segunda-feira, 28 de maio de 2018 10:49

Números

Não deixa de ser engraçado. A Receita Federal emitiu nota alertando as pessoas sobre um novo golpe em todo o país. Cidadãos que mantém empréstimos em bancos estão recebendo um boleto, onde se informa que se trata do Imposto sobre Operações Financeiras, o IOF. Primeiramente, é preciso lembrar que esse imposto é recolhido pelo banco que lhe deu o empréstimo, e não pelo mutuário. Ninguém deve pagar o tal boleto. Mas a Receita Federal esclarece mais um detalhe, chamando a atenção dos cidadãos para o fato de que a carta que acompanha os boletos, enviada pelos falsários, tem erros de português.

Resumo do caso: até para dar golpes na praça é preciso escrever corretamente...

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O desemprego está outra vez assustando os brasileiros. Pesquisa do IBGE divulgada no final de abril informa que já são 27,7 milhões de pessoas desempregadas, ou seja, 13,1% do total de mão de obra disponível.

O fator mais preocupante da pesquisa, no entanto, está na faixa etária entre 18 e 24 anos, justamente aqueles que estão procurando emprego pela primeira vez após a faculdade. Entre esses jovens a taxa de desemprego está em 25,9%, um índice assustador (um quarto de todos esses jovens).

Na faixa entre 14 e 17 anos, que envolve basicamente os aprendizes, o percentual é ainda maior: 39,7%. Aonde vamos parar?

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Na semana em que o grande debate foi o preço dos combustíveis, veja essa informação perturbadora. Nos primeiros quatro meses deste ano o Brasil pagou R$ 8,7 bilhões pela importação de óleo diesel.

Isso mesmo. Pode acreditar. Estamos importando muito óleo diesel, e com o aumento do preço do petróleo, esta conta está cada vez mais salgada.

Ocorre que o governo decidiu reduzir a produção das refinarias brasileiras, suspendeu obras em andamento nas mesmas refinarias, e, como já sabemos, está vendendo o nosso pré-sal. Ou seja, em breve vamos comprar (e caro) o petróleo extraído no nosso oceano. Parece piada, mas não é.

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Enquanto isso, os vizinhos argentinos estão à beira de um ataque de nervos. O juro básico da economia, que era de 27,5% ao ano, saltou para 40% na semana passada.

A causa disso é que uma pequena elevação dos juros norte-americanos, no mês passado, provocou uma fuga de dinheiro dos países emergentes, como é o caso do Brasil e Argentina, em direção aos Estados Unidos. Com isso, a cotação do dólar sobe. Quando o dólar sobe, os produtos internamente também sobem (muitas matérias-primas e componentes são importados). Na Argentina a inflação anual está em torno de 25%. O governo, então, eleva a taxa interna para conter o consumo e tentar baixar o preço das mercadorias. Esta estratégia também já foi usada no Brasil.

É um jogo arriscado, pois tudo isso também causa um impacto muito desagradável, a recessão. Ou seja, a indústria reduz a produção, e o desemprego volta a atormentar, o consumo cai, lojas fecham as portas. Parece até um remédio que alimenta a ferida. E para os argentinos, isso já parece uma ferida que nunca cicatriza. E já estão concluindo que o tal governo Macri é mesmo um desastre...

No inverno da recessão, eles se consolam com os bons vinhos que produzem. Menos mal.

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