sábado, 18 de novembro de 2017 11:56

Os suecos não são bobos

 

Não gosto de fazer comparações do tipo “lá na Europa é que as
coisas funcionam”. Ou então aqueles comentários do tipo “se fosse nos EUA seria diferente”. São comentários meramente auto-depreciativos, também conhecidos como viralatismo brasileiro.

Mas às vezes é preciso prestar atenção. Por exemplo: a visita do ministro da Educação da Suécia, Gustav Fridolin, não despertou o interesse de ninguém. Mas deveríamos ouvir com atenção o cara que é responsável pela educação num país que é exemplo para o mundo todo. Alguma coisa interessante ele deve ter para nos contar, pois estamos apenas ouvindo o nosso ministro da educação, Mendonça Filho, político tradicional, herdeiro de agroindústrias e envolvido em escândalos na eleição de 2014. De educação entende pouco ou nada. Ninguém sabe o que está fazendo lá.

Mas voltemos ao sueco. Ele esteve em Porto Alegre na semana passada. Veio participar da feira do livro e passeou pela cidade... de bicicleta!

As crianças suecas começam a aprender programação de computador no 1º ano do ensino fundamental. Um dos focos do sistema de ensino é que os alunos saibam discernir o que é certo ou falso na internet, e entendam tecnologias desde cedo. O ensino é gratuito para todos, da pré-escola até a universidade.

Atualmente o governo sueco está empenhado em formar mais professores. O resultado é que eles, os professores, permanecem na profissão, pois são valorizados. A Suécia é que deseja isso. Não é opção deste ou daquele governante.

A leitura é o projeto número um para todos. Isso inclui a família do estudante, que deve participar e se envolver com a leitura. Entender a sociedade depende da leitura. Não há desenvolvimento sem livros, é o que dizem os suecos.

A sociedade sueca e sua escola têm como meta a redução da desigualdade, pois a desigualdade corrói a economia. Coisa fácil de entender. Outro valor é a democracia, estudada e valorizada por eles desde crianças. A temática “democracia” faz parte dos currículos, e isto é visto com absoluta naturalidade (imagine uma coisa dessas num país de golpistas como o Brasil). Os suecos acreditam que a escola deve mudar a sociedade, e não apenas reproduzi-la. Apostam assim num futuro em permanente evolução, garantindo uma sociedade onde todos gostam de viver.

Uma lição e tanto! Esses suecos não são bobos.

***

O CONTRAN regulamentou alguns dispositivos do Código de Trânsito que falam das multas a serem aplicadas a pedestres e ciclistas. Aquelas envolvendo os condutores de veículos são bem conhecidas e estão vigentes há anos.

A partir de 2018, portanto, poderão ser aplicadas multas, por exemplo, para o pedestre que cruza a via fora da faixa. Também para o ciclista que circula na contramão ou sobre o passeio. Basicamente, o Código define onde pedestre não pode circular ou permanecer, sob pena de multa. Para o ciclista, diz que ele só pode circular onde permitido. As multas vão de R$ 44,19 até R$ 130,16.

Pensando bem, não tenho a menor ideia de como eles vão aplicar as multas. Pelo que eu sei, pedestre e bicicleta não têm placa. Então, a saída pode ser vincular a multa ao CPF do cidadão infrator? A multa vai virar dívida ativa? E se o ciclista desaparecer antes de informar o seu CPF? Como a bicicleta será guinchada?

Confesso que não sei. No mínimo, alguma confusão. Mas pode ajudar para uma maior consciência do trânsito, especialmente para aqueles que não estão sentados ao volante. Trânsito é convívio, precisamos entender isto.

Pensando bem, aqui na cidade até cairia bem uma multa para quem cruza a faixa de pedestre digitando no celular. Ou para quem não sabe usar a seta de direção. Ou para pedestres descansados ou imprudentes, desses que subitamente se lançam sobre a rodovia. Seria bastante pedagógico.

 

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