-feira, 4 de setembro de 2017 07:28

Governos

O dia de hoje, 1º de setembro, não lembra nada? Semana da Pátria, talvez? Aquela coisa antiga do tempo em que, mesmo de forma escassa, tínhamos alguns motivos para nos orgulhar da nação e sonhar com o futuro. Coisa antiga mesmo.
Pois nesse momento, 2017, em que o Brasil passa por situação vexatória perante o mundo, em que vê o patrimônio nacional fatiado e vendido (ou entregue), o sentimento patriótico simplesmente desapareceu. Não há como ser diferente.
É só você parar para conversar com os amigos e outros conhecidos. O sentimento de desânimo é imenso. Enquanto isso, enquanto afundamos, os partidos políticos fazem maquiagem, modificando suas siglas para encobrir suas culpas. É realmente um deboche.
***
Entre as medidas milagreiras inventadas, e que em nada ajudam, está a reforma política, que inclui distritão e parlamentarismo. Alguém duvida que eles estão tentando desviar a atenção do que é importante?
***
Vejamos.
A monarquia é aquele governo de origem divina e hereditária. Algo como se tivéssemos, por exemplo, lá no Maranhão, o Sarney I, o Sarney II, o Sarney III. Na França, a monarquia acabou na forca. No Brasil, foi apenas um susto de Dom Pedro que, ao acordar, ficou sabendo que já estávamos na república. Ele simplesmente fez as malas e se mandou. Muitos anos mais tarde falou-se novamente em monarquia.
Mas a volta da monarquia foi rejeitada pelos brasileiros no plebiscito de 1993.
O parlamentarismo é o sistema que, numa crise, permite a substituição do governo. Parece até simpático, não é? No Brasil, por exemplo, o primeiro-ministro Michel Temer seria substituído por Aécio Neves, que seria substituído por Rodrigo Maia, que seria substituído por Eduardo Cunha, que seria substituído por.... Envolve o fator confiança entre o parlamento e o governo. Existiu no Brasil entre 1961 e 1964. Não serviu pra nada. Nele, não há separação clara dos poderes. Se atualmente eles já se misturam, imaginem se o parlamentarismo for implementado. A turma seria sempre a mesma, só que sem votos. Tudo muito conveniente.
O parlamentarismo também foi rejeitado pelos brasileiros em duas oportunidades: em 1963 e em 1993.
Temos ainda o presidencialismo, nosso velho conhecido. Nele, existe clara separação de poderes entre o executivo e o legislativo. O governo administra, e não pode ser destituído em circunstâncias normais, exceto por golpes como o do ano passado. O presidencialismo brasileiro tem como fator negativo a necessidade de permanente negociação com o Congresso para aprovação de qualquer medida. No nosso caso, como todos sabemos, isso tem gerado um ambiente propício para chantagens, negociações atrás dos panos e na calada da noite. Mas tem como mérito a escolha direta da população e a possibilidade de uma gestão responsável da coisa pública.
O presidencialismo foi escolhido pela população no plebiscito de 1993.
***
A palavra “casuísmo” significa qualquer medida tomada às pressas, sem princípios, apoiada por raciocínio falso e enganador. Essas inúmeras “reformas” que estão acontecendo são exatamente isso. Nossas lideranças parecem moscas tentando sair de uma sala cercada de vidraças.

 

Faça seu comentário